Capítulo 3

- Me arrependi. - Digo. - Não vou mais  nesse encontro.

- Você vai sim. - Anne aponta o dedo para mim.

- Não vou. - Digo.

- Não me faça levá-la a força Lya. - Ele me encara com irritação.

Não sei o porque me deixei levar, e aceitei essa bobeira de encontro duplo. No minuto seguinte que concordei com isso, já me arrependi.

- Não tenho roupas. - Tento encontrar uma saída para fugir.

- Você tem roupas o suficiente, mas se esse o problema... - Anne exibe um sorriso largo. - Vamos as compras.

- Não tenho tempo. - Reviro os olhos.

- Não pensa que você me engana Lya. - Ela cruza os braços.

- Jamais faria isso. - Reviro os olhos.

Anne é tão cabeça dura quanto eu. Quando coloca algo na cabeça, não desiste até que consiga o que quer.

Esse foi um dos motivos por gostar tanto dela. Somos parecidas em quase tudo, tanto para coisas agradáveis, quanto para desagradáveis. Ela é a irmã que não tive a oportunidade de ter.

Conheci Anne na faculdade, e de lá para cá não nos largamos mais. Anne é uma amiga incrível, e sempre esteve ao meu lado em todos os momentos, tantos bons quanto ruins.

- Por que quer tanto me levar nesse encontro? - Pergunto.

- Você precisa fazer algo que não seja trabalhar. - Ela fala.

- Você sabe que você recebe seu salário porque eu trabalho. - Sorrio abertamente.

- Isso é maldade. - Ela joga uma almofada no meu rosto.

Meu tio está me treinando para ser a vice presidente do Mark quando ele assumir a empresa. Mas para dizer a verdade não sei se quero isso para minha vida.

É uma responsabilidade enorme cuidar de uma empresa, e não tenho certeza se é isso o que quero fazer. Acabei aceitando a proposta do meu tio, porque não quis mágoa-lo negando seu pedido.

Mark não queria assumir a empresa do pai, porque quer crescer sozinho. Mas acabou aceitando depois de algumas chantagens emocionais do pai.

Meu tio está colocando tanta confiança em mim, que estou com medo de desaponta-lo. Ele fez tanto por mim, e ainda continua fazendo.

- No que está pensando? - Anne pergunta.

- Na bagunça que minha vida está se tornando. - Suspiro frustrada.

- Você deveria dizer a seu tio que não quer trabalhar na empresa. - Ela diz.

- Eu sei. - Falo. - Mas não quero mágoa-lo.

- Vai viver infeliz? - Anne me olha incrédula.

- Eu sou feliz. - Sorrio fraco. - Só não tenho certeza se quero e consigo assumir tamanha responsabilidade.

Qualquer erro causa uma bagunça enorme, e eu não sou uma pessoa impecável no que faço.

Sou desastrada, e bagunceira, e para assumir uma tarefa tão difícil, é preciso ser uma pessoa muito atenta, coisa que não sou.

- Você precisa se decidir logo Lya. - Anne me olha com carinho.

- Eu sei. - Passo a mão por meu rosto.

Só não quero ser a pessoa a decepcionar meu tio. Mas também não quero viver infeliz fazendo algo que não gosto.

Cursei administração de empresas por causa dele, e não porque era algo que eu gostava. Mas a culpa foi minha, não disse para meu tio o meu sonho, então acabei onde estou agora.

- O que pretende fazer se não assumir a empresa com o Mark? - Anne pergunta.

- Quando criança sonhava em me tornar médica e salvar vidas. - Sorrio abertamente. - Mas agora esse sonho não parece tão atraente como antigamente.

- Você não sabe o que quer da vida. - Anne ri alto.

- Exato. - Sorrio abertamente. - Preciso encontrar algo que me agrade.

Anne pega minha mão e aperta de leve, e sorri para mim com carinho.

- Agora mudando de assunto. - Seu sorriso se alarga ainda mais. - Passo aqui mais tarde para irmos jantar.

- Você não desiste não é? - Cemicerro os olhos para ela.

- Não. - Ela fala. - Você já deveria estar acostumada com isso.

- Estou pensando seriamente em mudar de melhor amiga. - Digo despreocupada.

Seu sorriso morre nos lábios, dando lugar a carranca.

