Capítulo 1

- Você deveria estar pensando em se casar. - Anne diz.

- Concordo com Anne. - Meu tio pisca para mim.

- Os dois. - Aponto para eles. - Deveriam cuidar das suas vidas.

- Não foi essa educação que lhe dei. - Tio Enrico cemicerra o olhar para mim.

Bufo frustrada e me jogo em uma poltrona que está em minha frente.

- Vocês são muitos intrometidos. - Sorrio abertamente.

- Você sabe que queremos o melhor para você. - Anne senta na beirada da poltrona.

- Eu sei. - Reviro os olhos. - Mas não pretendo me casar nem tão cedo.

- Você...

- Não começa tio. - O corto.

De uns tempos para cá, toda minha família e meus amigos, colocaram na cabeça que preciso me casar. Mas para falar a verdade, não sei se estou pronta para isso.

Quero focar no meu trabalho e na minha vida pessoal, e casamento não é algo que quero no momento.

- Você deveria nos escutar. - Meu tio revira os olhos.

- Quando quiser me casar, isso vai acontecer, então não precisa se preocupar comigo. - Mando um beijo para ele.

- Você sabe que suas amigas estão quase todas casadas. - Anne me lembra isso pela milésima vez.

- O problema é de vocês que não gostam de ser feliz. - Sorrio cínica.

Anne começou a namorar, e acha que todos a sua volta também devam fazer o mesmo.

Não é que eu tenha algo contra casamento, mas depois do término do meu noivado, acabei me fechando para o amor.

Confiei em um homem que destroçou meu coração de uma maneira que ninguém foi capaz em toda minha vida. Tenho medo que o passado possa se repetir, então prefiro ficar só do que passar por toda dor novamente.

Apesar de tudo o que aconteceu, não me tornei uma mulher amargurada e que não acredita no amor. Sei que ainda existem homens de caráter, como também sei que irei encontrar um desses algum dia, mas não será por agora.

- Você está ficando velha. - Anne sorri de canto.

- Falou a criança. - Reviro os olhos.

- Anne está certa. - Meu tio concorda com ela.

Pelo visto terei mais trabalho do que imaginei, em fazê-los entender que estou bem sozinha.

Me sinto só as vezes, mas decido não deixar sentimentos ruim tomar conta da minha vida, e continuo minha caminhada.

Não vou me tornar uma pessoa solitária porque escolhi ficar só por um tempo. Quero viver minha vida para eu mesma, sem dar satisfação para outra pessoa.

É óbvio que quero me casar e ter filhos, mas sei que ainda não estou preparada para isso, então vou focar em mim mesma, e ser feliz sem depender de outra pessoa.

- Você sabe que estou ficando velho. - Meu tio leva a mão ao coração fazendo drama. - Quero que você tenha uma família antes que eu morra.

- Já tenho uma família. - Gargalho alto.

- Você entendeu o que eu quis dizer. - Ele revira os olhos.

Me levanto, caminho até ele e o abraço.

- Estou bem como estou. - Falo. - Estou feliz.

- Ninguém é feliz sozinho meu amor. - Ele passa a mão por meu rosto. - Eu só me preocupo com você.

- Eu sei. - Sorrio fraco. - E o senhor sabe o quanto aprecio isso.

Ninguém é feliz sozinho, mas prefiro ficar só, do que em um relacionamento fingido, que não irá me trazer nada a não ser infelicidade.

- Você é uma garota incrível. - Ele sorri abertamente.

- Eu sei. - Falo.

- Te criei muito bem. - Ele sorri convencido.

- Nisso eu tenho que concordar.

Enrico foi um pai para mim. Sempre cuidou de mim da mesma maneira que cuidou do Mark. Não havia diferenças entre nós dois, e ainda não há. Nunca houve mais privilégios para um, fomos tratados da mesma forma. Quando era para passar a mão na cabeça, ele fazia isso, e quando era para puxar a orelha, fazia da mesma forma.

