Declaração Inesperada
Três dias depois...
21 de março de 2016
Ino olhou no celular pela terceira vez em menos de cinco minutos. O prazo que Shikamaru estabelecera para encontrar tudo o que podia sobre Sai já havia acabado e Ino estava ansiosa para saber mais sobre o vizinho de Hinata.
Não conseguia esquecer o moreno e passara os últimos dois dias se remoendo de culpa. E se ele realmente fosse o pai do filho da Sakura? E se ela estivesse interessada no homem que fazia sua amiga suspirar pelos cantos quando achava que Ino não percebia?
Precisava desesperadamente descobrir a verdade. Sakura se recusava a ir ao apartamento dele verificar se era ele mesmo ou não e Shikamaru não tivera nem a decência de enviar uma mensagem comunicando o andamento da pesquisa!
Ino bufou irritada e bateu as unhas no balcão da floricultura enquanto observava o local. Era um lugar agradável de trabalhar. E, apesar de já ter concluído a faculdade de Enfermagem, Ino não pretendia abandonar seu emprego ali.
Não é que não tivesse interesse em ter uma boa profissão e ganhar melhor, porém, ao contrário de Sakura que desde os treze ou quatorze anos decidiu ser médica, Ino ainda não encontrara algo que quisesse fazer. Estudara Enfermagem para ter um diploma e agradar ao pai e ficar perto de Sakura. Ela tentara Medicina também, mas a concorrência fora desleal e, na época, tinha um namorado que não a deixava se concentrar nos estudos.
Sabia que Inoichi esperava que ela procurasse um emprego em sua área, mas isso não aconteceria tão cedo. Gostava dali. Começara a trabalhar na floricultura graças ao seu professor de educação física, Asuma Sarutobi. Quando Ino estava no segundo ano do ensino médio, ele escutara a loira reclamando que precisava de um emprego. No fim da aula enquanto todos os alunos saíam, Asuma pedira para ela esperar e Ino, sentindo-se extremamente culpada porque não tinha feito o dever de casa aquele dia, obedeceu.
Para sua surpresa e alegria, ele apenas queria lhe dizer que sua esposa, Kurenai, estava precisando de ajuda na floricultura, pois a gravidez estava chegando ao fim e já não podia esforçar-se tanto.
Sakura a acompanhara naquele dia para oferecer apoio moral já que, infelizmente, a rosada ainda não tinha idade para trabalhar. O que era uma pena, pois Ino teria adorado ter a companhia da amiga ali. Apesar disso, Ino ficara muito feliz ao ser selecionada e desde então nunca sentira necessidade de sair dali. Gostava muito de Asuma e Kurenai assim como de Chouji.
Mesmo antes de trabalhar na Yuuhi Floricultura, Ino já conhecia Chouji Akimichi. Eles estudavam juntos desde a primeira série, mas Ino ignorava-o assim como ignorava todos os meninos da sala. Isso mudou no ano seguinte quando Shikamaru passou a estudar com eles. Seu vizinho era tão preguiçoso que reprovara por falta e, por isso, precisou repetir a segunda série. Ino recriminava-os mentalmente: Chouji por comer muito e Shikamaru por sempre dormir durante as aulas. Até que um dia um grupo de meninos mais velhos começara a implicar com Chouji, pois desde criança ele estava acima do peso.
Para a surpresa da loira, o garoto preguiçoso levantara-se e enfrentara os outros meninos para defender Chouji. Ela ficara impressionada e, desde então, aproximou-se deles chegando a um ponto de serem chamados na escola de "Trio Ino-Shika-Cho".
Ino sorriu com a lembrança. Os dois eram extremamente chatos – principalmente quando não queriam fazer as vontades dela –, mas eram amigos leais.
Tão leais quanto Sakura, pensou lembrando-se de como se conheceram.
Inoichi Yamanaka era formado em Psicologia, mas pelas voltas da vida passou a trabalhar como diretor do Orfanato de Konoha quando Ino tinha apenas quatro meses. Segundo Inoichi, dois meses depois em uma noite de primavera, mais especificamente em 28 de março de 1994, um bebê com um incomum cabelo rosa foi encontrado na porta do orfanato. A única informação que tinham sobre a criança era o nome Sakura Haruno bordado na manta que a envolvia. Apesar das pesquisas que fizeram, nada mais descobriram.
Os anos se passaram e Inoichi nunca deixou de ser diretor do Orfanato. Havia se apaixonado por seu trabalho e até hoje trabalhava ali cuidando das crianças.
