Prólogo
Próᥣogo
Nunca se sabe ao certo, quando é que será o momento em que a nossa vida dará um giro de 360º – ou pelo menos algo parecido – ele simplesmente chega sem avisar e sem se preocupar com os possíveis estragos ou as possíveis casualidades que podem decorrer desse giro e dessa mudança; As coisas apenas acontecem e não há nada que se possa fazer para mudar tal facto, deve-se apenas resumir a sua própria insignificância e dar a volta por cima, ou no mínimo seguir adiante.
Algo do género, acontecera com Alissa, naquela linda tarde de equinócio. A caçula da família Jory havia saído para cavalgar, e aproveitar os raios solares e a Vitamina D que aquela tarde a oferecia, quando regressara à casa e encontrara seu pai de frente a entrada do estábulo com o semblante cansado e a expressão exausta, ela não precisava ter conhecimento da agenda do seu pai para saber que ele havia tido uma reunião fatigante, que sem dúvida alguma havia sugado e esgotado toda e qualquer energia que ele possuísse, pronto para dar-lhe a notícia que iria mudar a sua vida e o seu mundo para sempre.
Algumas horas atrás...
Com todo o seu foco voltado para o expediente que tinha por realizar, naquele dia, Rance Jory estava no seu escritório quando a sua secretária informou-o que um mensageiro enviado pelo Rei procurava por ele. Como qualquer pessoa no seu perfeito juízo normal, Rance imediatamente permitiu a entrada do mensageiro, que sem mais delongas, assim que entrou para o escritório do Conde, foi directo ao ponto informando que o Rei solicitava sua presença de imediato, no Palácio de Limes.
- Mas o que é que a Vossa Alteza Real deseja comigo? – perguntara o Conde atónito, e até mesmo, um tanto relutante, pois em condições normais o Rei raramente solicita a presença de um nobre com tamanha urgência, como o fazia naquele momento, e claro; Sempre que o fazia era sinónimo de um mau presságio.
- É um assunto de grande importância e que o Rei deseja que seja discutido em um local mais reservado tendo ele optado pelo Palácio, assim sendo agradecia que o Conde me acompanhasse.
- Sim, claro – disse Rance, enquanto pegava no seu casaco e no seu telemóvel.
No Palácio...
Alguns minutos após deixar-se guiar pelo mensageiro do Rei, o patriarca da família Jory encontrava-se no amplo escritório do Rei Adrian a espera que o mesmo dê-se o ar da sua graça, e enquanto aguardava, este tomava um gole do chá de ervas típico de Limes – a capital de Limerance – chá este no qual misturavam-se uma vasta gama de ervas aromáticas e calmantes, criando o perfeito equilíbrio entre as mesmas, dando assim origem ao melhor chá alguma vez degustado.
- Rance Jory! – A voz grave de Adrian, Rei de Limerance, soara assim que entrou no escritório. – O Conde de Limes.
- Vossa Alteza... – disse Rance e apressou-se a pousar a chávena, para então levantar-se e fazer uma vénia ao rei.
Adrian Richard Parrik II, ou Rei Adrian II, era um homem de alta estatura, com os ombros largos e uma postura inabalável. Ele possuía o cabelo da cor castanha, em tons acobreados, já com alguns fios grisalhos a demonstrar sua idade já avançada, como sempre penteados cuidadosamente para trás, sem sequer u m fio fora do lugar. Seu semblante impassível e sua presença que exalava domínio e poder intimidavam quem quer que tivesse o privilégio de estar em sua presença.
Ainda em pé, Rance acompanhara com o olhar, o Rei rodear sua secretária e sentar-se na cadeira que fazia conjunto com a mesma.
- Então Rance, não precisamos de todas essas formalidades, afinal de contas somos amigos de longa data, não?
"Não propriamente", pensou Rance, o Rei só solicitava a sua presença quando precisava de um favor seu, ou melhor, quando tinha problemas. No entanto, o Conde preferiu não exteriorizar tal pensamento, e ao invés de isso limitar-se apenas a sorrir e assentir, ou então ainda ia parar a forca, não que isso ainda acontecesse em pleno século XXI, mas bem, nunca se sabe o que um rei com os nervos a flor da pele é capaz de fazer, não é mesmo? Portanto, era melhor não testar.
