Capítulo 26
Os dias passaram e com eles a viagem que faríamos na cidade do campeonato estava por vir. Rafe ainda não sabia de nada e eu pretendia sair sem avisar, ou talvez o avisando por um bilhete. Não quero ter estresse depois do resultado, onde eu e meus amigos passamos nos testes e competiríamos no campeonato de surf nacional. Agora era questão de honra ganhar de Topper depois da aposta com JJ e suas implicações com a gente, e seu ódio por mim começou. Me encanta saber que Rafe não saiba de nada ainda.
A maioria dos gastos ficou comigo e com a Kiara. A twinkie estava fora de questão para ir na cidade costeiras mais distantes, por isso, colocamos um gancho no meu carro para puxa-la; assim ela não iria sozinha com seu próprio motor que não estava em suas melhores condições.
Meu carro não caberia as sete pessoas, então todos iriam na twinkie enquanto eu dirigia meu carro. Só espero que ela sobreviva depois de tanto reajustes que ela teve em toda a vida dela. Nada estava deixando-nos mais feliz do que isso, era uma novidade vivenciarmos tal coisa não planejada, e estamos vivendo mais pela diversão do que por um troféu ou um título. Nada vai tirar essa nossa alegria.
Partiríamos na quinta-feira e ficaríamos fora por quatro dias.
(...)
As coisas já estavam quase prontas. No The Cut, os pogues, meus amigos, já preparavam a kombi para passar quatro dias no maior conforto e guardando suas coisas; enquanto no Figute Eight eu fazia o mesmo. Eu encaixava a prancha no suporte em cima do carro com o porta-malas aberto com as malas no chão, já prontas para serem colocadas e deixar espaços para quem precisasse. Afinal, eu não precisava de muitas roupas, somente biquínis e de wersuit. Era indispensável em algumas provas e eu tinha duas, acho que vai servir.
Desci do carro — onde apoiava os meus pés na porta aberta para alcançar o teto do carro — com um sorriso no rosto, batendo em minhas mãos para limpa-las de quaisquer impurezas, fui caminhando lentamente para pegar as malas.
— Onde você pensa que está indo?
Fui pega de surpresa com um aperto no braço. Virei-me incrédula. Rafe. Como não imaginar? Estava demorando muito para ele aparecer e querer fazer algo contra minha ida. Era por isso que eu não queria que ele soubesse. Topper deve ter contado. Claro, estava com medo de perder para mim e meus amigos.
Sem dizer nada, tentei soltar meu braço mas estava sendo em vão. Sem respostas, ele apertava mais enquanto me olhava querendo sua resposta.
— Você poderia me largar? -perguntei, tentando puxar meu braço.
— Eu quero uma resposta e espero que seja breve. Seu braço vai sobreviver. -ele apertou mais.
— Por que você está fazendo isso? -algumas lágrimas começaram a descer pela dor que eu sentia. — Me solta, por favor. Assim podemos conversar melhor. -pedi, quase inaudível.
Rafe analisou sua mão que possuía o anel da família em meu braço, enquanto eu analisava seu rosto. Assim como eu, estava embargado de lágrimas, mas elas não escorriam. Seus olhos estavam vermelhos e as pupilas dilatadas. Ele não estava normal, estava fora de si e dessa vez não foi a maconha. Não tinha cheiro, apenas de seu perfume. Cocaína.
Rafe soltou meu braço, respirava ofegante e começou a suar. Indicou, sem falar, a casa para conversamos apenas apontando com as mãos. Cautelosamente saí da garagem adentrando a pequena sala com escadaria, subindo cada degrau olhando para trás para saber se ele vinha. E ele vinha, vinha passando a mão na testa e nos lábios. Wheezie passou por nós e sussurrou um "Me desculpa!". Ela continuava andando com o rosto abaixado após a fala e eu virava na direção dela enquanto ela andava. Não foi o Topper, foi a Wheezie. Como ela pôde?
Rafe abre a porta de seu quarto. Não o vi passar por mim. Ele insistia em me chamar, mas meus olhos incrédulos e sem reação não saíram da adolescente da casa até ela sumir de minha vista escada abaixo. Entrei ainda olhando para a escada imaginando ela ainda ali me pedindo desculpas. Sentei na cama esperando Rafe, mas ele não entrou. Ouvi o barulho da chave virando e uma corrente. Por que uma corrente?
