✧*:.。.."Seja feita a Tua vontade"..。.:*✧
Muitos são os planos
no coração do homem,
mas o que prevalece
é o propósito do Senhor.
Provérbios 19:21
Planejar, direcionar, organizar e controlar. Esse era o lema de Clara, responsável pela organização e verificação dos documentos da empresa, manter contato com os sócios e clientes e controlar os compromissos de sua chefe.
Clara, sempre bem preparada, fazia tudo com perfeição. No início de seu turno sempre apresentava todos os planos para aquele dia ao Senhor, e fazia o seu melhor para que durante o dia todos os planos fossem bem sucedidos. Há dois anos trabalhava em uma empresa gerenciada por uma amiga próxima, entrou como estagiária e logo mostrou seu profissionalismo, tornando a secretária pessoal da gerente. Todo o mérito por ter chegado ali, se dava por esforço de seu próprio trabalho e incontáveis noites pedindo ao Senhor para lhe abrir uma porta de emprego após ter concluído sua graduação em Administração e não por privilégios. E ali estava ela, trabalhando em uma empresa de Marketing, uma entre as melhores da região.
Com um sorriso receptivo enfeitando seu belo rosto esguio de cor morena, Clara passou as mãos pelo cabelo colocando uma mecha para trás da orelha. Com o coração acelerado e as mãos suando, acompanhou com os olhos sua melhor amiga sair do elevador e entrar na recepção.
— Bom dia, Clara! Como você está hoje? — Em passos lentos e calculados, Ana, uma bela ruiva no auge de seus trinta anos puxou a amiga para um abraço.
— Estou bem, Ana, obrigada — declarou Clara, enquanto sorria e esperava as próximas palavras da mulher a sua frente.
— Ótimo, você cancelou a reunião de hoje a noite? — A gerente procurou saber se afastando. — Tenho outro compromisso importante para hoje, e ele é prioridade para mim. Não me perdoaria se falhasse com ele.
— Cancelei e está remarcado para sexta-feira, no mesmo horário e no mesmo restaurante. — Assentou-se em seu lugar enquanto prosseguia. — Mas te aconselho a chegar uns trinta minutos antes, pois o Sr. Richard não perdoa atrasos.
— Excelente! Mais tarde você me envia aquelas planilhas que te pedi para organizar. Bom trabalho, Clara.
Em passos confiantes em seu salto agulha, Ana afastou-se de Clara levando consigo as expectativas da secretária.
Durante o almoço Clara mal tocou na comida, não gostava de fazer suas refeições sozinha. Seu plano de internet havia acabado e ela não conseguia entrar em contato com a mãe. Ana recusou o convite de ir almoçar, como faziam juntas todos os dias, alegando ter outras coisas para resolver e a irmã mais velha de Clara, simplesmente sumiu do mapa. Deixando a jovem solitária.
Já eram quatorze horas, quando Clara levantou abruptamente de sua cadeira e foi apressada para o banheiro, se trancando nele enquanto erguia as mãos trêmulas ao rosto. Ergueu os olhos encarando o espelho, e deixou que as lágrimas que evitara durante o dia rolassem. "Será que esqueceram?", pensar nessa possibilidade a incomodou. Ficou ali, com as mãos escoradas sobre o balcão da pia e se encarando no espelho por vários minutos.
Sentindo-se mais aliviada, desencostou-se do balcão, enquanto enchia as mãos com água e jogava no rosto. Com um papel toalha secou os olhos, treinou um sorriso nos lábios. "Isso! Bem melhor". Retirou o batom do bolso da calça preta e retocou, conferiu sua camisa pólo floral e juntou rapidamente o cabelo em um coque atrapalhado que não acomodava perfeitamente seus fios cacheados, passando uma caneta que tinha no bolso para firmar seu penteado. Seu dia especial estava totalmente fora do que havia planejado. "Deus não está nem aí para o seu planejamento" seu sorriso foi espontâneo ao se lembrar da conhecida frase que compartilhavam nos grupos entre amigas.