Enquanto Ino crescia, constantemente visitava o pai acompanhada pela mãe. E foi em uma dessas visitas que vira a garota de cabelos rosa sentada sozinha tão triste. Fascinada com o cabelo dela, Ino aproximara-se da garota que respondia timidamente suas perguntas.
Elas tinham quatro anos na época e, desde então, Ino sempre a procurava quando estava no Orfanato. Com o tempo as visitas tornaram-se constantes e a amizade a cada reencontro se fortalecia. Quando iam começar o ensino médio, Inoichi, por insistência da filha, conseguira uma autorização especial para que ambas estudassem juntas e, assim, Sakura conheceu Chouji e Shikamaru.
Ino suspirou irritada ao lembrar-se de Shikamaru. Mais uma vez olhou o celular e nada!
Nesse momento, uma cliente entrou na floricultura. Chouji, que conhecia o mau-humor da amiga, levantou-se para atendê-la. Mas, então, Ino ergueu a cabeça e reconheceu a loira que entrava.
– Eu atendo – disso pegando um bloquinho de papel e o celular. Guardou ambos no bolso da calça. Então aproximou-se da loira e abriu o seu melhor sorriso.
– Ohayo. Posso ajudá-la?
A loira observou Ino antes de cumprimentá-la.
– Ohayo. Quero um buquê com meia dúzia de rosas vermelhas.
– Um presente para o seu marido? – Ino sondou.
– Eu não sou casada.
– Namorado, então? – adivinhou.
– Também não tenho namorado – a loira respondeu rispidamente.
– Que bom!
– Gomen? – questionou sem acreditar na audácia da vendedora.
– Oh, é que eu tenho um amigo que está interessado em você. Não sei se você se lembra dele. Ele tem o cabelo preto preso em um rabo de cavalo e um olhar de preguiça – Ino descreveu empolgada. – Há umas duas semanas, você veio comprar flores e ele estava aqui. Mas você sabe como são os homens de hoje em dia. Ele achou que uma mulher tão linda como você não estaria solteira, então não teve coragem de se aproximar.
Ino pegou o bloquinho que tinha guardado no bolso e escreveu o número do telefone de Shikamaru.
– O nome dele é Shikamaru Nara. Caso você se interesse, esse é o telefone dele – disse guardando o papel dentro do buquê antes de entregar as flores para ela.
A loira observou o papel dentro do buquê por um momento, antes de perguntar:
– Quanto ficou?
– Nada! É um presente de Shikamaru para você! – ao observar o olhar incrédulo da outra, Ino tratou de garantir: – Pode ter certeza de que eu vou cobrar dele e aposto que ele não se importará nem um pouco – disse sorrindo. – A propósito, sou Ino Yamanaka.
– Temari no Sabaku.
Onde ela ouvira esse sobrenome?, perguntou-se. Tinha certeza de que já ouvira esse nome antes, mas quando nada lhe veio à mente, sorriu e respondeu:
– É um prazer conhecê-la, Temari-san. Espero que as coisas deem certo entre vocês.
– Sayonara – Temari disse e saiu sem responder o comentário de Ino.
Ino não se importou. Pegou o celular e digitou uma mensagem.
"Já fiz minha parte. Cadê você???"
"Não me apresse. Em meia-hora estou aí"
Mas Ino conhecia Shikamaru. Voltou a sentar-se atrás do balcão. Sabia que ele demoraria. E não estava errada. Duas horas depois, Shikamaru apareceu com uma pasta preta na mão.
– Até que enfim! – Ino gritou dando a volta no balcão e tomando a pasta da mão dele. – Chouji, cuide da floricultura. Vou falar com a Sakura. E Shikamaru: você está me devendo um buquê com meia dúzia de rosas vermelhas.
– Como é que é?
– Você comprou para a Temari no Sabaku. – explicou maliciosa. – Passei seu número para ela. Só não garanto que ela se interesse por um preguiçoso enrolado como você! Ja ne! – despediu-se e ouviu o amigo resmungar algo sobre ela ser muito problemática.
Ino riu e correu até a cobertura. Queria descobrir logo se Sai era ou não o pai do bebê de Sakura. Porém nada parecia conspirar a favor dela hoje, pois quando chegou ao prédio onde a amiga trabalhava o porteiro não estava na portaria.
Para que serve um porteiro se não fica no lugar dele?, pensou irritada.
