Capítulo XXXV


Cᥲρίtᥙᥣo 35

     P.O.V. de Alissa

Um suspiro fluíra pelos róseos de Alissa, estava cansada de ali estar. Faziam aproximadamente duas horas desde que haviam regressado do seu passeio turístico, e desde então Ian estava trancado no escritório com Jacob e ela? Bem, como era óbvio, ela estava presa em seu quarto e entregue a sua própria sorte. Não que ela não pudesse ficar sozinha, pois ela podia, em verdade, ela não se importava nada de ficar sozinha o resto do dia. No entanto, ela importava-se extremamente com o facto de ficar sozinha o resto do dia, trancada em um quarto de hotel em Santorini. EM SANTORINI! Tipo a sério, quem raios ia de viagem para uma ilha paradisíaca e ficava preso no quarto? Pois é, apenas um idiota. Motivo pelo qual, a jovem de fios negros como o carvão, levantara-se da cama em que estivera, deitada, sentada, às vezes os dois, nas últimas duas horas e pegou a sua bolsa seguindo para fora do quarto.

Estava decidida, iria aproveitar cada segundo da sua estadia naquela ilha paradisíaca, estivesse ela acompanhada de Ian, ou não.

- Princesa Alissa... – a voz do guarda-costas que estivera o tempo todo a guardar a entrada da suíte que partilhava com Ian, soara e com um sorriso, Alissa voltara-se para ele. – A princesa pretende sair?

- Eu não... Nós!

Com a expressão confusa e o cenho franzido, o guarda-costas encarou a mais nova Princesa de Limerance.

- Não me olhes assim – replicou Alissa –, estou cansada de ficar presa no quarto e sair apenas quando for da vontade do Ian ou quando tenho algum compromisso real.

Teve de conter-se para não revirar os olhos, afinal... Para todos os efeitos, era uma mulher feliz e principalmente, era uma mulher apaixonada, então eram essas a imagens que devia mostrar para todos de si.

- E além do mais, seria um pecado não aproveitar e/ou explorar esta ilha fantástica! – com um sorriso, dizia a mais baixa. – Não achas?

- Sim, de facto, mas...

- Óptimo! – declarou, interrompendo-o. – Então vamos – puxou-o pelo braço e fizera-o segui-la –, eu soube que aqui bem próximo do hotel tem uma praça em que há inúmeras lojas e boutiques, e que é um lugar bem animado e agitado, seria uma boa ideia ir lá ter.

- Sua alteza, eu não acho que...

- Shhh! Vamos apenas divertir-nos um pouco, não deve ser assim tão difícil para ti, pois não? – indagou e sorriu-lhe sem que em momento algum parasse de andar. – Além do mais, estou certa que um pouco de divertimento não te fará mal algum. Deve ser entediante ficar horas a fio apenas a salvaguardar a segurança de alguém, não?

- Sua alteza, não creio que seja uma boa ideia sair sem informar o príncipe.

Alissa revirou os olhos.

- Ele e o teu superior estão reunidos agora – bufou ao lembrar-se da justificava esfarrapada de ambos –, tu mesmo os ouviste, eles precisam desenhar o plano de segurança para o tempo em que cá estivermos e para o nosso regresso a Limes, então não os incomodes.

E dito isto, a jovem princesa deixara-se guiar por onde seus pés a levassem.

A passos lentos, Alissa caminhava pelas ruas de Fira com o guarda-costas sempre em seu encalço, levando seu tempo a observar e analisar cada pequeno detalhe que chamasse a sua atenção em meio a agitação que parecia estar a cidade, esta que parecia estar mais vibrante e jovial do que era o seu comum. Embora pudesse ter seguido até a praça principal Theotokopoulou de carro, optara por lá ir a pé. Precisava pensar, e nada melhor do que uma boa caminhada para ajudá-la a fazê-lo.

A jovem princesa não era uma ignorante nem nada, ela sabia perfeitamente quando algo não estava bem e o clima entre ela e Ian, definitivamente não estava bem desde que haviam terminado a chamada com Luc, não fazia ideia do que o mesmo lhe havia dito, ou do que o fizera reagir de forma tão estranha após suas ditas, contudo, algo estava claramente muito errado, ou então, ele não teria mudado seus planos para o dia, ou não a estaria a evitar no último par de horas, fingindo estar ocupado com seu chefe de segurança.

