Capítulo 8

Após a sobremesa, Antonio teve dificuldade de tirar Louise do restaurante, de fato não havia sido uma boa ideia apresentar aquele Tiramisu para uma chocólatra assumida. A moça foi praticamente arrastada para fora do restaurante até chegarem a praça que estiveram no dia anterior. A vontade que ele tinha naquele momento era de pegá-la de um jeito e beijá-la sem hesitar, mas achava que ainda não era o momento. Logo eles teriam uma "festa" para irem e Antonio com certeza aproveitaria o momento para dar o tão desejado beijo naqueles lábios carnudos de Louise.

Demorou para que Antonio acordasse da imaginação que passava por sua mente, de como poderia beijá-la e após Louise estalar os dedos, ele sorriu contente por novamente ter a chance de se apaixonar. A previsão do tempo que os noticiários anunciaram era de um tempo úmido e bem frio, daqueles capazes de deixar todo mundo dentro de casa, mas na verdade um lindo sol bem amarelo se sobressaía mais ainda sobre as nuvens agora no início de tarde.

Era aquele tipo de sol que prometia um dia bem quente e divertido, que os italianos deveriam aproveitar ao máximo, porque não era sempre que isso acontecia. No momento Antonio não tinha ideia para onde levar a jovem, pensou em convidá-la apenas para fazer um pequeno tour pelo centro da cidade, enquanto conversavam. Ambos não sabiam sobre o quê falar, mas Antonio começou pelo básico: o que ela gostava de fazer.

Como sempre, foi direto ao ponto, sem hesitar e fazendo perguntas específicas, dessa forma ele poderia conhecê-la melhor do jeito dele. Caminharam por quase quinze minutos até chegarem á um bosque, bastante verde com algumas rosas bem cheirosas. O bosque era formado num labirinto e claro que Antonio quis fazer gracinha. O rapaz saiu correndo por um dos caminhos que ele conhecia e deixou ela ali, sem graça e ao mesmo tempo nervosa talvez por conta da vergonha.

Louise então resolveu entrar na brincadeira e começou a correr por outro caminho, até tentar encontrar Tony, que ainda achava que a mulher estava parada no meio do caminho. Em poucos minutos ela o encontrou e o pegou pelas costas, assustando-o. Antonio como sempre se assustou, principalmente por estar tão concentrado em caminhar lentamente para se esconder da jovem. Após o susto ambos gargalharam, demoraram para recuperar o fôlego, e enquanto não o recuperava, pegaram o caminho de volta até o local onde havia alguns bancos de madeira recém pintados e sem se preocuparem com a hora, quiseram ficar por ali, jogando conversa fora e fazendo piadinhas que na verdade eram indiretas.

— Ei, você tem alguma coisa para fazer hoje à noite?! – perguntou Antonio esperançoso num "não".

— Bem, que eu me lembre não. – Louise sorriu — Por quê? Vai me levar para comer aquela delícia de novo?! – ela disse rindo.

— Esqueça um pouco aquele Tiramisu, mulher! – disse ele rindo. — Quero te levar num Festival. – ele sorriu enquanto procurava pelos ingressos nos bolsos da calça.

— Ha-ha-ha! – ela riu pausadamente fazendo careta. — Festival? De quê?! – perguntou ela curiosa observando-o procurar por alguma coisa.

— Vai ser surpresa! – ele sorriu e finalmente encontrou os ingressos. — Te pego no Belaggio ás oito, pode ser?! – ele perguntou sem entregar os ingressos.

— Você não vai me dar um, seu egoísta?! – disse ela brincando e fechou a cara.

— Eu disse que será surpresa! – Antonio guardou os ingressos de volta no bolso da calça e piscou para Louise.

— E se eu não gostar?! – ela fez aquele mesmo bico de sempre.

— Pare com isso! Você está num lugar novo, experimente as coisas novas também! – ele sorriu e se levantou do banco puxando-a junto.

— Só consigo pensar naquele Tiramisu, Antonio! – ela fez cara de deboche e riu em seguida.

— Tudo bem, logo você vai passar a pensar em outra coisa! – ele sorriu e piscou novamente e juntos começaram a caminhar para algum lugar.

— Para onde estamos indo?! – perguntou ela. — Você é sempre assim? Todo misterioso?! – ela riu.

— Vou te apresentar algumas pessoas. – disse Antonio cambaleando fazendo graça no meio da rua.

— Que pessoas?! – Louise ficou com medo e ao mesmo tempo com vergonha já imaginando o que seria.

— Você verá. – ambos chegaram á rua da casa de Antonio e daquela distância já se podia sentir o aroma delicioso da pizza que dona Marie estava fazendo para o jantar.

— Meu Deus, que cheiro maravilhoso é esse?! – exclamou Louise com água na boca e notou que já estavam pisando na varanda da casa de Antonio. — Espera, você mora aqui?! – fez uma pausa — Não Tony, depois eu venho aqui, não me sinto muito a vontade... – disse ela dando alguns passos para trás e Antonio tornava a puxá-la.

— Não senhora, vamos lá! Deixa de ser boba, ninguém aqui morde, não! – disse ele rindo quando ouviu os latidos de seus cães e foi recebê-los. — Tommy, olá garotão! E você Lolla, como está?! – ele acariciou-os.

