Capítulo 45

- Pa... pai?

- Quem é você? - Ele arregala os olhos ao perguntar.

O homem começa a me encarar e do nada abaixa a cabeça, se vira de costas e começa a caminhar rapidamente.

- Espere! - Corro atrás dele.

Ele continua caminhando, então seguro em seu braço para que ele pare.

- Você deve ter me confundindo com outro homem moça. - Ele diz cabisbaixo. - Eu não tenho filhos.

- Não estou confundido. - Falo. - Tenho certeza que você é meu pai.

- Você deve ser louca. - Ele continua de cabeça baixa. - Estou dizendo que não tenho filhos.

Já faz muitos anos que não vejo meu pai, mas o reconheceria da mesma forma. Apesar de estar mais velho e bem mais magro do que o normal, sua feição ainda é a mesma de antes.

Não posso estar sendo tão louca a ponto de estar me enganando dessa forma. Tenho certeza que esse homem é meu pai, eu sinto que não estou errada.

- Você tem uma cicatriz na sobrancelha igual meu pai. - Falo.

- Qualquer um pode ter uma cicatriz na sobrancelha. - Ele retruca.

- Você tem certeza Lisa? - Milla me pergunta.

- Eu tenho. - Sorrio fraco.

Dou um passo em sua direção, levo minha mão ao seu queixo e levanto seu rosto.

- Se você não é meu pai por quê está chorando? - Pergunto.

- Não estou chorando. - Ele enxuga as lágrimas rapidamente. - Apenas caiu um cisco nos meus olhos.

- Se realmente não é meu pai me perdoe por isso.

- Por isso o que?

Levanto sua blusa velha, e no mesmo instante tenho ainda mais certeza que ele é meu pai. Ele se assusta com a minha atitude e abaixa a blusa rapidamente.

- Está louca Lisa? - Milla pergunta atrás de mim. - Quer ser acusada de assédio?

- Meu pai não faria isso. - Sorrio fraco. - Não é pai?

- Já falei que não sou seu pai. - Ele diz.

- Você tem a mesma marca de nascença na barriga. - Aponto para o local.

- Qualquer um também poderia ter uma marca de nascença.

- Então você não iria se importar em levantar um pouco a sua calça, e me montar seu tornozelo não é? - Pergunto.

- O... o... que tem meu... meu tornozelo? - Ela gagueja.

- Se realmente não for meu pai, não terá uma cicatriz no seu tornozelo.

No passado meu pai sofreu um acidente no trabalho, e como consequência ele quase perdeu o pé, então ele tinha uma cicatriz enorme que nunca havia sumido por completo.

- Não quero mostrar...

- Você tem a mesma cicatriz na sobrancelha, tem a mesma marca de nascença na barriga. - O corto. - Então me montre seu tornozelo, e eu vou embora. Eu sei que tem o direito de negar meu pedido, mas se não tem nada a esconder, não vejo motivos para estar tão nervoso.

- Você continua tão persistente como sempre. - Ele fala baixinho.

- Então eu não estou errada. - Sorrio fraco.

- Não... é que...

- Você acabou de assumir e nem percebeu.

Ele suspira alto se vira de costas para mim. Dessa vez ele não foge, mas continua de costas.

- Eu não mereço olhar para você. - Ele fala.

- Por que diz isso? - Pergunto.

- Você sabe o porque. - Sua voz vacila.

- Por que você foi um péssimo pai depois que minha mãe faleceu? Por que você me deixou sofrer na mão daquela mulher? Por que não me visitou uma vez sequer depois que fui embora?

- Sim para todas as suas perguntas.

Ele se vira para mim novamente, mas não me olha nos olhos.

- Sempre me perguntei o porque da sua mudança, e agora tenho a oportunidade de descobrir.

- Eu não quero falar sobre isso. - Ele diz.

- Mas eu quero. - Retruco. - Eu mereço saber.

- Apenas vá embora e esqueça que me viu Lisa. - Ele pede. - Não perca seu tempo com um homem como eu.