- Desenhar o plano de segurança... Pois claro – replicou franzindo os lábios e revirando os olhos logo a seguir.

E auge de toda aquela situação? Era ele ter conseguido que seu chefe de segurança fosse em seu auxílio sem sequer ser necessária uma palavra sua com relação ao assunto, certamente, ele já era um mestre na arte de dissimular e ludibriar as companhias de Ian, afinal... Seu esposo era muito bem conhecido por estar sempre acompanhado de beldades e de descartá-las quando seu interesse por elas findasse, por isso, não constituía problema algum, ou dificuldade alguma para Jacob seguir em seu salvamento apenas com um leve acenar de cabeça e de imediato, uma desculpa esfarrapada era dita pelo mesmo e livrava Ian da saia justa em que se metera.

Alissa sentiu seu peito contrair com a ideia, mesmo que a contragosto, receava que ele a descartasse tal como fizera com todas as outras mulheres que passaram pela sua vida. Claro que com ela não seria o mesmo, pois diferente das outras, ela era sua esposa e a futura Rainha de Limerance, ou pelo menos era isso o que se dizia. Entretanto, tinha a sensação de que para ele, isso pouco importava e a tal átimo, temia que seu coração já se tivesse envolvido naquele casamento mais do que o devido.

Suspirou.

De nada adiantava remoer naquele assunto, estava ciente de quais eram as condições desde que decidira concordar com aquele casamento como também, possuía uma vaga ideia de quais seriam as situações com que teria de lidar diariamente, e fosse como fosse, não se arrependia. Seu irmão e cunhada estavam felizes a viver a melhor fase e experiências que o amor lhes podia proporcionar e seu bebé recém-nascido havia finalmente chegado ao mundo! Eles haviam adicionado mais um membro a família Jory e certamente, não havia maior felicidade e/ou bênção, senão a graça de uma nova vida. Haviam também os negócios do seu pai, que anteriormente pareciam ser barrados, mas que depois do seu casamento, todos pareciam querer investir neles. Era engraçado ouvir sua mãe reclamar sempre que conversavam por chamada, do tanto que seu pai parecia estar ocupado com o trabalho e nunca ter tempo para ela ultimamente.

- Senhorita, senhorita... – uma voz chamara-a avidamente. – Não vai querer comprar uma pintura da representação da erupção do vulcão de Santorini?

- Erupção do vulcão?

- Sim, sim – confirmou o jovem.

E prontos, o feirante conseguira captar a atenção da mais nova princesa de Limerance. Alissa parou junto a banca do feirante e passou a analisar os artigos que o mesmo possuía.

- Por que de toda essa agitação? – curiosa, indagou Alissa após ver a agitação em que a cidade estava. Seus olhos perscrutavam pela mesa do feirante que tinha seus artigos e artes expostas sobre a mesma.

- A senhorita não sabe? – questionou surpreso. – Hoje é o Ifestia Festival.

- Ifestia? – com a sobrancelha ligeiramente arqueada e o cenho franzido, questionara Alissa.

- Sim, em meados do segundo milênio a.C., mais precisamente por volta do ano de 1600 a.C., ocorrera a famosa erupção minoica que fora a responsável pela destruição e mudança drástica da paisagem, tendo a mesma refletido na Ilha e tornando-a na Ilha Santorini que ela é nos dias de hoje – explicava o jovem e a atenção de Alissa dividiu-se entre ele e as inúmeras artes que ali haviam. – A cada setembro, a ilha comemora o "Ifaisteia", ηφαίστειο – dissera-o em grego –, sendo que o principal destaque do festival é a recriação da erupção vulcânica em Santorini.

Pensativa, Alissa franziu os lábios enquanto ouvia a narrativa alheia e então, sorriu ao fim da mesma. Era incrível como aquelas pessoas haviam encontrado luz e esperança após uma situação tão dolorosa, na qual, certamente haviam perdido tudo e então, anos após se terem reerguido, serem capazes de recriar tal episódio desastroso e fatídico e de certa forma, celebrá-lo. Talvez como forma de lembrar que é preciso chuva para que o mais belo arco-íris surja no céu outro tingido de cinza e coberto das mais escuras e pesadas nuvens que são o prenuncio de uma tempestade. Talvez...

Talvez, como algo forma de celebrar que ia além de tudo aquilo. Algo que ia além da dor, das adversidades, talvez... Só talvez...

Para celebrar a vida.

