Capítulo 24

Ana Carla estava sentada à mesa com uma xícara de café fumegante entre as mãos. Depois de absorver a noticia, passou pelo pior, que foi dar a notícia ao filho, Pedro. O menino chorou muito, revelou a mãe que pesava que um dia encontraria César, seu pai. Seriam grandes amigos com certeza. Após, muitas lágrimas, dormiu exaurido.

A mãe tinha o coração em frangalhos, pelo filho, claro! Andre ficara sabendo à tarde, ao passar na padaria, após um concerto de um telhado, na casa dos pais de Valéria.

Ficara um tanto incomodado com o fato. Segundo o relato, César fora interceptado por um desconhecido, quando saia de manhã para o trabalho. Uma testemunha viu, quando os dois conversaram. O homem branco, com barba e cabelos escuros, sacou uma semiautomática, efetuou um disparo. Um disparo fatal! César não resistiu, antes que o socorro chegasse, faleceu. Meses antes, junto com um comparsa, ele assaltou um comércio, levando grande soma de dinheiro. A polícia acredita, que possa ser crime de vingança.

Ao acordar no fim da tarde, Pedro pediu para ficar na casa dos avós. Querendo trazer um pouco de conforto para o filho, Ana Carla o fez.

Agora sentada com seu café já frio, sorriu quando André, que havia saído do banho com os cabelos úmidos, a beijou no pescoço.

- Está melhor? - Ela alisou seus cabelos com carinho. Arrepiada com seu toque.

- Sim, eu estou bem. Preocupada com o Pedro.

Ela seguiu seu movimento, de se abaixar diante dela, seus olhos de mel muito claros, em contraste com a pele queimada de sol. Lindo, muito lindo!

- Ele vai ficar bem. É um menino forte, igual a mãe. Vou levá - lo para pescar, amanhã. Distrair ele. - enlaçando - a pela cintura, a puxou para si. - Agora, você.

- Eu?

- Esta muito tensa. Precisa relaxar.

- Hum...

Ele sorriu, mostrando os dentes brancos de lobo. Ela segurou seu rosto entre as duas mãos, acariciando a linha do maxilar até a nuca, fazendo - o fechar os olhos, apreciando a carícia.

- Obrigada.

- Por quê? - Abriu os olhos brilhantes.

- Por estar aqui, disposto a passar por isso. Sei que seria mais fácil, com uma mulher, sem filho.

- Eu não mudaria nada em você. Amo sua família, amo sua sua profissão... E, eu amo você.

Houve, um breve momento em que os olhos se encontraram, como se buscassem uma confirmação muda. Ela não soube o que dizer. Andre segurou seus pulsos com delicadeza, porém firme.

- Não precisa me dizer nada. Eu, vou esperar por, você. - Arrumou uma mecha de cabelo atrás da orelha.

- Como você sabe disso?

- Já faz algum tempo, que eu entendi, meus sentimentos. Ao contrário de muitos, nunca fui do tipo que toma decisões , sem antes pensar bem.

Sentindo a tensão dela, ele pegou suas mãos e a beijou.

- Está tudo bem.

- Será que você não vai se cansar de esperar? Paciência tem limite. Ela falava com evidente preocupação.

- A paciência do homem, sim. Mas, a paciência que vem de Deus, não acaba, jamais. E, a minha vem, DELE.

- Você, parece ter muita certeza...

- Sim. E, eu sei, que você sente o mesmo. Só precisa, de tempo para poder, por para fora.

O coração de Ana, Carla apertou no peito, ela queria dizer, mas não conseguia. Um grande nó se formou em sua garganta, a impedindo de falar. Lágrimas teimosas, desceram.

- Desculpe... Eu...

- Meu bem, por favor.

Machucado por fazer - la chorar, abraçando - a com carinho. Pôs ela de pé. E a fez girar nos calcanhares, dançando sem música.

- O que está fazendo? - Ana Carla sorria ao desequilibrar, sendo amparada ele.

- Dançando. Não ficou claro?

- Sim, mas por que? - Rindo mais ainda.

- Eu não quero ver você chorar. E, sua mãe me disse, que você sempre gostou, de dançar.

- Você e minha mãe, são grandes amigos, não é?

- Digamos, que ela se apaixonou por mim, antes de você. - Piscou charmoso pra ela. - O que eu disse, não foi para deixa - la triste.

- Eu não estou triste, conhecer você foi a melhor coisa, que me aconteceu em anos. - Foi o máximo que pode confessar.

Embalados, pelos sentimentos, beijaram - se. Cada beijo, era mais instigante, que o outro. Tornava o sentimento, mais intenso. A mão dele entre seus cabelos, um toque suave de ternura. Era necessário um esforço descomunal, dos dois, para por um fim, no beijo.

- Eu vou tomar um banho. - Ela disse ofegante.

- Tudo bem. - Ele concordou sorrindo.

Por Deus no céu, era bom mesmo, que os dois tivessem bom senso. Mesmo, que o desejo da carne fosse forte, ambos são conscientes de seus limites.

Andre lavou a caneca dela, suja de café, na pia da cozinha. Indo para a sala, pensando na vida. Como seria ao lado daquela mulher, daquele menino, daquela família tão acolhedora.