"Oh Deus! Me perdoe por esperar dos outros aquilo que estou ciente encontrar apenas no Senhor. Me ensine a não colocar minhas expectativas nas pessoas, mas confiar e descansar plenamente em Ti. Também me ajude a celebrar não apenas esse, mas todos os dias, vendo a beleza do Teu cuidado por mim mesmo nos pequenos detalhes. Me perdoe por minha ingratidão, Senhor. Que seja feita a Tua vontade"
Com uma aparência mais apresentável voltou para seu posto de secretária e focou seus pensamentos no término das planilhas para Ana, se esquecendo do estado emocional que havia se encontrado mais cedo.
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— Clara, estou indo embora, quer uma carona pra casa? — Quis saber Ana, no fim do expediente.
— Aceito, com certeza. Assim a gente coloca os assuntos pessoais em dias, já que minha melhor amiga recusou meu convite de almoço. — Clara forçou a voz em um tom triste, em seguida sorriu da amiga que a olhou com pena.
— Poxa, Clara! Garanto que foi por uma boa causa — garantiu, Ana.
Meia hora depois já estavam no bairro de Clara. As moças estavam envolvidas em uma conversa animada quando Clara recebeu uma mensagem.
" Parabéns querida, te amo muito, minha menina.
Mamãe.
Ps. Renovei seu plano de internet."
Apenas essas palavras estavam escritas, mas Clara leu com um sorriso enfeitando sua bela face, como sendo a melhor coisa que leu naquela tarde. Sentiu-se imensamente melhor.
— Quem é? — Ana apontou uma das mãos para o celular e rapidamente a voltou para o volante do carro. — Esse sorriso aí deve ser resultado de uma coisa muito boa. Estou certa?
— É a mamãe. — Clara virou-se para a amiga — Ela está me parabenizando.
Ana assentiu, concentrada em manobrar o carro.
— Parabéns de que? Aproveita e fala pra tia colocar mais um prato na mesa, estou me autoconvidando a jantar com vocês. Meu compromisso é por aqui mesmo.
Clara fechou os olhos sentindo o peso daquelas palavras, mas repreendeu-se quando as sensações de antes quis voltar. Mas aquilo doeu, doeu e muito. Sua melhor amiga não se lembrar que dia era a machucou. Entretanto, apenas digitou para a mãe que Ana as acompanhariam para o jantar.
Quando o carro já estava devidamente estacionado Clara desceu e esperou por Ana, observando bem a amiga, talvez fosse uma pegadinha e agora ela receberia um abraço e elas iriam rir muito da cena. Mas não, Ana entrelaçou um dos braços no de Clara, e a conduziu para a moradia da tia. A casa era localizada em um bairro pequeno e de vizinhança tranquila, os moradores do bairro eram privilegiados com uma bela pracinha no centro, onde crianças corriam e brincavam durante o dia. Nas redondezas haviam também padarias, mercadinhos e brechós.
Na casa de Clara as luzes da frente estavam apagadas o que não era estranho. Mas o fato de todas as janelas e cortinas estarem fechadas chamou a atenção de Clara. A casa ficava escura e a mãe não gostava do lar assim.
— Pode ir na frente. — Ana desfez o contato com a amiga e remexeu na bolsa marrom. — Vou ali na padaria do centro pegar uma coisa.
Clara seguiu seu caminho em passos ágeis, querendo entrar em casa o quanto antes.
Abriu a porta pintada da cor vermelha, em contraste com as paredes amarela da casa e entrou. Sem muito esforço retirou a bolsa e deixou-a sobre a mesinha de entrada, caminhou até o interruptor e acendeu a luz.
No entanto, o que viu a sua frente a vez ficar estagnada. Enquanto seu cérebro processava a cena que se desenrolava no seu campo de visão, suas sobrancelhas e as pálpebras superiores se elevaram, as pupilas dilataram-se, a boca se abriu levemente e a mandíbula, consequetemente, desceu, demonstrando como não acreditava no que estava vendo.