Um sorriso adornara os róseos de Alissa e então, o feirante tornou a falar:

- E a senhorita gostaria de saber um facto interessante?

Interessada na narrativa do feirante, Alissa assentiu.

- E que facto interessante seria esse? – indagou cada vez mais curiosa sobre.

- Podemos dizer que o festival começara por acidente?

Um sorriso arteiro tomara os lábios do homem.

- Por acidente?

O homem assentiu.

- Em 1991, durante um concerto musical, os organizadores do mesmo haviam planeado um espetáculo de fogos-de-artifício, este que fora responsável por criar uma enorme onda de entusiasmo por parte da audiência, tanta, que em razão disso, eles decidiram repetir no ano seguinte.

- Então, foi assim que o festival começou?

- Bem, é o que dizem por aí.

Como se nenhum dos dois realmente acreditasse naquilo, ambos soltaram uma gargalha.

- E até os dias que correm, o Ifestia Festival, mantém-se como um dos festivais mais famosos que ocorrem em Santorini – concluíra o feirante.

- Alguma sugestão de para onde devo ir a seguir?

Como se fosse um segredo, o homem olhou para os lados como que em busca de alguém que pudesse estar a observá-los – o que realmente havia, dado que o guarda-costas com quem Alissa saíra, os observava atenta e cautelosamente –, e então chamou-a para que dele se aproximasse e ao fazê-lo, o seu guarda-costas pareceu ficar em alerta, pois sua postura mudara e seus olhos pareciam mais atentos.

- Todos eles! – sussurrou-lhe o vendedor junto a orelha.

E prontos, lá estavam eles entregues a gargalhada novamente.

- Mas o melhor de tudo, é alugar uma embarcação ou comprar bilhetes para as embarcações exclusivas para o dia de hoje e poder assistir ao espetáculo de fogos de artifícios, com direito a efeitos sonoros e de luz, para reencenar o fluxo da lava e as explosões do vulcão.

- E onde é que eu posso conseguir um?

- Aqui – estendeu-lhe então, um cartão-de-visita com o que parecia ser o contacto de alguém –, ele tem um barco, se não estiver ocupado, ele certamente terá imenso prazer em levá-la. E se estiver, ele irá recomendar alguém que possa fazê-lo.

Um sorriso adornou os lábios de Alissa ao passo em que recebia o cartão.

- Ah e se a senhorita... – olhou para o anelar de Alissa vendo ali a aliança que nele jazia. – Oh, a senhora é casada.

O olhar de Alissa seguiu para a aliança que jazia em seu anelar. Ela de facto, era casada, e seu esposo a deixara sozinha para desenhar um plano de segurança imaginário.

Um sorriso fraco adornara os lábios de Alissa.

- Sim.

- Oh, então assistir ao espetáculo de fogos-de-artifício em alto mar é uma excelente ideia. De certeza que seu esposo irá adorar.

Não sabia ao certo em que momento se havia separado do seu guarda-costas, apenas que ficara presa ao encanto que o festival oferecia, em meio a agitação da cidade, a feira e exposições, a dança e músicas contagiantes, e cores, haviam tantas cores espalhadas pela cidade e estas, quando misturadas a todos outros detalhes anteriormente citados, ela pura e simplesmente deixara-se levar.

Com os braços carregados com algumas sacolas de compras que havia-se permitido comprar para mimar sua família e... Bem, a família do seu esposo, pois ao seu ver, não seria de bom-tom, comprar apenas lembranças para sua família, afinal, agora, pertencia a uma nova família e certamente, sua sogra ficaria feliz em receber uma lembrança de Fira, certo? Certo? Bem, isso e o facto de que a sua mãe faria picadinho de si se não o fizesse, se bem a conhecia, ela certamente alegaria que a havia educado como deve ser e que havia deixado claro para si desde que... Desde que começaram a ter conversas sobre a temática "Casamento" que o modo como a trata deveria ser o modo com que trata a sua sogra, não devia criar diferenças entre ambas, para evitar futuras desavenças.

Pois bem, como narrava-se anteriormente, com os braços carregados de sacolas com lembranças para sua família, Alissa percorria cada palmo de terra da praça explorando a mesma e aproveitando o festival que decorria. Ah! Foi aqui mencionado que naquele momento em específico, ela batia as palmas avidamente ao fim de uma peça teatral que a tal átimo, findava, após ter emocionado a todos que a mesma assistiam. O facto era que Alissa seguira o conselho do feirante e fora para todos os pontos por ele sugeridos, bem, quase todos, ainda faltavam encontrar um barco que a levasse para ver o espetáculo de fogos-de-artifício junto a caldeira.

