Capítulo 26


Capítulo 25


Kim

— Jae, por que você não me contou do seu tio?

"Sobre o que você fala? Que ele está com covid?"

— Sim, claro que é isso! — falava baixo para que a Huma não escutasse, apesar de ter deixado o chuveiro ligado.

"Você mesmo que disse, — ele alterou a voz — nada relacionado a empresa me interessa, então por que iria falar?

— Uma coisa é a empresa, outra é sobre ele.

"Não sabia priminho — disse com tom de brincadeira —, mas fique tranquilo que está tudo sob controle.

Tem certeza? A Huma recebeu uma ligação dizendo o contrário.

"Sério? Não estou sabendo de nada."

E você vai a empresa, por acaso?

"Claro... que não. Estou trabalhando home office."

Ele deu risada. Eu até imagino o que virou meu apartamento e esse trabalho dele.

— Veja bem, você pode ir dando adeus a essa mordomia de viver no meu apartamento. Daqui uns dias quero ele de volta, porque andei recebendo reclamações de barulho e bagunça. Não quero mulherada com entra e sai do meu lar, entendeu?

"Primo, eu te dei instruções de como viver no meu apartamento? Não! Então nem venha me ensinar como viver minha vida, afinal você está de boa aí e eu não te incomodo."

— A diferença que esse apartamento é um lar e o seu é um... — Ele me cortou.

"É o quê? Vai se desfazer do meu por que não tem o luxo do seu?

— Não estou falando disto, você me entendeu bem e não me venha com gracinha. Fiquei sabendo qual a utilidade do seu "lar" — frisei a última palavra.

"E a sua deusa também sabe que ele não é seu? Que é de família usar este apartamento para enganar as mulheres?

— Eu não estou enganando ninguém — afirmei com raiva de suas insinuações.

"Não? Posso enumerar aqui... Deixa-me ver... dossiê de Humália Albuquerque Turolla, troca das passagens aéreas, sair de uma cobertura luxuosa para morar em um residencial modesto e a melhor e maior de todas, além de ser um cantorzinho famoso é filho de...

Pode parar com este show, Jae! O você quer? É chantagem agora? Eu liguei para saber notícias do seu presidente, mas percebi que errei.

Desliguei o aparelho e o joguei sobre a pia. Mirei o espelho e percebi que minha raiva transparecia em toda minha face. Tirei a roupa e entrei no box.

A pior coisa na vida é ter segredo compartilhado. Ninguém é confiável a não ser sua própria mente. Sempre chega a hora que o outro lado vai querer algo mais de você, principalmente se este, for um que desde o início quis extorquir alguma coisa. Nada vem de graça e eu percebi que, era hora de pagar mais, ou falar a verdade.

Até o dia seguinte, eu não tinha recebido nenhuma informação de minha irmã e nem de minha mãe. Elas na verdade nem visualizaram minhas mensagens e nem atendiam minhas ligações. Precisava dar uma desculpa para Huma e sair. Iria no condomínio atrás de notícias.

— O que foi? — Assustei com sua pergunta. — Você me parece distante daqui e nem respondeu minha pergunta.

— Desculpe, realmente eu pensava... — Olhei para ela que caminhava em minha direção. Sentou-se do meu lado e ficou à espera das minhas próximas palavras, essas que nem eu sabia.

— Eh... hoje mais cedo fiquei alarmado com as notícias da internet. Nosso produtor já informou que toda nossa agenda foi cancelada e que precisamos fazer mais vídeos para movimentar a internet.

— Verdade. Melhor você parar de cuidar de mim e retomar sua vida.

Puxei-a para mais perto e a abracei. Ficamos quietos por um tempo. Em minha cabeça não era minha carreira que me incomodava, mas sim tudo que deixei de falar para ela. A conversa com meu primo me despertou que mentira sempre tem um fim. Os dramas coreanos, filmes e séries hollywoodianas nos mostra que a arte imita a vida.

— Está me expulsando daqui? Agora que está bem e não sou mais necessário... — Ela me cortou.

— Pare de bobagem! Não é nada disto. — Fiz cara de rejeitado. — Sei que você depende da mídia, internet e show. Seu empresário quer ver você trabalhando mesmo que seja... — Eu a cortei.

— Pode parar... — Levantei e fui até a cozinha. Voltei com um copo de água. — Tenho dinheiro para me sustentar se é isso que quer saber.

— Mas quem não trabalha uma hora o dinheiro acaba. — Ela fez o mesmo, levantou e caminhou para a mesa de trabalho. — Por exemplo, eu preciso pegar firme, tenho muito serviço para colocar em dia. Algumas coisas fizeram por mim e outras estão à minha espera.

— Mas você ainda precisa de repouso.

— Precisar e poder são coisas diferentes. Sabe quantas pessoas estão afastadas na empresa por motivo de doença? — Ela não me esperou responder. — Como dizia minha avó, um "pardela".

— Teve notícias do senhor Kim?

— A última informação é que a família pediu transferência para São Paulo, mas os médicos estão cautelosos se seria viável.

— Ele teve piora?

— Não sei direito. Você conhece seus conterrâneos melhor que eu, se o assunto é família, eles são reservados e não passam informação. Vou perguntar a Yumi, ela é secretária do senhor Julian.

— Quem é Julian?

— O genro do presidente, na verdade é Yoon Ju-Ly-An. Em brasileiro ficou Julian, a esposa, filha do presidente Mina, senhora Yoon ou Yoon Min-A. Você sabe, a maior parte dos funcionários tem um nome brasileiro. — Ela parou de falar, olhou para mim novamente e comentou: — Sempre achei estranho você ser Kim, pois para mim é sobrenome do chefe supremo.

