Capítulo 18

Abro os olhos lentamente, e quando olho em volta vejo que não estou em meu quarto, e sim em um hospital.

Lauren está dormindo de boca aberta em uma das poltronas, e se eu tivesse um celular em minha mão nesse momento, com toda certeza iria tirar uma foto, porque a cena está muito engraçada.

Tento me sentar na cama, porém me arrependo no instante em que me mexo, pois sinto uma dor horrível em meu ombro.

- Merda. - Praguejo mais alto do que necessário.

- Becca?

Lauren passa a mão pelo rosto, se levanta e caminha até mim em passos largos, e se senta na beirada da cama.

- Como está se sentindo? - Ele boceja alto.

- Como se eu tivesse sido atropelada por um caminhão.

- Está sentindo muita dor? - Lauren me olha preocupada.

- Um pouco, mas é suportável.

Vejo o controle da cama, e mais do que depressa aperto um dos botões, e lentamente a cabeceira da cama começa a se levantar.

- O que aconteceu? - Pergunto.

- Você não se lembra?

Assim que Lauren fecha a boca, me veem a mente tudo que aconteceu no beco, até eu levar o tiro e desmaiar.

- Agora eu me lembro.

- Graças a Deus você está bem. - Ela suspira aliviada.

- Eu estou. - Sorrio fraco.

- Levei um susto quando recebi a ligação da polícia, me informando o que havia acontecido.

- Eu estou bem. - Dou um tapinha em sua mão.

- Mas poderia não estar. - Vejo lágrimas em seus olhos.

- Você não vai se livrar de mim tão facilmente garota.

Minha amiga está com a aparência cansada, mas também vejo um brilho de alívio em seus olhos.

- Me conte o que aconteceu. - Pede Lauren.

- Eu estava indo para o trabalho, e então parou um taxista e perguntou se eu não queria uma corrida, e acabei aceitando porque ia chegar atrasada no serviço. Ele não seguiu a rota que indiquei, e começou a entrar em umas ruas estranhas, e foi aí que comecei a desconfiar das suas intenções.

- Será que Charles está por trás de tudo isso?

- Sim. - Confirmo com a cabeça. - O homem disse que Charles mandou ele me avisar, que mesmo estando preso, eu não estava livre dele.

- Cretino nojento.

- Ele mandou... - Me calo por alguns segundos porque sinto um aperto no peito. - Ele mandou o homem fazer coisas ruins comigo.

Lauren me abraça, tomando cuidado para não me machucar, e eu me deixo ser consolada por ela.

Só de imaginar o que poderia ter acontecido, todo meu corpo gela de desespero, e eu sei que tive sorte ao conseguir fugir, mas eu poderia não ter tido.

Aquele homem poderia ter conseguido fazer o que planejava, e então eu tenho certeza que minha vida teria se acabado naquele momento, porque eu não seria capaz de suportar mais traumas.

Até quando vou sofrer por causa da maldade do Charles? Até quando terei que aguentar suas merdas, porque ele é um nojento doente? Como uma pessoa pode ser tão ruim, a ponto de mandar outra fazer algo tão asqueroso, apenas porque gosta de ver o outro sofrer?

- Quando a polícia vier falar com você, conte tudo a eles. - Lauren fala.

- Eu farei isso. - Digo.

- Charles vai se ferrar um pouco mais por isso.

- É o que espero. - Torço para que Lauren tenha razão.

Desejo de todo meu coração que Charles se ferre ainda mais. Apesar de tudo que ele já me fez, eu ainda torcia para que ele se tornasse uma boa pessoa, porém agora só quero que ele morra da pior forma possível.

Sempre fui uma mulher de bom coração, e que tenta ver o lado bom de todo mundo, e por isso muitas vezes fui idiota. Apesar de tudo ainda serei a mesma Becca até o fim, só que agora colocarei menos expectativa nas pessoas, porque elas podem ser bem cruéis.

- Onde está Joshua? - Questiono.

- Está com Tereza.

- Me desculpe pelo transto...

- Pode parando. - Lauren me corta. - Não quero ouvir nenhum pedido de desculpas.

Mesmo que Lauren diga que não, eu sei que meus problemas acabam afetando todos a minha volta. Odeio sentir que sou um peso, odeio essa sensação horrível que se apodera de mim quando algo desagradável acontece, e por mais que eu tente evitar esse sentimento ruim, e muito difícil ignorar, porque ainda não sou forte o suficiente.

Quando penso que minha vida vai melhorar, e meu psicológico começa a ficar bem, alguma merda acontece e me desestrutura tudo de novo.

