Capítulo 22
O céu escureceu, a temperatura caiu um pouco mais e Louise estava dormindo sob o peito de Antonio desde aquele momento. Não estavam exaustos, mas um pouco ofegantes não pela relação que quase tiveram, mas ter conseguido ajudar Louise a se soltar um pouco mais já era o suficiente para Antonio. Ele francamente ainda não estava satisfeito, mas tentava entendê-la de alguma forma. Ele estava surpreso em ver uma mulher tão bela e com curvas quase perfeitas e sinceramente nunca havia conseguido imaginar isso e desejava ser surpreendido mais ainda na próxima tentativa de se relacionar com Louise.
As janelas ainda continuavam semi-abertas e um vento gélido entrou pelo apartamento, percorrendo pelo quarto e fazendo Louise se encolher e acordar. Abriu os olhos e olhou para cima, vendo Antonio sorrindo para si com os olhos carregados de sono e acarinhando-a nas costas e ombro. Este era um daqueles momentos em que você jamais gostaria de sair dali. Louise sentia-se tão bem ali que pensava que poderia viver muito tempo só dessa forma. Antonio desejava o mesmo, mas não podia realizá-lo. Logo a imagem da sua agência publicitária veio à mente, permitindo que suas preocupações tomassem seus pensamentos.
— O que foi? — Louise perguntou com a voz grogue. Houve silêncio e ele suspirou novamente.
— É que, eu preciso voltar... — ele levou as mãos ao rosto. Louise ficou quieta e pensativa. — Não posso deixar minha mãe e irmã sozinhas lá e o pessoal da Venetto precisa de mim.
— Pretende ir quando? — perguntou ela com uma voz mansa de desânimo.
— Talvez no meio dessa semana... — fez outra pausa espreguiçando-se e continuou — Eu te levaria se você não tivesse com esse problemão que Melinda te meteu...
— Tudo bem, eu me viro. — disse ela suspirando.
— Promete que não vai ficar chateada?! — perguntou ele.
— Não... — ela respondeu. — Não sei se consigo sobreviver todo esse caos sem você. — Antonio levantou-se e ficou por cima de Louise e segurou seu rosto.
— Olha, isso não é para sempre. É só até as coisas acertarem, depois eu prometo que eu farei de tudo para que fiquemos juntos até você enjoar de mim! — ele brincou e sorriu. — Hum? — sussurrou e começou a beijá-la lentamente.
Antonio presumia que aquele beijo correspondido era uma resposta de que ela estaria conformada, mas sabia que ela nunca concordaria. Infelizmente não estavam em um conto de fadas como Louise havia mencionado certa vez, na noite em que se beijaram pela primeira vez. Obviamente num conto de fadas, seria possível viver o resto da vida do jeito que desejavam, mas a realidade estava cada vez mais próxima, quase palpável, deixando Louise perturbada. Não que esse amor por Antonio e vice-versa fosse ilusão, mas há muito tempo Louise não se sentia bem e feliz ao lado de alguém.
Encontrar um homem como Antonio havia surtido um efeito tão intenso que ela conseguia se esquecer do passado e dos problemas que a perseguia, mas nunca chegava a ser ilusão, ao menos não acreditava que isso seria uma ilusão.
Já no apartamento de James as coisas ainda estavam "frias" se é que me entendem. Ele era quase que uma versão masculina de Louise, só que mais tímido do que se imagina. Mas com uma mulher louca que nem Marianne ao lado dele, essa timidez seria espantada sem delongas e de alguma forma ele sabia disso. Como de costume, Marianne também foi para o banho e James voltou para o sofá para assistir ao jogo do Chicago Bull's que estava no final. Do banheiro Marianne podia ouvir os gritos e os grunhidos de James que vinha da sala por causa das faltas que o time cometia. Mary voltou do banheiro com uma toalha enrolada nos longos e ruivos cabelos cacheados e parou de frente para o rapaz que estava com uma expressão facial de fúria que significava "sério que vai assistir jogo?". Então o celular de James tocou.
— Que foi agora, Betty?! — resmungou ao atender.
— Segunda-feira tem uma reunião importantíssima com a direção. Querem você às oito. Não-se-atrase! — falou Betty pausadamente a última frase e desligou.
— Quem era?! — perguntou Marianne arquejante.
— Betty. — James jogou o celular no outro sofá e deitou a cabeça no encosto do sofá. — Tem reunião segunda. — bufou ele novamente.
— Pela manhã?! — perguntou Marianne.
— Sim. Às oito. — ele revirou os olhos e suspirou.
— Ah, tá de brincadeira né?! — resmungou ela se lembrando do convite de Louise, para irem até uma feira de artigos brasileiros.
— Não. Ela disse que é importante e eu não duvido... — ele a encarou e também se lembrou do convite de Louise. — Ah, a feira...não vai dar. Vai ter que avisar a Lou pra mim. Tudo bem? — disse formando um bico com os lábios.
