Capítulo 10
Antonio com certeza aproveitou o embalo de Louise pro seu lado e abraçou-a, puxando-a mais para si, com os olhos bem próximos um do outro. Obviamente era possível sentir e ouvir a respiração de ambos, de tão próximos que estavam. Naquele momento ambos ficaram surdos, mudos e quase cegos, por se olharem tanto no fundo dos olhos, principalmente Louise, ao ficar vidrada naqueles olhos quase que transparentes de Antonio. Sem hesitar, o homem envolveu Louise um pouco mais em seus braços e lentamente, com os olhos fechados deixou que seus lábios encontrassem os dela. Antes mesmo que os lábios se encontrassem
Louise já se encontrava de olhos fechados, simplesmente adivinhando o que aconteceria, quase que se entregando ao rapaz, e Antonio já podia sentir um peso a mais em seus braços, sinal de que Louise estava se entregando. E quem não se entregaria?! Todos já sabem que Antonio é um dos homens mais invejados de Palermo e, mais desejado pelas mulheres, diria que pelas mulheres do mundo inteiro, por ser tão raro encontrar homens como ele. Se Louise conhecesse Tiziano Ferro, posso dar-lhes a certeza de que ela jamais trocaria Tony por ele, acredite. O beijo foi longo. Tanto que, quando terminaram deram vários suspiros – eu diria que, esses suspiros da parte de Antonio, seriam de felicidade e nem se importaria se isso acontecesse novamente. Louise ficou sem graça, estava rosa pra ficar vermelha de tanta vergonha e Antonio como sempre tirou sarro da jovem, dizendo que estava parecendo um pimentão. Louise deu um forte tapa num dos braços de Tony e depois um beliscão, fazendo cara feia pra ele.
— Ei...ai! – resmungou Antonio rindo. — Você fica linda quando está brava! – ele a provocou novamente e já estava pronto para mais um beliscão.
— Não tem graça! – Louise virou-se de costas para ele e fingiu estar emburrada.
— Agora eu sou sem graça?! – disse ele rindo por cima do ombro dela. – O que aconteceu com o "engraçadinho"?! – continuou rindo e cruzou os braços.
Louise se virou para Antonio com um sorriso sem graça nos lábios e aquele olhar "brilhoso" para cima, como se só com os olhos pudesse implorar para que ele parasse com aquelas gracinhas, funcionou. Mas o rapaz não resistiu, segurou as bochechas de Louise e as apertou de leve, como se trata uma criança e fez toda aquela careta. O show do astro italiano durou quase vinte minutos, afinal era um festival, Tiziano era apenas uma atração a mais para que o evento fosse um sucesso. E após a última música, "Perdono", os dois foram embora, seguindo novamente de volta para a praça que ficava perto do hotel.
Ambos caminharam um pouco distantes e silenciosos, ainda descrentes do que havia acontecido antes, Louise ainda continuava um pouco sem graça e Antonio pulando de alegria em mente. Já era tarde da noite e a cidade já estava começando a ficar fria, deixando Louise encolhida e fazendo Antonio retirar seu casaco para tentar protegê-la do frio. Desde aquele inesquecível beijo dado há alguns minutos atrás, Louise estava quieta e calada, tentando colocar sua mente no lugar, porque jamais conhecera e havia sido tratada tão bem como Antonio e precisava se acostumar com todo esse cavalheirismo do charmoso e conquistador Antonio.
— Me desculpe por estar tão quieta... – ela sorriu sem graça e agradeceu o rapaz pelo casaco.
— Eu entendo. – ele sorriu simpaticamente. — Eu sei que terá que levar um tempo para se acostumar e se esquecer do seu passado. – Antonio sentou-se ao lado dela e abraçou-a.
— Posso lhe confessar uma coisa ridícula?! – Louise riu, olhando para o lado.
— O quê?! – ele perguntou olhando para ela e sorrindo.
— Eu me sinto dentro de um conto de fadas! – ambos riram.
— E isso é algo bom?! – ele perguntou curioso.
— Acho que sim. – respondeu ela.
— E o que você espera desse conto de fadas? – perguntou Antonio olhando para o céu pouco estrelado.
— Que ele seja real! – Louise respondeu com um sorriso nos lábios.
— E como você pretende torná-lo real?! – perguntou ele ainda olhando para o céu.
— Não sei, acho que por mim depende dele. – ela respondeu referindo-se ao próprio Antonio.
— E se ele quiser?! – ele perguntou agora olhando fixamente para a jovem.
Louise não respondeu nada, ficou apenas sorrindo e vidrada naqueles olhos misteriosos de Antonio, que por sua vez, estava louco para beijá-la novamente. Ele a queria para si. Mas pensou que talvez tudo fosse acontecer rápido demais e estava lutando para segurar a vontade de implorar para que ela ficasse com ele.
