Capítulo XXXVIII
Cᥲρίtᥙᥣo 38
Limerance - Limes
Palácio de Limes - Escritório de Ian
P.O.V de Ian
Um suspiro deixara os lábios de Ian, e novamente, os olhos de Henry e Max voltaram-se para ele, já era a quinta? Sexta talvez... sim, sexta! Aquela era a sexta vez que ele suspirava de tal modo desde que em seu escritório estavam e pelo ritmo em que as coisas seguiam, ambos presumiam que nenhuma das tarefas que era suposto que ele realizasse havia sido feita até então. E já todos imaginavam qual é que seria o motivo daqueles suspiros de frustração...
Bem, pelo menos Henry sabia de certeza, pois eram os mesmos suspiros que o monarca dava quando estavam em Mykonos e seus pensamentos estavam presos em uma pessoa, uma única pessoa... De personalidade forte e cabelos tão rebeldes quanto ela - a personalidade.
O olhar de Ian fora para o seu telemóvel e viu que o relógio do mesmo marcava meio-dia e trinta e sete minutos, o que significava que a tal átimo, Alissa provavelmente já havia deixado o palácio, rumo a residência dos seus pais.
- Tu já reparaste? - a voz de Alissa ecoara em sua mente e ele odiara-se e odiara-a por isso. - Desde que casamos, tu nunca foste a casa da minha família e eu só o pude fazer uma vez. Desde que casamo-nos eu mal pude vê-los, achei que pelo menos desta vez, pudesses fazer o esforço de acompanhar-me para estar com eles, e fazer o papel que desde o início estivemos a fazer, não?
Que culpa tinha ele de que as coisas fossem daquele modo? Não era como se ele é que tivesse decidido como é que as coisas seriam em seu casamento, a corte já o havia feito por eles e ele...
- Diferente de ti, eu não posso estar constantemente com a minha família, ao casar-me contigo, vieram obrigações que ocupam-me o tempo todo e eu mal tenho uma vida própria. Tu sabes disso e pelo menos uma vez... só desta vez, podias acompanhar-me, pois diferente da tua família em que todos sabem a verdade no que diz respeito ao verdadeiro motivo pelo qual casamo-nos, comigo é diferente, apenas o meu pai o sabe e a minha mãe...
Um grunhido de frustração originara de Ian, despertando a atenção de Henry e Max, o que resultara nos dois homens a encará-lo com curiosidade e certa incredulidade.
Porque cargas de água ele tinha de estar a ouvir a voz dela a ressoar em sua mente como se ele fosse o culpado de tudo de errado que se passasse na vida dela.
- A minha mãe acredita que nós temos um casamento cheio de amor, no qual a sua filha encontrou o seu Príncipe encantado que a ama tanto quanto ela a ele. E eu preciso que ela continue a acreditar nisso, Ian. Eu PRECISO que ela continue a acreditar nessa farsa. Uma farsa que TU prometeste-me manter até quando fosse necessário para proteger-nos e a todos que amamos - ele ainda podia lembrar claramente da sua expressão ao dizer tais ditas, do seu sorriso apático e das suas feições resignadas -, mas tu não pareces fazer muita questão em fazê-lo, Ian - ressoou em sua mente.
- Raios! - grunhiu e seu punho foi contra o tampo da mesa. - Max, verifica por favor com as aias da Alissa se ela já deixou o palácio - pediu. - E Henry, pede ao Jacob que prepare o carro, estou de saída.
Era inacreditável o poder que aquela mulher tinha sobre si e sem que se desse conta, pouco a pouco ele cedia aos encantos da morena.
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Limerance - Limes
Algures nas ruas de Limerance
E obviamente, como já era de se esperar da sua querida esposa, ela havia seguido sozinha para a casa dos seus pais. Como é que ele sentia-se em relação a isso? Sequer ele próprio sabia ainda, porém não a podia censurar, fora ele quem criara tal situação.
Suspirou.
Porque cargas de água sua consciência lhe pesava tanto quando pensava nela sozinha nesse bendito almoço?
