Convidado Inesperado
Sakura observou a amiga sair correndo e então voltou a caminhar lentamente até o prédio onde trabalhava. Não era muito longe dali. Porém não pensava na distância e sim nas palavras de Ino. Era possível que tivesse se apaixonado à primeira vista?
Não, não acreditava nisso.
Sakura acreditava no amor com todas as forças do seu coração. Mas não acreditava em amor à primeira vista. Durante sua infância e pré-adolescência, sim, acreditara nisso. Todas as noites quando as funcionárias do orfanato liam contos-de-fadas para as crianças, Sakura ia dormir sonhando com o dia em que encontraria seu príncipe encantado.
Mas ela crescera. Sabia que a Hot Dreams não era um salão de baile. Sabia que ela não era a Cinderela que se apaixonou em uma festa. Também não era a Bela Adormecida que fora despertada com um beijo... apesar de que tudo aconteceu por aquele beijo...
Sakura sacudiu a cabeça. Assim como não culpava o álcool também não culparia o amor por seu comportamento naquela noite. Para falar a verdade, ela mal se lembrava daquela noite. Suas únicas lembranças nítidas era o que acontecera após acordar naquele quarto. Lembrava claramente tudo o que fizeram. Mas o que acontecera antes era apenas um borrão. Sabia que ouvira o nome dele naquela noite, mas por mais que se esforçasse para lembrar não conseguia. Assim como não lembrava também a fisionomia do amigo dele. A única coisa que tinha certeza era que ele tinha o cabelo loiro e nada mais. Além disso, Sakura tinha a vaga impressão de que depois que bebera além da conta começara a lamentar-se por ter sido abandonada pelos pais e, por isso, dormira no colo dele após chorar suas mágoas.
Sakura suspirou. Mesmo que tenha encontrado uma família no orfanato, jamais conseguiria superar o fato de que seus pais abandonaram-na. Talvez fosse por isso que ela desejasse tão ardentemente apaixonar-se. Encontrar alguém que a amaria e nunca a deixaria... talvez assim preenchesse esse vazio que sempre houve em seu coração.
Embora desde que descobrira que estava grávida esse vazio tenha sido preenchido com pensamentos sobre seu bebê, pensou tocando o ventre. Mas seria tão maravilhoso se a gravidez tivesse sido planejada e se o pai desse bebê realmente fosse alguém que ela amasse e que estivesse sempre ao seu lado.
– Sakura? O que foi? Você está tão distraída hoje.
Sakura observou o semblante preocupado de Hinata e balançou a cabeça. Elas estavam em plena avenida principal e Sakura ainda estava divagando sobre coisas que não poderia mudar.
– Estou um pouco pensativa. Gomen.
– Não precisa se desculpar. Sabe que podemos voltar...
– Não é necessário, Hinata. Ino perguntou se eu me apaixonei à primeira vista pelo pai do meu bebê e eu não consegui tirar isso da cabeça até agora – Sakura explicou. – Você acredita em amor à primeira vista?
– Não sei nem se eu acredito no amor, Sakura.
Sakura arregalou os olhos chocada.
– Sério? Você não está se casando por amor? – perguntou surpresa.
– Iie. Na minha família os casamentos são por conveniência. Felizmente Kiba e eu sempre fomos amigos, mas meus pais nem se conheciam antes de se casarem.
– E você nunca desejou nem por um momento se apaixonar?
Hinata suspirou.
– Eu não sei o que é o amor, Sakura. Não posso desejar algo que não conheço.
– Entendo.
Depois disso não tocaram mais no assunto. Sakura ajudou Hinata a comparar o preço de alguns eletrodomésticos até que ela começou a sentir um certo incômodo. Primeiro era algo leve, mas com o passar dos minutos estava se tornando cada vez mais incômodo, porém para não preocupar Hinata ficou calada sobre o incômodo. Para seu alívio alguém disse as horas e Hinata se assustou.
– Enrolamos a manhã inteira nisso! Precisamos entregar seus documentos para Rin. Felizmente não estamos muito longe. – Hinata disse procurando o celular na bolsa. – Vou ligar para o meu primo.
Sakura assentiu e procurou um lugar para sentar-se enquanto Hinata afastava-se um pouco para falar ao celular. Logo a morena voltou sorrindo.
– Ele disse que podemos ir que Rin está nos esperando. Como não almoçamos ainda, ficou combinado de almoçarmos com ele.
– Eu sei que você está toda empolgada e eu também, mas o bebezinho aqui não está não.
– O que foi? – Hinata perguntou preocupada.
– Não sei. Desde que saímos da última loja não estou me sentindo bem. Vai almoçar com seu primo e leva meus documentos. Eu prefiro ir para a cobertura.
– Se você está passando mal não pode ficar sozinha.
Sakura passou a mão na testa.
– Vou ligar para a Ino ir almoçar comigo. O trabalho dela não é longe do prédio.
Hinata hesitou. Não queria deixar Sakura sozinha, mas na verdade ela chamara Sasuke para almoçar quando ele dissera que não almoçara. Seu primo não ficaria satisfeito se ela ligasse cancelando.