- Senta-te – ordenou o rei tirando-o de seus pensamentos e indicou o lugar a sua frente. – Sinta-se à vontade.
Rance, obedeceu e sentou-se na cadeira indicada pelo Rei.
- Vossa Alteza desculpa-me o atrevimento, mas será que podemos ir directos ao assunto? É que já não suporto esta agonia, por não saber o que é que se passa.
- Vejo que continuas o mesmo de sempre, como também pude reparar que continuas a gostar do nosso chá de ervas.
- Sim – disse Rance e deu uma olhadela a chávena. – Este chá é único, outro como este não há e, estando sempre a viajar devido aos negócios não tenho tido como saborear do nosso chá tanto quanto gostaria, então faço-o sempre que possível.
- Sim, muitos já tentaram, mas só quem é nativo de Limes para saber como preparar um como deve ser, os de Lotus até tentam, os de Surheyna então nem digo, mas todos falham miseravelmente.
- Pois, há que conhecer as ervas todas.
- E olha que não são poucas – disse o Rei como um sorriso cheio de orgulho –, mas não foi para falar do Chá de Limes que eu solicitei a tua presença, Rance.
- Acredito que não, Vossa majestade.
- Pois então vamos directos ao assunto – disse o Rei e clareou a garganta. – Bem, como o Rance e todo o povo de Limerance devem ter conhecimento, o meu filho mais velho, o Príncipe Ian vai fazer trinta anos na semana que vem e claramente está na altura de ele começar a procurar por uma esposa e assentar.
"Por que é que tenho a sensação de que não irei gostar nada do que o rei tem para me dizer?", perguntou-se Rance enquanto ouvia atentamente as palavras do rei.
- Depois de muito procurar pela esposa ideal para o Ian acabamos por encontrar uma e, é aí onde tu entras Rance...
- Não entendo onde a Sua majestade quer chegar com isso.
- Acalma-te homem! A mulher que eu, a minha esposa e claramente, o Ian escolhemos para ser a mulher dele, foi a sua filha – disse o Rei. – A Alissa – acrescentou e Rance sentiu como se o cérebro lhe tivesse congelado, razão pela qual ficara alguns segundos em silêncio a processar a informação que o Rei Adrian acabava de dar-lhe, e então o sangue subiu-lhe a cabeça.
Como podia o Rei pedir que ele entregasse a sua única filha no meio de três rapazes, para ele?
- Então Rance? O que é que achas? – perguntou o Rei. – Seria óptimo para si e para os seus negócios tendo em conta o escândalo que foi o casamento do seu filho com aquela... mulher – disse e foi impossível para Rance, não perceber o ressentimento presente em sua voz do mesmo ao pronunciar a última palavra –, tenho a certeza de que este casamento fortalecerá ambos lados. Os seus problemas financeiros evaporar-se-ão e o escândalo que foi o casamento do seu filho será esquecido para sempre.
- É uma proposta encantadora, mas Sua Majestade falou apenas das vantagens para o meu lado, e para o seu? Se me permite perguntar, quais é que seriam as vantagens para o seu lado?
- Sendo sincero, e sem ocultar-lhe nada... eu conseguirei fazer com que o Ian pare de levar a vida boémia que leva e finalmente fazê-lo assentar.
- Sua Majestade acredita que a minha filha pode colocá-lo nos eixos? – questionou Rance um tanto relutante, era com o Rei que ele estava a discutir tal assunto, e principalmente, era de sua filha que eles falavam.
- Eu quero acreditar que sim.
- E se ela não for capaz de fazê-lo? – inquiriu o Conde expondo aquele que era o medo de ambos, pois segundo aquela que era a fama do primogénito do reino e herdeiro do trono, aquela não parecia ser uma tarefa fácil.
- Ela terá de ser capaz de fazê-lo, Rance. – Adrian respondeu taciturno.
- Certo, contudo antes de tomar alguma decisão, é necessário colocar a minha filha a par de tudo.
- Claro, eu tenho a certeza de que ela vai adorar a ideia de casar-se com o Ian, afinal de contas mesmo com algumas falhas, ele é um óptimo partido e acima de tudo, um príncipe. Que mais pode ela desejar?