Depois de acariciar seus cães e apresentá-los a Louise, Antonio pegou a garota pela mão e a levou até a cozinha, onde estariam Marie, Giulia e Fred, fazendo arte com as pizzas. Do lado de fora, além do aroma delicioso, também era possível ouvir as gargalhadas e deduzir que a cozinha estaria numa bagunça. Antonio acertou em cheio. Ele e Louise entraram pelos fundos e ficaram parados observando a bagunça em que a cozinha estava, quando finalmente se deram conta de que havia visita. Marie, Giulia e Fred se aquietaram mas continuaram rindo e dona Marie sorriu para Antonio, curiosa para saber quem era a jovem que estava tentando se esconder atrás do filho. Giulia e Fred rapidamente conheceram Louise e é claro que a garota não deixou de fazer as piadinhas de sempre.

— Ah, essa é a moça de quem lhe falei mamãe. – Giulia sorriu e Fred meio que a beliscou. Louise rapidamente saiu de trás de Antonio e ficou olhando para ele sem entender.

— O quê?! Você a conhece?! – Antonio perguntou curioso.

— Não maninho, eu e Fred vimos vocês dois na biblioteca ontem! – ela sorriu toda engraçadinha mostrando seu sorriso perfeito como o do irmão.

— Espionar as pessoas é feio sabia, mocinha?! – ele falou brincando mas Fred o interrompeu.

— Nem estávamos espionando vocês, quando chegamos a moça ainda estava lendo alguns livros sozinha na mesa à nossa frente, só depois você chegou. – falou Fred comprovando.

— É verdade! – confirmou Louise. — Me desculpem mas, vocês são irmãos?! – perguntou Louise agora perdendo a vergonha.

— Quem? – perguntou Antonio — Essa é Giulia, minha irmã caçula e ele é Fred, amigo dela. – explicou Antonio sorrindo e se aproximou da mãe — E essa linda senhorinha é minha mamma, Marie! – o rapaz abraçou a mãe com um sorriso, abraçando-a carinhosamente.

— E essa, é Louise. Ela é de Nova Iorque! – Antonio sorriu como um bobo apaixonado.

Todos – inclusive Louise – notaram como o sorriso, o olhar e seu jeito de permanecer de pé denunciavam que ele estava apaixonado – não para Louise, ela ainda não imaginava que isso seria possível acontecer. Mas era notável que o homem parecia estar nas nuvens, sonhando acordado. Só foi acordado pelo estalo nos dedos que Giulia deu próximo ao rosto do irmão.

— Câmbio, um, dois, três! Já voltou pra terra, querido?! – Giulia riu e Louise permaneceu-se quieta e calada observando-os.

— Muito engraçada, Giulia! Muito. – Antonio fez uma careta para a irmã e apertou as bochechas da garota, que retribuiu.

— Ei vocês dois, não vamos deixar a jovem plantada ali, não é?! – dona Marie sorriu olhando para Louise.

— Ah, não se preocupe! – Louise sorriu simpaticamente para todos.

— Venha, vamos lá pra dentro! – disse Giulia convidando Louise para ir até seu quarto.

— Gi, ela não é uma moleca que nem você! – disse Antonio brincando.

— Ah, cala a boca, Tony, garotas também jogam vídeo games! – a irmã piscou.

— Concordo com ela! – Louise contrariou.

Antonio ficou parado, de braços cruzados e sobrancelhas arqueadas, observando as meninas irem para o quarto, enquanto ele e Fred se entreolhavam. Louise estava conquistando Antonio cada vez mais sem perceber, com suas simples atitudes, seu jeito meigo e sapeca ao mesmo tempo de ser. E agora descobrira que a jovem era parecida com a irmã e que pelo visto haviam se dado muito bem. Há tempos, ou talvez Antonio nunca tinha encontrado uma mulher assim, como Louise. Ele estava disposto a lutar para tê-la para si para o resto da vida, e se fosse preciso fugir com ela, ele o faria sem medo. As pessoas do século XXI já não eram mais tão românticas, confiáveis e verdadeiras como antes, perder chances como essa, era como perder parte da sua vida de ser feliz.

Antonio queria trazer de volta ao presente o verdadeiro amor, o cavalheirismo, a coragem, o romantismo, todas aquelas coisas que nos dias de hoje homem nenhum faria mais. Prometeu para si mesmo que iria fazer valer todo seu esforço, desde que terminou com Melinda, de esperar o tempo e a pessoa certa para cumprir seus desejos e futuramente, os de Louise, porque acreditava que poderiam ficar juntos. Mas ele sabe muito bem que haverá alguém que fará questão de estragar tudo, mas estava pronto para enfrentar tudo o que viesse atrapalhar o nascimento desse futuro amor. Ele e Fred terminaram com as pizzas e as levaram para o forno que estava tão aquecido, que a cozinha parecia uma sauna. Antonio queimou um ou dois dedos nas grades do forno, enquanto Fred havia levado um tombo, tropeçado pelo próprio passo. Do quarto, as meninas ouviram o estrondo e logo as gargalhadas dos rapazes que vinham da cozinha, estavam entretidas demais no game, para irem até a cozinha e descobrir o que havia acontecido. Não era nada demais, se fosse, teriam gritado socorro ou algo parecido. Mas se bem que Antonio era do tipo um pouco egoísta e sempre quis se cuidar sozinho na maioria das vezes, para que a mãe e a irmã não tivessem mais preocupações do que normalmente já tinham.

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