Capítulo 2

- Becca? - Max chama por mim.

- Sim?

- Está se sentindo bem?

- Sim. - Confirmo com a cabeça. - Por quê a pergunta.

- Você está muito pálida, e com olheiras.

- Joshua deu dor de ouvido, e por isso não dormi a noite toda. - Explico minha cara de fantasma.

Eu já estava me desesperando por vê-lo chorar tanto, então me arrumei para levá-lo ao hospital, mas antes mesmo de sairmos de casa ele acabou adormecendo.

- Ele está melhor? - Max questiona.

- Sim. - Confirmo com a cabeça.

- Tire o dia de folga para cuidar dele.

- Não é necessário. - Balanço a cabeça em negação. - Beatriz está cuidando dele para mim.

Não quis trazê-lo para a creche hoje porque ele ainda está um pouco enjoadinho, e como Bea e ele se dão muito bem, acabei pedindo sua ajuda para cuidar dele durante o dia.

- Não seja teimosa e vá para casa.

- Mas...

- É uma ordem Becca. - Max me corta.

- Tudo bem. - Reviro os olhos

Fico feliz por poder ir para casa para ficar com meu filho, mas eu realmente não gosto de faltar no serviço. Max me ajuda tanto, e é sempre tão compreensivo comigo, que o mínimo que posso fazer é ser uma excelente funcionária.

- Antes de você ir embora gostaria de falar com você sobre sua situ...

- Vai me demitir? - Me apavoro.

- Não. - Nega com a cabeça.

- Que bom. - Digo baixinho.

Levo a mão ao peito e suspiro aliviada, e minhas pernas estão tão trêmulas que me esforço a ficar de pé. Se Max me mandasse embora eu poderia assinar minha sentença de morte, porque já não é fácil arrumar um serviço sem ter filhos, ainda mais sendo mãe.

- Você está fazendo um trabalho incrível sendo minha secretária mesmo não tendo tanta experiência, mas eu sei que estou te sobrecarregando.

- Eu dou conta...

- Eu sei que sim. - Ele me corta. - Mas você tem um bebê para cuidar, e se chegar em casa morta por trabalhar tanto, isso acabará afetando você e Joshua.

- O que você tem em mente? - Pergunto.

- Irei contratar uma assistente para você. - Ele responde. - Tendo uma pessoa para te ajudar, não ficará tão sobrecarregada com o serviço.

Não esboço reação alguma, mas por dentro estou explodindo de felicidade. Eu sou capaz de fazer todo meu serviço sozinha, mas como Max já disse isso acaba comigo no final do dia, e por isso mal consigo cuidar do Joshua, mas se eu tiver alguém para me auxiliar me ajudará muito.

- Estou feliz por se preocupar comigo, mas não quero que se sinta obrigado a fazer isso por mim apenas porque sou amiga da Lauren.

- Até onde me lembro, você também é minha amiga, e minha responsabilidade.

- Eu não...

- Você é como uma irmã para mim, e eu sempre irei me preocupar com seu bem estar. - Ele me interrompe de continuar a falar. - Vou contratar alguém para te ajudar porque eu sei que seu trabalho é muito pesado, e eu não quero que acabe doente por trabalhar demais.

Realmente não é fácil ser a secretária do chefe. Quem vê de fora acha que é puro glamour, e que fico o dia todo sentada em minha cadeira atendendo telefonemas e servindo café, mas é realidade é outra bem diferente.

- Obrigada por se preocupar comigo. - Meus olhos se enchem de lágrimas.

- Se começar a chorar e eu ver meleca escorrendo do seu nariz eu posso vomitar em você. - Max sorri largo.

- Bem... então é melhor eu me controlar, pois não quero um banho de vômito.

Max fez um grande progresso com seu tratamento, mas não pode se dizer que ele está completamente curado da sua mania de limpeza. Agora ele consegue pegar na mão de alguém sem fazer ânsia de vômito, mas não é bom abusar da sorte porque ele tem suas recaídas de vez em quando.

- Vá para casa. - Ele coloca a mão em meu ombro e aperta de leve.