— RAFE? -gritei. — Rafe, você está aqui na porta? -eu ouvia a sua respiração. — Rafe, por favor, fala comigo. Eu sei que está aí. Vamos conversar! -e mais lágrimas. — Seja sincero, eu estou trancada? -perguntei, tentando destrancar a porta. — RAFE? -gritei, mais uma vez.
Silêncio. Eu chorava na porta. Foi aí que pensei em ir até a porta da sacada. Mesmo que metros abaixo, eu teria que sair por ela. Tirei as cortinas e eu fiquei em choque no que eu vi. Rafe planejava isso? Passei as mãos por ela encontrando algo que eu que eu pudesse para tirar o cadeado dali. Procurei pelo quarto todo alguma possibilidade de me tirar daquele inferno. Revirei o quarto inteiro, estava uma bagunça. Passei as mãos no meu cabelo que já estava todo arrepiado.
— Merda, cadê meu celular? -coloquei as mãos nos bolsos do short jeans. — Meu Deus, está no carro. RAFE, CADÊ VOCÊ? -eu socava a porta. Ouvi novamente sua respiração. — Rafe, você ainda está? Por favor, fala comigo. Por que estou aqui?
— Aubrey... -meu coração acelerou quando ouvi sua voz ofegante e falha. — O que eu te pedi quando você chegou em Outer Banks? -perguntou. Eu só sabia chorar. — Você podia ser amiga de quem quisesse, menos dos pogues. Voc-Você achou mesmo que eu ia te deixar fugir com o JJ?
— O que? -sussurrei.
— Wheezie me disse com todas as palavras. Ela estava com a Sarah na praia esses dias e viu você e os pogues planejando uma fuga enquanto o Topper impedia vocês. -o que ele estava falando? — Você se casou comigo, Aubrey, e enquanto você carregar essa aliança dessa casa você não sai.
— Rafe, você entendeu tudo errado! Eu não vou fugir. -eu ria nervosa. — Eu não vou embora, não vou a lugar algum. Eu só estou competindo com o Topper. Lembra que falamos sobre isso na festa kook?
— Para de mentir, Aubrey. Eu sei... Eu sei que mentiras percorrem essa casa. Estou acostumado! -ele dizia atrás da porta.
— Estou falando sério, Rafe. Eu não faria algum mal ou mentiria para você. É competição de surf, você não queria que o Topper me ensinasse os macetes, lembra? -eu suplicava com a voz trêmula. — Por favor, Rafe, me tira daqui. Vamos conversar! Olha no meu rosto.
— Eu e a Rose vamos sair, e a Wheezie vai ficar na casa da vizinha. Volto a noite! Não saia daí. -ele riu no final. — Eu volto para te soltar quando os pogues forem para sabe-se lá onde vão.
Ouvi seus passos distanciando.
— NÃO! RAFE? RAFE???? VOLTA AQUI. -eu gritava batendo na porta. — RAFE, VOLTA AQUI. EU NÃO POSSO FICAR TRANCADA AQUI. -eu insistia em bater na porta, mesmo sabendo que ninguém me tiraria dali. — Rafe, por favor. -sussurrei, deslizando devagar até o chão.
Fiz tudo o que eu podia fazer para sair daquele quarto, mas estava tudo sendo falho e em vão. Vi o carro de Rafe saindo com os três integrantes da família, e eu presa aqui está me dando uma raiva imensa. Como vou sair agora? Como vou participar do concurso? As lágrimas começavam a rolar mais intensas e ardentes. Os meninos estão esperando por mim, vão ficar preocupados. Espero que vão sem mim. Eu posso perder isso, mas eles não... Criaram tantas expectativas!
Por que a Wheezie inventou essa história para Rafe? Eu sabia que levar ela na praia não seria boa ideia, mas ela insistiu tanto que não soube dizer não para ela. Sei que adolescentes inventam história, têm ciúmes, mas olha o que a fofoca dela me fez. Estou trancada em um quarto entre correntes.
Deitei na cama bagunçada de Rafe e comecei a contar de um a cem para me acalmar. Talvez assim funcionaria, e se não funcionar a ansiedade vai me causar um transtorno alto e eu posso cometer uma loucura ao sair daqui.
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