- Ah... – suas ditas ficaram ao meio quando voltara-se para falar com o guarda-costas e o mesmo não estava em seu campo de visão como era suposto que estivesse.

Com o semblante confuso, Alissa olhara a sua volta em busca do mesmo, porém haviam tantas pessoas a circunvagar e outras a caminhar calmamente pela praça que sua visão ficara obstruída e não havia nem sinal do homem.

Naquele momento, Alissa respirou fundo e tentou pensar em uma solução para tal sem se permitir preocupar com a situação, afinal, ela vivera toda sua vida a esquivar-se dos guarda-costas que seu pai punha em sua sombra e de todas as vezes ela conseguira desenvencilhar-se sem complicações, então não havia com o que se preocupar, certo?

Certo?

Alissa respirou fundo e retomou sua caminhada, iria ver se conseguia chegar a marinha tal como o feirante havia sugerido, de certeza que seu guarda-costas pensaria do mesmo modo e a seguiria até lá, dado que também ele havia ouvido a sugestão do feirante e logo depois de deixar a banca do mesmo, ela fizera questão de comentar com ele o quão entusiasmada estava para ver o festival em alto mar tal como toda gente sugeria que o fizesse.

E bem, até aquele momento, estava tudo a correr bem, ela caminhava calmamente, sem deixar de observar e apreciar os artigos expostos, e vez a outra, perdia-se em meio a conversa em que se engajava com os feirantes e alguns risos, estes a roubavam, tornando seu semblante radiante e suas maçãs do rosto salientes. A naturalidade e facilidade com que se estava a divertir e a aproveitar aqueles momentos, faziam-na perceber quão arrependia estaria se se tivesse deixado ficar quarto do hotel, ou se se tivesse deixado afundar nas paranoias e no tanto de ideias e teorias que sua mente criavam em volta a Ian e ao seu casamento. Contudo, a decisão que tomara de sair, a fizera respirar outros ares e encerrar sua tarde melhor do que estava destinada a terminar depois do sermão que seu irmão os dera e do que quer que ela tivesse dito que fizera Ian mudar todo o plano que tinha para o resto da sua tarde e noite.

Mas, obviamente, fosse como fosse, eles não haviam conseguido estragar seu dia.

Como se podia ver, embora perdida de seu guarda-costas e sozinha após o almoço atribulado que tivera, tudo corria bem. Alissa desenvencilhava-se pela praça e suas perpendiculares com a mestria de um turista nato no que concerne a festivais e tudo o que o abrange, contudo, eis um facto interessante sobre os festivais: "Para além dos feirantes que tinham por objectivo vender seus artigos e dos artistas que pretendiam apresentar sua arte para quem a quisesse ver e/ou valorizar, haviam também os turistas que encantados por tudo, queriam parar em cada um dos pontos do festival para observar e admirar e os locais que buscavam conhecer um pouco mais da sua própria cultura e aproveitar as festividades, mas principalmente, haviam os salteadores e oportunistas, os patifes e larápios, que aproveitavam-se da agitação e enchente da cidade em meio as celebrações e exposições, e dos artigos e bens dos locais e/ou turistas se apoderavam. Ou pior, deles se aproveitavam e feriam." E naquele momento em específico, havia um com o olhar fixo em Alissa. Que acompanhava cada passo e, cada gesto por ela dado, e a seguia como que a sua sombra. Para ele, Alissa era um alvo no qual tinha sua mira e no qual pretendia fincar suas garras, motivo pelo qual, sorrateiramente seguia seus passos e aguardava pelo momento propício para como uma raposa astuta, dar o seu bote.

Um arrepio percorrera o corpo de Alissa e como resposta ao mesmo, ela passara a mão esquerda pelo braço direito na fraca tentativa de reduzir o tanto que seus pelos ficaram erriçados e sua pele arrepiada, ao passo em que seu olhar perscrutava o espaço a sua volta, na esperança de ver seu guarda-costas, entretanto, até tal átimo, nem sinal dele, ao invés disso, vira um homem observá-la atentamente e no momento em que seus olhos encontraram-se, sua pele tornou a arrepiar e nesse momento, ela desejara ardentemente que seu guarda-costas a encontrasse. O brilho que havia nos olhos daquele homem era um brilho perigoso, um brilho...