Rance, não pensava assim, do jeito que conhecia a sua filha, tinha a certeza de que ela não partilhava da mesma ideia que o Rei sobre o assunto, sem contar que a fama que o Príncipe carregava consigo nos últimos tempos não era das melhores, pois mesmo que nada saísse nos tabloides de fofoca as más-línguas encarregavam-se de fazer o seu trabalho e deixar o Reino todo a par daquelas que eram as peripécias do mesmo.
- Tenho a certeza de que ela vai adorar a ideia, a não que ela queira manchar ainda mais a honra da sua família – disse o Rei.
Aos olhos do Conde, aquele comentário parecia-se com tudo, menos com um comentário inocente, aliás tudo aquilo parecia resumir-se em apenas uma coisa; aquela reunião a qual parecia uma troca de ideias entre os dois nobres era na verdade uma artimanha pelo Rei articulada para impor suas ordens sobre eles, ou seja, a união que o Rei propunha, era na verdade, nas entrelinhas uma ordem que ele e a sua filha tinham de acatar. Infelizmente, aquela era a triste e cruel realidade de viver em uma monarquia.
- Penso que muito em breve seremos uma família – afirmou Rance com um sorriso forçado.
- Eu sabia que partilhávamos do mesmo pensamento – respondeu o Rei e voltou a encostar-se na sua cadeira. – De todos os nobres da realeza de Limerance, o Rance sempre demonstrou ser o mais perspicaz e sábio.
- Bem, assim sendo, vou dar a notícia a Alissa. Tenho a certeza de que ela vai adorar saber que vai casar-se com o príncipe Ian – mentiu Rance.
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- Lynn... – chamou-a Rance assim que entrou em casa.
- Estou aqui, querido. – A voz de Lynn soara ao que parecia vinda da varanda.
Tendo seguido até tal cómodo, o patriarca da família Jory encontrou sua amada, sentada em um cadeirão com um livro nas mãos e com os óculos de vista encaixados junto ao nariz. Aquela era uma imagem a qual ele estava tão habituado a ver, que já não se surpreendia em encontrá-la de tal modo, como também, nunca se cansava. Aquela imagem o remetia ao seu regresso à casa, pois era assim que normalmente a encontrava quando voltava de um dia exaustivo de trabalho, ou de uma reunião fatigante, tal como era o caso naquela tarde.
Lynn Jory, uma mulher que mesmo com a idade já um pouco avançada, era considerada linda, seus fios encaracolados, em um tom castanho-chocolate, que faziam um belo contraste com sua pele cor de caramelo, e o corte de cabelo moderno estilo Tom boy, adornando suas feições, deixavam-na sem dúvida, com a aparência alguns anos mais nova. Com um corpo esbelto, e curvas que podiam ser a perdição de muitos, a matriarca da família Jory era uma mulher elegante e que tornara-se na Condessa de Limes aos vinte e poucos anos quando se casara com o jovem Conde Rance Jory.
- Olá querido, chegaste cedo hoje e pareces cansado.
- Sim, tive uma reunião exaustiva com o Rei...
- Com o Rei? Passa-se algo? – questionou Lynn, tal como o esposo, também era do conhecimento dela que o Rei raramente chamava alguém para ir ao seu encontro, apenas para tomar uma chávena de chá.
- Infelizmente sim... – começou Rance com a expressão consternada, acção esta que fizera com que o semblante da mulher a sua frente franzisse, demonstrando sua preocupação. – É algo que certamente, irá mudar as nossas vidas para sempre, mas principalmente... a da Alissa.
- Rance, o que é que tu queres dizer com isso?
- A Alissa? – perguntou ele. – Onde é que ela está? Tenho de conversar com ela.
- Ela foi dar um passeio acavalo, mas acredito que já deve estar a voltar, faz já algum tempo que ela saiu.
- Eu vou esperar por ela lá fora – disse Rance e foi até ao estábulo.
