Capítulo 46
- Jared, não vou voltar para a empresa na parte da tarde. - Digo. - Milla vai levar os documentos que está na minha mesa para você.
- Aconteceu alguma coisa? - Ele pergunta.
- Ela te explica quando chegar aí. - Falo. - Mas não precisa se preocupar, não aconteceu nada de ruim.
- Tudo bem então.
- Preciso desligar agora.
Nos despedimos e finalizo a ligação, e em seguida coloco o celular na bolsa novamente.
- Preciso ir agora. - Milla diz. - Já estou atrasada.
- Se cuida. - Sorrio abertamente. - Te vejo em casa.
Ela sorri para mim e faz o mesmo com meu pai, e logo em seguida começa a caminhar em direção a empresa.
- Sua amiga parece ser uma boa pessoa. - Ele fala.
- Ela é sim. - Continuo olhando para Milla caminhando. - Boa até demais.
- Se parece com você então. - Meu pai sorri fraco.
- Por isso que nós demos bem desde o começo, somos parecidas em muitos aspectos.
- Fico feliz e aliviado ao ver que teve uma boa vida.
- Enfretei alguns problemas como qualquer outra pessoa, faz parte da vida. - Digo. - Mas tudo se torna mais fácil quando temos as pessoas que amamos ao nosso lado.
- Me perdoe. - Ele abaixa a cabeça.
- Eu já fiz isso pai. - O abraço. - Então pare de se culpar.
Ele me abraça com força, e eu me aconchego ainda mais ao seu corpo, e continuo matando a saudade que tinha do meu pai.
- De agora em diante ficaremos sempre juntos. - Falo. - Vamos esquecer o passado, e juntos vamos reconstruir nosso relacionamento de pai e filha.
- O que eu fiz para merecer uma filha tão boa quanto você?
- Me dê muito valor, porque realmente sou uma filha preciosa. - Sorrio toda convencida.
Olhando para o meu passado, eu vejo que não seria algo tão fácil de se perdoar. Meu pai não me agredia, mas fingia não ver minha madrasta me maltratando, e isso era o que mais doía.
Eu queria que ele me protegesse, mas isso não aconteceu, fui viver bem depois que meus tios começaram a cuidar de mim, e mesmo assim no começo eu não dei o devido valor aos dois.
Talvez outra pessoa no meu lugar jamais seria capaz de perdoar meu pai, mas eu acho que quando a arrependimento verdadeiro, alguns pecados merece perdão.
Vivi magoada com ele por muitos anos, e quanto mais o tempo passava, eu percebia que estava me tornando amarga, então eu disse a mim mesma que não iria me tornar uma pessoa amargurada.
Eu o perdoei não porque ele merece meu perdão, mas porque eu o amo imensamente, e acho que minha vida sem meu pai ao meu lado seria vazia como sempre foi.
Se ele continuasse sendo o homem de antes, eu não teria motivo algum para perdoá-lo, mas ele foi capaz de assumir seus erros e mudar.
Nem todo mundo tem um coração perdoador, mas eu tive o prazer de ser assim. Isso não quer dizer que eu seja burra e perdoe qualquer coisa. Eu faço isso quando percebo que tal pessoa mudou e foi uma boa mudança, então não teria motivo para guardar magoa no coração.
O que seria do mundo se todas as pessoas fossem rancorosas? Se existindo pessoas boas e de bom coração o mundo já é um caos, então imagine como seria se fossemos odiar tudo é todos, por detalhes bobos.
🌹
- Entre. - Dou espaço para meu pai entrar no apartamento.
- Lisa você chegou... - Vincent se cala ao ver meu pai.
Fecho a porta assim que ele entra no apartamento, e coloco as sacolas com as roupas que comprei para ele no chão.
Ele não queria aceitar, mas acabei o convencendo com o tempo. Não sou rica, mas tenho condições de dar algumas roupas para meu pai, e foi isso que eu fiz mesmo ele não gostando muito.
- Quem é esse rapaz? - Meu pai pergunta para mim.
- Esse é Vincent, meu namorado.
- Muito prazer. - Ele entende a mão para Vincent. - Sou James Isaac, pai da Lisa.
- Pa... pa... pai?! - Vincent guagueja.
- Encontrei ele na rua. - Digo.
- O prazer é todo meu sogro. - Vincent o puxa para um abraço. - Fico feliz por enfim conhecer você.
- Vai me deixar envergonhado. - Meu pai abaixa a cabeça.
- Eu tinha que te agradecer pessoalmente por ter contribuído para que Lisa viesse ao mundo. - Vincent sorri abertamente.