Tenho certeza, que outro no lugar do meu tio, não iria me tratar tão bem, e iria me deixar de lado. Mas ele me adotou como sua filha, e cuidou de mim e ainda cuida até hoje.

Sempre fomos próximos, mas depois da morte dos meus pais nos tornamos inseparáveis. Sou imensamente grata a Deus por tê-lo em minha vida, e por ter cuidado tão bem de mim.

Nunca teve disputas entre Mark e eu, nunca houve brigas e contendas. É óbvio que tínhamos nossas diferenças, e brigavamos por coisas fúteis. Brigas de crianças, mas fazíamos as pazes minutos depois das discussões e tudo voltava ao normal.

- Só pensa com carinho no que eu disse. - Meu tio sorri abertamente.

- Tudo bem. - Reviro os olhos.

- Promete? - Ele pergunta.

- Tem mesmo necessidade disso?

- Sim. - Ele fala.

Fico em silêncio por um tempo, o observando.

- Eu prometo. - Digo por fim.

- Essa é minha garota. - Ele beija meu rosto.

- O senhor me faz prometer cada coisa. - Cemicerro os olhos para ele.

- Tenho esse poder sobre as pessoas. - Ele ri alto.

Meu tio sempre foi convencido, mas parece que se tornou pior depois que se casou.

- Está na hora. - Digo olhando o relógio no meu pulso. - Se eu chegar atrasada, Emília me mata.

- Vá com cuidado. - Meu tio se despede de mim.

- Já vou também. - Anne pega sua bolsa. - Nick vai me levar para jantar fora.

- Tenho pena dos donos do restaurante. - Faço uma careta.

- Invejosa. - Ela me mostra a língua.

- Pode ter certeza que não tenho. - Sorrio cínica.

Anne e Nick ficam tão melentos juntos, que da até nojo.

- Até amanhã. - Ela se despede do meu tio.

Caminhamos lado a lado para fora do escritório, em seguida entramos no elevador.

- Nick tem um amigo interessante. - Anne diz do nada.

- Que bom para ele. - Dou de ombros.

- Seria legal fazermos um encontro duplo. - Ela sorri abertamente.

- Pode esquecer. - Reviro os olhos.

Já não sei o que fazer para fugir desses encontros que Anne inventa.

- Por favor. - Ela faz carinha de cachorro sem dono. - Só dessa vez.

- Não. - Digo apenas.

- Faço o que você quiser. - Ele pega minha mão e aperta de leve.

- Pensando bem... - Coloco a mão no queixo. - Talvez eu concorde com isso.

- Interesseira. - Ela me empurra com o  ombro.

Tenho um pedido em mente, mas ela não saberá por enquanto.

- Posso marcar? - Ela pergunta animada.

- Pode. - Falo.

- Ok. - Seu sorriso está de orelha a orelha.

Me despeço da minha amiga assim que entramos no estacionamento. Caminho até meu carro, e o destranco, em seguida abro a porta e me sento no banco.

- Emília vai me matar. - Resmungo comigo mesma.

Ela vai revelar o sexo do bebê hoje, e quer todas as amigas reunidas. Estou atrasada para minha sentença de morte.

Coloco o cinto, em seguida dou a partida no carro e começo a sair lentamente.

Do nada aparece uma moto em minha frente, e acabo batendo nela, já que não dá tempo de frear o carro.

🌻🌻🌻🌻🌻🌻🌻🌻🌻🌻🌻🌻🌻🌻🌻

Bom dia
Tudo bem com vocês?

Desculpe pela demora pessoal kkkkk
Tive um tempinho e decidi postar o primeiro capítulo.
Voltarei dia 7 de Janeiro, então tenha mais um pouco de paciência 😅

🌻

Desejo a todos um bom Natal, e um próspero ano novo cheio das bênçãos do Senhor sobre nossas vidas.
Boas festas! 🎉❤

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