Epílogo ♡

Três meses depois

- Vincent acorde. - O chamo.

- Não quero. - Ele se vira para o outro lado.

- Vai se atrasar para o trabalho.

- Não quero trabalhar hoje. - Ele diz.

- Jared irá te matar se não for. - Falo. - Então se levante logo.

- Só vou voltar a trabalhar quando acabar suas férias. - Ele se vira para mim. - Aquela empresa é tão sem graça sem a minha secretária.

- Não seja teimoso. - Sorrio abertamente. - Logo voltarei ao trabalho, só tenho mais uma semana de férias.

- Então ficarei de férias durante essa semana. - Ele também sorri.

Todos dias Vincent fica fazendo o mesmo drama para ir trabalhar, mas eu tenho que dar o meu jeito para convencê-lo.

Uma semana fico com Milla no apartamento, outra semana fico com Vincent em sua casa. Não quero que minha amiga se sinta excluída apenas porque estou namorando, então faço compainha aos dois.

- Você vai começar a ser irresponsável logo agora?

- Não quer que eu fique ao seu lado? - Ele retruca. - Já se cansou de mim Lisa?

- Não coloque palavras na minha boca. - Reviro os olhos. - Mas você é o chefe, faça o que quiser então.

- Não fique irritada comigo. - Ele pede. - Hoje é um dia especial para mim, então não queria ir trabalhar.

- Dia especial? - Finjo não saber.

- Se esqueceu que dia é hoje? - Ele pergunta.

- Hoje é sexta-feira.

- E o que mais? - Vincent me olha sério.

- Não sei sobre o que está falando. - Digo.

Hoje é o aniversário do Vincent, mas estou fingindo não me lembrar. Com a ajuda dos amigos preparei uma surpesa para ele, mas ele saberá apenas depois que voltar do trabalho.

Eu gostaria de passar o dia todo do seu lado, mas preciso que ele saia de casa para que eu possa organizar tudo.

- Não acredito que se esqueceu. - Ele fica emburrado.

- Se não me disser não vou saber Vincent.

- Esquece. - Ele bufa alto.

Vincent se levanta da cama e começa a caminhar em direção ao banheiro em passos largos. Do jeito que ele anda já da para perceber que ele está irritado.

- Feliz aniversário meu amor. - Murmuro baixinho para ele não escutar.

- Você disse alguma coisa? - Ele se vira para mim.

- Você está tão lindo.

Percebo que um pouco da sua irritação passa quando Vincent sorri abertamente.

- Obrigado. - Ele agradece todo convencido.

- Não precisa agradecer. - Sorrio abertamente.

- Ainda não está lembrado que dia é hoje? - Ele pergunta.

- Eu sei que dia é hoje. - Digo. - Não é sexta-feira?

- Não sei porque ainda estou te perguntando.

Vincent fecha a cara novamente parecendo uma criança birrenta, e entra no banheiro e fecha a porta com força.

- Não sou advinha Vincent! - Grito perto da porta.

Começo a caminhar em direção a cama novamente e a arrumo em seguida.

Alguém bate na porta do quarto, então falo:

- Entre!

- Meu pai já se levantou? - Justin pergunta vindo em minha direção. 

- Está no banho. - Falo.

- Tem certeza que não vai precisar da minha ajuda? - Ele pergunta baixinho.

- Não precisa faltar da aula. - Digo. - As garotas vão me ajudar.

- Então nos vemos mais tarde. - Ele começa a caminhar em direção a porta do quarto.

- Espere... - Caminho até ele. - Como você está essa manhã?

- Achei que não iria perguntar hoje. - Ele sorri fraco. - Mas respondendo sua pergunta eu estou bem.

Me preocupo com Justin, então todos os dias lhe pergunto como ele está se sentindo.

- Tem certeza? - Pergunto. - Sabe que pode me dizer tudo a qualquer momento.

- Eu sei. - Ele diz. - Se eu precisar conversar com alguém, você será a primeira pessoa que irei procurar.

- Não deveria ser seu pai?

- Não o deixe saber, mas seus conselhos são melhores que os dele. - Ele cochicha.

- Eu já disse que te amo? - O puxo para um abraço.

