Capítulo 4
- Desculpe por não ter te ajudado com a faxina. - Alice fala.
Por um momento me lembro da ligação do dia anterior e como sempre sinto meu corpo gelar.
- Você está bem Lisa? - Alice pergunta preocupada.
- Ham... Sim. - Digo. - Estou bem.
- No que está pensando?
- Não é nada. - A tranquilizo.
Ontem me mudei para o apartamento de Emília, e fiz uma faxina em todo o apartamento.
Ainda bem que está todo mobiliado, ou eu teria que tirar das minhas reservas para comprar os móveis.
- Sophia passou o dia todo de cama. - Ela suspira cansada.
- O que ela tinha?
- Febre alta. - Diz. - Mas já melhorou.
- Que bom. - Sorrio abertamente.
Nem me preocupei em chamar minhas amigas para me ajudar porque eu mesma dei conta do trabalho, e elas também têm suas tarefas e filhos para cuidarem.
Alice começa olhar em volta e já sei no que ela está pensando.
- Amo a vida que tenho, mas sinto falta de viver nesse apartamento com minha mãe. - Ela fala.
- Eu te entendo. - Digo.
Não tive a mesma sorte que Alice. Ela conseguiu viver muitos anos ao lado da mãe, já eu não tive a mesma sorte.
- Ela estaria tão feliz com os netos. - Vejo seus olhos brilharem pelas lágrimas.
- Você realizou seu sonho mesmo ela não estando aqui para ver. - Pego sua mão e aperto de leve.
Alice já havia me falado que sua mãe desejava que ela se casasse e lhe desse muitos netos, mas infelizmente ela partiu antes que ela pudesse ver a filha casada e com filhos.
Tenho certeza que ela superou a dor com a ajuda do Matt. Mesmo ele sendo um pé na bunda no passado. Meu primo quase que perde a mulher que ama por cegueira, mas ele teve a sorte grande dela o perdoar.
Há alguns anos atrás eu tive vontade de me casar e ter uma família grande e feliz. Eu sonhava em fazer isso ao lado do Mark, mas conforme o tempo foi passando, eu percebi que ele jamais seria meu, então decidi superar minha paixão por ele.
Hoje em dia me pergunto se realmente o amava, ou apenas o via como um desafio, por ser a única que ele não passava dos limites.
- Mas mudando de assunto... - Ela seca as lágrimas. - Matt me falou o que aconteceu sobre o emprego que havia conseguido.
- Infelizmente não foi dessa vez. - Suspiro alto.
- Que cara idiota. - Ela bufa frustrada.
- Idiota é um elogio. - Reviro os olhos.
- Quer que eu e as meninas demos um jeito nele? - Alice faz uma cara malvada.
- Não é necessário. - Gargalho alto.
Como eu já havia previsto meu tio achou bom eu ser demitida, mas sua alegria acabou no instante que eu lhe dei a notícia que iria me mudar.
- Pensa bem. - Fala. - Sabemos nos livrar de um corpo.
- Que medo. - Falo.
Sei que ela está apenas brincando, mas fico feliz por saber que elas se importam comigo. Hoje em dia não me sinto só, graças as pessoas incríveis que tenho a minha volta.
- Espero que consiga arrumar um bom emprego logo. - Alice fala.
- Eu também.
- Se precisar de qualquer coisa é só me falar.
- Obrigada. - Agradeço.
Ela se levanta, pega sua bolsa e diz:
- Vou embora porque já tomei muito do seu tempo.
- Fique mais um pouco.
- Não posso ficar muito tempo longe de casa. - Ela sorri abertamente. - Ou Nany arranca meus olhos.
Nany expulsou todas as babás que Alice já contratou. Ela não quer uma pessoa estranha cuidando das suas crianças.
- Visite seus sobrinhos com mais frequência. - Fala. - Alguns ainda não estão acostumados com você.
- Preciso gravar o nome de todos na mente. - Gargalho alto.
- Até eu confundo as vezes. - Ela pisca para mim.
- É aceitável. - Digo.
Alice pega o telefone no bolso da calça e vira a tela para mim.
- Nany já está me ligando.
Ela corre em direção a porta e a abre.
- Espera! - Grito. - Fale para o Pietro que estou solteira.
- Eu falo sim.
Sempre gostei de provocá-lo, e agora que ele está solteiro começarei novamente.
Já têm muitos anos que ele trabalha para Matt, e nesse meio tempo, apesar dele ser sério, acabamos nos tornando amigos.
Pietro tem a cara de bravo, mas na verdade é amoroso e faz de tudo para proteger quem ele ama.
Ele ficava todo envergonhado quando eu o provocava, e mesmo que anos tenha se passado ele sabendo como sou, ele ainda fica todo tímido quando brinco com ele.
