Capítulo 23

— Você acha que as pessoas acreditam que somos um casal de verdade? -viro meu rosto assim que escuto a pergunta de Rafe.

— Você acha que elas desconfiam? -perguntei, após beber mais um gole de vodka com energético no red cup.

— Às vezes me pergunto se faço um papel bom de marido falso. -ele disse a última parte baixa.

— Eu acho que sim. -disse me virando de frente para ele. — Quando você não está me insultando, você me abraça de todas as formas. É pelo pescoço, pelo ombro, pela cintura. Então eu acho que sim. -sorri amarelo.

Ele assentiu bebendo mais um gole de seu whisky e sorrindo com as sobrancelhas levantadas. Rafe não tinha muitos defeitos e nem falhas em suas sobrancelhas, o que me despertava a curiosidade se ele fazia sozinho ou com alguma especialista, ou se era assim por natureza. Observar seu rosto quando eu estava tão perto dele era tão normal para mim.

— Que tal assim? -ele me puxa apenas com uma mão, pela cintura até ele.

— Não precisava me puxar, não tem ninguém olhando. -me soltei, abanando minha mão direita. — Você ainda me fez derramar bebida. Odeio bêbados chatos! -revirei os olhos.

— Você também está assim como eu. -abaixou o rosto para me olhar.

— Eu acho que ainda estou melhor que você. -fiz cara de convencida, sorrindo falso.

Rafe continuava segurando minha cintura com sua mão direita olhando-me alternando entre a minha boca e meus olhos. Eu tinha um sorriso meia boca percebendo seu ato. Seus olhos estavam dilatados. Não sei se é por misturar bebida com drogas ou se era por estar me olhando por um tempo significante sem piscar. Rafe tentou balbuciar algo, mas não conseguiu. Segurei seu braço – que me segurava – perto do bíceps e encarei seus olhos, que encontrou os meus após ver eu morder os lábios. Me estiquei ficando na ponta do pé e me aproximei, dando o primeiro passo. Sua mão em minha cintura a aperta, me fazendo arrepiar.

— Rafe? -sussurrei.

— O que foi? -sussurrou de volta.

Voltei com os pés totalmente ao chão. Arranhei a garganta tentando voltar ao clima anterior. Rafe voltou a sua postura de antes.

— Kiara está aqui. -disse, Rafe tentou olhar, mas peguei seu queixo impedindo seu rosto de virar. — Não olha. Ela nos encara.

— Faz isso não, Aubrey. -riu Rafe com o canto dos lábios. — Assim eu sou forçado a te beijar. -andei dois passos para trás.

— Eu não quero que ela veja coisas erradas. Ela pensa que estou traindo você com o Jj, porque ela também me viu com ele.

Seu sorriso em seus lábios cessaram, assim como suas mãos em minha cintura saíram. Me distanciei lentamente olhando para ele. Me virei. Fui em direção ao mar onde as meninas estavam, mas não fiquei conversando com elas e sim, em várias coisas.

— Não acredito que Kiara está lá atrás olhando para todos na praia. -Ashley diz, olho para a loira.

— Só falta a Sarah aparecer e isso se torna uma reunião de ex kooks. -uma ruiva riu, fazendo as outras rirem.

Realmente foi um erro ter vindo até elas. As ex kooks sempre tiverem razão sobre elas, e eu sempre disse a mesma coisa. Preferi não revidar e saí mancando até Rafe, que estava conversando com uns outros garotos.

— Quero ir embora. -disse, olhando séria para ele.

— Pela sua cara aconteceu alguma coisa. -um moreno tatuado disse, com uma voz rouca.

— Pode ser depois? Quero ficar mais um pouco. -pediu Rafe.

— Você quem sabe. Eu indo. -respondi, não muito satisfeita, saindo.

— Se eu fosse você levava ela para casa. -consegui ouvir o moreno tatuado dizendo à Rafe dando um tapinha em alguma parte de seu corpo, e pelo tom sarcástico da voz soltou um sorrisinho. — Se você não leva, eu levo.

— Ei, Aubrey? Calma aí. -correu Rafe.

Olhei Rafe vindo até mim, parada. O tal moreno tatuado nos deu tchau com um sorriso branco e bonito, com seus dentes alinhados e perfeitos.

— Quem é o moreno? -perguntei, chutando as areias.