- Várias e várias vezes. - Ele também me abraça.

Vincent procurou alguns médicos para ver se Alyssa tinha alguma chance de cura, mas já era tarde demais. Sua doença já estava avançada demais, então não tinha nada que os médicos podiam fazer.

Já faz dois mês que Alyssa faleceu, e deixou o filho órfão de mãe. Apesar de ter tido pouco tempo juntos, Justin e ela ficaram ainda mais próximos e se divertiram juntos.

Alyssa escutou o meu conselho, e mesmo estando fraca decidiu que o filho merecia ter boas memórias com a mãe. Aproveitaram cada momento juntos até sua morte.

Ainda choro quando me lembro da despedida dos dois, então é ainda mais doloroso para Justin se lembrar da partida da mãe.

Apesar de ser extremamente maduro para sua idade, Justin ainda é uma criança. Para um adulto perder alguém que ama é difícil, e para uma criança é ainda pior.

Se ao menos tivessem passado a vida toda juntos talvez seria menos dolorido, mas não tiveram a chance de ter mais tempo, e ficaram lado a lado apenas por um mês.

Quando enfim ele teve a mãe que sempre desejou ao seu lado, ela foi tirada dele de uma forma tão trágica.

- Para de me olhar dessa forma. - Ele pede.

- Que forma? - Pergunto.

- Com pena.

- Eu não...

- Eu estou bem Lisa. - Ele me corta. - Vai demorar para que eu supere a sua morte, mas tenho certeza que será menos dolorido conforme o tempo for passando.

- Tem toda razão. - Digo.

- Foi por pouco tempo, mas amei cada segundo que estive ao seu lado, então não pretendo estragar minhas boas memórias com tristeza. - Ele diz. - Estou triste sim, mas o mais importante é o que está guardado aqui e aqui. - Justin aponta para o coração e a cabeça. - Tenho certeza que minha mãe não gostaria que eu ficasse reclamando ou algo do tipo, então mesmo que seja difícil, serei forte.

O puxo para um abraço e beijo o topo da sua cabeça.

- Tenho tanto orgulho de você. - Assumo.

- Eu sei. - Ele retruca.

- Agora vá se arrumar para ir para a escola.

Justin se afasta de mim e começa a caminhar em direção a porta do quarto, mas de repente corre até eu novamente.

- Eu te amo mãe. - Ele beija meu rosto e sai correndo do quarto.

Pisco várias vezes na tentativa de contar as lágrimas mas é em vão.

- Por que está chorando? - Vincent vem até eu ao sair do banheiro.

- Justin me chamou de mãe. - Digo.

- Está chorando de felicidade ou...

- Óbvio que é de felicidade. - O corto.

Abraço Vincent e começo a pular igual uma louca. É a primeira vez que Justin me chama de mãe, então estou extremamente surpresa e feliz.

Prometi a mim mesma e a Alyssa que seria uma boa mãe para ele, e pretendo cumprir minha promessa.


🌹

- Por que ainda não estão aqui? Vai chegar quando Jared? - Pergunto.

- Teve uma reunião de última hora, então atrasamos um pouco, mas já estou esperando Vincent no carro.

- Que bom. - Suspiro aliviada.

- Preciso desligar, ele já está vindo. - Jared fala e finaliza a ligação.

Já passou da hora do Vincent chegar em casa, então acabei ligando para Jared para saber o motivo de estarem atrasados. Não quero que nada atrapalha essa noite, então torço para que nada dê errado.

- Já estão vindo? - Kathe pergunta.

- Sim. - Confirmo com a cabeça.

- Ótimo. - Ela bate as mãos freneticamente.

Minhas amigas me ajudaram a decorar a casa durante o dia todo. Não fiz nada muito extravagante, porque sei que Vincent gosta de coisas mais simples. Só espero que ele goste, porque caso contrário eu o mato.

- Estou com fome. - Matt passa a mão pela barriga. - Não posso pegar nada para comer?

- Não! - Eu e as meninas falamos aos mesmo tempo.

- Coisa feia. - Ele faz uma careta. - Não se nega comida para alguém faminto.

