Capítulo 6
- Você está louco querido? - Pergunto de olhos arregalados.
- Não querida. - Sorri com malícia. - Só quero desfrutar essa noite maravilhosa com minha namorada.
Victor da um sorriso selvagem. O meu subconsciente me diz que esse é o momento certo de fugir, mas não consigo dar um passo sequer, enquanto Victor chega ainda mais perto.
- O que acha da minha ideia? - Ele pergunta a centímetros de mim.
Eu sabia que minhas brincadeiras acabariam mal, mas continuei insistindo porque amei incomoda-lo.
- Bem... - Digo com a voz baixa. - Acho que ainda está um pouco cedo demais.
Lhe ofereço um sorriso sem graça, enquanto ele me observa de perto.
- Eu não acho. - Ele diz com a voz meia rouca.
Eu tinha que abrir minha boca grande? Tinha que ter o provocado? Agora terei que fugir como uma covarde. Sou meia maluca mas não ao ponto de dormir com um homem que não conheço.
- Que tal da próxima vez? - Tento fugir sem parecer covarde.
- Está tentando fugir Lya? - Victor pergunta.
- Eu? - Digo com desdém. - É óbvio que não.
- Não é o que parece. - Um sorriso cínico se estampa no rosto novamente.
Eu sei que já deveria ter fugido, mas meu orgulho não deixa. Não quero parecer medrosa, não na frente desse ogro.
- Já se decidiu? - Ele pergunta.
- Claro. - Digo tensa. - Se é o que você deseja.
- É o que desejo. - Ele diz apenas.
Victor coloca a mão nas minhas costas e me guia para o prédio. Me obrigo a caminhar lentamente, enquanto meu coração se acelera cada vez mais.
Se sou louca? Eu sou! Posso estar indo em direção a minha morte e não estou fazendo nada para impedir. Ele pode ser um louco psicopata, um tarado ou um assassino cruel.
E mesmo sabendo dessas possibilidades estou caminhando ao seu lado, rumo ao desconhecido.
Alguns tempo depois paramos em frente a uma porta grande de madeira. Victor a abre em seguida e me puxa para dentro do apartamento, fechando a porta atrás de mim.
Sinto meu coração bater ainda mais forte, quando sinto Victor me abraçar por trás. Me assusto com essa atitude inesperada e pulo para longe dele.
- O... o que você... você está fazendo? - Pergunto de olhos arregalados.
- O que você acha? - Ele revira os olhos.
- Eu...
- Não achou que iríamos brincar de casinha não é? - Ele me interrompe.
Ignoro o sarcasmo em sua voz e começo olhar o ambiente. Seu apartamento é enorme, mas tem um toque aconchegante. Quadros nas paredes é o que me chama mais atenção.
- Você tirou essas fotos? - Pergunto curiosa.
- Sim. - Ele diz apenas.
- São lindas. - Digo sincera.
Tem vários quadros e de vários tamanhos, com fotos de paisagens pelo mundo.
- Obrigada. - Ele agradece.
Continuo olhando as fotos com interesse, enquanto Victor me observa em silêncio.
- Vai passar a noite inteira olhando minhas fotografias? - Ele pergunta.
- Sim, elas são mais interessantes. - Falo sem pensar.
Estou tão encantada com as fotografias, que acabei me esquecendo o motivo de estar no seu apartamento.
Ficamos nos encarando por um tempo sem ao menos dizer alguma palavra. Meu coração que havia se acalmado por um tempo agora começou a palpitar novamente.
Desvio meu olhar do seu e me deparo com um pequeno quadro em uma mesa de centro. Arregalo os olhos ao me deparar com uma foto da Emília com Victor.
- Não pode ser. - Digo abismada.
- O que foi? - Ele pergunta curioso.
- Você é o Victor amigo da Emília?
- Sim. - Ele diz. - Você conhece a Emi?
Conheci Victor algum tempo atrás, mas ele está tão diferente de quando o conheci.
- Não se lembra de mim? - Pergunto. - Já nos conhecemos.
- Não me lembro de você. - Ele passa a mão pelo queixo. - Você não é o tipo de mulher que faço questão de me lembrar.
- Graças a Deus por isso. - Reviro os olhos.
Me aproximo do retrato e o pego.
- Sou amiga da Emi. - Falo.