— Ok... — Marianne respondeu no tom baixo e de desânimo. Deitou a cabeça no ombro do namorado e fechou os olhos, pois estava muito cansada.
— Mary? — James olhou por cima e para seu lado esquerdo imaginando que ela estivesse dormindo.
— Hmmm... — respondeu ela meio grogue.
— Dormiu?! — perguntou ele rindo baixinho. Ela deu um leve beliscão na barriga.
— Estou com sono, me leva. — Marianne sussurrou.
— Certo. — ele se levantou e carregou-a até o quarto. — Ah, amanhã é domingo! — comemorou James ao colocá-la sob a cama e depois se jogou também.
Deitaram-se e adormeceram em poucos minutos. Tiveram um sono tão pesado que no dia seguinte haviam acordado da mesma forma como deitaram, de fato. Acordaram mais tarde do que já estavam acostumados, depois do meio dia e almoçaram no horário de lanchar. Marianne sempre gostava de sair da rotina e quase todo domingo conseguia fazer isso mais do que ás vezes se podia imaginar. Ambos já estavam de pé, mas ainda dormindo. James estava com os cabelos bagunçados, os olhos esbugalhados e andando com o corpo escorado nas paredes e móveis, enquanto Marianne parecia uma zumbi tentando preparar ovos mexidos e bacon para o café do "meio-dia". Decidiram que almoçariam num restaurante que ficava por perto e que ficariam em casa, assistindo filme ou até mesmo dormindo durante o dia inteiro.
No dia seguinte, na Itália...
O sol novamente brilhava sobre Palermo.
A umidade do ar continuava baixa e ainda assim as pessoas insistiam em sair de casa, para aproveitar o sol que tinha um tom amarelado bem fraco. Logo pela manhã, de criança até o mais ancião, os parques e pistas de caminhadas matutinas eram ocupados. Era um domingo como qualquer outro, só que mais amarelado. Tal amarelo que ultrapassava as cortinas do quarto de Giulia que como sempre dormia como uma pedra.
Dona Marie entrou no quarto pé ante pé e depositou um beijo na bochecha da filha, enquanto acariciava-a nos cabelos com intenção de acordá-la. Abriu os olhos com dificuldades, enterrou o rosto no travesseiro e cobriu a cabeça com o edredom mas Dona Marie apontou os indicadores para a cintura dela, logo fazendo cócegas. Giulia por sua vez desastrada como sempre se enrolou nos lençóis e caiu da cama pela milésima vez. Isso acontecia com tanta frequência que já estava se tornando um momento clichê em sua vida. Depois de muito se espreguiçar colocou-se de pé e deu um beijo nas bochechas da mãe. Enfiou os pés frios nas pantufas e foi para a cozinha, onde Fred já estava atacando a mesa cheia de variedades.
— Você já chegou e nem foi me acordar?! — Giulia murmurou com as mãos na cintura.
— Estou com fome, ué! — respondeu ele com a boca cheia. Giulia sentou-se ao lado dele e encheu a mão de biscoitos. — O que quer fazer hoje?! — perguntou ele.
— Hoje tem feirinha no centro, podíamos ajudar minha mãe. — disse ela, enquanto preenchia um copo americano de café.
— Claro. E depois? — Fred levantou-se e foi até a geladeira pegar geléia de uva e voltou.
— A gente inventa algo por lá mesmo. — Giulia tomou a geléia da mão dele e pegou uma faca, para passar nas torradas que a mãe havia feito.
— Ei! — Fred resmungou e teve de esperá-la usar a geléia para não ter o rosto sujo da coisa melosa.
— Giulia... Pretendem almoçar fora?! — perguntou Dona Marie aproximando-se da mesa.
— Não sei, por quê?! — perguntou.
— Hoje vou almoçar na casa de seu tio, Giancarlo. Se quiserem ir... — disse ela ajuntando as coisas sujas da mesa.
— Pode ser. — respondeu Fred por Giulia.
— Fred! — ela o encarou.
— Que foi? Qual é, eu gosto dele! — respondeu ele rindo.
— Ele é chato! — retrucou Giulia, chateada.
— Minha filha, seu tio sempre foi sem noção. Ignore-o quando ele disser aquelas besteiras. — disse Dona Marie sorrindo.
— Tá bom, eu vou. Mas não quero ficar muito tempo. Você me prometeu um potão de sorvete, lembra?! — disse ela encarando Fred, ele que por sua vez franziu o cenho ao lembrar-se da promessa.
— Certo, certo. Te compro um pote de dois litros de sorvete, está bom pra você?!
— Dois não. Cinco. — respondeu ela. Dona Marie ficou de braços cruzados observando os dois sorrindo e lembrando-se da época em que tinha conhecido Giuseppe.
— Bem, deixe-me ir porque tenho que ajudar sua tia. Nos vemos na hora do almoço! — Dona Marie pegou sua bolsa que estava pendurada numa das cadeiras e saiu rumo ao ponto de táxi.
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