- É o que eu deveria fazer. - Passo as mãos pelo rosto. - Deveria ir embora sem olhar para trás, mas por algum motivo meu coração dói ao ver você nessa situação.

Apesar de tudo ele ainda é meu pai, e mesmo que tenha me feito sofrer imensamente, continuo o amando. Como ele mesmo falou, eu deveria apenas ir embora, mas não acho que sou capaz, quando me sinto tão triste ao ver a situação que ele está.

- Não precisa ter pena de mim. - Ele sorri fraco. - Eu mereço estar nessa situação, então apenas vá embora.

- É isso que você quer? - Pergunto. - Depois de anos sem ver sua filha você nem ao menos me pede perdão, e continua me mandando embora. Não surpota minha presença? Sou tão repugnante assim?

- O que iria mudar? Fui um monstro com minha própria filha, e agora sofro as consequências dos meus atos. - Ele fala. - Você estará melhor sem uma pessoa como eu por perto.

- Você não tem ideia do que é melhor para mim. - Digo entredentes. - Pelo menos uma vez passou pela sua cabeça o quanto me fez sofrer?

- Por saber, é que peço que esqueça que me viu. - Seus olhos se enchem de lágrimas.

Ele dá um passo em minha direção, pega minha mão e aperta de leve.

- Steven fez um bom trabalho. - Ele diz enquanto me encara. - Você se tornou uma mulher linda, igual sua mãe.

- Pai...

- Me perdoe por tudo que te fiz passar, apesar de achar que não mereço seu perdão. - Ele pede. - Acabei sendo manipulado, mas nada justifica meus erros. - Ele leva a mão ao meu rosto enquanto sorri fraco. - Você viveu bem até hoje sem eu por perto, então continue apenas vivendo dessa forma.

- Pai...

- Seja muito feliz minha pequena. - Ele me corta. - Estarei torcendo por você mesmo que de longe.

Ele me olha por alguns segundos, em seguida se vira de costas e começa a caminhar.

- Não sei muito sobre seu passado com seu pai Lisa, mas por favor não o deixe partir dessa forma. - Milla fala.

Vivi ressentida com meu pai por muito tempo, mas ao vê-lo dessa forma meu coração se amoleceu. Sei que ele não merece meu amor ou minha compaixão, mas mesmo assim ele os tem, e é por esse motivo que não irei perdê-lo novamente.

Talvez meus tios jamais me  pelo que vou fazer, mas nesse momento tudo o que mais desejo é cuidar do meu pai, e será isso que farei.

- Pai! - Grito.

Ele para ao me escutar e se vira para mim, então corro até ele o mais rápido possível, e o abraço fortemente.

- O que está fazendo Lisa? - Ele pergunta. - Vai ficar toda suja.

- Eu não me importo. - Digo.

Continuo o abraçando, e depois de alguns segundos ele faz o mesmo, e no mesmo instante sinto que enfim posso perdoá-lo.

- Não pode imaginar o quanto eu sonhei em abraçá-lo novamente. - Lágrimas banham meu rosto.

- Não faça isso Lisa. - Ele pede. - Me deixe ir embora.

- Não. - Falo. - Você vai ficar ao meu lado de agora em diante.

- Lisa...

- Você não sentiu minha falta? - Pergunto.

- É claro que senti. - Ele assume. - Mas estava tão envergonhado que não ousadia procurar por você.

Me distancio dele, pego seu rosto entre as mãos e o encaro com seriedade.

- Me prometa que não irá fugir de mim.

- Lisa...

- Me prometa. - O corto.

- Tem certeza que será capaz de me perdoar quando nem eu sou capaz disso?

- Eu já te perdoei. - Enxugo suas lágrimas. - Então me prometa.

Ele fecha os olhos e suspira alto, e depois de alguns segundos fala:

- Se realmente deseja isso, eu prometo.

Pego sua mão, lhe ofereço um sorriso carinhoso e digo:

- Então vamos para casa.

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