Antonio não estava mais apaixonado e sim num processo de amor futuro. Pretendia se casar com ela e quem sabe, ter filhos depois de uns anos. E poderia dizer que Louise fora a melhor coisa que já havia acontecido consigo mesmo. Louise com certeza diria o mesmo, mas talvez não estaria pronta para iniciar um novo relacionamento, principalmente com Antonio, um homem tão diferente de Jeremy. Mas se ele estivesse disposto a esperá-la, com certeza após alguns meses os dois ficariam juntos. E ambos sabiam que não seria nada fácil, com os dois principais problemas, de um lado: Jeremy, um homem independente e safado, que não dá valor á nenhuma mulher. Do outro: Melinda, uma mulher mimada, com atitudes de uma adolescente ciumenta e sem juízo na cabeça. Essa aventura, estava só começando.
O tempo começou a ficar mais úmido e ventos gélidos percorriam ambos na praça. Agora estava ficando realmente tarde e Antonio decidiu por levar Louise novamente de volta ao hotel, onde conversaram por mais quinze minutos e depois se despediram. Louise pegou o elevador para o seu quarto, e Antonio voltava pra casa caminhando ás pressas, encolhido e sorridente, por finalmente arrancar um beijo da "repórter dos pés calejados". Por mais que parecesse ridículo, também sentia-se num conto de fadas – não á ponto de se imaginar num cavalo branco –, mas no qual desejava jamais que acabasse, de fato. Seus últimos dias, desde que conheceu Louise, estavam cada vez ficando melhores, mais cheios de vida, de felicidade, de simplicidade. Eram coisas simples que esperava de Melinda, uma mulher orgulhosa que jamais pôde lhe oferecer tão pouca coisa que com tanta facilidade era possível realizar e ao mesmo tempo se ter.
Chegou em casa cansado, mas bastante satisfeito. Estava tão feliz que havia se esquecido de trocar de roupa e quando entrou no quarto, simplesmente se jogou na cama, adormecendo com um enorme sorriso nos lábios. Havia se esquecido também de fechar as janelas do quarto, o que fez com que a Giulia acordasse com o vento gélido e se levantasse, para descobrir de onde vinha tanto ar frio. Entrou lentamente no quarto do irmão e percebeu que ainda estivera com a roupa que usara para ir no Festival e logo mais, olhando mais de perto, viu ele dormir sorrindo com os lábios como um bebê. Deu uma risadinha se segurando para não acordá-lo e deu mais alguns passos até a janela e fechou-a com cuidado.
Já no hotel, Louise por sua vez, não conseguia dormir. O dia anterior poderia ser considerado o melhor dia de sua vida, até o momento e toda vez que se lembrava do que fizera, sorria feito boba e sentia suas bochechas corarem, de tanto sorrir envergonhada. Chegou até a esconder o rosto com as duas mãos, como se alguém estivesse a vendo. Ficava de minuto a minuto olhando para o teto e ás vezes se virava para a direita, para a esquerda e até mesmo enterrava o rosto no travesseiro, mas nada adiantava. Chegou a sentar-se na beira da cama e ficou olhando para o relógio que demorava a marcar dez horas da manhã do dia seguinte.
Para não ficar que nem um zumbi havia encontrado apenas uma única opção que a ajudaria a dormir. Seu precioso iPod. De novo, estava fora da cama, agora agachada perto de uma das malas e com as mãos procurou pelo aparelho, que a muito não estava sendo usado. Fez um playlist com uma variedade de músicas românticas, de preferência instrumentais que em poucos minutos já fazia o sono se despertar. E assim foi. Louise também dormiu feito um bebê, e como consequência de ter pego no sono tarde, acordou na hora do almoço. Como sempre, levou muito tempo para sair da cama, principalmente daquela cama. Quando finalmente abriu os olhos, se deparou com a metade do corpo no chão, enquanto as compridas pernas ainda se permaneciam na cama. Bastou apenas uma boa espreguiçada para que caísse de vez ao chão. Não se machucou, mas o efeito do tombo lhe rendeu uma boa dor nas costas durante o resto do dia e nem se deu conta de que, pela queda poderia ter quebrado o pescoço.
No dia seguinte, Antonio acordou mais tarde que Louise, depois das treze horas. Enquanto ela almoçava, ele continuava esparramado pela cama de casal, quase que jogado ao chão novamente. Ambos sentiam coisas que era impossível explicar. Louise como sempre continuava com as suas risadinhas misteriosas e bobas por onde passava e Antonio com aquela cara de bobo apaixonado, quase sentindo suas bochechas ficarem coradas de vergonha. Finalmente, ele havia se levantado da cama. O terno que havia usado no dia anterior estava parecendo que havia sido mascado por uma vaca, segundo Giulia. Antes de ir para a cozinha, tirou o terno "mascado" e jogou no cesto de roupas sujas no seu banheiro e vestiu uma regata branca e uma bermuda tectel escura.