- Não vai morrer se esperar mais alguns minutos. - Falo.

Quase toda minha família estão reunidos, e ao olhar em volta percebo que estaria ainda mais cheio de pessoas se meus sobrinhos tivessem presentes.

Kathe, Alice, Lya e Emília não quiseram trazer as crianças por medo delas quebraram alguma coisa ou bagunçarem a casa do Vincent.

Eu sei que meus sobrinhos são praticamente como furacão, mas eu queria todos presentes essa noite, mas elas não me ouviram.

- Preciso ir ao banheiro. - Phil fala. - Acho que minha barriga não está...

- É sério Phil? - Pergunto irritada. - Vai dar dor de barriga logo agora?

- Eu escolho quando isso acontece? - Ele retruca. - Apenas me diga onde fica o banheiro.

Justin conversa com Phil, em seguida começam caminhar lado a lado em direção ao corredor que leva até o banheiro.

Com todos reunidos e bem provável que nada sairá perfeito como eu queria, mas ao mesmo tempo fico feliz, porque nessa sala estão quase todas as pessoas que amo, mas se estragarem à noite, mato todos sem dó nem piedade.

- Não fique nervosa querida. - Meu pai sorri de uma forma confortante.

- Não estou. - Minto.

- Claro que não. - Tia Mary fala. - Está estampado em seu rosto como está tão calma.

Minha tia me conhece como ninguém, então ela sabe quando estou mentindo. Na verdade estou muito nervosa, mas não quero que eles percebam meu nervosismo.

- Vai dar tudo certo. - Milla coloca a mão no meu ombro.

- Milla tem razão. - Alice fala. - Pare de se preocupar demais.

- Ok. - Fecho os olhos e suspiro alto.

Quando mais nervosa eu ficar pior será, então tento me acalmar aos poucos antes que eu acabe desmaiando.

🌹

- Já estão chegando! - Digo eufórica.

Jared acabou de me mandar uma mensagem falando que já estão chegando, então começo a correr de um lado para o outro como uma louca.

- Se acalme antes que caia. - Lya segura minha mão.

- Não estou esquecendo de nada? - Olho em volta.

- As luzes. - Emília fala.

- Apaguem as luzes! - Peço. - E cuidado para não baterem em nada.

Alguns segundos depois tudo fica escuro, e se antes eu estava nervosa, agora estou ainda mais.

Algum tempo depois escuto alguém mexendo na porta, e escuto a voz de Vincent.

- Lisa deve ter saído com o Justin. - Ele fala. - Está tudo escuro.

- Ou estão dormindo. - Jared diz.

- Surpresa! - Falamos todos juntos quando ele acende a luz.

Vincent dá um passo para trás quando se assusta e leva as mãos ao peito.

- Querem me matar de susto? - Ele pergunta enquanto sorri.

- Feliz aniversário meu amor. - Lhe dou um rápido beijo nos lábios e o abraço em seguida.

- Mas...

- Achou que eu tinha esquecido bobinho? - Pergunto.

- Sim. - Ele assume.

- Parabéns pai. - Justin também deseja.

- Obrigado. - Ele abraça o filho.

De um em um meus amigos e familiares também lhe dão os parabéns. Vincent parece feliz com a surpresa, então me acalmo um pouco.

- Onde está o meu presente? - Ele me pergunta.

- Está bem aqui. - Aponto para eu mesma.

- Com toda certeza você é o meu melhor presente. - Ele me puxa para um abraço.

Todos começam a gritar e bater palmas, então escondo meu rosto no seu peito por estar envergonhada.

- Já posso comer? - Matt pergunta.

- Matt! - Alice lhe dá um tapa de leve no braço.

- O que foi? - Ele pergunta. - Vincent já está aqui, então não tem porque ficar enrolando.

- Até parece que está sem comer há uma semana. - Gargalho alto.

- Alice está me obrigando a fazer dieta com ela. - Ele faz uma careta. - Não aguento mais comer verdura.

- Nem eu. - Alice assume. - Já estou virando um coelho de tanto comer cenouras.

Enquanto eles conversam animados, Vincent me puxa para um canto e fala:

- Me enganou direitinho.

- Gostou da surpresa? - Pergunto.