Pedro o preocupava, não era fácil perder o pai, seja qual for a idade. Ainda que este pai nunca fosse presente, talvez houvesse uma esperança de uma aproximação futura. Muitos filhos criados sem o pai, nutriam a vontade de conhece - los depois de adultos, e quem sabe formar uma boa amizade.

Estacou no lugar ao entrar na sala, e encontrar o menino sentado na sala. Pedro tinha em mãos uma Bíblia e um abajur aceso ao lado da poltrona, onde estava.

- Ei, garotão. O que está fazendo?

- Orando. Pedindo a Deus, que cuide do meu pai.

- Tenho certeza que Ele vai cuidar. Como você está? - Perguntou sentando - se ao seu lado no sofá.

- To triste. Eu queria conhecer meu pai, um dia. Mas agora... - Encolheu os ombros em desalento.

Exatamente como desconfiou, uma esperança vão, pois o garoto mau, desconfiava que, na verdade César nunca quis ter filhos. Sem palavras, André apenas esperou.

- Sabe, tio. Eu não sou bobo. Sei que meu pai nunca me quis, ele até brigou com ela, por minha causa.

- Como você sabe? - Ele estava surpreso, com o menino.

- Há muito tempo, ouvi minha tia Bia, minha mãe e minha avó, falando sobre meu pai. Ele não era um cara legal. Tio, será que eu vou ficar igual a ele?

- Você é um bom menino. Se ouvir, sempre sua mãe, será um bom homem, também.

- Minha mãe é muito forte. Quando eu sentia vontade de ter um pai, ela dizia que talvez um dia, me desse um. Mas, que tinha que vir de Deus. Você sente muita falta do teu pai, tio?

- Sinto muita falta dele. Ele era um grande amigo meu.

- Acho que nunca vou sentir falta do meu pai. Acho isso muito triste. - O menino falava olhando para a bíblia que tinha sobre as pernas.

- Sei que não é muito. Mas nós podemos ser amigos para sempre. O que você acha?

- Eu pensei que a gente já era "amigos para sempre."

Andre sentiu - se um pouco ridículo com sua proposta, o garoto ao seu lado, deu a entender que já o havia posto neste patamar. De repente, Pedro abraçou Andre com força.

- Se eu pudesse escolher um pai pra mim, eu ia pedir a Deus, que me desse você, tio. Você aceitaria?

Emocionado, com a confissão repentina. O homem sorriu, extremamente feliz.

Quem em consciência, não aceitaria tal convite?

- Seria um prazer ser seu pai. Será que sua mãe, vai aceitar?

- Vai, sim. Ela gosta muito de você, tio.

- É bom saber disto. Só precisamos, dar um tempo pra ela, pensar no assunto. Tudo bem?

- OK. Você sabe alguma história?

- Sei a de Davi e Golias.

Andre começou a contar a história, sem muito geito, devido a falta de prática. Havia muito tempo, que não contava histórias aos sobrinhos, filhos de Estevão. A lembrança feliz, trouxe uma pontada no peito de tristeza, mas logo passou para a nostalgia. Não tinha mais espaço para a dor dilacerante, só a saudade.

Minutos depois, tocando nos cabelos do menino descobriu, que Pedro estava dormindo. Andre o tomou nos braços, com cuidado carinhoso. E o levou para a cama. Ana Carla havia saído do banho, vendo os dois no sofá decidiu deixa - los a sós, entrado no quarto do avô. Quando ele saiu do quarto, foi sentar varanda a luz da lua.

Sorrindo feito um bobo, lembrando do desejo do menino. Há muito que sentia o mesmo desejo no coração. Não se apaixonará somente pela mulher maravilhosa, que Deus lhe apresentou, mas também por seu filho.

Não seria justo, se fosse diferente. Ele fazia parte dela, e como boa mãe, é uma parte importante dela. Andre via o menino forte e inteligente, todos os dias, e quando não, o garoto pedia para ligar para o tio. Contava até o que a mãe, queria esconder!

Um dia quando estava desesperado com a morte do amigo André, chegou a pensar que nunca teria um alguém especial. Uma família, um futuro com pessoas que amasse, e que pudessem retribuir, tal sentimento.

Claro, só quando estamos desesperados, é que podemos ter pensamentos tão exagerados. Como, se Deus no auto de sua sabedoria, não houvesse nos preparado, o melhor.

Sorrindo de sua tolice, ele volveu os olhos para as estrelas, agradecendo por estar ali naquele momento. Poder dar apoio aos dois, quando estes foram a corda usada pelo Senhor, para arranca - lo da depressão.

Ana Carla saiu para a varanda, sentando - se ao seu lado, segurando sua mão.

- Você nos viu? - Ele perguntou acanhado.

Ao que ela respondeu confirmando com a cabeça. Beijou seu rosto.

- Obrigada. - Sussurrou.

Ele apenas sorriu, não tinham necessidade de palavras. Recostando - se no sofá puxou - a para si. Ficaram assim por um bom tempo observando a noite clara.

Para tudo ficar perfeito, ele teria que resolver algumas pendências no Rio de Janeiro.

Por o pingo nos "is."



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