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Com o olhar fixo naquela que era a paisagem fascinante que seus olhos tinham o prazer de apreciar, na qual tons de azul ciano presentes no céu daquela tarde entravam pelas frestas deixadas pelas árvores, o verde da vegetação ali presente nas árvores, arbustos e folhas que um incomum tapete, formavam em meio a clareira, sem contar com a lagoa de águas cristalinas que em algum momento, devido a vegetação que nela havia e ao ambiente que a rodeava, parecia possuir diferentes tons de azul e verde, e até mesmo cinza das pedras que ali jaziam, mesclando-se e formando uma combinação de cores que de tanto que agradava a vista, a uma pintura digna de um lugar no Museu de Louvre se podia comparar. Alissa inspirou o ar a sua volta, e então mesmo que a contragosto, montou em sua égua e fez o seu caminho de regresso à casa.
Ela ficara tanto tempo longe de casa, que agora que regressara era-lhe impossível não ir lá ter e passar alguns minutos, se não horas simplesmente a aproveitar a calmaria que aquele santuário a oferecia. Indubitavelmente, Alissa amava aquele lugar e agradecia sempre que se lembrava, pelo facto de tal pedaço do paraíso na Terra, pertencer aos seus pais.
Após alguns minutos a cavalgar, Alissa finalmente chegara à casa, e qual não fora a sua surpresa, ao encontrar seu pai parado junto a entrada do estábulo?!
- Pai! Voltaste cedo hoje! – exclamou Alissa enquanto desmontava. – Pareces exausto – apontou a mais nova ao analisar a expressar do pai, depois de depositar um beijo na face dele.
- E estou.
- Tenho a certeza de que um chá de ervas o fará sentir-se melhor, eu mesma o faço.
- Eu adoraria que me fizesses um, mas temos de conversar, Alissa.
Ao mesmo tempo em que ouvia as ditas de seu pai, Alissa tirou a sela da égua e guardou-a em seu respectivo lugar, para então virar-se para o seu progenitor.
- Diz pai, o que é que o preocupa? – pediu Alissa sua expressão passando de calma à preocupada.
- Bem... – começou Rance. – Óh, filha, eu nem sei por onde começar...
- E que tal se for pelo começo? – sugeriu Alissa com um sorriso.
Rance, respirou fundo e chegou a conclusão de que de nada adiantava procrastinar com tal assunto, em verdade mais valia acabar com aquilo de uma vez por todas, como um band-aid as vezes é necessário puxá-lo de uma só vez, mesmo que doa.
- Vais casar-te.
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Olá Príncipes e Princesas!!!
Estou de volta!
(Finalmente! Mereço uma salva de palmas... Ashshshshshshs)
Mas bem... Como prometido, cá estou eu com o prólogo do primeiro livro da Trilogia Os Príncipes. Não sei se vocês repararam, mas há algumas mudanças no capítulo, com relação a aquela que foi a primeira (é a segunda) vez que escrevi o prólogo, isto porque eu decidi que ele precisava de algumas mudanças, e caso não tenham prestado atenção, a Lynn e a Alissa são agora, ambas negras, isto porque eu decidi que os meus livros serão interraciais.
Mas porquê, Naira?
Porque eu pensei, que melhor forma de valorizar a minha cultura é a minha raça, se não colocando alguns dos meus personagens, se não todos eles e principalmente os protagonistas, negros?!
Bem, esse é o modo que encontrei de levantar a minha bandeira, espero que não se importem.
Novamente, eu não irei escolher shapes ou avatares para os personagens... Porquê?
Porque, eu prefiro deixar isso ao vosso encargo, ou seja, penso que é melhor e mais divertido, deixar a vossa imaginação a solta e permitir que ela crie, a Alissa, o Ian ou seja quem for, do modo que desejar tendo em conta aquelas que são as características no livro descritas.
Deixem a vossa imaginação a solta e abram os portais da vossa mente!
A foto que aparece na integra, é a imagem do Palácio Schwerin, na Alemanha e vamos supor que o Palácio de Limes é que nem esse.
E bem... Penso que por hoje é tudo, qualquer dúvida, não hesitem em perguntar, que eu estou aqui para isso.
Espero que tenham gostado do prólogo e que estejam prontos para essa nova aventura.
Bjs e até breve...
Atenciosamente,
Naira Tamo.
01.05.2019
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