Victor pensa por um tempo e pergunta:
- Você é a prima do Mark?
- Sim. - Digo sorrindo.
- Me lembro agora. - Ele fala.
- Você está bem diferente de antes. - O encaro curiosa.
Sua barba e seus cabelos longos o deixou muito diferente do Victor que me lembro.
- Decidi mudar um pouco. - Ele passa a mão pelo cabelo.
Tenho quase certeza que essa mudança é por causa de sua ex namorada. Emília me contou sobre Victor e sua ex cobra.
O entendo muito bem porque passei pela mesma coisa. Fui traída e enganada por alguém que confiava, mas não deixei isso me afetar por muito tempo. É óbvio que passei por uma fase extremamente ruim, mas decidi seguir em frente, e não ficar sofrendo por alguém que não vale a pena.
Segui minha vida e estou totalmente recuperada do que houve. Apesar de ser traída não perdi a confiança nos homens. Sei que existe muitos homens que valem a pena. Passar por uma fase ruim não me deixou desacreditada no amor.
Foi difícil para mim, mas acho que por não amar meu ex foi fácil de superar. O odiei por muito tempo, mas acabei desistindo desses sentimentos ruins. Ódio só trás mais ódio.
É claro que fico receosa, e tenho medo de que o passado se repita, mas enterro esses pensamentos pessimistas bem fundo em minha mente, e decido não deixar esse medo me afetar.
Entregar meu coração a alguém será um risco que irei correr em algum momento da minha vida. Mas tenho certeza que meu passado não irá interferir no meu futuro e nas minhas escolhas.
- No que está pensando? - Victor pergunta metirando do meu devaneio.
- Não é nada. - Sorrio abertamente.
Victor caminha em minha direção em passos largos, para em minha frente e me olha com malícia.
- Acho que já falamos demais. - Ele envolve minha cintura com as mão.
- Eu... eu não acho. - Gaguejo.
Posso estar errada, mas tenho uma leve impressão que Victor se tornou cafajeste logo após o término do seu namoro. Ele tenta esconder sua dor através de várias mulheres, como se isso fosse aliviar seu fardo.
- Está com medo Lya? - Ele sorri de canto.
- Não. - O empurro.
Ele não me solta e me puxa para mais perto de si. Minha mente me manda fugir, mas meu corpo me manda ficar, e eu não tenho ideia do que fazer.
- Não é o que parece. - Ele cochicha em meu ouvido.
Sua proximidade me causa arrepios, mas tento fingir não sentir nada e o empurro novamente.
Nunca me senti tão afetada por um homem como estou sendo por Victor, e isso me deixa com receio.
- Você é linda. - Ele fala e coloca meu cabelo atrás da orelha.
- Obrigada. - Agradeço. - Eu acho.
Victor começa se aproximar de mim lentamente. Eu sei que ele vai me beijar, mas não estou fazendo nada para impedi-lo. De repente me lembro de algo que me faz saltar para trás.
- O que foi agora? - Ele pergunta irritado.
- Preciso ir embora. - Digo apenas.
Me lembrei de algo que havia me esquecido por um tempo. A bendita tatuagem na minha bunda com o nome do Victor. É óbvio que não iria dormir com ele, estava apenas enrolando. Mas prefiro não me arriscar, já que pareço não me controlar muito bem perto dele.
Pego minha bolsa sobre a poltrona e corro em direção a porta. Antes que eu saia do apartamento Victor diz:
- Da próxima vez você não vai conseguir fugir de mim tão facilmente. - Ele cruza os braços. - Sou conhecido por conseguir tudo o que quero, e eu não gosto de perder.
- Para tudo tem uma primeira vez na vida. - Digo com desdém. - Se está pensando que sou uma boba iludida como as mulheres que passou pela sua vida, está redondamente enganado a meu respeito. - Sorrio abertamente. - Algo me diz que dessa vez você não terá o que quer tão facilmente. Acho que será uma boa oportunidade para aprender a perder.
Lhe dou um último olhar e o que vejo que sua expressão é de desafio. Tenho uma leve impressão que o jogo apenas começou, e não pretendo sair perdedora nessa guerra.
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Bom dia meninas.
Tudo bem com vocês?
Espero que tenham gostado do capítulo, até sexta feira com o próximo. ❤
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