O som do seu telemóvel a tocar despertara a sua atenção, e após verificar quem ligava, prontamente atendera a chamada.
- Alô? - um tanto incerta, soara a voz masculina do outro lado da linha.
- Cole?
- Não acredito que finalmente consigo ouvir a tua voz se não através da televisão ou em uma das inúmeras entrevistas entediantes que tanto dás.
Brincara o jovem do outro lado da linha e fora impossível para o Parrik, não rir-se das ditas alheias.
- Telemóveis estão aqui para isso, sabes? E isso apenas porque decidiste que é impossível para ti fazeres uma visita ao teu bom amigo - rebateu Ian.
- Bem, infelizmente, o meu bom amigo é um indivíduo extremamente ocupado e o facto de ele ser um viciado em trabalho e colocar o reino e as suas responsabilidades acima de todo o resto não facilita as coisas para mim e para o desejo que tenho de visitá-lo.
Um riso irónico deixara os lábios de Ian, era quase como se estivesse a ouvir Alissa a dizer tais ditas. Em verdade, ele podia de facto visualizá-la a dizer tais ditas.
- Do que é que te ris? Não me digas que para além de viciado em trabalho, agora perdeste também alguns parafusos.
- Infelizmente para ti, ainda não é desta que irás ficar com a minha colecção de relógios de bolsos.
Afirmou, mencionando subtilmente o acordo que ambos haviam feito anos atrás quando Ian começara com a sua colecção.
- Eu não os quero todos, apenas o Blancpain 1735.
- Como disse antes, ainda não é desta. E provavelmente não será tão já, e se a sorte estiver do meu lado, não será nunca.
- Idiota! A tua esposa sabe que andas por aí a gastar tempo e dinheiro a coleccionar relógios de bolso?
- Ela tem mais com o que se ocupar e definitivamente, questionar-me sobre a minha colecção de relógios de bolso não faz parte da lista enorme de coisas que fazemos quando juntos.
- Lista enorme, hãm? - começou Cole. - Lista enorme de coisas que fazem quando juntos, é Príncipe Ian Parrik? - atiçou. - E o que é que vocês tanto fazem juntos, hum? Essa lista deve envolver inúmeras coisas interessantes, não? Tipo mesmo muito interessantes, pois são poucas as coisas, e principalmente, pessoas que captem a tua atenção por tanto tempo.
Ele não precisava ver a cara do seu melhor amigo naquele momento, para saber a expressão que ele fazia ao fazer tais afirmações.
- Pelo tanto que desapareceste do radar, e agora com esse comentário subtil, mas não tão subtil assim... presumo que o casamento esteja a ser bem mais agradável do que pensavas que seria.
- Digamos que como bem sabes, há sempre algo positivo a obter-se até mesmo dos momentos e/ou situações mais difíceis.
- Pois deixa-me que te diga... Pelas fotos e vídeos que têm circulado na media de vocês os dois, não parece nada que estes sejam momentos e/ou situações difíceis - apontou o outro -, muito pelo contrário, eles parecem muito felizes e tu aparentas estar a aproveitar e desfrutar imenso do teu casamento e da companhia da tua esposa.
- Não deveria ser novidade para ti que eu me divirta na companhia de uma mulher, tu melhor do que ninguém sabes o quão bem sei desfrutar da companhia de uma mulher.
- Sim, de facto. Mas nunca por tanto tempo com a mesma mulher.
E o choque veio.
Lembranças da sua vida boémia eram naquele momento tragas de volta ao seu presente e ele ainda não sabia como sentir-se em relação a aquilo. Aliás, ele ainda não sabia o que realmente o incomodava, se o facto de ter sido o rei do boémios antes de se ter casado com Alissa, ou por ter deixado de sê-lo após com ele se ter casado.
- Sabes perfeitamente que essa situação não foi uma escolha minha - rebateu e seus olhos foram ao vidro que separava os assentos traseiros dos de frente impedindo que sua conversa fosse ouvida por Jacob e o guarda-costas que os acompanhava naquela tarde, já que seu chefe de segurança optara por conduzir.