Caminhou descalço até a cozinha onde Giulia havia quebrado um copo. "Nem pise aí", disse a mãe. Era tarde demais. Poucos cacos de vidro haviam penetrado em cheio um dos pés do rapaz que ficou sem ar de tanta dor pontuda. Por pouco não se jogou ao chão, no qual se tivesse o feito, a dor seria bem pior. Deu alguns passos para trás e sentou-se na porta d seu quarto, tentando retirar os cacos. Nesse mesmo momento, adivinha quem chegou lá? Ela mesmo. Louise deu as caras por lá, mesmo que ainda estivesse com vergonha e sem jeito pra se aproximar da família de Antonio. Louise entrou pela porta dos fundos e deu de cara com Antonio sentado no chão com um dos pés bem próximo do rosto, para tentar tirar os cacos.
— Antonio?! — perguntou ela rindo, aproximando-se mais dele.
— Lou! — ele olhou para cima e sorriu. — Dá pra me ajudar aqui? — disse ele levantando o pé e mostrando para ela.
— Claro... — ela se ajoelhou. — Mas o que aconteceu aqui?! — perguntou olhando para o lado.
— A Giulia foi brincar com copos de vidro e bem... — disse ele arquejando e riu.
— Brincando é?! — Louise riu e correu no banheiro e voltou com algumas toalhas úmidas. — Deixe-me ver... — disse ela examinando. — Vai doer um pouco hein! — disse ela sorrindo.
Começou pelos cacos maiores e aos poucos, com bastante cuidado foi retirando tudo do enorme pé de Antonio. Poucas vezes ele quase dava um berro ou outro, finalmente se sentiu aliviado. Logo, após Louise ter se levantado para jogar os cacos no lixo, voltou com um vidro médio de álcool. Ela umedeceu uma toalha com o líquido e deu uma outra toalha para Antonio.
— Pra quê isso?! — perguntou ele sem entender.
— Pra você oras. — ela riu. — É pra morder bobão!
— Muito engraçado. — disse ele resmungando feito uma criança.
Foi tudo de repente, mas sentiu-se aliviada. Louise havia dado praticamente um banho de álcool nos pés do rapaz que parecia ter quase morrido por conta daquela dor que quase lhe tirava todo o ar que possuía. Chegou a ficar avermelhado de tanto prender a respiração nos primeiros segundos, depois foi voltando ao normal aos poucos. Os dois permaneceram sentados no chão, um olhando para o outro. Antonio com aquela expressão esquisita de dor e Louise cada vez mais risonha pela expressão dele. E Giulia, tinha acabado de voltar da rua, após ter jogado o restante dos cacos de vidro num saco de lixo mais grosso em um dos latões de lixo que haviam na rua de casa. Se deparou com Antonio sentado no chão e mais uma pessoa de frente á ele, que demorou a notar que seria Louise.
— O quê vocês dois estão fazendo no chão?! Oi Louise! — disse Giulia passando entre os dois.
— Seu irmão foi vítima da sua arte! — disse Louise rindo.
— Bem que a mamãe avisou pra não chegar perto da cozinha, né?! — Giulia riu como quem estava com a razão.
— Ela avisou tarde demais... — disse ele emburrado.
Louise e Giulia disparam a rir. As caretas e expressões que Antonio fazia eram realmente de uma criança emburrada, só que com cara e corpo de adulto. Está aí mais uma coisa que Melinda considerava um defeito em Antonio: as brincadeiras e as atitudes infantis que tinha. Esse tipo de atitude para ela, eram imperdoáveis, literalmente. Nunca havia conseguido esconder sua falsidade a respeito das crianças, que ao contrário de Antonio, as odiava. Vivia dizendo que queria ter filhos lindos com ele, mas nunca sequer conseguiu ou soube tratar uma bem.
Após a dor ter passado, Louise começou a enfaixar os pés de Antonio com todo o cuidado possível. Foi nesse momento que, em só falar o nome da garota, ela apareceu. Giulia olhou para a porta da sala que estivera aberta e deu de cara com Melinda, que sem vergonha na cara – como sempre – entrou sem pedir permissão. Mas naquele dia Giulia nem deu bola. Melinda então entrou dessa mesma forma e encontrou Louise sentada no chão, de frente para Antonio, enfaixando os pés de seu ex. Não foi preciso dizer nada para que ela saísse, porque às vezes nem um "por favor," seria o suficiente.
Bastou apenas um olhar de ignorância vindo de Antonio, para que ela recuasse sem dizer nada. Louise por sua vez, nem ousou olhar para ela, ainda que soubesse que era Melinda e que poderia muito bem zombar dela, mas não o fez por respeito e por simplesmente não ter nada a ver com o passado dos ex-namorados. Mas Giulia, como sempre, zombou da garota. Apontou para a porta e disse que a saída era por ali, arquejando e rindo ao mesmo tempo. Por mais que de fato, Antonio se sentia bem por vê-la daquele jeito, não precisava dessa zombaria toda. Não seria assim que ela aprenderia a corrigir seus modos, mas isso é fato.
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