@Fehrico: O Assassino Semi-deus

De um milagre indesejado
Surgiu uma criança
Um menino
Que deveria ser dos deuses a esperança.
Não obstante,
Seu destino estava selado.
O acaso já havia decretado. Ninguém impediria o fato
Ele cometeria o ato
E a dor consequente
O mataria num brado.  

**********  

Eu estava correndo, minhas pernas doíam como o inferno, mas eu não poderia parar. Não posso parar..repetia para mim mesmo.  

Os gritos furiosos ao longe me incentivavam a continuar correndo. Os galhos quebravam-se aos meus pés, sem a ajuda divina, eu tentava permanecer em pé, correndo. Correndo por minha vida.  

Algo prendeu ao meu tornozelo me fazendo parar. Olhei freneticamente em volta, com medo de me alcançarem. Ignorei a dor lasciva e com um fio de força restante, cortei o cipó que se enlaçava, subindo pelas minhas pernas. Pelo caminho, várias plantas tentavam me prender.  

A luta nos céus era iminente. E eu era o alvo.  

Eu fugia da fúria dos anciãos, fugia da fúria dos aldeões, fugia da fúria dos Deuses. Eu vim ao mundo sob uma profecia, e desde criança fui considerado a salvação do mundo. A escada para o Olimpo dos mortais. A esperança dos Deuses.  

Mas algo mudou. Algo desvirtuou minha sina. Algo grande. Poderoso. Considerado a ruína e a força dos homens. A libertação das almas perdidas. A prisão dos desesperados.

O amor.
Ele amaldiçoou minha sorte. Me trouxe o desespero. E a morte.     E ela é a culpada. Nos conhecemos pelo acaso. Em meio a templos e jóias raras eu morei, e ela me considerava seu rei. Uma paixão se instalou entre nós a primeira vista, bastou um beijo seu para me tirar da risca. Ela me tinha nas mãos, nunca um amor tão forte foi sentido em meu coração, me tornei devoto e delirei de emoção, pois achei que tê-la, era como provar salvação.

Dois amantes perdidos em desejos, momentâneo para ela, eterno para o mancebo. Dimitria era meu tudo, minha alma e meu mundo, eu me entreguei em seus braços, e ela me fez seu. Perdidos e enlaçados, deixamos o resto de lado, preocupamo-nos com nosso estado, cômico e apaixonado.

A noite teve seu fim, e os dias se passaram sem que notássemos. E dentro de várias luas, a verdade chegou nua e crua. De interesse a atração, o amor que era paixão virou obsessão e acabou em traição.

Eu a segui por entre as árvores, já desesperado pelo seu beijo, qual foi a minha devastação, ao encontra-la às carícias com outro aldeão. Houve berros, e ela chorou, ouviu-se clamores, por clemência implorou, mas a espada reluzente em minha mão pendia, e inconsequentemente o seu coração eu já atingia.

O amante não escapou, em minha fúria sua vida minha espada também levou. E quando voltei a mim. Arrependimento me inundou. Chorei abraçado a sua alma fria. O seu sangue derramado escorria. Um último "eu te amo" suspirei,  pois nada mais de sua boca ouvirei. O seu corpo então abandonei.  

Caminhava no meio da floresta derrotado, perguntado a mim mesmo, até onde eu havia chegado. Em minhas mãos eu sentia o pecado, e no fundo da minha alma, eu clamei desesperado. Em meio as árvores escutou-se um brado, e foi assim que eu soube, da princesa descobriram o assassinato.  

Agora cá estou eu correndo pela minha vida, um Semi-deus adorado, agora era caçado, o povo corria com forcados, prontos para impor castigo ao injustiçado.

O escuro me cegava, não poderia escapar, era justo cair pela espada, assim como eu a fiz padecer. O que me fizeste fazer Dimitria? Eu a endeusava, eu a amava, todo o meu ser suspirava, apenas quando tu me beijava. Éramos perfeitos juntos, achei que nada nos separaria, jamais imaginei, que um dia me trairias.
Amargurado pelo sentimento, deixei meu último alento. À morte certa me entreguei, e ali mesmo eu jazerei.  

Ao meu amor eu deixo meu recado, a melhor coisa de minha vida foi ter te amado, espero um dia te encontrar, no Elíseos ou qualquer lugar. Mas esperança eu ainda tenho, de teus lábios novamente beijar. Nessa cabana encarcerado, meu destino já selado, foi concretizado, e com um último brado, louco e apaixonado, morri incendiado.

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