Enquanto esperava digitou uma mensagem para Sakura avisando que estava ali. Mas nem isso fez o tempo passar. Ela batia o pé impacientemente em frente à porta de entrada quando sentiu uma presença atrás dela. Ino viu uma mão destrancar a porta e, então, olhou por cima do ombro para ver quem era seu salvador.
Sai.
O coração dela acelerou e Ino apertou a pasta contra o peito. Era só o que faltava ele descobrir que ela havia feito uma investigação sobre ele.
– Não vai entrar? – ele perguntou curioso.
– A-arigato – respondeu entrando.
Ele a seguiu até o elevador. Para seu desconforto, Ino sentia o olhar dele queimá-la enquanto esperavam. Finalmente o elevador parou no térreo e Ino entrou. Apertou o botão referente à cobertura e viu Sai apertar o botão do 23º.
Ino abaixou o olhar. Nunca gostara de olhar para os próprios pés, mas hoje ela resolveu abrir uma exceção. Sentia as bochechas arderem porque ele sabia que era ela quem tinha ligado aquele dia. Sentia as mãos suadas e o coração disparado pela presença dele. Saber que ele a encarava fazia a respiração dela acelerar e seus pensamentos fugir.
Estava tão submersa nas estranhas sensações que ele lhe despertava que quando o elevador deu um tranco, Ino gritou.
– O que houve? – perguntou assustada.
– O elevador está em manutenção.
– Nani?
– Tinha um aviso marcando a manutenção para hoje, mas quando eu te vi, esqueci de reler o horário. Como o porteiro não viu a gente entrar, vamos ficar preso aqui por um tempo.
Ino o olhou desesperada. Não tinha medo de ficar presa no elevador, mas não queria ficar presa com ele.
– Mas e as câmeras? Eles vão ver a gente, não é?
– Pelo que li a manutenção é justamente para arrumar a câmera desse elevador que estragou – explicou sentando-se. – É melhor sentar-se. Tenho certeza de que vai demorar. Eles vão arrumar os outros elevadores também. Só o de serviço vai funcionar durante a manutenção.
– Por Kami! Isso é um absurdo! – exclamou irritada.
Sai não respondeu e Ino ficou em silêncio sem encará-lo. Ela estava tão perto de saber as respostas que queria. Mas não tinha coragem de abrir a pasta na frente dele nem de perguntar abertamente se ele havia engravidado sua amiga na Hot Dreams.
– Por que você queria saber o meu nome? – Sai perguntou de repente depois de um tempo.
Ino sobressaltou-se e encarou-o corada.
– Não posso querer saber o nome dos meus vizinhos?
– Você não mora aqui.
– Como pode ter tanta certeza? – desafiou-o.
– Você não estaria esperando o porteiro se morasse aqui.
– Posso ter esquecido minha chave.
– Esqueceu?
Kuso! Ela não conseguia mentir. Omitir e desviar-se da verdade era com ela mesmo, mas mentir descaradamente?
– Não.
Sai sorriu e a encarou curioso.
– Então por quê?
Ino sentiu o coração disparar novamente, mas dessa vez por outro motivo. Não tinha coragem de perguntar para ele.
– Por quê? – ele repetiu aproximando-se dela.
– Porque eu fiquei interessada em você! – Ino deixou escapar ao senti-lo tão perto.
Então arregalou os olhos e colocou as mãos na boca soltando a pasta. Kami, não acreditava que tivera coragem de confessar isso para ele! Não confessara nem mesmo para Sakura!
– E-eu... esquece o que eu disse!
– Por quê?
– Es-esquece!
– Eu já tentei. Mas não consigo.
– Nani? – sussurrou.
– Desde que você me ligou, não consigo esquecer. Achei que se eu soubesse o porquê, eu conseguiria esquecer.
Ino encarou-o sem acreditar no que ele dizia. Ele não conseguia esquecer ela? Mas por que ele parecia frustrado? Ino levantou-se. Precisava de espaço, mas justo nesse momento o elevador voltou a movimentar-se e Ino desequilibrou-se caindo em cima do moreno.
– Go-gomen!
Ele a ajudou a levantar-se novamente enquanto o elevador continuava a subir. Ino desviou o olhar para o marcador que indicava os andares. Sai suspirou.
– Você é a mulher mais bonita que já conheci. Acho que é por isso que não consigo esquecer você.
Apesar de estar lisonjeada, Ino franziu a testa.