- Não há como esquecê-lo, fizeste questão de deixar isso marcado em minha memória e apartamento para sempre, não é mesmo, Ian?
Abanou a cabeça em negação. Seu comportamento naquela noite não havia sido dos melhores e se ele fosse sincero consigo próprio, nem ele mesmo gostava de lembrar-se de como agira.
- Ambos sabemos que se dependesse de mim, neste momento estaríamos os dois a definir qual é que seria o nosso plano para mais uma noite prazerosa e de farra e não comigo a seguir ao encontro de uma esposa que sequer fui eu quem escolheu na casa dos pais da mesma.
- Bem... Tu estarias.
E então Ian soube pelo tom de voz do amigo e pela pausa que se seguira, que algo acontecera com seu amigo no tempo que estiveram distantes.
- O que é que isso quer dizer, Sr. Cole Richards?
- Eu preferia contar-te isto pessoalmente, mas tu nunca estás disponível então talvez seja melhor aproveitar este momento e...
- Nunca foi de ti andar aos rodeios Richards, o que é que há?
- Eu... Eu...
- Tu...
Incitou-o a continuar. Nos inúmeros anos de amizade que tinham, foram poucas as vezes em que vira seu amigo sem palavras e/ou a gaguejar e quando o fazia, era porque algo grandioso de facto havia ocorrido. E a julgar pelo modo como as coisas seguiam naquele momento, algo grandioso sem dúvida alguma havia ocorrido.
- Eu voltei com a Sophie.
- Tu... O quê?
Foi impossível para o Parrik esconder sua surpresa, se bem se lembrava e não estivesse a fazer confusão com a lista enorme de mulheres com as quais seu amigo já se havia envolvido - provavelmente não tão grande quanto a lista de mulheres com as quais ele próprio já se havia envolvido -, a Sophie a quem o Richards referia-se era a única mulher com quem seu amigo se envolvera que fora capaz deixar seu mundo ao avesso quando em uma noite de forma inesperada, decidira que queria terminar com ele.
- Eu sei que faz muito tempo... - Cole tornou a falar, provavelmente por notar a surpresa do amigo. - Anos! Porém, nós enfim conseguimos enlaçar as pontas soltas e colocar os pontos nos i's e o traços no t's.
- Tu...
Ainda lhe parecia surreal acreditar em tais ditas, não depois do impacto que a mesma deixara na vida de Cole Richards, mas também por ter sido ela a responsável por criar o Cole Richards boémio que surgira após o término do relacionamento. Ela magoara-o tanto que o mesmo desistira do amor, de relacionamentos e de tudo que pudesse estar relacionado a essas duas palavras, tornando-se em contrapartida, tudo o que vai contra essas duas palavras.
E ela fizera muito bom trabalho sem mesmo saber de tal facto.
- Tu tens a certeza disso?
Um riso soara.
- Ian, ouve, quando encontramos a mulher certa é uma idiotice deixá-la escapar.
- Não sejas tão lamechas Richards, como é que sabes que ela é a mulher certa?
Uma leve risada fluíra pelo telemóvel.
- Eu simplesmente sei - riu.
- Ela magou-te!
- E eu fiz exactamente o mesmo com ela.
- É claro que não! Tu valorizaste-a como toda mulher quereria.
- Não, eu vangloriei-me por tê-la do meu lado e tomei-a por algo garantido. Julguei que ela sempre estaria do meu lado e não valorizei os momentos que tivemos juntos e por isso... eu perdi-a. Perdi o que tinha de mais precioso e sofri por isso pois só dei-me conta do seu valor, quando já não a tinha do meu lado.
- Oh por favor, Cole! Eu via o modo como tu a cuidavas e tratavas. Como a tinhas como uma rosa, uma preciosidade.