- É a primeira vez que alguém faz isso por mim. - Ele diz.

- Sério?

- Sim. - Ele confirma com a cabeça. - Obrigada por ter se lembrado e por ter preparado essa surpresa.

- Não precisa agradecer. - Lhe dou um abraço.

Vincent beija o meu pescoço enquanto retribui o abraço com força.

- Eu te amo. - Ele fala.

- Eu também te amo.

- Desculpe atrapalhar os pombinhos, mas eu também estou com fome. - Mark fala.

- Eu também estou. - Victor reclama.

- Já que estão todos confessando, eu também estou com fome. - Meu tio sorri de canto. - Então vamos comer logo.

- Tudo morto de fome. - Tia Mary nega com a cabeça.

- Esperem um segundo. - Peço. - Sei que estão com fome, mas antes quero falar uma coisa.

- Não pode falar depois? - Phil pergunta.

- Não, então cale a boca. - Retruco.

Pego na mão do Vincent e aperto de leve, enquanto crio coragem e tento não deixar o nervosismo me atrapalhar.

- Algum tempo atrás eu havia feito a escolha de jamais amar alguém, mas de repente você aparece na minha vida e me faz repensar minhas escolhas. Não posso negar que te odiei no começo, mas conforme eu te conhecia melhor, acabei enxergando o homem maravilhoso que escondia por trás da sua fria máscara, e como não pude evitar acabei me apaixonando por você. Outro homem no seu lugar talvez não teria a paciência que teve comigo, então eu sei que não deve ter sido fácil para você, por isso serei eternamente grata por não ter desistido de mim. - Vincent permanece em silêncio enquanto eu falo. - Tenho certeza que fiz a escolha certa quando decidi lhe entrar meu coração Vincent, e agora mais do que nunca eu sei que te amo e não tenho nem um pouco de dúvida.

- Eu também te amo. - Ele fala.

- Na verdade eu não estava preparada antes, mas agora eu tenho certeza que estou, e é por isso que lhe farei uma pergunta. - Sorrio abertamente.

- Que pergunta?

Fecho os olhos e suspiro alto, e torço para que eu não seja rejeitada na frente da minha família.

Enfio a mão no bolso da calça para pegar as alianças, mas no mesmo instante meu corpo gela.

- Merda. - Praguejo.

- O que foi? - Vincent pergunta.

- Eu... eu... - Passo as mãos pelo rosto.

- O que queria perguntar?

Enfio a mão no bolso novamente na esperança que eu as encontre, mas para meu desespero as alianças sumiram.

- Eu... eu ia te pedir em casamento, mas perdi as alianças. - Confesso.

- Você o quê?!

- Estraguei tudo.

- Você havia me entregado não se lembra? - Justin aparece ao meu lado e me entrega a caixinha.

Agora eu me lembro, mas é tarde demais, estraguei o pedido de casamento que estava planejando há dias.

- Me pergunte agora. - Vincent sorri lindamente.

- Agora não tem...

- Pare de ser teimosa e me pergunte logo. - Ele me corta.

Olho para ele por algum tempo, então pego as alianças e devolvo a caixinha para Justin.

- Você aceita se casar comigo Vincent? - Pergunto. - Aceita ficar ao meu lado até que a morte nos separe?

- Com toda certeza sim!

Vincent me estende a mão, então coloco a aliança no seu dedo, em seguida ele faz o mesmo comigo.

- Parabéns! - Todos gritam e batem palmas.

Vincent me levanta no ar e começa a rodopiar comigo em seus braços.

- Eu prometo que sempre irei te amar. - Ele fala quando para.

- Eu prometo que sempre irei de te amar. - Digo o mesmo.

Vincent me coloca no chão, em seguida pega meu rosto entre as mãos e me beija sem se importar com minha família presente.

- Eu quero um irmão, então se casem logo. - Justin fala de repente.

- Muita calma. - Digo enquanto sorrio.

Quero filhos algum dia, mas por enquanto não está nos meus planos ser mãe.

- Já que estamos falando sobre filhos. - Alice passa a mão pela barriga. - Vou ser mãe novamente.

🌹Fim🌹

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