Capítulo 2
Verônica
— Verô, ainda vai demorar? — gritou Alice na porta do banheiro. — Estou com fome.
— Já estou saindo — respondi, ressentida por ter de sair da água maravilhosa.
O dia tinha sido intenso. Havíamos visitado a obra pela qual estávamos responsáveis; depois, reunião com os proprietários para passar relatório com todos os custos e acertar alguns detalhes. Eu merecia esse descanso, no entanto vesti a roupa e descemos para um restaurante que ficava na rua do hotel.
— Está gostando da viagem? — Alice quis saber.
— Ainda não, mas posso começar a gostar. — Fiz um mínimo movimento em direção aos dois rapazes que estavam na mesa à esquerda.
Alice se virou para eles com a sutilidade de um mamute. Os rapazes perceberam e levantaram a bebida, cumprimentando-nos. Retribuí o gesto, e Alice ficou sem graça.
— Melhora essa cara, porque eles estão vindo pra cá — falei entredentes.
— Boa noite! — disse o homem mais alto e másculo. — Podemos nos sentar?
Olhei para Alice, que demonstrava o quanto estava desconfortável com isso. Ela era péssima em se socializar.
— Claro. Mas já vou avisando que a minha amiga é comprometida. Estou aqui de babá dela.
— Sem problemas, só queremos conversar! — respondeu o outro, e já puxou a cadeira.
— Prazer, sou Luiz — falou o mais alto. — E esse é meu amigo Fernando. E vocês?
Antes de responder, fiz um checklist:
✓ Alto? Muito.
✓ Bonito? Que boca!
✓ Sorriso de cafajeste? Infelizmente.
✓ Corpo sarado? Está no ponto.
✓ Tem jeito de ser bom de cama? Olha o tamanho dessas mãos!
✓ Marca de aliança? Não. Ufa!
Depois que nos apresentei, Luiz me puxou e beijou o canto da minha boca. Que cheiro é esse, meu pai amado... Queria ficar aqui cheirando esse homem. Se recomponha, nega!
— E então, vocês moram aqui? — Fernando quis saber.
— Estamos aqui a trabalho — respondi e levei a taça de Martini à boca. — Moramos em São Paulo.
— Mas que coincidência. Também somos de lá. Viemos para participar da inauguração da casa noturna de um amigo nosso, que aconteceu ontem. Trabalham com o quê?
A conversa fluía leve, menos para Alice, que estava com cara de quem tinha se engasgado com osso de frango. Meu celular vibrou com uma nova mensagem. Era Alice avisando que estava cansada e que voltaria para o hotel. Claro que eu não iria junto, jamais deixaria escapar o pedaço de mau caminho que estava ao meu lado.
Ela pegou a bolsa e se despediu.
Assim que Alice saiu, Fernando deu uma desculpa esfarrapada e nos deixou.
— Tem alguém te esperando em Sampa? — Luiz perguntou.
— Quem dera. E você?
Ele sacudiu a cabeça em negativa, e logo nosso rosto se aproximou. Seu cheiro era delicioso. Vi seus olhos descerem para a minha boca. A mão direita escorregou pelas minhas costas e parou na minha cintura, causando-me um arrepio.
— Vou te beijar.
— Beija logo!
Mal respondi e sua boca cobriu a minha, sedenta, sua mão me apertando. Segurei em sua perna, e ele soltou um gemido baixo, rouco.
— Vamos sair daqui? — balbuciou entre o beijo.
Meu leve gemido foi a resposta.
— Amor, não acredito que você vai contar que esteve com outro homem — Ricardo se intromete, tirando-me a paciência.
— Rica, claro que eu vou. Você não esteve com outras mulheres?
— Sim... — responde, contrariado.
— Então, pronto. O leitor tem que saber como foi antes, para entender o depois. Agora fica quietinho, que estou chegando na melhor parte.
— Por que aceitei que você contasse a nossa história? — bufa, irritado com a situação. As sobrancelhas estão unidas; seria sexy, se não fosse tão dramático.
— Porque você me ama! — respondo e bato os cílios rapidinho, fazendo uma carinha de apaixonada. Ele me puxa para um beijo. — Não, amor! Deixa eu terminar essa parte. Prometo te recompensar.
Ricardo me solta e se joga no sofá, contrariado. Pega duas almofadas e cobre as orelhas. Está só de cueca e é uma tentação. Os pés apoiados no braço do sofá, as pernas longas, as coxas, o seu... Onde eu estava mesmo? Ah, lembrei!
