Capítulo 41

Parte 2

— O quê? Sério isso? — Sentei-me na cama.

— Precisa que eu repita? Eu te amo, Huma. Casa-se comigo?

— Espera aí, Kim. Que brincadeira é essa?

Puxei o lençol e me enrolei nele. Tentei sair da cama e meu pé se enroscou na outra ponta que ficou presa no colchão e fui caindo em câmera lenta. Sorte, ele estar muito próximo e me segurou antes de chegar ao chão.

— Uau... essa é sua maneira de aceitar? Cair ou pular no meu colo?

— Não, Kim. — Eu não sabia se ria ou chorava. Não esperava este pedido e muito menos cair sobre ele, afinal eu sempre dizia que o coreano que caiu na minha vida e não o contrário.

O caixinha tinha caído da mão dele e sumido entre o meu lençol. Assim que me endireitei do lado dele, eu sentei sobre algo e imaginei o que seria, aquilo que me causou susto. Menos mal que não era uma aliança.

— Kim, estamos na pandemia e não seria um bom momento para pensar em casamento — buscava as palavras onde eu nem sabia elas se encontravam. — As estatísticas mostram que este ano o número de matrimônios caiu ou foi cancelado, adiado...

— Não me importa as outras pessoas. Quero saber de você.

— Você concorda que assim como estamos vivendo está muito bom. Para que complicar?

— Quero compromisso. Uma data.

— Temos isso, mas casar pode esperar tudo isso passar.

— Ano que vem. Início do ano. Com a vacina vamos ter o 2021 muito diferente deste ano. Podemos pensar para fevereiro, antes ou depois do carnaval.

— Você está louco. — Sorri nervosa.

— Sim. Louco por você. Cadê o anel?

Tirei debaixo de mim e entreguei para ele que abriu novamente a caixa e o tirou de dentro. Olhou-me e perguntou de novo:

— Aceita?

— Precisamos conversar sobre isso direito. Aceito o anel como presente de aniversário, mas casar... sua família não vai me aceitar. Sua mãe vai virar minha vida do avesso até achar algo que me comprometa e... — Ele me interrompeu.

— Você encarou minha mãe daquela forma aqui. Falou sobre mim na reunião de diretoria da empresa. Minha irmã tem você como aliada lá dentro. Não perdeu e nem vai perder seu emprego. Agora só falta dizer que me ama.

— Eu te amo, Kim. Mas casar...

Ele pegou minha mão esquerda e tentou colocar o anel. Sim, tentou porque ele não serviu. Bem que ele forçou um pouco, mas parou na junta do meu dedo.

— Errou a medida — comentei olhando a beleza da peça.

— Como assim eu errei? Minha irmã me deu a medida do dedo dela e me garantiu que seria igual o seu.

Troquei para o dedo mindinho e afastei admirando minha mão.

— Quer comparar as nossas mãos. Ela tem dedos finos e compridos e repare a minha mão. — Estiquei a sua frente.

— Vamos juntos trocar mais tarde. E hoje você vai jantar comigo no meu apartamento. Você precisa conhecer para saber se vamos morar aqui ou lá.

— Acho que não te falei, mas sua mãe disse que eu estou é de olho na sua cobertura. Exigi de você tirar o Jae de lá.

— E você respondeu que esteve sempre de olho neste meu corpinho?

— Não, mas deveria que tido. Neste zoim puxado, nesta boca...

Deitei sobre ele e o beijei.

Chegou o natal. Ano novo. E janeiro iniciou com a esperança da vacina para todos. No pensamento de muitas pessoas era que mudar o ano tudo seria diferente. Viraríamos uma chave e um novo ano surgia com muitas mudanças, para melhores é claro.

Não foi isso que aconteceu.

Devido as comemorações de natal, ano novo, férias em família, a falta das medidas mais rígidas das cidades, a população relaxou o distanciamento social e o uso de máscara. Com isso causou uma grande contaminação. O número de infectados teve um aumento exponencial. Os hospitais começaram a entrar em colapso em fevereiro.

O Carnaval foi suspenso.

O comércio fechado novamente. Cidades decretaram lockdown.

A crise econômica se agravou. A taxa de desemprego chegou a ser mais alta que no ano anterior.

No exterior, a situação não era diferente, com apenas uma vantagem: o avanço da vacinação nos países ricos era uma realidade. O que não acontecia na mesma velocidade aqui.

No meio de todo este caos, eu aceitei me casar com o Kim. Queria somente nós dois, no entanto precisava de duas testemunhas.

— Se você vai chamar seus pais e quero chamar minha irmã — protestou.

— Tudo bem, sua irmã e seu cunhado. Dois de cada lado.

O cartório disse que não poderia ser quatro pessoas por questão dos protocolos de segurança. Transferimos a cerimônia para o apartamento do Kim, porque havia uma área externa, ar livre com direito a uma vista maravilhosa.

Vasou a notícia do casamento.

Fui demitida na quinta-feira, final do expediente e o casamento seria na sexta-feira.

Lockdown: bloqueio total ou confinamento – é uma forma rígida de segurança adotada pelo poder público em circunstâncias excepcionais como, por exemplo, para conter à propagação do Coronavírus.

****

Puts! Estava tudo muito bom para ser verdade, não é mesmo? Apesar de que, bom não estava. A pandemia deixava todos fora da realidade. 

Agora o que poderia estar por trás dessa demissão? 

Você tem alguma sugestão?

Se cuidem. 

Beijos

Lena

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