Conto 6 - Monstros

Akin tinha poucos amigos. Provavelmente porque ele era perseguido por monstros.

Após terminar as atividades da escola, Akin por vezes saía para brincar no parque. Ele sempre ouvia as mesmas palavras saindo da boca de sua mãe:

— Não se aproxime demais das pessoas. Se uma criança não quiser brincar com você, se afaste. E volte antes de escurecer!

Ela sempre lhe abraçava, transmitindo o seu medo. Na maioria das vezes ela lhe acompanhava, mas vez ou outra seu trabalho lhe chamava. Ele sabia que a mãe trabalhava em uma casa, limpando o chão e fazendo comida.

Akin não se sentia tão só como antes porque agora ele tem uma amiga. Era uma menina nova no bairro, talvez por isso falava com ele. Tinham a mesma idade, 10 anos.

— Te amo, mãe! Até mais tarde.

— Tome cuidado.

Akin caminhou até o parque. Não podia correr ou chamaria atenção de monstros pelo caminho. Era uma pena porque ele adorava correr.

Ele viu o escorrego alto, os balanços de corda, o gira-gira colorido. Havia diversas crianças gritando, sorrindo e diversas mães conversando nos bancos.

Akin se aproximou e percebeu alguns monstros naquele lugar de diversão. Os olhos grandes, acompanhando cada passo seu, a pele branca. As bocas se abriam para proferir injúrias. Tinha que ignorá-los. Ele só estava preocupado em encontrar sua amiga.

— Akin!

— Emily!

A menina sorria correndo em sua direção. Os cabelos loiros voavam com o vento, os olhos azuis pareciam brilhar. Quando lhe abraçou, alguns monstros se aproximaram.

— Vamos brincar de castelo de areia!

Os grandes olhos pareciam lhe amaldiçoar. Akin teve medo, talvez devesse voltar para casa. Quando Emily segurou sua mão, sentiu-se calmo por um momento.

— Olha, eu tenho esse balde e duas pazinhas. — Emily sentou no chão — Vamos fazer um castelo bem grande e bem bonito!

Akin olhou ao redor. Os monstros pararam. Alguns se afastaram, saíram do parque. Muitos ainda observavam, porém distantes. Decidiu ficar.

O sol batia levemente em alguns brinquedos. O vento vez ou outra ficava furioso de repente. As duas crianças brincavam sozinhas, ninguém ousava se aproximar. Com cuidado, eles colocavam a areia seca no balde. Emily parava para segurar o vestido, apesar de longo, quando o vento ficava forte. Akin tomava cuidado para não se sujar demais.

— Agora vamos virar.

Akin pegou o balde e o virou rapidamente no chão. Surpreendeu-se quando Emily tocou levemente sua mão para bater no fundo do balde.

— Juntos!

Os dois seguraram o balde e puxaram para cima. Sem pensar. Com esperança. Porém um castelo não havia se formado. Toda a areia caiu, se desmanchando.

— Vamos tentar de novo!

As horas passaram rapidamente. Akin até esqueceu dos monstros ao seu redor enquanto se divertia com sua amiga. Sua única amiga.

Em pouco tempo o parque esvaziava e o dia ameaçava escurecer.

— Eu tenho que ir, Emily. Não posso andar à noite.

— Por favor, eu quero brincar mais com você.

— É perigoso. Temos que voltar para casa.

Uma expressão triste se formou no rosto da garota.

— Eu queria aproveitar bastante hoje porque... porque é a última vez que vamos brincar juntos.

— Como assim?

— Meu pai disse que eu não posso brincar com você.

— Por quê?

— Eu não entendi muito bem o que ele disse... — ela levantou a saia do vestido, mostrando marcas de cinto em suas canelas — Mas ele me bateu muito.

Akin sentiu um aperto no peito. Queria abraçá-la, mas tinha medo.

— Desculpa.

— Não é culpa sua! Eu só... queria ficar mais um pouquinho com você. Você é o meu melhor amigo! Pelo menos até hoje.

E assim Akin cometeu um erro: decidiu ficar.

Os dois brincaram e conversaram até a lua aparecer. Só decidiram ir embora por causa da fome.

— Eu vou te levar para casa. Meninas são devem andar sozinhas.

Emily sorriu e os dois caminharam juntos. Havia poucas pessoas nas ruas escuras.

De repente, Akin viu um grupo se aproximando. Pareciam pessoas normais, mas a medida que se aproximavam emanavam uma presença ameaçadora. O menino sentiu uma fraqueza nas pernas e começou a suar frio.

— Emily. — ele segurou a mão dela.

— O que foi?

O grupo passou, olhando-os, lembravam monstros, porém não fizeram nada.

— Você não está com medo?

— Na verdade, estou com um pouco de medo sim. Papai e mamãe sempre me dizem que meninas não podem andar por aí à noite.

Eles continuam andando de mãos dadas, conversando para se distrair. Às vezes uma pessoa ou outra passava, às vezes eram monstros.

— Eu posso ficar por aqui.

— Não, eu vou te levar até a sua casa.

Estavam em uma esquina deserta.

— Se meu pai te ver, acho que ele me mata. — ela riu — Não tá longe de casa... Você vai ficar bem?

— Eu acho que sim.

Emily o abraçou.

— Tchau, Akin.

— Tchau...

O menino se sentia triste por não poder mais brincar com sua única amiga. Ele caminhava cabisbaixo, pensando em quantas vezes brincaram juntos. Não foram muitas.

Ouviu passos.

Akin tentou olhar discretamente para trás. Havia um grupo de monstros se aproximando.

Ele não podia correr. Se corresse era pior.

Akin andou um pouco mais rápido e ouviu os passos acelerarem.

— Ei, pretinho!

Foi então que ele começou a correr. Aqueles monstros lhe observavam diariamente em todo lugar que ele fosse. Sua mãe lhe ensinou a viver com cautela para não ser pego.

Akin correu o mais rápido que pôde, mas os monstros tinham pernas mais longas. Logo o alcançaram.

No parque, uma mãe desesperada pedia para que os Orixás protegessem seu filho. Ela só o encontrou horas depois, mas ele havia sido pego por pessoas que odiavam sua pele.

Olá, voltei!

Dessa vez tentei criar um conto de terror com uma reviravolta no final hehe o que vcs acharam?

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