Emprego Inesperado
No dia seguinte...
11 de março de 2016
– Sakura!
Sakura acordou assustada com o grito de Ino. Estava prestes a correr desesperada atrás da loira, quando Ino abriu a porta do quarto e pulou na cama da rosada com um sorriso enorme no rosto.
– Eu saí para comprar pão e aproveitei para comprar um jornal – Ino disse animada e Sakura observou o objeto em sua mão. – Achei um emprego para você!
– Nani? – foi a vez de Sakura sentar-se animada.
– Você disse que vai trancar a faculdade, então acho que esse emprego será ótimo para você. O salário é incŕivel. – Ino disse e então começou a ler o anúncio. – Procura-se acompanhante. Salário...
– Acompanhante, Ino? – perguntou brava. – Está achando que vou...
– Não é nada disso que você está pensando, testuda. Você não me deixou terminar – Ino disse irritada. – Mais embaixo explica que é para ser acompanhante de uma jovem, além de lavar, passar e cozinhar. Eu sei que ser empregada doméstica e e cuidar de uma pirralha não é muito bom ainda mais em sua situação, mas o salário é excelente. A garota deve ser uma peste para pagarem tão bem assim, mas você é a única que eu conheço que é capaz de encantar qualquer pessoa por mais difícil que ela seja.
– Não posso ser exigente agora. Se o salário é tão bom claro que eu vou fazer a entrevista.
– Então arrume-se. Aqui diz que a entrevista será às 10:00, mas nós iremos mais cedo.
Sakura franziu a testa.
– Por quê?
– Olha esse valor – Ino mostrou o jornal para a amiga que arregalou os olhos. – Até quem já tem emprego é capaz de aparecer por lá. Você tem que ser a primeira a ser entrevistada.
– Mas...
– Nada de mas, testuda. Vai se arrumar logo. Vou fazer o café da manhã e ligar na floricultura para avisar que chegarei mais tarde – disse saindo do quarto.
Sakura suspirou e levantou-se. Foi tomar banho enquanto pensava. Realmente tinha facilidade de lidar com pessoas e gostava de cozinhar. Não tinha prentensão de ser empregada doméstica, mas aquele salário seria ideal para comprar todo o enxoval do bebê.
Sakura passou a mão pelo ventre enquanto pensava que uma vida crescia ali dentro. Não havia sido gerada por amor, mas... ah... a paixão não poderia negar. Sentiu as bochechas corar ao pensar nisso. Sacudiu a cabeça e saiu do banheiro.
Assim que terminaram de comer, Ino já queria ir. Mas Sakura disse que era muito cedo e resolveram esperar mais um pouco. Porém Sakura não conseguiu segurar a amiga por muito tempo. Suspirou pegando a bolsa e seguindo a amiga. Quando Ino colocava algo na cabeça, ninguém conseguia freá-la.
Pegaram um coletivo até o centro de Konoha e caminharam um pouco até o imponente prédio indicado no jornal.
– Tem certeza de que é aqui? – Sakura perguntou um pouco intimidada. O local cheirava a dinheiro por todo canto.
Ino olhou para o jornal mais uma vez apenas para tranquilizar a amiga, pois já havia decorado o endereço.
– Hai.
– Acho que isso não é uma boa ideia, Ino. Eles vão nos expulsar por chegar tão adiantada. Falta uma hora para o horário marcado – Sakura disse preocupada sem perceber o táxi que parara atrás de si.
– Quem é você? O que fez com minha amiga corajosa?
– Ino...
– Você precisa desse emprego, Sakura.
– Eu sei, mas...
– Então vamos procurar o pai do seu bebê!
– Iie!
– Aposto que moreno sedutor deve morar em um desses apartamentos. Poderíamos...
– Já disse que não, Ino! Eu não quero nada dele. – Sakura respirou fundo. – Vou seguir sua ideia maluca de aparecer uma hora antes e vou conseguir esse emprego.
Ino abriu um sorriso deslumbrante.
– É assim que se fala, testuda. Tenho certeza que você vai conseguir. É a pessoa mais boa que eu conheço e a melhor cozinheira também.
Sakura sorriu.
– Espero que... – Sakura levou a mão à cabeça quando uma vertigem a atingiu.
– Sakura? – Ino perguntou preocupada.
– Está tudo... girando.
Ino segurou a amiga antes que ela atingisse o chão quando desmaiou. Então uma jovem de longos cabelos pretos e incríveis olhos perolados surgiu em frente a loira.
– Posso ajudar?
– Você tem álcool ou acetona? – Ino perguntou preocupada.
– Iie, gomen.
– Segure-a, então – disse depositando Sakura nos braços da morena.
A jovem observou a loira abrir e revirar a bolsa pegando um vidro de acetona e um pedaço de algodão. Então umedeceu o algodão e aproximou do nariz da rosada. Em poucos segundos, suas pálpebras começaram a se mexer e então a morena fitou grandes olhos verdes.
– Graças a Kami – a loira exclamou. – Nunca mais faça isso, Sakura! Você sempre me assusta!
– Sabe que não é de propósito – Sakura disse saindo dos braços da morena e levando a mão a cabeça. Ainda sentia uma leve tontura. – É por causa da gravidez.
– Olha aqui, bebê, se ficar me assustando desse jeito não vou mais ser sua madrinha.
A morena riu do tom bravo da loira chamando a atenção das duas amigas.
– Obrigada pela ajuda. Sou Ino Yamanaka e essa amiga desnaturada é Sakura Haruno.
– Hinata Hyuga – disse sorrindo timidamente. – Está bem?
