Cursivo (Alguns rabiscos sobre os teus olhos)
"O que tanto faz aí?"
A sua voz macia cochicha contra a minha orelha, o cheiro de hortelã e mel invade minhas narinas, os lábios gelados, úmidos, causam um arrepio na minha pele. Observo você por um tempo. Os olhos no espelho, desliza a toalha pelos cabelos descoloridos, a camisa branca manchada de tinta como um vestígios de cor que escorreu entre os dedos do artista e sobrepôs o desenho, cores tão bonitas que são só tuas.
"Estou escrevendo."
Te respondo. Você invade os lençóis sem cerimônia, se aconchega perto de mim, olhos nos meus olhos, dessa vez o cheiro frutado do shampoo, do perfume, da pele, parece ainda mais atrelado à você, e eu só quero que deixe-me afundar nele.
"Lê pra mim..."
Como uma reação automática do meu corpo, minha boca se abre, pronta para traduzir as palavras, uma à uma. Leio as primeiras palavras, você fecha os olhos. Parece saborear cada uma delas, a boca copia o som de algumas.Os escritos são sobre nós, sobre aquele dia, nossas horas juntos, sobre o que eu tenho sentido. Você abre os olhos e me olha outra vez, como se estivesse de volta de um passeio nas estrelas. Os dedos, delicadamente contornam a tatuagem de flores no meu braço.
"Eu gosto das flores na sua pele, são bonitas como as coisas que escreve..."
Você cochicha. Naquela própria frequência de vozes que criamos para o nosso mundo, sempre como se aquele ali fosse o nosso segredo, como se naquela frequência, ninguém pudesse reconhecer tua voz, e ainda seríamos só eu e você.
"Eu gosto de pensar que são uma extensão da minha alma, gosto de olhar para um pedacinho dela perto de mim."
Você sorri. Os lábios se encaixam por cima do desenho, os olhos fecham lentamente e gosto de como você me ama. Continuo a leitura, estamos quase na minha parte favorita. Aquele trecho sobre os seus olhos.
"Eu pareço tão bonito quando você escreve sobre mim..."
A sua voz macia ecoa. Os dedos deslizam pela página do diário como se pudesse sentir as palavras naquela língua estrangeira, tão diferente da sua. Queria beijá-lo até que a torrente de sentimentos que estão em mim, atravessassem o seu peito. Ninguém se perderia na tradução dessa vez. Todas as palavras seriam ditas, sem que eu precisasse verbalizar uma sequer.
"Eu escrevo sobre o que vejo em você, Jungkook, e o que eu vejo é lindo."
Você me puxa para perto, me envolve no seu abraço, cabelos jogados para todos os lados.
Eu só queria te dar os meus olhos para que você pudesse se ver, daria um pouco do meu coração para você sentir o meu amor, daria até meus versos para você descobrir como eles ficam bem quando tem você. Por que tudo é você. Os discos, os livros, as canções no rádio. Cada linha escrita de poesia, é você. O amor pulsa, suspira - você.
E eu amo você, Jeon, eu amo. Te dou minha palavra, e posso te dar todas elas se você quiser.
(Cursivo¹: que ou o que é traçado de forma corrente com letra manuscrita)
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