– Tudo bem, mas ligue agora para ela e pergunte se ela pode – sugeriu observando a palidez da empregada. – Se ela não puder, voltarei com você.
Sakura assentiu e procurou o celular na bolsa.
– Alô? – Ino atendeu no terceiro toque.
– Oi, Ino. Já almoçou?
– Saindo agora.
– Que ótimo. Compra almoço para nós duas e vem comer na cobertura. Não estou me sentindo bem e Hinata não quer me deixar sozinha enquanto ela almoça com o primo.
– O que você tem, Sakura?
– Não sei. Um mal-estar. Mas não acho que seja grave.
– Já estou saindo daqui. Fique bem até eu chegar.
– Não se preocupe.
Ino resmungou, mas Sakura não entendeu. Porém não teve oportunidade de perguntar. A loira já havia desligado.
– Ela vai para lá.
– Que bom. Vou pedir para Juugo me deixar na empresa que é mais perto e então te levar para a cobertura. Pode ser?
Juugo era o motorista particular que Sasuke tinha colocado à disposição delas.
– Hai. Depois que ele me deixar lá, eu peço para ele voltar. Assim você não fica dependendo de táxi.
Hinata assentiu e as duas foram até o local onde o carro estava estacionado. Sakura entrou primeiro e recostou-se no assento. Não sabia o que estava acontecendo. Sabia que não era enjoo nem tontura, mas aquele mal-estar não passava. Ouviu vagamente Hinata orientar o motorista e logo o carro estava em movimento.
Em pouco tempo, Hinata desceu despendindo-se de Sakura que mal reparou onde estavam. Quando o carro saiu, a rosada teve a impressão de ver Uchiha Enterprise escrito na fachada, mas não tinha certeza.
No entanto, ela não conseguiu tirar esse nome da cabeça. Tinha a leve impressão de que já havia ouvido esse nome antes. Mas onde?
Sakura agradeceu Juugo e cumprimentou o porteiro. Pegou o elevador e deitou no sofá quando chegou. Cinco minutos depois, o porteiro interfonou pedindo autorização para liberar a entrada de Ino.
Quando a campainha finalmente tocou, Sakura levantou-se ainda mal para abrir a porta para amiga, mas quase foi atropelada pela loira que entrou gritando entusiasmada.
– Sakura! Sakura! Encontrei o pai do seu bebê.
Apesar da preocupação com Sakura, Hinata permitiu-se admirar o imponente prédio que era a Uchiha Enterprise. Fugaku Uchiha gostava de impressionar os clientes e intimidar os inimigos desde a entrada e Sasuke apenas aperfeiçoara o legado do pai.
Hinata entrou no edifício e solicitou o elevador. Após uma longa espera, estava finalmente no andar da presidência.
– Bem-vinda à Uchiha Enterprise. Em que posso ajudá-la?
– Rin? – a mulher assentiu e Hinata se apresentou: – Sou Hinata Hyuga, prima de Sasuke. Ele me pediu para entregar os documentos de Sakura para você.
– A empregada doméstica?
– Hai – Hinata confirmou entregando a pasta para a secretária.
– Gomen, Hyuga-san. Eu deveria ter ligado para uma agência e...
– Não precisa se desculpar.
– Mas Uchiha-san me repreendeu por...
– Eu sei. Sasuke me explicou o que aconteceu. Mas eu não me importei. Sakura se tornou uma amiga para mim.
Rin arregalou os olhos surpresa
– Que bom, Hyuga-san.
– Pode me chamar de Hinata. Meu primo já desocupou?
– Vou verificar. – Rin guardou a pasta com os documentos de Sakura e interfonou para o chefe. – Hinata-san está aqui. – Rin escutou o que Sasuke dizia então respondeu:– Hai, Uchiha-san. – Rin desligou e explicou: – Eles já estão saindo.
"Eles?", Hinata pensou confusa. Então a porta se abriu e um homem loiro saiu da sala com um largo sorriso no rosto.
– É um prazer revê-la, Hinata. – Naruto disse aproximando-se dela. – Espero que não se importe por eu almoçar com vocês. Eu ouvi o teme conversando com você e me convidei. Estou morrendo de fome.
– Tu-tudo bem. – respondeu corando. Ele estava muito perto.
– Vamos – Sasuke chamou quando saiu da sala.
– Sayonara, Rin.
– Sayonara, Hinata-san.
Eles entraram no elevador e Naruto não parava de olhar para ela. Aquele sorriso lindo fazia o coração dela disparar. Felizmente o elevador parou no térreo e Hinata saiu do escrutínio do Uzumaki.
– Onde está a empregada? – Sasuke perguntou enquanto saíam do prédio.
– Juugo me deixou aqui e a levou para casa – Hinata contou omitindo que ela passou mal pela gravidez. Sasuke provavelmente se irritaria com isso. – Onde vamos almoçar?
– No Restaurante Ichiraku. Eles servem o melhor lamen de todos – Naruto contou com tanto fervor que Hinata riu.
– Gosta de lamen, então?
– Muito. O meu passatempo é comer diferentes tipos de lamen. Mas odeio os três minutos que tenho que esperar para poder comer. E você? – perguntou encarando-a.