Aterrorizante.

Alissa sentiu seu corpo gelar e por alguns segundos, ela ficara estática, apenas a encará-lo, até que voltara a si e seus pés passaram a mover-se na direcção oposta a que ele estava. Facto este, que não passara desapercebido aos olhos do mesmo que também passara a mover-se, mas diferente dela que se afastava dele, ele seguia em sua direcção a passos largos e firmes.

Gradualmente, os batimentos cardíacos de Alissa tornaram-se acelerados e sua respiração ofegante. Naquele momento ter deixado seu quarto de hotel parecia ter sido a ideia mais estupida e idiota que tivera naquele dia. Naquele momento, os sermões do seu irmão haviam sido esquecidos e a desculpa esfarrapada de Ian para dela se afastar parecia a menor das suas preocupações. Naquele momento, tudo o que ela queria, era voltar para a segurança de seu quarto e estar longe dos olhos daquele homem.

Sem pensar muito sobre, Alissa olhou a sua volta em busca de uma rota de fuga e então decidiu seguir pela via mais movimentada, o que mais tarde, ela descobriria ter sido um erro, pois no final, ela era uma turista e ele um local que conhecia aquele lugar como a palma da sua mão.

Ninguém poderia prever como um cérebro mergulhado em adrenalina funcionava e muito menos como os famosos instintos "fugir ou lutar" de que tanto se falava fariam uma pessoa reagir, e ela era um claro exemplo disso. Seus passos rápidos tornavam-se silenciosos no meio da agitação que a rodeava, e a sua respiração agitada fazia com que seus pulmões doessem pelo esforço que faziam para mantê-la a respirar. Vez ou outra, olhava por cima do ombro para ver se o homem de antes ainda a seguia, e a cada vez que seu rosto aparecia em seu campo de visão, seu desespero aumentava tornando-se cada vez mais difícil manter a mente a funcionar propriamente de forma a garantir que encontrasse uma solução viável para ver-se livre daquele pesadelo que sorrateiramente, esgueirava-se por entre seus poros e sua pele, deixando-a aterrorizada.

Seus olhos correram rapidamente por cada palmo de terra diante de si na esperança de encontrarem uma saída que a afastasse daquele homem, e fora tendo isso em mente, que cautelosamente, esgueirara-se por entre uma viela que naquele momento, parecia ter sido a sua melhor decisão. Contudo, ao que parece, nem sempre o Universo conspira ao nosso favor e ela tivera a prova concreta disso quando enquanto respirava profundamente, no intuito de acalmar a respiração e recuperar o ar perdido após achar que havia despistado aquele homem, ele surgira diante de si com um sorriso arrepiante.

E só então, Alissa percebeu que havia entrado em um beco sem saído.

Existe algo intrigante com relação ao corpo humano, o facto é que ao ser tomado por uma situação aterrorizante, o mesmo pura e simplesmente, congela. Atrofia, petrifica. Ele fica estático, perde a sua coordenação motora e movimentar-se parece impossível, ou no pior dos casos, parece algo nunca aprendido. É possível sentir o ar a sua volta mudar e sua pele começar a suar frio, seu coração parece encolher alguns centímetros a cada segundo e um aperto tomar sua garganta, ao passo em que uma angustia enorme nos toma e cada célula do nosso corpo parece deixar de pulsar, permitindo-se ser calma e dolorosamente consumida pelo terror.

Lentamente, seus movimentos pareciam voltar a si, e fora nesse momento em que dera o primeiro passo para trás, porém, ele dera dois em sua direcção. Alissa dera um segundo passo para trás e então vira-se encurralada, entre a parede e a muralha que era o corpo do homem. Naquele momento, sua respiração tornara-se entrecortada e seu coração falhara uma batida. Era um claro sinal que seu cérebro a enviava para anunciar a rendição e informar-lhe que aquela batalha estava perdida.

O homem tornara a sorrir, porém, antes que suas mãos tocassem em sua pele, Alissa vira-o quase que literalmente a voar para longe de si. E foi então que seus olhos encontraram-se com os de Ian, e o que encontrou neles...

Embora assustada, e ligeiramente petrificada, vira algo neles que nunca antes havia visto neles, ou nos olhos de nenhum outro homem. Era um olhar... Ela não fora capaz de descrevê-lo, ou entendê-lo, estava demasiado assustada para tal.

