9.
Chegou às urgências do hospital e rapidamente procurou conforto e apoio nos braços de Bianca.
–Porque é que fui deixar isto acontecer? – Questionou-se Sofia lavada em lágrimas abraçada à amiga.
–Não penses nisso. Nenhuma de nós tem culpa no que aconteceu! – Tentou acalmar Bianca fazendo-lhe festinhas nas costas.
–Já disseram alguma coisa? – Perguntou Sofia.
–Ainda não. Estou aqui há quase duas horas e ainda não me disseram nada. – Respondeu Bianca inconformada.
–E como é que foste avisada do que aconteceu? – Perguntou Sofia, sentando-se num dos bancos da sala de espera e convidando Bianca a fazer o mesmo.
–Foi o tal senhor que o salvou. Depois de ligar para o 112 viu um telemóvel no chão perto do sítio de onde o Márcio se atirou e deduziu que fosse dele. Por sorte, o meu número foi um dos primeiros que viu e decidiu ligar. Até veio na ambulância e tudo! Só se foi embora quando eu cheguei. – Relatou Bianca.
–Se lhe acontecer alguma coisa eu juro-te que nunca me vou perdoar! – Exclamou Sofia de olhos inchados.
–Não digas isso! Ele vai ficar bem, vais ver! – Bianca aproximou-se de Sofia e abraçou-a novamente.
–Acompanhantes do senhor Márcio Biscaia? – Anunciou um médico à entrada da sala de espera.
–Somos nós! – Anunciou Sofia, tendo-se levantado do lugar, juntamente com Bianca, numa fração de segundo.
–Como é que ele está? – Perguntou Bianca ansiosa por ouvir boas notícias.
–Queiram acompanhar-me, por favor. – Apreensivas, as duas seguiram o médico até ao consultório deste.
–A situação do Márcio está estável. Ele deu entrada no hospital inconsciente e num estado médio de hipotermia. Felizmente não houve lesões internas e a temperatura corporal já está dentro dos valores normais. – Relatou o profissional, levando as duas a respirarem de alívio.
–Eu não te disse? – Questionou Bianca abraçando Sofia.
–São família do paciente? – Perguntou o médico.
–Não mas é como se fôssemos. Somos amigas dele e passamos bastante tempo juntos. – Respondeu Bianca.
–A pessoa que salvou o paciente do afogamento falou numa possível tentativa de suicídio mas também não deu a certeza. Sabem se este cenário faz algum sentido? – Interrogou o médico.
–Infelizmente faz. – Respondeu Sofia. – Ele descobriu hoje que é portador de SIDA e não está a conseguir lidar com isso. Eu até estive com ele hoje mas depois vim embora e provavelmente deve ter sido nessa altura em que estava sozinho que ele tentou suicidar-se.
–Sim, nunca pensámos que a reação dele pudesse chegar a este ponto. – Acrescentou Bianca.
–É normal que haja um choque inicial mas, tendo em conta o cenário de tentativa de suicídio, aconselho vivamente acompanhamento psicológico. – Indicou o médico.
–Sim, também já tínhamos pensado nisso. – Reforçou Bianca.
–Podemos vê-lo? – Perguntou Sofia.
–Claro, venham comigo. – E seguiram até à zona de internamentos, onde depois entraram por um corredor semelhante mas mais estreito com vários quartos e cada um destes com várias camas. Márcio estava na cama 16, junto à janela, num quarto partilhado com mais três pacientes.
–Márcio! Pregaste-nos cá um susto! – Exclamou Sofia abraçando-o mal se aproximara dele. – Porque é que fizeste isto? Eu disse-te que, se precisasses de alguma coisa, para telefonares para mim ou para a Bianca. – Mas Márcio não respondia. Estava apático. O olhar dele centrava-se no ambiente exterior que podia observar através da janela.
–É normal ele estar assim? – Perguntou Bianca observando apreensiva a apatia de Márcio. Nunca o tinha visto naquele estado.
–A apatia é um sintoma comum após uma tentativa falhada de suicídio. O paciente vai permanecer internado para observação pelo menos até amanhã. E entretanto o caso vai ser encaminhado para a psiquiatria.
–O quê?! O doutor acha que ele pode tentar suicidar-se outra vez? – Perguntou Bianca assustada.
–Não sou a melhor pessoa para lhe responder a essa pergunta porque a Psiquiatria não é a minha especialidade. Este é um procedimento que fazemos sempre nestas situações. E quanto mais precoce for o acompanhamento psiquiátrico, melhor. – Explicou o médico.
–E quanto tempo é que ele pode ficar internado? – Perguntou Sofia.
–Depende muito de caso para caso. Pode ir desde dias a semanas e até meses. Vai tudo depender do modo como evoluir o quadro clínico. - Entretanto o médico foi-se embora e ficaram só Sofia e Bianca, que tentavam puxar por Márcio mas este pouco ou nada interagia com elas.
–Nós estamos aqui Márcio! - Exclamou Bianca, abraçando o amigo, tendo Sofia seguido o exemplo e se juntado ao abraço.
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top