Como das outras vezes, tentarei ser forte, e farei o que tiver ao meu alcance para que eu continue tentando passar por isso, porque já estou extremamente cansada da Becca medrosa.

- Quando poderei ir para casa? - Pergunto.

- Pelo que o médico disse, a bala não acertou nenhum órgão vital, então sua recuperação será mais fácil.

- Ótimo. - Sorrio largo. - Já posso ir embora?

- Calma garota. - Lauren também sorri.

Nunca gostei de hospitais, e quando vou em um não vejo a hora de ir embora, e nesse momento me sinto da mesma forma.

- Há quanto tempo estou aqui? - Indago.

- Desde manhã.

- Que horas são? - Pergunto.

Lauren olha para o relógio sobre seu pulso, e então fala:

- São onze horas da noite.

- Dormi o dia todo? - Arregalo os olhos.

- Os medicamentos que te deram eram muito forte, por isso você apagou.

- Alguém avisou a Karen o que aconteceu?

- Quem é Karen? - Lauren me olha sem entender nada. - Está delirando?

- Karen é a garota que vai morar comigo no apartamento. - Respondo. - Ela deve estar preocupada porque até agora não voltei para casa.

- Como assim vai morar com você no apartamento?

Eu deveria ter dito alguma coisa a Lauren antes de chamar Karen para morar comigo, mas eu quis tanto ajudá-la, que acabei nem pensando em falar alguma coisa para minha amiga.

- Karen trabalha como babá na empresa do Max, e hoje de manhã encontrei ela na rua procurando por um apartamento, então chamei ela para morar comigo. - Explico. - Está brava?

- Claro que não. - Lauren sorri largo. - Isso é ótimo, pois agora você vai ter companhia.

- Foi o que pensei, além de ajudar Karen.

- Só não quero que me troque por uma nova amiga. - Lauren fica séria de repente.

- Isso nunca vai acontecer ciumenta. - Gargalho alto.

Calo minha boca no mesmo instante, porque meu ombro começa a doer, pelo pouco esforço que fiz ao rir.

- Se controle garota. - Lauren finge irritação.

- Você é a culpada por me fazer rir.

Antes que Lauren diga alguma coisa, alguém bate na porta do quarto, e alguns segundos depois vejo Rick entrando o recinto.

Todo meu corpo fica tenso no mesmo instante, porque com toda certeza não quero vê-lo por um longo tempo. Sei que estou mentindo para mim mesmo ao pensar nisso, mas vou fingir que não sinto nada por esse idiota.

- Você está bem Becca? - Ele parece preocupado.

- Sim. - Digo apenas.

Lauren me olha sem entender nada, porque eu ainda não tinha falado para ele que o imbecil me deixou plantada em casa, porque decidiu se divertir com outra mulher.

- O que aconteceu? - Rick pergunta.

- Nada com que você deva se preocupar.

Rick se aproxima ainda mais, e a cada passo que ele da meu coração acelera no peito, e aumenta a minha vontade de estar em qualquer outro lugar, menos aqui.

- Posso conversar com a Becca a sós? - Rick pergunta a Lauren.

- Claro. - Ela confirma com a cabeça.

- Não será necessário, porque não temos absolutamente nada para conversar.

- Becca...

- Apenas vai embora, ou eu irei. - O interrompo de continuar a falar. - A escolha é sua.

Rick me olha por alguns segundos, e eu vejo em seu olhar que ele quer me desafiar, porém me dá as costas e começa a caminhar em direção a porta.

Antes dele sair do quarto, um homem muito bonito que provavelmente seja o médico adentra o ambiente, e vem direto em minha direção.

- Enfim a bela adormecida acordou. - Ele sorri para mim. - Como está se sentindo?

- Muito bem. - Respondo. - Posso ir para casa?

- Vejo que é apressada. - Ele continua rindo.

- Só não gosto de hospitais. - Suspiro alto.

- Você e 99% das pessoas que vem aqui todos os dias senhorita.

O doutor se aproxima ainda mais de mim, e então vejo em seu crachá que seu nome é Dimitri.

- Está sentindo muita dor? - Ele indaga.

- É tolerável. - Respondo.

- Se sua recuperação for boa, dentro de dois dias receberá alta. - Ele fala. - Então vocês dois poderão ir para casa.

- Vocês dois? - Olho para ele sem entender nada.

O sorriso de Dimitri aumenta ainda mais no rosto, e para falar a verdade começo é ficar com medo desse homem.

- Você e seu bebê. - Ele fala todo animado.

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top