– Hai. É normal desmaiar durante os primeiros meses de gravidez. Felizmente não estou sofrendo com enjoos e vômitos – disse com uma careta.
– Quantos meses?
– Dois – um sorriso triste apareceu no rosto da rosada. – Acabei de descobrir.
– Ouvi a conversa de vocês. Por que você não quer contar para o pai do seu bebê? – perguntou corando pelo atrevimento.
Sakura se moveu incomodada. Ino percebendo o desconforto da amiga comentou:
– Sem querer ser rude, mas Sakura tem uma entrevista de emprego.
– G-gomen. Não quero atrapalhar.
– Não atrapalha – Sakura a consolou. – Estamos adiantada.
– Sakura! Já disse que tem que chegar primeiro que todas. Assim vão escolher você!
– Ou não. Já pensou que eles podem não querer uma mulher grávida para ser acompanhante de uma adolescente?
– Acompanhante? – Hinata perguntou curiosa. Seu pai havia lhe dito que seu primo contrataria uma acompanhante para ela.
– Você também veio pela vaga? – Ino perguntou olhando-a com suspeita.
– Iie.
– Que bom! Sakura vai ser babá de uma pirralha. Pelo preço que estão pagando, ela deve ser uma peste – Ino disse mostrando o anúncio para Hinata. – Mas Sakura sempre se deu bem com crianças então vai ser moleza para ela.
A morena riu ao ler o anúncio.
– Algum problema? – Sakura perguntou franzindo a testa.
– Eu sou a pirralha que precisa de acompanhante – disse reconhecendo o endereço.
– NANI? – Ino gritou.
– Ino!
– Como assim você?
– Meu pai permitiu que eu viesse comprar meu enxoval em Konoha com a condição de que alguém me acompanharia. – Hinata suspirou ainda olhando para o jornal. – Pelo que entendi, meu primo se recusou me acompanhar por causa do trabalho e meu pai o obrigou a contratar alguém para que me acompanhasse, então.
Hinata observou as duas amigas. Sakura a olhava surpresa e Ino abria e fechava a boca sem que som algum saísse. Hinata sorriu.
– Não precise se preocupar. Sakura está contratada.
As duas arregalaram os olhos e Sakura perguntou curiosa:
– Por quê?
Hinata abaixou a cabeça com tristeza.
– Porque eu nunca tive amigas. Mas se eu tivesse alguma amiga gostaria que nossa amizade fosse como a de vocês – acrescentou timidamente.
– É... bem... não sei o que dizer.
– Que aceita – Ino disse recuperando-se da surpresa.
Sakura e Hinata sorriram.
– Eu aceito.
O sorriso de Hinata aumentou. Então ela mordeu o lábio ao lembrar-se de algo que o anúncio não dizia.
– Fico feliz, mas... o emprego é só para o tempo em que eu estiver aqui. Ou seja, no máximo um mês.
O semblante da rosada se abateu por um momento, mas logo ela deu de ombros.
– Não se preocupe. Mesmo que seja apenas um mês, já será de grande ajuda – disse sorrindo. – Poderei começar o enxoval do bebê.
– Que bom! Vamos entrar. Vou mostrar o apartamento para vocês.
Hinata pegou uma mala e quando ia pegar a outra, Sakura se dispôs a ajudá-la mesmo a morena dizendo que não precisava. Quando entraram no saguão, a morena pediu para as duas aguardarem enquanto ia falar com o porteiro.
– Ohayo. Sou Hinata Hyuga. Meu primo, Sasuke Uchiha, disse que deixaria algo para mim na portaria.
– Hai, Hyuga-san. Aqui está – disse entregando um envelope para a morena.
– Arigato – Hinata agradeceu e estava afastando-se quando lembrou-se de algo. – Meu primo colocou um anúncio no jornal anunciando que precisava de uma acompanhante para mim. Avise as candidatas que chegarem que eu já escolhi. A jovem de cabelo rosa, Sakura Haruno, trabalhará conosco a partir de hoje.
– Hai, Hyuga-san.
Hinata sorriu e aproximou-se das garotas.
– Você demorou – Ino reclamou.
– Gomen. Precisava pegar a chave – disse mostrando o envelope – E avisar que já selecionei minha acompanhante.
– Não ligue para Ino. Ela costuma reclamar às vezes.
Ino bufou e Hinata riu caminhando em direção aos elevadores. Depois de esperar algum tempo, subiram até o vigéssimo quinto andar.
– Ca-ram-ba! – Ino exclamou quando Hinata abriu a porta do apartamento.
Sakura observou tudo curiosa. Tudo era muito lindo e caro. Parecia ter sido tirado de uma revista de arquitetura e decoração. Mas... faltava algo ali e antes que ela pudesse descobrir o que era, foi distraída de suas observações pelo comentário da amiga.
– Seu primo não poderia escolher uma cobertura mais simples? – Ino perguntou com ironia.
Hinata riu.
– Por incrível que pareça essa cobertura é simples – as duas amigas a encararam incrédulas e a morena explicou: – A mansão da Mikoto-obasan é incrivelmente luxuosa, mas meu primo não quis voltar para lá depois que os pais morreram e ele alcançou a maioridade. Então ele comprou esse apartamento.
Sakura se compadeceu pela dor que ele deveria sentir por perder os pais. Não era fácil crescer sem esse afeto.
– Eu ainda acho que você devia procurar o pai do seu bebê – Ino comentou pulando no sofá de couro. – Já pensou se ele tivesse um "simples" apartamento desses? Eu iria me mudar para sua casa.
Sakura riu.
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