- Perdeu o amor pela vida Lya? - Ela pergunta.

- Não seja dramática. - Digo rindo.

- Você é uma péssima amiga. - Anne cruza os braços.

- Que calúnia. - Faço cara de cachorro sem dono. - Melhor do que eu você não encontrará nunca.

- Além de chata, ainda é convencida. - Anne revira os olhos.

Olho para o relógio na parede, e vejo que já é tarde.

- Tem certeza que preciso ir nesse encontro? - Pergunto pela última vez.

- Sim. - Ela diz apenas.

- Tudo bem. - Suspiro frustrada.

Não estou nem um pouco afim de sair hoje, mas se eu desistir Anne ficará me atormentando por um longo tempo, então é melhor acabar logo com isso de uma vez.

- Você me obriga a fazer cada coisa. - Jogo uma almofada nela.

- Você precisa se divertir um pouco. - Ela diz.

- Quem disse que não me divirto? - Retruco.

- Você trabalha igual uma louca em um emprego que não quer... - Ela revira os olhos. - Isso parece diversão?

Não é nem um pouco divertido, mas com toda certeza meu emprego indesejado, do que ir em um encontro as cegas.

- Você vai acabar me deixando louca. - Bufo frustrada.

- Uma louca divertida. - Ela pisca para mim.

A encaro por um longo tempo, tentando achar alguma forma de fugir, mas chego a conclusão que é impossível.

- Será a primeira e última vez que faço isso. - Aponto o dedo para ela.

- Não posso prometer nada. - Anne da de ombros.

- Estou apenas te informado. - Digo. - Você vai passar vergonha se inventar isso uma próxima vez.

- Desmancha prazeres. - Sua carranca aparece novamente.

- Estou apenas lhe informando que esse será o primeiro e último encontro duplo que vou com você. - Cruzo os braços abaixo dos seios. - Então não invente de me empurrar para algum louco novamente.

Anne cemicerra o olhar enquanto me encara em silêncio.

- Tudo bem. - Ela diz por fim.

- Ótimo. - Sorrio aliviada.

Basta sobreviver por hoje e tudo voltará ao normal.

- Mudando de assunto... - Ela sorri abertamente. - Como Mark reagiu ao saber que terá uma garota?

- Achei que ele fosse desmaiar. - Gargalho alto. - O coitado ficou todo pálido e teve que ser amparado por meu tio.

- Ele tinha tanta certeza que seria um garoto. - Anne fala.

- E no final das contas eu estava certa. - Sorrio convencida.

Achei foi bom que Mark terá uma filha. Estava se gabando demais, e zuando do Matt e Philip por ter muitas garotas, mas agora vai passar pelas mesmas coisas que eles.

Mark e Emília concordaram em chamar a filha de Malia. Tenho quase certeza que eles aceitaram por ser o nome da minha mãe.

- Pobre garota. - Anne balança a cabeça em negação. - Ainda não nasceu, e já sinto pena dela.

- Concordo com você. - Assumo.

Mark fará questão de dificultar a vida da filha se bem o conheço. Ele não permitia nenhum garoto chegar perto de mim. Dizia que estava me protegendo dos predadores de mente suja.

Ele teve a coragem de bater no primeiro garoto que meu deu um beijo. Depois desse ocorrido, todos do colégio ficaram sabendo, e se antes um garoto chegar perto de mim era difícil, acabou se tornando impossível. Todos ficavam com medo de apanhar dele, então mantinham distância.

Se eu que sou apenas prima, ele não facilitou para mim, imagina para filha. Tenho certeza que a pobre garotinha não terá uma vida tão fácil ao lado do pai idiota e super protetor.

- Já está na minha hora. - Anne diz olhando para o relógio no braço esquerdo. - Daqui a pouco passo para te pegar.

- Não precisa. - Reviro os olhos. - Vou com meu carro.

- Tudo bem então. - Ela diz apenas.

Não sei o porque, mas tenho uma leve impressão que essa noite não será tão agradável.

🌻🌻🌻🌻🌻🌻🌻🌻🌻🌻🌻🌻🌻🌻🌻
Bom dia meninas.

Como tens passado?

Espero que gostem do capítulo, até sexta feira com o próximo. ❤😍

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