Por sorte ou destino, estávamos hospedados no mesmo hotel. Seguimos para o quarto dele, já que Alice e eu dividíamos o mesmo ambiente. Entramos no cômodo aos beijos. Luiz fechou a porta com o pé e seguiu me empurrando para a cama, tropeçamos na mala que estava no caminho.
— Por que vocês têm que usar essas blusas cheias de coisas que dificultam? — resmungou, e eu o ajudei a abrir os botões.
Atrapalhei-me toda com o cinto dele.
— Vocês também não ficam atrás... que merda de cinto é esse?
— Deixa que eu te ajudo!
Enfim, senti o colchão em minhas costas, depois da nossa batalha para tirarmos as roupas e para colocar o preservativo. Luiz me beijava com desejo, sua mão explorava meu corpo, incendiando-me. Sua boca desceu pelo meu pescoço e parou nos seios. Ele os reverenciava enquanto eu me contorcia de prazer. Sua língua me invadiu, a respiração ofegante. Fechei os olhos e apenas me deixei levar.
— Você é deliciosa, Verônica! Depois vamos transar bem lento, mas agora eu preciso estar dentro de você.
Dito isso, preencheu-me, alargando-me. Fechou os olhos e travou o maxilar; soltei um gemido lânguido. Nosso corpo se chocava num ritmo alucinante, quase desconexo. Luiz parecia tão desesperado quanto eu. Só precisávamos nos liberar, sexo casual, nada de compromisso.
Estávamos largados na cama e nossas respirações estavam arfantes, o corpo tentando controlar toda a euforia do orgasmo. Escutei o meu celular tocando.
— Alice? — Atendi.
— Verô, onde você tá?
Ela chorava.
— O que aconteceu? Estou indo aí.
Desliguei.
— Está tudo bem com sua amiga?
— Não sei. — Olhei para o Luiz esparramado na cama e já me arrependia de ter atendido, mas Alice precisava de mim. — Que merda! Olha, Luiz, eu realmente preciso ir. É uma pena.
Ele me puxou para a cama e beijou meus lábios.
— Também acho uma pena. — Ele se virou e pegou um cartão. — Olha, aqui tem o meu telefone. Me liga e vamos marcar de sair para terminarmos essa noite. Me manda uma mensagem e eu salvo o seu número.
— Tudo bem — respondi enquanto colocava a roupa. — Vamos marcar, sim.
— Afinal de contas, essa noite não deu nem para o começo.
— Verdade.
Acabamos rindo e nos despedimos.
Entrei no quarto e escutei as fungadas da Alice. Ela havia brigado com o namorado por ciúme.
— Alice, sério que você me tirou de uma transa maravilhosa por causa do seu ciúme bobo?
— Você estava transando? — perguntou, a expressão confusa.
— Achou que eu ainda estaria lá conversando com ele? Se liga, Alice.
— Desculpa, eu não imaginava.
Alice era uma ótima profissional, mas péssima quando o assunto era vida social. Comecei a tirar a roupa. Maldita hora em que atendi o telefone.
Entrei no banho enquanto escutava Alice narrando o que havia acontecido. Tinha dado o maior vexame ao ligar para ele e saber que estava em um barzinho com um amigo.
Por fim, voltei ao quarto com a toalha enrolada no corpo.
— Olha, amiga, eu sei que você penou com o defunto. Mas, veja bem, o Marcelo é apaixonado por você, sei lá... há anos? Você tem que entender que, apesar de serem namorados, a vida social segue. Ele tem amigos e você, bom... você tem a mim.
Depois de várias broncas e conselhos, finalmente ela estava dormindo. Aproveitei para mandar mensagem para o Luiz. Marcamos de nos ver em São Paulo.
Agora só me restava tentar dormir e preparar meu espírito para o martírio de entrar na nave de metal novamente.
De volta a São Paulo, Marcelo pegou as nossas malas. Fez várias perguntas e me agradeceu por ter cuidado da Alice. Andei um pouco atrás deles, para dar privacidade.
No estacionamento, pude ver que Alice estava surpresa com alguma coisa; o porta-malas do carro dele estava aberto.
Tinha alguém encostado no carro, mas não conseguia ver quem era. Tirei o celular do bolso e verifiquei as mensagens. Só tinha bobeira, correntes, conversa fiada. Escutei um latido e vi Alice com uma cachorrinha no colo, toda feliz. Ao me aproximar deles, olhei para o homem encostado no carro, que me olhou de volta como se quisesse me matar.
Meu coração disparou e minhas pernas vacilaram.
Não pode ser...
É o Ricardo.
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top