— Ele deve querer passar o cargo para seu sucessor logo.

— Sei não... — Ela voltou a olhar para o monitor. — Falam que estes homens não largam o osso.

— Osso? Como assim?

Ela deu risada. Veio ao meu encontro, tirou o copo de minha mão, colocou sobre a mesa e enlaçou o meu pescoço. Deu-me um beijo leve nos lábios e comentou:

— Não largar o osso quer dizer, deixar o cargo. Pode passar toda a direção e reponsabilidade, mas o bastão, a coroa, o posto de presidente é muito difícil.

— Quis compará-lo com um cachorro velho? — perguntei para ver se entendi direito. — Não largar o osso, mesmo se não consegue roer para comer, segura e não deixa nenhum outro se aproximar para nem dar uma mordida.

— Basicamente isso. — Riu alto. — Mas você falando assim parece muito pejorativo, mas é só um jeito de dizer que não passa o cargo muito fácil. Como eu disse, essa hierarquia você conhece melhor que eu.

Meu celular vibrou e tocou em meu bolso. Eu não fiz menção de atender, porque estava muito bom ficarmos abraçado. Ela olhou para o mim e perguntou:

— Vai ignorar?

— Assim está tão bom... — Abracei-a mais apertado, coloquei meu rosto entre seus cabelos. O som parou e voltou a tocar em seguida. — Acho melhor atender.

Tirei o aparelho do bolso e vi o nome de minha mãe. Afastei-me dela e atendi. Escutei a voz tão conhecida e sempre firme, que agora havia uma frequência diferente. Sabia que era preocupação e não por minha causa desta vez.

— O que aconteceu? — perguntei. Olhei para Huma que me avaliava. Fiz sinal com a mão que daria uma saída. Abaixei o celular e avisei: — Vou até o nono andar e já volto.

Saí do apartamento e me dirigi a porta que levava para as escadas. Subi um andar e sentei no meio do próximo ao escutar minha mãe dizer:

"Seu pai não está bem. Estou com medo de perdê-lo,"

— Por que não me respondeu antes? Estou acompanhado e tendo informação sobre ele por outras pessoas.

"Queria ter boas notícias para te passar, mas não é o que aconteceu."

— Vai transferi-lo para São Paulo?

"Infelizmente ele foi para UTI agora a pouco. E se não tiver melhoras nas próximas 12 horas vai ser entubado... — ela parou de falar. Percebi que chorava. — Venha para casa, filho. Precisamos estar unidos."

— Ele não iria gostar de saber que entrei na casa dele.

"Não é hora para pensar nisto. Vocês precisam se acertarem. Já passou da hora."

Fiquei em silêncio. Não sabia mais o que dizer. Por um tempo, eu vivi como se não tivesse família, sozinho no mundo e não dependia de ninguém. Vir morar no Brasil e saber que minha família se encontrava tão perto me fez criar raízes nesta cidade, mas a aproximação não aconteceu.

"Filho, você está aí?" — Ela me questionou com preocupação.

— Estou. — Enxuguei uma lágrima que teimou em descer pelo meu rosto. — Mãe, o pai vai morrer?

"Não tenho essa resposta para te oferecer. Quem sabe? Apenas Deus."

— Eu não quero que ele morra — Abri meu coração. —, preciso que ele aceite minha vida.

"Espero que você tenha oportunidade de pedir perdão e de vocês fazerem as pazes. — Ela parou, tomou um fôlego e prosseguiu. — É o que mais desejo."

— Mãe... Eu pedir perdão? Sério isso? Quem me colocou para fora de casa foi ele! Quem nunca aceitou minha vida foi ele! Quem sempre colocou o trabalho à frente da família foi ele"

"E você nunca se arrependeu das suas escolhas? Em viver longe da família?"

— Não foi uma escolha minha ficar longe.

"Mas foi sua em não aceitar a vida que ele traçou para você."

— A senhora disse certo, ele traçou e nunca me perguntou se era a que eu queria. — A linha ficou muda por alguns segundos. — Mãe! Mãe, está me escutando?

"Oi. Vou desligar. Ly-An chegou e sua irmã está chorando, ele deve ter notícias de seu pai. Venha para casa."

— Espere! Passe para mim o que aconteceu! — Levantei do chão. Meu coração batia forte com medo de escutar o pior. — Mãe!

"Sinto muito, filho, o estado do seu pai é grave, ele foi entubado."

Resmunguei algo e desliguei. Não percebi que minha garganta doía e que as lágrimas ardiam em meus olhos. Chorei em silêncio por alguns minutos, porém, um barulho na porta no andar de baixo, me fez olhar na direção. Levantei e resolvi acabar de subir para o apartamento, ao virar encontrei Huma sentada do topo da escada a me observar.

— Vai me contar o que aconteceu?

E agora? Continuar a mentir ou aproveitar e falar toda verdade?

*****

Oi lindezas, tudo bem com vocês? Espero que sim e que estejam se cuidando. 

Não esqueçam que a máscara é muito importante e deve usar toda ve que sair de casa. 

E agora, o que este coreano vai fazer? Conta ou não? Enrola mais um pouco? 

O que será que ele vai fazer? Ela vai aceitar tudo que ele escondeu até agora? 

Hum... Comente. Deixe sua opinião e aperte a estrelinha.

Hoje é dia do abraço, aceite o meu bem apertado virtualmente.

Beijos

Lena

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