Hinata corou novamente.
– G-gosto. – ela desviou o olhar e explicou: – Mas não é meu prato preferido.
– Deixa só você experimentar o lamen do Ichiraku. Você vai mudar de ideia.
Naruto sorriu e foi impossível Hinata não sorrir junto.
– Hmp – Sasuke bufou e Hinata se sobressaltou.
Havia se esquecido totalmente da presença dele.
– Chegamos – Naruto anunciou e abriu a porta para Hinata entrar. – Vai experimentar o lamen daqui? – perguntou quando se sentaram.
– Hai – Hinata respondeu olhando o cardápio.
Naruto aproximou-se dela e apontou para um prato.
– Experimente o de porco. É o melhor.
Hinata se arrepiou completamente ao ouvi-lo falar tão perto dela.
– H-hai.
Naruto pegou o cardápio tocando involuntariamente na mão dela que sentiu uma corrente elétrica passar por seu corpo a partir daquele ponto de contato.
– Eu vou querer de porco também – Naruto disse distraído. – O que quer para beber?
– Á-água.
Ele a olhou.
– Só?
Hinata assentiu.
– E você, teme?
– O de sempre.
– Você é tão previsível que enjoa, teme – Naruto disse levantando-se. – Vou pedir logo. Estou morrendo de fome.
Assim que ele saiu Hinata sentiu os olhos de Sasuke sobre ela. Timidamente ergueu o olhar e percebeu que estava certa. Sasuke a encarava profundamente. Ele abriu a boca e fechou antes de dizer, por fim:
– Não se apaixone por Naruto.
– Na-nani?
– Você cresceu naquela fazenda e não conhece o mundo, Hinata – Sasuke disse. – Ao contrário de você, Naurto é um homem vivido que já viajou o mundo inteiro. Ele é um mulherengo incorrigível. Com um sorriso, ele conquista as mulheres e com o mesmo sorriso ele as dispensa.
– P-por que está me dizendo i-isso?
– Você é minha prima. Não quero que sofra. Além disso, você está noiva. Não quero Hiashi me enchendo porque não cuidei de você.
– Não precisa se preocupar comigo.
Sasuke assentiu com a cabeça, mas não acreditou. Inconscientemente Hinata estava enviando todos os sinais de interesse pelo loiro. E o dobe nem estava tentando seduzi-la.
– Achei que vocês fossem amigos – Hinata comentou tirando-o de seus pensamentos.
– Por incrível que pareça aquele baka conseguiu contra minha vontade conquistar minha amizade. Mas isso não signifique que eu não veja os defeitos dele.
– Entendo. Mas não se preocupe. Como você mesmo disse: eu estou noiva. – Hinata olhou para Sasuke pensativa lembrando-se da conversa com Sakura. – Você já se apaixonou, Sasuke?
– Iie. O amor é uma fraqueza, Hinata. As pessoas fazem coisas estúpidas quando se apaixonam.
– E você nunca faria alguma coisa estúpida – Hinata afirmou sorrindo.
– Na verdade, eu fiz uma coisa estúpida uma vez por culpa do Naruto.
– O que foi minha culpa? – Naruto perguntou sentando-se ao lado de Hinata.
Sasuke não respondeu. Então Hinata explicou:
– Algo estúpido que Sasuke fez.
– Ah, dormir com aquela desconhecida na Hot Dreams?
Sasuke revirou os olhos, mas não negou. Hinata ergueu uma sobrancelha surpresa.
– Como era o nome dela mesmo, hein? – Naruto perguntou coçando a cabeça.
– Não lembro – Sasuke resmungou.
– Dormiu com uma mulher e nem sabe o nome dela? – Hinata perguntou um pouco chocada.
– Eu disse que foi algo estúpido.
– Mas Sasuke bem que gostou. Estava todo roxo no dia seguinte – Naruto contou rindo.
– Cale a boca, dobe.
Naruto o ignorou.
– Eu nunca mais a vi na Hot Dreams. Queria tanto dar os parabéns a ela por conseguir dobrar seu controle de ferro. Se bem que eu já nem lembro mais da cara dela. Mas eu perguntei dela para a Mei e ela disse, bem contrariada por sinal, que ela tinha saído de lá.
Sasuke não estava surpreso por ela não estar mais na Hot Dreams. Desde o princípio percebera que ela não era uma das garotas de lá. Tirar a virgindade dela apenas confirmara isso. No fundo sempre soube que ela não ficaria ali depois do que acontecera. Talvez fosse por isso que não voltara lá. Ou talvez porque temesse reencontrá-la na boate.
Que Kami o ajudasse, mas ele se excitava só de lembrar dela. A pele macia, os seios médios, o cabelo incomum, os olhos brilhantes... ele tentara com toda força bloquear as lembranças daquela noite. E em parte conseguira. Mas a parte que realmente queria esquecer, a parte que o fazia acordar suado e excitado, a parte que acontecera entre as quatro paredes daquele quarto, ele não conseguia esquecer de forma alguma.
Como alguém que Sasuke só vira uma vez na vida podia mexer tanto assim com ele?
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top