37.{ANTEPENÚLTIMO}

Sofia olhou intrigada para Márcio. Fosse de quem fosse a chamada, não era comum afastar-se para atender. Ele sempre atendera as suas chamadas telefónicas na presença de Sofia e Bianca, por isso, para se afastar de propósito é porque escondia alguma coisa.

Na cozinha, Márcio atendeu a chamada sob o ouvido atento de Sofia:

–Estou sim? ... É o próprio. … Tudo bem, eu depois confirmo a transferência. E se quiserem, entretanto posso ir fornecendo mais algumas informações sobre ela. ... Okey então. Mas se precisarem, já sabem! … Ótimo! … Adeus e obrigada! – Terminou a chamada e regressou à sala com um ar de satisfação.

–Quem era? – Perguntou Sofia procurando disfarçar o facto de ter estado atenta à conversa.

–Ninguém em especial. Era só uma chamada que eu andava à espera há alguns dias. Cenas minhas. – Respondeu Márcio poisando o telemóvel em cima da mesa. – Olha, vou só ali à casa de banho e já volto. – Avisou.

–Sim claro, vai! – E, aproveitando a deixa, Sofia pega no telemóvel de Márcio e procura o número que lhe acabara de ligar.

–O que é que estás a fazer? – Perguntou Bianca estranhando a atitude de Sofia. Esta não lhe respondeu e num instante copia o número para o seu telemóvel antes de Márcio voltar da casa de banho. Poisou o telemóvel no mesmo sítio onde ele o deixara e não adiantou mais nada até este se ter ido embora.

*******

–Importas-te de explicar qual é que foi a tua ideia há pouco? – Perguntou Bianca. Agora que estavam só as duas podiam falar à vontade.

–Não achaste estranha a conversa dele ao telefone?

–Qual conversa? Ele disse alguma coisa de especial?

–Não sei. Mas do que eu consegui perceber, a conversa envolvia transferências e informações sobre uma ela. – Respondeu Sofia.

–O quê, não estás a dizer que é o Márcio quem anda a passar informações sobre ti às revistas, pois não? – Perguntou Bianca atónita.

–Diz-me tu o que achas! E para ele ter feito aquele segredo todo à volta da chamada, agora pensa! – Atiçou.

–Não, ele não era capaz. Está bem que o Márcio às vezes passa-se um pouco da cabeça, mas a este ponto também não! – Defendeu Bianca.

–Então quem mais é que poderia passar informações tão detalhadas como estas às revistas? – Questionou Sofia. – Eu não quero estar a acusá-lo injustamente e até espero estar errada mas, de facto, as evidências não me deixam outra hipótese. E como, ainda por cima, ele até está em risco de ser despedido…!

–Sim, eu percebo. Mas e então sacaste o número para quê?

–Para confirmar se a chamada era mesmo de alguém relacionado com a revista ou não.

–Pois, é a maneira mais fácil de saber. – Admitiu Bianca.

–Mas é melhor seres tu a fazer a chamada do teu telemóvel porque a mim podem-me reconhecer pela voz ou pelo número. – Sugeriu Sofia.

–Desculpa?! – Exclamou Bianca paralisada.

–Oh, vá lá! Inventas uma história qualquer! Por exemplo, dizes que estás a limpar a tua agenda e que tinhas esse número sem nome. – Persuadiu Sofia. Perante a insistência desta, Bianca não teve outra escolha senão em aceder ao pedido da sua melhor amiga.

–Pronto, eu falo! – Assentiu Bianca dando um profundo suspiro. Pegou no seu telemóvel, marcou o número e aguardou que alguém respondesse do outro lado.

–Estou sim, quem fala? – Respondeu uma voz masculina desconhecida.

–Boa tarde. Eu estou a ligar-lhe porque estou a fazer uma limpeza nos meus contactos e tinha este número sem nome e gostaria de saber de onde é! – Explicou Bianca.

–E estou a falar com quem? – Perguntaram do lado de lá da linha. Bianca olhou para Sofia como que a perguntar se havia de dizer o seu nome verdadeiro ou se seria melhor inventar um.

–Bianca Ramalho. E para onde é que estou a ligar? – Insistiu.

–De facto esse nome não me diz nada! – Respondeu.

–Mas pode me dizer para onde é que estou a ligar ou não? – Voltou a insistir Bianca já ligeiramente impaciente. Se havia coisa que não suportava era que fugissem às suas perguntas e que a enrolassem.

–O número para onde a senhora está a ligar pertence à redação da Impala.

–A redação da TV7Dias? – Perguntou Bianca.

–Exatamente. Mais alguma questão?

–Não. Era só isto. Obrigada. Boa tarde.

–Boa tarde. – Desligou a chamada e olhou para Sofia com um ar de quem se recusava a acreditar nos factos.

–Então? O número sempre era da revista ou não? – Perguntou Sofia ansiando por respostas.

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