@1cassidy: O Assassino Que Queria Ser Dinossauro
Era Mesozóica, você conhece?
Vou simplificar pra caso não saiba, é a época que os dinossauros existiam, para ser mais exato, a que eu deveria ter nascido.
Tudo começou quando eu ganhei o meu primeiro pterodátilo de brinquedo, achei fascinante, depois disso passei a pesquisar mais na internet sobre como eles eram e como viviam.
Ao decorrer do mês passei a imitar os sons e andar feito um dino, me chamavam de louco.
Esse “chamavam” veio no passado porque eu os matei e se até o final do meu conto, você achar o mesmo, estará morto também.
Não se assustem, eu não sou louco, sou apenas um apaixonado por dinossauros e quanto mais eu pesquiso sobre, mais eu quero ser um deles.
Meus pais não me respeitavam, diziam “você é um ser humano, nunca poderá ser um animal”, coitados... eles foram minhas primeiras vítimas.
Envenenei a comida dos dois e ninguém suspeitou de mim, até eu começar a matar novamente, quando uma menina da minha escola me humilhou na frente dos outros me chamando de conturbado.
Vocês não acreditam como foi bom vê-la morrendo de medo e implorando para que eu não tirasse sua vida, o melhor de tudo foi dilacera-la como um tiranossauro faria.
— Por que você está fazendo isso? — ela perguntava querendo soltar as amarras da cadeira, eu me sentia tão bem vendo seus olhos encherem de lágrimas, seu desespero era claro.
— Você me humilhou, sua inútil. — a encarei.
— Humilhei? Eu só disse a verdade, no final todos têm pena de um maluco como você. — como ela era capaz de continuar me desafiando dessa forma?
— Shh!!!! — coloquei meu dedo indicador em sua boca. — Você só tem o direito de ficar quieta.
Depois de me afastar, ela fez o máximo para cuspir em mim e isso me deixou irado.
— Como você ousa fazer isso? — gritei. — Será que nem na frente de um dos melhores dinossauros da terra, você consegue ter respeito? Você merece morrer! — juntei toda saliva que eu tinha e revidei com gosto, fazendo-a gritar de nojo.
— Bem feito, vagabunda. — sorri.
Eu estava me sentindo realizado.
Fiz meus preparativos, a dopei e logo retalhei cada pedaço dela, comendo coisa por coisa.
Eu nunca tinha me sentindo tão perto da minha espécie assim, era reconfortante.
Após minha refeição, arrumei tudo e fui para casa.
No dia seguinte já era notícia, estava estampado em tudo quanto era jornal que a menina que eu matei, havia desaparecido.
Com toda a atenção que esse caso teve, porque infelizmente a menina tinha pais influentes, não demoraram muito para achar o resto do corpo dela.
A cidade ficou horrorizada e as opiniões foram divididas, uns achavam que era coisa de serial killer, outros pensavam que era um animal, um bem grande e particularmente ouvir esses comentários sobre “qual bicho matou a Melissa”, me deixava maravilhado.
Sem contar que desde ontem eu não paro de pensar no quão maravilhoso era o sabor da carne dela.
Acho que eu estava começando a pirar, mas tudo dará certo.
***
A menina foi encontrada no terceiro dia, o que foi uma droga, pois logo começaram a olhar todas as câmeras da escola e dos arredores dela e acabou que as atenções voltaram para mim.
— Vocês só podem estar brincando se acham que eu matei essa imunda. — revirei os olhos.
— Então vai me dizer que não era você nessas fitas de segurança? — ele me encarou, estávamos em uma sala de interrogatório, mas eu sabia que havia mais gente do outro lado do vidro preto que estava na porta.
Afinal, embora eu queira ser um dinossauro e quisesse nascer na era Mesozóica, o século XXI tem algo que é bem legal, a televisão.
— Não, esse era eu.
— Então confesse. — eu jamais confessaria isso, então resolvi começar a emitir meus sons e ficar na minha. — Você é maluco! — ouvir isso me deixou possesso.
— Eu não sou maluco! — bati minhas mãos fortemente na mesa. — EU SÓ NÃO DEVERIA TER NASCIDO NESSA ERA! — ele me encarou enquanto eu gritava tudo na cara dele.
— E quando você deveria ter vindo ao mundo? — o investigador estava confuso e era possível notar.
— Eu sou um dinossauro, mas como não lembro minha espécie, acabo me declarando como um mix de todos e estou preso nesse corpo humano inútil. — eu estava indignado.
Mas isso só fez com que eles achassem que eu era completamente maluco e me declararam como culpado pela morte de Melissa.
Estou preso desde os dezoito anos e agora tenho vinte e três, mas se vocês pensam que eu estou em um presídio, estão enganados.
Eu escrevo este conto de um manicômio, pois fui injustiçado e tratado como pirado, quando tudo que tinham que fazer era entender que eu sou diferente por não ser daqui.
Eu odeio todos e essa foi minha história.
E ah, antes que eu me esqueça...
Se você, assim como todos os outros, me achar maluco, saiba que sua hora vai chegar, quando eu sair daqui, a primeira coisa que farei é te procurar.
Assinado: Jack, o dinossauro.
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