- Pare de bobeira. - Lhe dou um tapa no braço.
Meu pai e Vincent se entreolham enquanto sorriem, e eu fico feliz por ver que os dois se deram bem logo de cara.
- Mostre o banheiro para meu pai Vincent. - Peço. - Vou fazer algo para ele comer enquanto ele toma um banho.
- Eu já fiz o almoço. - Ele diz. - Não precisa se preocupar.
- Ok. - Digo apenas.
Vincent pega as sacolas no chão, em seguida começa a caminhar em direção ao banheiro com meu pai em seu encalço.
Me sento no sofá, fecho os olhos e suspiro alto. Ainda não consigo acreditar que encontrei meu pai na rua. Estou tão feliz por enfim vê-lo novamente, só não gostei da forma desumana que o encontrei.
Aquela cobra da minha madrasta deve ter feito algo com ele, porque meu pai era um homem bem financeiramente, então se ele estava vivendo nas ruas, alguma coisa ela deve ter feito.
- Como assim encontrou seu pai na rua? - Vincent se senta ao meu lado.
- Ele veio até nós pedir um prato de comida, então no mesmo instante percebi que era ele. - Sorrio abertamente. - Ele negou, mas conforme eu ia insistindo, ele acabou se confessando.
- Está feliz? - Ele pergunta.
- Muito. - Assumo. - Agora minha vida está completa.
Vincent me puxa para um abraço e fala:
- Se você está feliz então eu também estou.
- Obrigada por ficar ao meu lado.
- Eu que tenho que agradecer. - Ele beija meus lábios rapidamente. - Eu fui o maior sortudo quando você me aceitou em sua vida.
- Fomos ambos. - Digo. - Cada um de uma forma diferente.
- Para ficar ainda melhor. - Ele sorri com malícia. - Só falta nos casarmos.
- Eu prometo que faremos isso algum dia. - Lhe dou um beijo no rosto. - Então não precisa se preocupar, porque eu nunca vou te deixar Vincent.
- Isso é uma promessa?
- Pode ter certeza que sim.
Em tão pouco tempo estou sendo feliz ao seu lado como não fui em toda minha vida, então não pretendo perder esse homem jamais.
- Eu te amo. - Ele diz.
- Eu também te amo.
Vincent se aproxima de mim e beija minha testa, em seguida beija minha bochecha e meus lábios. De repente ele para e se distância um pouco, e começa a olha em direção a porta do banheiro.
- Seu pai vai sair a qualquer momento.
- E o que tem? - Pergunto. - Não posso beijar meu namorado...
Ele tapa minha boca com a mão, e fala:
- Ele pode não gostar.
- Se ele não gostar disso, imagina se descobrir que você já me viu...
- Cale a boca Lisa. - Ele cochicha.
- Você foi tão corajoso quando levou uma facada no meu lugar, mas se tratando da minha família é um cagão.
- Não posso fazer sua família me odiar, então enquanto não estivermos casados, seremos comportados na frente deles.
- E se eu não quiser? - O provoco.
- Você... você...
Me aproximo dele lentamente, e no mesmo instante ele se distância.
- Pare de me provocar. - Ele pede.
- Eu não quero. - Sorrio abertamente.
Me aproximo dele novamente, e mais uma vez ele se distância de mim.
- Você é uma garota má Lisa.
- Eu sou? - Sorrio com malícia.
- Seu pai está no banheiro, então se comporte.
Me levanto com calma e finjo que vou sair da sala, mas me sento no seu colo e o abraço com força.
- Sai de cima de mim Lisa. - Ele pede.
- Eu não quero.
Minha vontade é de rir da sua cara de espanto, mas me seguro o máximo que consigo.
Seguro seu rosto com firmeza entre as mãos, e lhe dou um beijo nos lábios.
- Como tem coragem de atacar um homem ferido? - Ele faz drama.
- Não quer que eu te beije? - Pergunto. - Tudo bem então, eu irei te beijar novamente depois que nos casarmos, mas tenho que te lembrar que vai demorar um pouco.
Me levanto do seu colo, mas ele me puxa de novo no mesmo instante.
- Pode me beijar quantas vezes quiser. - Ele sorri abertamente. - Não me importo se serei morto por seu pai ou não.
- Bom garoto. - Passo a mão nos seus cabelos.
- Devemos treinar mais um pouco?
- Com toda certeza. - Pisco para ele.
Vincent me beija, mas para quando escuta meu pai pigarrear atrás de nós, e acaba fazendo algo que me deixa muito, mais muito irritada.
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