E como se soubesse que o que Alissa realmente precisava naquele momento embora tudo parecessem ter por fim terminado como deve ser, Ian caminhara em sua direcção e puxara-a para si envolvendo seu corpo em um abraço apertado e reconfortante.

- Shh... Está tudo bem – sussurrou Ian junto ao seu ouvido –, está tudo bem. Ele não mais de pode ferir agora.

Sendo que fora só a tal átimo, que Alissa percebeu que tremia copiosamente.

Talvez fosse só a sua mente assustada, ou as inúmeras teorias malucas que ela e seu coração tinham tendências a criar, porém, era como se também ele precisasse daquele abraço tanto quanto ela.

Verdade fosse dita, Alissa não sabia... E certamente, nem o próprio Ian o sabia, porém aquele abraço, era algo que ambos desejavam e precisavam ardentemente. Um para sentir-se protegido e confortado, e outro para ter a certeza de que aquela pessoa estava bem, que estava do seu lado, são e salvo e que seus batimentos cardíacos podiam finalmente acalmar-se. Nem um, nem outro percebeu isso, porém, seus corações batiam descompassadamente em seu peito, mas estavam ambos demasiado preocupados em esconder isso um do outro que não se deram conta de que era algo que ambos sentiam.

Cautelosamente, Ian afastara-se ligeiramente de Alissa encaixado o rosto da mesma entre suas mãos e encarou-a fixamente, ao passo em que analisava minuciosamente cada pequena acção dele, gesto e/ou expressão de modo a assegurar-se de que ela estava bem. Após examinar sua face, seu olhar corria por cada pedaço de pele do seu corpo e foi só depois de ter a certeza de que que ela estava de facto bem, ou pelo menos externamente ele não a havia ferido, foi quando seus olhos voltaram-se para ela.

- Estás bem?

Alissa assentiu em concordância.

- Certeza? – Questionou.

Não. Ela não tinha a certeza de nada naquele momento, mas não queria preocupá-lo mais do que já o havia feito.

Tornou a assentir, desta vez, com mais firmeza.

- Ok.

Fora após essa confirmação, que seu semblante mudara completamente. Alissa pôde ver o semblante de Ian transformar-se de algo calmo e reconfortante, para raivoso e furioso. E fora exactamente com essa expressão, que dela soltara-se e seguira para o homem o qual suas intenções para com ela ainda lhe eram uma incógnita que preferia e agradecia nunca ter descoberto quais eram. Com parte dos guarda-costas de Ian a rodearem-nos, outros a controlarem se ninguém por ali passava e um deles com Alissa, ela vira-o desferir golpes contra aquele homem os quais nunca imaginara ver partirem dele. Mas que naquele momento...

- Nunca mais ouses tocar na minha esposa! – Taciturno, advertira-o Ian com a voz tão ameaçadora, que Alissa sentiu sua pele arrepiar. – Nem em qualquer outra mulher, ou eu irei assegurar-me pessoalmente de caçar-te até no inferno e certificar-me-ei de que pagues pelos teus actos.

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Okay... A isso é o que chamamos de capítulo intenso!

Olá Príncipes e Princesas!!!

Quem conseguiu sobreviver a esta montanha-russa de emoções? Porque eu não.

Céus! Foi tão intenso, que até escrever este capítulo deixou-me com o coração apertaso e angustiado.

Então, o que é que acharam do capítulo? Pessoalmente, não sei se está do vosso agrado, porém tentei dar o meu melhor, atendendo e cosiderando o tempo que fiquei desaparecida (desculpa!). Mas perdoemaqui a Nai que o trablho a está a sugar mais do que o devido e a saúde também aparenta não estar das melhores, mas seguimos em frente.

Agora digam-me e essa faceta do Ian? O modo como ele reagiu e... O que será que irá acontecer no próximo capítulo? Céus! Não sei se estou pronta. Pois parece que os sentimentos estão a levar a melhor sobre Ian.

Mas bem, esse é um comentário para o próximo capítulo.

P.S.: Espero que tenham lido o capítulo enquanto ouviam a música no vídeo, a mesma chama-se Savages e é da cantora Marina and The Diamonds.

Até breve!

Beijos e abraços. Não se esqueçam de cuidar-se sempre e de sorrir, sorrir faz bem a saúde mental.

Atenciosamente,

Naira Tamo.

05.11.2022

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