Capítulo 17

- Nina, Antony deseja falar com você. - Mia fala ao entrar no meu escritório.

- Ele falou o que quer? - Pergunto.

- Não. - Ela nega com a cabeça.

- Mande-o entrar.

Mia caminha em direção a porta do escritório e a abre, e alguns segundos depois Antony aparece com o sorriso falso de sempre nos lábios.

- Bom dia minha querida.

- Bom dia. - Retribuo o cumprimento por educação.

- Como está se sentindo?

- Estou ótima e você? - Forço um sorriso.

- Hoje tive uma excelente notícia, então estou de ótimo humor.

- Fico feliz por você.

Aponto para a cadeira, e Antony se senta mais que depressa.

- Deve estar se perguntando o porque vim te ver de repente.

- Estou surpresa com a sua aparição.

Esse ser humano desprezível só aparece no meu escritório quando quer se gabar de alguma coisa, então já sei que terei péssimas notícias.

- Eu deveria manter segredo, mas estou tão animado que decidi dividir com você. - Antony cochicha.

- Se tirou um tempo na sua agenda super lotada para vir me dizer algo, com toda certeza aconteceu algo muito bom.

Antony é um velho repugnante, que ama ganhar dinheiro nas custas dos mais fracos. Infelizmente ele faz parte dos acionistas da empresa, e por mais que eu tente me livrar dele está sendo meio difícil.

Tentei comprar suas ações por diversas vezes, e até mesmo dei o dobro do valor que valem, mas como ele é machista e não aceita uma mulher no poder, negou meu pedido mesmo sendo um homem extremamente ganancioso.

Ele foi um dos que não concordou que eu fosse a presidente, e desde então ele e seu grupinho nojento fazem de tudo para me prejudicar.

Se Antony me vendesse suas ações, eu me tornaria a acionista majoritária, mas ele não faz isso porque sabe que eu os demitiria no mesmo instante.

- Quer que eu diga ou você advinha senhorita presidente? - Ele exibe um sorriso cínico.

- Não sei se percebeu, mas tenho muito trabalho para fazer. - Aponto para as papeladas na minha mesa. - Então seria bom se dissesse logo o que de tão bom aconteceu, para que eu possa voltar a trabalhar.

Seu sorriso morre no rosto, e percebo no mesmo instante que ela começa a ficar irritado, mas ele sabe disfarçar bem e novamente começa a sorrir.

- Consegui vender minhas ações querida. - Ele joga a bomba.

Sei muito bem disfarçar bem meu nervosismo, mas na verdade estou muito nervosa e ferrada.

Provavelmente Antony vendeu suas ações para alguém que também não vale nada, mas seria bom para mim que o novo membro da empresa seja honesto.

- Parabéns. - Forço um sorriso.

- Obrigada. - Ele agradece.

- Quando terei a hora de conhecer o novo acionista? - Pergunto.

- Assim que todos os documentos forem assinados.

- Não vejo a hora de conhecê-lo. - Sorrio falsamente.

Só espero não ter ainda mais problemas futuramente, porque os que me cercam já são o suficiente.

- Se já falou tudo o que tinha de falar, poderia fazer o favor de se retirar? - Aponto para a porta do escritório.

- Mas...

- Você sabe que sou muito ocupada. - O corto.

Antony bufa alto, se levanta depressa e começa a caminhar em direção a porta do escritório, mas antes de sair ele para por alguns segundos, e caminha até minha mesa novamente.

- Ainda não assinei os documentos, então você ainda tem uma chance de me convencer Nina. - Ele se senta novamente.

- O que você tem em mente? - Me levanto do meu lugar, e me sento na beirada da mesa de frente para Antony. - Tem algo que queria que eu faça?

Ele me olha de cima em baixo com um sorriso nojento nos lábios, então no mesmo instante já sei o que se passa na sua mente doentia.

- Bem... você é uma mulher muito bonita, então...

- Deixa eu ver se entendi. - O corto. - Quer que eu me venda para você?

- Você é tão esperta. - Ele coloca a mão na minha perna.

- E se sua esposa descobrir? - Pergunto me fingindo de inocente.

- Ela não vai. - Ele nega com a cabeça.

Dou um tapa com toda força no rosto de Antony, então ele me encara confuso enquanto pergunta:

- Por que fez isso Nina?

- Eu sou meio selvagem. - Sorrio com malícia.

Sua feição muda de irritação para cínico no mesmo instante, então levanto minha perna e coloco meu pé na cadeira onde Antony está sentado, e quando ele coloca a mão na minha perna novamente empurro a cadeira e ele cai para trás.