— Por que? Está interessada? -colocou as mãos no bolso da bermuda bege.

— Só perguntei o nome. E aí? Qual é?

— Derek Sinclair. A mãe dele é imobiliária, uma empresária grande pelo país. Às vezes ela faz negócios com a gente. -Rafe me olhou, fiz uma careta.

— Mais uma esposa troféu? -perguntei, fazendo Rafe dar risada.

— Você vivia falando isso da sua mãe. -ele gargalha. — Mas não, dessa vez foi ela quem construiu tudo sozinha. Derek é adotado e nunca teve um pai.

— Pais são problemáticos. Sorte a dele não ter um. -parei perto do carro.

— Realmente são. -Rafe abre a porta do motorista. — Só espero não ser um como o meu.

— Então é melhor não ser pai um dia. Porque problemático você já é. -sorri brincando, e ele deu um dedo do meio para mim.

O caminho foi um pouco difícil. Ambos estavam bêbados. Primeiro Rafe esqueceu como se dirige e eu tive que levar o carro, em meio a risadas por conta dos zig zags que eu fazia sem intenção. Nas curvas eu fui na maior lentidão. Ao chegarmos Rafe dormia como pedra no banco do passageiro de boca aberta. Tirei uma foto e saí do carro. Abri a porta para ele que saiu cambaleando até o quarto dele.

Eu já estava no banho após o jantar lavando meu cabelo, enquanto eu ouvia uma música para me acompanhar. Ouvir música enquanto faço qualquer coisa principalmente ao cozinhar e no banho é como se fosse uma terapia. Coloquei um roupão branco escrito meu sobrenome atrás em dourado brilhante e saí, me sentando em frente a uma grande penteadeira para secar e pentear meu cabelo.

Meu pijama estava em cima da cama para eu pôr assim que terminar minhas higienes ou como muitos dizem, skin care. O fato de eu não ter muitas espinhas e uma pele digamos que quase perfeita é que todas as noites e manhãs eu faço uma limpeza desde nova.

Levantei e peguei meu pijama, já sem roupão.

— Ei, garota?

Só ouvia grito e uma rapidez para pôr o roupão em frente ao meu corpo.

— Gostaria de ter dito que não vi nada para te deixar aliviada, mas não posso dizer isso. -Rafe se escora na porta.

— Bate na porta antes de sair abrindo portas alheias. -sentei na cama. — O que você quer?

— Acho que vou abrir direto agora. -ele mantinha um sorriso, com os braços cruzados.

— O que você quer? Fala logo. Estou perdendo a paciência.

— Topper me disse que o Derek falou de você. Ele não sabe de nada, claro. Ou seja, ele é fura olho. -Rafe revira os olhos. — Mas de qualquer forma Topper mandou ele ficar longe de você.

— Ah, qual foi? Eu poderia ficar com ele. Achei ele tão gato.

— Gato sou eu, ele no máximo é arrumadinho. Mas não, não pode. Se a gente sair pegando todo mundo meio que estraga nosso segredo.

— É, você tem razão. -murchei. — Quando a gente acabar isso tudo, a primeira coisa que eu vou fazer é pegar ele. -brinquei.

— Então espera eu morrer. Só assim para a gente se divorciar. -grunhi com sua fala. Ele se ajoelha nos meus pés. — Eu queria muito poder me casar com você de verdade. Faria qualquer coisa por você.

— Espera desse jeitinho que você está. -sorri falso.

— Estou com saudades de te beijar... -ele diz olhando meus olhos.

— Eu tenho um alguém agora, Rafe. Não posso beijar outras pessoas, não é justo com ele. -fui séria.

— Mas o moreno tatuado você beijaria!? -ele retruca com a cara brava.

— Eu só disse que quero ele, mas não quando o beijaria. -ele se levanta e se encaixa em uma curva ao meu corpo sem me encostar, apoiando as mãos no colchão.

— Aproveita que eu tão bem esses dias. Vai saber quando vou querer te beijar de novo.

Olhei seus olhos e seus lábios, encostei meu corpo no dele ainda segurando meu roupão.

— Você vai ter que implorar muito para me ter, Rafe. -mordi seus lábios.

— Ah, Aubrey. Você está brincando com fogo. -empurro ele, que sai do meu quarto.

Respiro fundo e organizo meus pensamentos.

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