– Você fala isso como se fosse algo ruim – disse um pouco magoada pelo tom de voz que ele usou para declarar palavras tão lindas.
– E é.
– Nani???
– Desde aquele dia eu não consigo me concentrar. Sabia que eu tenho que fazer uma exposição em um mês? E eu só fico pensando em você. – Sai olhou para o marcador. Estavam se aproximando do andar dele. – Eu estava pensando... você acha que se eu beijar você, eu paro de pensar em você?
– Que tipo de cantada é essa?! – Ino perguntou irritada. – Quem você acha que eu sou?
– Ei, não quis ofender você. Eu só quero que você saía da minha cabeça.
O elevador parou no andar dele.
– Não vou cair nessa sua cantada ridícula!
Sai a olhou frustrado. Ela disse que estava interessada nele e Sai acreditava que se a beijasse pararia de ficar pensando em como seria e, assim, poderia concentrar-se em suas pinturas novamente.
Ele a fitou atentamente enquanto uma ideia surgia em sua mente. Em vez de sair do elevador, ele aproximou-se dela. Vira isso em um filme. Talvez desse certo. Foi com essa esperança que ele uniu seus lábios aos dela.
Ino arregalou os olhos ao sentir os lábios finos sobre os seus. Seu coração batia tão forte que tinha certeza de que o prédio inteiro ouvia. Ergueu as mãos para empurrá-lo, mas, quando tocou no peitoral masculino, Ino agarrou-o e fechou os olhos tomando o controle do beijo. Beijou-o como desejou fazer desde que o vira pela primeira vez.
A princípio, Sai parecia não saber o que fazer, mas logo permitiu que a paixão o dominasse e correspondeu ao beijo com o mesmo ardor que Ino o beijava. Ele abraçou a cintura dela e Ino acariciou o peito dele subindo as mãos em direção ao pescoço dele e então afundou os dedos no cabelo macio.
Sai gemeu e a apertou contra si...
– Wow!
Os dois soltaram-se imediatamente ao ouvir a interjeição espantada e procuraram o autor. Eles estavam tão envolvidos que não haviam percebido que o elevador parara na cobertura. Hinata os observava corada e Sakura olhava para Ino com um olhar malicioso.
As portas iam se fechando, mas a rosada segurou.
– E-eu tenho que ir! – Ino correu para fora do elevador e Sai ainda com a respiração entrecortada chutou a pasta dela sem querer.
– Espere, você está esquecendo... – Sai disse recolhendo a pasta do chão, mas Ino já tinha saído sendo seguida por Sakura.
– Eu levo para ela – Hinata ofereceu-se pegando a pasta antes das portas se fecharem.
Hinata entrou no apartamento de Sasuke e procurou Ino e Sakura. Aparentemente, Ino trancara Sakura do lado de fora de um dos quartos.
– Ino! Abre essa porta. Vamos conversar!
– Não! Eu sou a pior amiga de todas!
– Por me deixar morrendo de preocupação enquanto a senhorita estava aos beijos no elevador? É mesmo!
– Não é por isso!
– Então por quê? – Ino não respondeu. Então Sakura deduziu depois de pensar por um momento: – Ele não é o pai do meu bebê.
Ino abriu a porta imediatamente.
– Não?
– Não.
– Como pode ter certeza?
– Eu o reconheceria, mesmo que houvesse uma multidão envolta dele – confessou corando sem olhar para Ino ou Hinata. – Posso não lembrar o nome dele, mas jamais vou esquecer o seu rosto.
– Ai, que alívio. Porque esse foi o melhor beijo da minha vida!
Sakura e Hinata riram.
– Percebi mesmo. – Sakura declarou e Ino sentiu as bochechas esquentarem. – O que você queria me mostrar antes de ficar se agarrando com o vizinho?
– Ah, Kami-Sama. Esqueci a pasta no elevador! – exclamou desesperada.
– Aqui – Hinata mostrou. – Peguei para você.
– Arigato – Ino agradeceu tomando a pasta e saindo. – Acho que não vai ser mais necessário você ver, testuda. Você já viu Sai e disse que não é ele.
– Pode dar meia-volta, porquinha. Agora queremos ver. É o relatório de Shikamaru, não é?
Ino assentiu e Sakura explicou para Hinata o que era e as três imediatamente começaram a ler o resultado da investigação de Shikamaru. De tempos em tempos, Ino tocava em seus lábios. Sai era um idiota, mas aquele beijou tinha sido incrível e ela, com certeza, queria mais.
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