001 ✾ viagem //pt1
Acordei ás 05:05 da manhã após o despertador do celular tocar pela segunda vez.
Abri os olhos rapidamente, mas logo fechei por conta da claridade do sol. De longe, escutei passos se aproximando.
— Acorda, Eloisa, vai perder seu vôo. — minha mãe disse parada na porta.
Eu iria embarcar para Los Angeles daqui á umas horas, decidi terminar meu último ano do colegial fora do Brasil, para ter uma nova experiência.
Nunca gostei de morar no meu pais natal, desde meus cinco anos de idade meu sonho é morar no exterior e agora terei um ano para me decidir se é o que eu realmente quero, antes de comprar minha casa em LA.
Olhei para a mulher em minha frente e meu coração se apertou. Doze meses. Desde que meu pai arrumou uma nova esposa e se mudou para o Canadá, restamos apenas eu e minha mãe. Nós sempre fomos unha e carne e confesso que só não me mudei antes para Los Angeles por medo de deixá-la sozinha. Mas a mesma insistiu para que eu seguisse meus sonhos. E convenhamos que ela não ficaria mais sozinha, já que a mesma estava noiva de Calebe e ele se mudaria pra nossa casa em algumas semanas.
— Já estou acordada. — disse e sorri.
Seus olhos brilhavam de felicidade por me ver prestes a realizar o meu maior sonho, mas eu via um misto de tristeza e preocupação envolto nisso.
Ela sorriu e desceu novamente as escadas. Me levantei e fui em direção ao banheiro. Hoje o dia seria longo.
Tomei um banho relaxante e deixei que a água me purificasse por inteiro.
Conforme as gotas colidiam em minha pele, eu pensei em desistir. Pensei em abandonar essa idéia absurda de me mudar para tão longe. Talvez fosse melhor assim, continuar no Brasil, com minha mãe, meus antigos amigos e viver a vida clichê que eu sempre levei.
Fui interrompida por batidas na porta do banheiro vindas de minha mãe.
— O café está pronto. - ela disse e logo em seguida ouvi seus passos se afastarem novamente.
Suspirei. Eu iria me mudar, correr atrás dos meus sonhos e orgulhar a mulher que sempre me apoiou em tudo.
Desliguei o chuveiro. Me sequei com a toalha e sai do banheiro.
Fui ao closet a procura de uma roupa confortável, afinal, seriam treze horas de vôo.
Ao abrir a porta do armário, deixei cair um papel. Me curvei e o apanhei, era uma fotografia.
Retratado na imagem, estavam eu, minha mãe e Ana Letícia. Meus olhos imediatamente marejaram e o aperto em meu peito se intensificou.
Eram muito difícil deixa-las.
Levei a foto até a mala, a guardando em um bolso menor. Retornei ao closet e optei por calça jeans, regata e tênis; também escolhi um blusa de frio, caso a temperatura caísse durante a viagem.
Me olhei no espelho mais de uma vez para conferir se estava tudo certo.
Será que eles vão gostar de mim?
Essa era uma das minhas maiores preocupações.
×
Chamada para o vôo 176 com destino á Los Angeles, portão de embarque B32. - Call to the flight 176 bound to the Los Angeles, boarding gate B32
A voz ecoou pelo aeroporto.
— Acho que é melhor eu ir. — disse olhando para o rosto de cada um ali presentes.
Todos carregavam lágrimas em seus olhos e aquilo estava acabando comigo. Eu odiava ver as pessoas chorarem, ainda mais quando eu era o motivo.
— Vá com Deus, filha, tome cuidado — minha mãe foi a primeira a tomar coragem para se despedir.
Ela deu dois passos em minha direção e me apertou contra seu corpo, pude sentir suas lágrimas molharem meu ombro e instantâneamente, minhas lágrimas também cairam.
— Se cuida meu amor, não beba e nem consuma drogas, pois pelo que soube, as festas de Los Angeles são as melhores. — ela sorriu.
— Pode deixar mamãe, se cuida. — a abracei.
Vovô me olhava com uma expressão indecifrável. Havia tristeza em seus olhos, mas um sorriso iluminava seus lábios.
Eu sabia que não estava sendo fácil para ele, desde pequena eu e vovô somos muito próximos. Quando a vovó se foi, nosso laço só aumentou, pois eu tinha medo de deixá-lo sozinho, então eu dividia meus dias entre fazer companhia ao vovô e fazer companhia a minha mãe.
— Ah, minha neta, eu sentirei tanto a sua falta. — ele disse assim que eu fui ao seu encontro.
— Eu também sentirei a sua, vovô. Por favor, se cuide. Um ano passa rapidinho.
— Não sei se ainda estarei aqui, mas lutarei o máximo para isso. — ele disse com a voz embargada.
Meu sorriso se foi.
Tentei disfarçar meu incômodo após tais palavras.
Esse sempre foi medo. Quando vovó faleceu eu não estava ao seu lado, foi durante um mochilão para a Europa com Anale, sem direito a celulares. Soube da morte de Dona Georgia apenas treze dias depois e desde então me culpo por não estar presente no último momento de vida da mesma.
— Mas é claro que vai, não diga uma bobagem dessas. - eu disse mais para mim do que para ele.
Ele sorriu e me soltou.
Senti alguém puxar meu braço esquerdo e olhei naquela direção, era Ana Letícia.
Minha amiga me olhava com uma imensa tristeza em seus olhos, seus lábios formavam um bico e pela sua expressão, não demoraria para que ela desabasse em chorar.
— Como vou viver sem você, Eloisa? — ela disse após me envolver em um abraço.
Eu e Letícia somos amigas desde que nascemos, literalmente. Nossas mães se conheceram no hospital, no dia do parto e desde então elas sempre mantiveram contato. Com a aproximação das duas, não demorou muito para que nos tornássemos inseparáveis.
— Oh, minha gêmea. Por favor não fique assim, você sabe que independente da nossa distância, nós nunca vamos nos separar. — eu disse olhando em seus olhos.
Ela sorriu e depositou um beijo em minha testa.
— Tira uma foto minha? — perguntei a ela.
Ela assentiu e pegou meu celular. Fiz a pose e logo ela me entregou o celular novamente.
Aproveitei para posta-la no Instagram.
— Então é isso, fiquem bem por favor. Eu amo cada um de vocês. — disse olhando para todos novamente.
Olhei para cada um dos rostos em minha frente, peguei minhas malas e me virei, rumo à meu futuro.
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Oi pessoal, tudo bem?
E ai, o que acharam da parte um deste primeiro capítulo?
Espero que tenham gostado.
E ah, votem na história e comentem o que estão achando.
Até mais, bjs
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