— SURPRESA!
Seus joelhos dobraram levemente e o corpo se inclinou para a frente, a levando firmar as mãos sobre as coxas buscando apoio para seu corpo.
— Um ano mais de vida, guardou-vos o Senhor — Não precisou procurar muito entre os rostos para saber de quem era aquela voz. — E deu-vos fiel guarida, no seu divino amor. — Abriu os braços para receber sua mãe.
— De coração daí graças, ao vosso eterno Pai! — agora Brenda, sua irmã mais velha entoava a canção, enquanto se aproximava dela e da mãe. — Pois mais um ano passa, a Deus mil graças daí! — Passou as mãos lentamente no rosto de Clara.
— Ah! Não mereço tudo isso. — Olhou emocionada todos aqueles rostos conhecidos a observando.
Débora e João dois irmãos que eram amigos de infância de Clara também estavam lá, a irmã cantou sua parte emocionada e em seguida o irmão fez sua participação, louvando ao Senhor e homenageando a amiga que tanto amava.
— No coração que ama, o terno Salvador, Existe um canto alegre — Ao encarar João cantando, Clara sentiu um calor subir em seu corpo, suas mãos suaram, e seu coração disparou, enquanto notava as bochechas coradas de João e suas pupilas dilatadas, quando a encarou olhando em seus olhos, Clara soltou o ar que nem havia percebido estar segurando. — Que espalha o seu louvor.
Com toda amabilidade João se apromixou das mulheres e apertou a mão da aniversariante que estava estendida para ele, em seguida foi acolhido nos braços da mãe da bela aniversariante. Desde pequeno ganhara a confiança e o afeto da senhora a sua frente, ela o conhecia desde menino e possuía conhecimento dos sentimentos do jovem pela sua filha. Só a amada não sabia disso. Ainda. Mas isso até o fim daquela reunião seria resolvido.
— Ensina-nos, ó Cristo, o que convém lembrar... — ouviu alguém cantar atrás de si.
— Oh! — Clara já não sabia se secava as lágrimas ou as deixavam rolar livremente. Sentiu-se imensamente amada por todos ali. Grandemente amada. "Oh Deus, obrigada!" E compreendeu enquanto Ana entrava na sala cantando com um pequeno bolo nas mãos qual era o compromisso importante da amiga.
— E todo o nosso tempo, no bem aproveitar — finalizou Ana deixando o bolinho com duas velinhas formando o número 25, ao lado dos aperitivos em uma mesa bem planejada com doces, salgados e refrigerantes, e algumas fotos aleatórias da aniversariante. E caminhou para a amiga com os braços abertos e a voz embargada, tomada pela emoção de participar daquele momento.
— Feliz aniversário, amiga. Não sabe como me segurei pra não jogar tudo pra cima e te contar. Mas D. Rute e João me esganariam se eu fizesse isso. — Sorriram pensando na cena, mas o segundo nome envolvido na surpresa chamou a atenção de Clara que imediatamente o olhou agradecida. — Eu quase desisti do plano quando você me olhou triste por aparentemente eu ter esquecido do seu aniversário, mais cedo. — Clara ficou envergonhada ao saber que a amiga havia percebido. — Mas como eu disse, foi por uma boa causa. — ambas se abraçaram novamente. — E eu jamais esqueceria do seu aniversário, amiga. Te amo muito e você sabe.
Imediatamente lembrou-se do versículo anotado na capa de sua agenda: "Muitos são os planos no coração do homem, mas o que prevalece é o propósito do Senhor."
"Deus não está nem aí para os seus planejamentos, os decretos dEle são bem melhores" concluiu ao ver todos os que amavam com ela naquele dia tão especial.
— Huum! Clara? — virou-se para ver João a chamando. — Podemos conversar? No jardim...
— Sim... Hum! Claro. — Aceitou o convite, desconcertada.
Clara levou uma das mãos ao coração conferindo seu batimento cardíaco. Depois de tantas emoções vividas naquela noite ainda estava viva, ótimo.
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