- Obrigada. - Agradeço.

- Não precisa agradecer. - Ele sorri largo.

Como explicar minha sorte que mudou drasticamente? Há alguns meses eu estava vivendo em um inferno, e agora minha vida está tão boa que até tenho medo de que algo ruim acontecerá em breve.

Max é um amigo incrível e um chefe maravilhoso, e talvez se fosse outro em seu lugar estaria pouco se importando se eu estivesse me matando de trabalhar, mas ele tem muita paciência comigo e me ajuda muito.

- Até amanhã chefe. - Pego minha bolsa e me despeço.

- Até amanhã.

Caminho até o elevador com o coração aquecido por saber que tenho amigos que se importam comigo, e agradecendo a Deus por ter colocado eles em minha vida.

Eu não tinha nada e agora tenho tudo, e falo isso não de bens materiais, mas sim de amizades fiéis e verdadeiras, que levarei para o resto de minha vida.

🌻

- Chegamos senhorita.

- Obrigada. - Agradeço.

Pago a corrida do taxista e saio do carro, e quando me viro para começar a caminhar em direção ao prédio, tenho uma sensação ruim que faz todo meu corpo se arrepiar.

Talvez nesse momento eu deveria estar correndo para casa, mas acabo parada no mesmo lugar olhando em volta lentamente, tentando ver algo ou alguém suspeito que tenha causado meus calafrios.

Tenho a sensação que estou sendo vigiada, e isso se confirma quando de longe vejo uma homem olhando em minha direção. Posso estar ficando louca e imaginando coisas, mas eu tenho a sensação desagradável que ele realmente está me encarando, e isso me causa arrepios novamente.

Por estar um pouco longe não consigo ver direito seu rosto, e quando ele começa a caminhar em minha direção em passos largos não consigo mover um músculo sequer para fugir.

Estou me cagando de medo, mas nem isso me dá forças para poder sair correndo, e eu continuo parada no mesmo lugar enquanto ele se aproxima cada vez mais.

Lágrimas escorrem por meu rosto porque eu sinto que esse será meu fim, e eu nem ao menos poderei me despedir do meu filho antes de morrer.

Fecho os olhos rapidamente esperando pelo pior, e só quando sinto um aroma amadeirado sei que ele está perto de mim.

- A senhorita está bem? - Pergunta uma voz grave.

Me forço a abrir meus olhos, e quando eu o vejo percebo que se eu não estivesse com tanto medo o acharia muito bonito.

- Si... sim.

- Por que está chorando? - Ele pergunta.

- Eu não quero morrer, pois tenho um filho para cuidar. - Repondo baixinho.

Vejo surpresa em seu olhar, que logo é substituto pelo gelo anterior, enquanto ele sorri de canto.

- Por que acha que vai morrer? - Indaga. - Acha que se eu fosse te matar faria isso no meio da rua em plena luz do dia?

Agora tenho certeza absoluta que esse homem está tentando me amedrontar, e tenho ainda mais certeza que tem o dedo do Charles nesse assunto.

Só o seu olhar me causa medo, e ele nem ao menos precisa abrir a boca para dizer que é um homem perigoso, pois só sua presença fala por si só.

- Sabe o que mais odeio no mundo Becca? - Ele pergunta.

- Como sabe meu nome?

Ele me olha de cima em baixo e deixa explícito seu desdém, como se eu fosse um lixo e ele está se sacrificando por ao menos conversar comigo.

- Sabe o que mais odeio no mundo Becca? - Ele repete a pergunta.

- Na... não. - Gaguejo.

- Pessoas de mal caráter, mentirosas e maldosas. - Ele fala. - E eu fiquei sabendo que você é tudo isso e mais um pouco.

Ele leva a mão ao meu rosto e enxuga minhas lágrimas, e quando sua pele toca a minha sinto meu coração bombardear no peito.

- Quem... Quem é você?

Ele se afasta, me dá as costas e caminha por alguns metros, mas de repente para e se vira para mim.

- Quem sou eu? - Sorri sombriamente. - Eu não sou ninguém.

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