- Está louca Nina? - Ele pergunta enquanto se levanta rapidamente.

- Se eu estou louca? - Começo a gargalhar. - Louco é você por me sugerir algo tão nojento seu velho sem vergonha!

- Mas...

- Mas o quê?! - O corto. - Acha que vou aceitar uma merda dessa? Realmente está louco se acha que vou me rebaixar a esse ponto por causa de ações!

- Eu poderia ter quebrado o pescoço quando me derrubou. - Ele me olha com medo.

- Seria uma merda a menos no mundo! - Grito.

- O que está acontecendo? - Mia entra no escritório de olhos arregalados.

- Vai me pagar por isso Nina. - Ele aponta o dedo para mim.

Caminho em passos largos em sua direção, e Antony cai no chão quando começa a correr de mim.

- Está me ameaçando Antony? - Pergunto enquanto sorrio. - Tenho que te lembrar de quem eu sou filha?

- Você... você não é como seu pai. - Ele gagueja enquanto se levanta.

- Mas isso não quer dizer que eu não possa mudar de repente, então sugiro que pense bem antes de me ameaçar.

Com toda certeza nunca serei como meu pai, mas enquanto ele ter dúvidas sobre isso, terei um pouco de sossego.

- Você não seria capaz. - Ele nega com a cabeça.

- Quer apostar para ver? - Dou um passo em sua direção.

- Você está louca! - Ele grita enquanto corre para fora do meu escritório.

- Posso ficar ainda mais! - Grito de volta.

Fecho os olhos e suspiro alto, enquanto tento me acalmar aos poucos.

- O que aconteceu Nina? - Mia pergunta preocupada.

- Esse nojento queria que eu me vendesse em troca das suas ações. - Digo entredentes.

- Desgraçado. - Ela murmura.

Antes eu tinha que fingir simpatia porque ele era um dos acionistas, mas agora que está vendendo suas ações para outra pessoa, não tenho que ficar aguentando esse homem repugnante.

- Quer que eu traga algo para você beber? - Mia pergunta.

- Não precisa. - Sorrio fraco.

- Tem certeza?

- Tenho sim.

Mia levanta a cadeira e a coloca no seu lugar, em seguida sai do escritório.

Caminho em direção a vidraça da minha sala, cruzo os braços e começo olhar para fora.

- Nina? - Mia chama por mim.

- Sim? - Me viro para ela.

- Você tem uma visita. - Pela sua cara já sei quem é.

- Mande-o entrar.

Não estou com paciência para aguentar Heitor nesse momento, mas tenho que descobrir se foi ele quem comprou as ações de Antony.

- Por que parece estar prestes a matar alguém? - Heitor pergunta quando se aproxima de mim.

- O que você quer? - Pergunto enquanto me sento.

- Não posso visitar minha amiga?

- Não somos amigos. - Retruco.

- Vai magoar meu coração. - Ele leva a mão ao peito.

- Deve ter percebido que não sou atoa como você, então diga logo o que quer e vá embora. - Falo com irritação. - Tenho muito trabalho para fazer.

Ele me encara por algum tempo, e isso só faz me deixar ainda mais irritada.

- Está tão brava por causa do Antony? - Ele pergunta. - O encontrei enquanto saia do elevador.

- Você comprou as ações dele? - Pergunto.

- Ele já vendeu?

- Sim.

Heitor parece estar surpreso, então quer dizer que ele não é o comprador.

- Velho desgraçado. - Ele murmura.

- Você estava tentando comprá-las?

- Sim. - Ele confirma com a cabeça. - Queria dar de presente para você.

- Por que faria isso por mim? - Pergunto curiosa.

- Está um dia lindo hoje. - Ele muda de assunto de repente.

- O que está escondendo de mim?

- Quer almoçar comigo hoje? - Ele não responde minha pergunta novamente.

Heitor está muito estranho, com toda certeza ele está escondendo algo. Não somos amigos, então por quê ele me daria as ações de presente?

Eu achei que ele estava interessado em comprá-las para me ferrar, mas pelo que parece eu estava errado.

- Eu... - Meu celular começa a tocar me interrompendo de dizer algo.

O pego sobre a mesa e vejo que é uma ligação da Emília, então atendo a ligação.

- Oi Emi.

Escuto um barulho de muita gente falando ao mesmo tempo, então de repente alguém grita alto e tudo fica silencioso.

- Nina nos ajude. - Emília pede.

- O que aconteceu? - Pergunto preocupada.

Ela fica em silêncio por alguns segundos, e quando vou perguntar novamente o que está acontecendo Emília fala:

- Eu e as garotas fomos presas.

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