Achei que ele iria se casar com a ex-namorada, mas infelizmente não deu certo. Quase não nos víamos porque eu estava morando no Canadá, mas quando visitava minha família eu via como ele estava feliz com a namorada.
Uma pena que não deu certo, sua ex-namorada parecia uma boa pessoa. Foi o que eu pude perceber ao conversar com ela quando estive em casa antes de me mudar para cá novamente.
Parei de provocá-lo porque ele estava namorando, mas agora começarei de novo já que está solteiro.
Minhas amigas na época da faculdade achavam que havia algo entre nós dois, pois Pietro ficava me rodeando a mando do Matt.
Apesar de ser um homem extremamente bonito, nunca senti nenhuma atração por ele ou ele por mim. O provoco apenas por diversão e não com segundas intenções, e ele sabe disso.
Me levanto depois dos meus devaneios, e caminho em direção ao meu quarto. Preciso fazer compras para abastecer o armário, e algumas roupas de cama pois não tenho nenhuma.
Terminei de fazer a faxina hoje de manhã, e agora preciso ir até a casa da minha tia para trazer meus pertences para o apartamento. Mas farei isso depois que fazer compras.
Tomo um rápido banho e visto o único par de roupas que trouxe na minha bolsa. Depois de me arrumar, saio do quarto e fecho a porta.
Caminho até a sala, pego a chave do apartamento sobre a mesinha de centro, e volto a caminhar até a porta do apartamento.
Abro a porta, saio para o corredor e a tranco em seguida. Coloco a chave dentro da minha bolsa e começo a caminhar até as escadas.
Moro no segundo andar, então nem me preocupo em ir até o elevador.
Coloco as mãos sobre meus olhos quando o sol bate em meu rosto.
- Por favor. - Escuto alguém implorando.
Olho para o lado e vejo uma moça ajoelhada no chão, enquanto seus pertences estão jogados no chão.
- Não. - A outra pessoa fala.
- Eu prometo pagar no fim do mês. - Ela pede.
- Você fala isso todos os meses. - O homem diz rudemente. - Não aparece mais na minha frente.
Tudo indica que seja alguém sendo despejada de algum apartamento por não pagar o aluguel.
O homem vira as costas para a mulher e começa a caminhar em direção ao prédio. Ela se levanta mais que depressa e corre atrás do homem e segura seu braço.
- Por favor. - Implora mais uma vez.
- Eu já disse que não! - Grita.
Ele a empurra com tanta força que ela cai no chão.
- Ei! - Me intrometo. - Você é louco?
- Fique de fora. - Aponta o dedo para mim.
- Quem você pensa que é seu idiota para querer mandar em mim? - Retruco brava.
Ele dá um passo em minha direção, e mesmo estando morrendo de medo continuo no mesmo lugar.
- E você quem pensa que é para se intrometer nos assuntos de outras pessoas? - Ele para de frente para mim.
- Se não fosse um covarde eu não teria feito isso. - Digo olhando nos seus olhos.
- Você me chamou de quê? - Ri incrédulo.
- Covarde. - Falo novamente. - Quer que eu soletre? Talvez não tenha escutado muito bem. - Pergunto. - C-O-V-A-R-D-E!
A coisa que mais odeio nesse mundo é ver um homem impondo sua força para uma mulher. Sei que não tenho chance nenhuma se ele quiser me agredir, pois o homem é o dobro do meu tamanho, mas isso não me abala e continuo o encarando nos olhos.
- Sua vadia. - Ele resmunga entredentes.
Quando percebo que ele vai me bater, sou mais rápida e lhe dou uma ajoelhada no meio das pernas.
O machão dá um gritinho agudo enquanto leva as mãos as partes íntimas.
Vejo uma tesoura de árvore ao lado de uma lata de lixo e a pego.
- Acho melhor se comportar, ou dá próxima vez... - Faço uma cara de psicopata. - Pode dar adeus ao seu amiguinho.
Ele engole em seco e arregala os olhos. Se o homem antes estava pálido, agora está branco igual papel.
- Está me...
Antes que eu termine de dizer algo, ele me dá as costas e começa a correr todo desajeitado em direção ao prédio.
- Idiota. - Coloco a tesoura no mesmo lugar.
Caminho em direção a moça que ainda está sentada no chão enquanto chora.
- Você está bem? - Pergunto.
- Si... sim. - Fala entre soluços.
Percebo que uma de suas mãos está sangrando, provavelmente se machucou quando o jumento a empurrou no chão.
- Se levante. - Falo.
A ajudo a se levantar, e quando ela olha para mim arregalo os olhos surpresa.
- Milla?
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Bom dia flores do dia!
Tudo bem com vocês?
Como passou o fim de semana?
Desejo a todos uma semana abençoada 🙏
Até quarta feira com o próximo capítulo ❤
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