- Não - interrompeu-o, e Ian soube que ele sorria -, tu vias apenas o que eu queria que visses, Ian. As farsas e mentiras, nunca permiti que o mundo visse e por isso é que foi tão doloroso para a Sophie, por isso é que ela terminou comigo. Porque ela não podia mais com as mentiras, com o espetáculo que eu criava para o mundo e com a realidade que tínhamos quando só os dois.
E por uma pequena fracção de segundos, as palavras que Alissa disse na noite anterior voltara para si, e foi como se as palavras de Cole fossem expressa e estritamente direccionadas a si e ao seu casamento.
- Eu tive de perdê-la para saber que ela era, é a mulher da minha vida - riu com certo desdém -, e quando o soube... Eu simplesmente o soube, com todo o meu corpo e todo o meu ser.
Pausou e respirou fundo.
- Portanto se a Alissa for a mulher certa para ti, tu também o saberás, só não cometas o mesmo erro que eu e a deixes escapar Ian, pois podes não ser tão sortudo e conseguir o seu perdão e tê-la de volta - respirou fundo -, ter uma vida boémia com inúmeras mulheres aos nossos pés, bebida e farra a noite toda pode parecer bom, incrível e surreal, contudo, tudo isso em nada se compara a uma noite do lado da mulher certa para ti, um toque dela... e o modo como o mesmo faz a tua pele arrepiar. Um beijo seu, e a forma como ele parece fazer cada célula do teu corpo vibrar e o teu íntimo se contorcer. Mas principalmente, de como o seu sorriso é capaz de derreter até o iceberg maior e mais alto que em nosso interior existe.
- Cole...
- Tu casaste-te com uma mulher porque os teus pais quiseram que o fizesses, se dependesse de ti tu ainda estarias a vadiar por aí, ou como diz o teu pai "Estarias a levar uma vida boémia".
- Eu sempre soube que quando fizesse trinta anos, se ainda não estivesse casado teria de o fazer.
- Sim, eu sei que sim e é isso o que preocupa-me. Pois ambos também sabemos que a tua maior motivação para fazê-lo foi... É o trono. Para assegurá-lo e mantê-lo com os Parrik, foi para isso que foste criado e é para isso que vives Ian - declarou Cole e por alguma estranha razão, Ian não gostou do sabor azedo que tal revelação lhe trouxera. - E se assim o é, talvez devesses repensar no real motivo pelo qual casaste-te com a Alissa.
- O que é que faz-te dizer isso?
- Porque se tiver sido apenas pelo trono, acredito que devas pensar melhor nas tuas acções e motivações, e em um futuro próximo decidir se realmente pretendes tê-la do teu lado ou se talvez...
- Não gosto do rumo que esta conversa me parece estar a levar - declarou com a voz e o semblante sérios.
- Ian...
- Simplesmente não me agrada, Cole e embora sejas meu melhor amigo, ainda assim é importante que conheças os teus limites.
- E é exactamente por isso que o faço!
- Porquê? Por não conheceres os teus limites?
- Por ser o teu melhor amigo Ian! - repreendeu-o sério - Se não tens a certeza do motivo pelo qual casaste-te com a Alissa, ou se o fizeste pelo trono, talvez seja melhor para ambos que... - Cole pausou e tal acção serviu apenas para aumentar a tensão e ansiedade que tomava ambos naquele momento - que a deixes ir.
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Olá Príncipes e Princesas!!!
Eu sei... eu sei...
A vontade de matar esta autora aqui pela demora, é imensa. Mas ela está a tentar o melhor que pode trazer-vos novos capítulos, acreditem!
Mas agora indo para o capítulo de hoje... Parece que alguém não gostou de ouvir o sermão do melhor amigo, não é mesmo?
Espero que estejam todos bem nesta noite de sábado (cá em Moçambique, neste momento é noite).
E então?! O que é que acharam do capítulo? E o que é que pensam que está por vir depois do fim do mesmo?
Bem, essa é uma resposta para o próximo capítulo.
Até breve!
Beijos e abraços. Não se esqueçam de cuidar-se sempre e de sorrir, sorrir faz bem a saúde mental.
Atenciosamente,
Naira Tamo.
01.10.2023
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