Capítulo 13: Um coração aflito
Como o ordenado, Carolina levou os agricultores para fora da trilha, ajudou os que tinham mais dificuldades para se locomover e deixou algumas carruagens para trás, pois iam atrasa-los e todo esforço dos rapazes seria em vão.
Sebastião: Eu vou falir!
Jéssica: Antes falido que morto.- disse a senhora Jéssica, cabelos um pouco grisalhos, olhos pretos , pele clara tendo 59 anos de idade.
Sebastião: Você não ta nem ai, já está com o pé na cova mesmo!
Jéssica: Eu ainda sou jovem!
Sebastião: Você só é um ano mais nova que eu, não se iluda não velha!
Jéssica: Não me chame de velha, fóssil!
Carolina:(Se isso for amor não sei o que é ódio...)
Sebastião: É bom você ter um segundo plano pro seu filho, moça.
Carolina : O quê?- assustada.
Jéssica: Fecha essa boca.
Sebastião: Só estou sendo realista, são dois sem noção contra um grupo de homicidas e ladrões!
A mulher engoliu em seco, o medo veio ao seu coração.
Carolina:(Será possível? )- encarando a montanha. -(Por que se arriscar por pouca coisa...?)- se perguntou com os olhos lacrimejando.
Jéssica: Olha o que você fez seu bobão, fez ela chorar!
Sebastião: Não enche.
Jéssica: Vamos, querida, não chore, lembre-se do bebê, não pode passar nervosismo.
Mas seu coração se dilacera quando escutou um desabamento no local seguido de uma grande poeira de terra.
Carolina:(Capitão!)
•••
Carolina:(Capitão... você não pode morrer...)- angustiada se colocou de joelhos aos prantos. -( O que vou fazer? Como vou encarar o Nicolas?)
Jéssica: Jovens valentes, fizeram de tudo para que pudéssemos viver.
Ela olhou para a senhora por um momento. Mas voltou seu olhar para o chão, e num suspiro escutou várias tosses , se virou para ver quem era , e da fumaça tinha duas silhuetas.
Carolina:(Será os bandidos?)- se levantando. Quando o vento bate e a fumaça dissipa, ela vê claramente as duas pessoas.- (Capitão! Lucas!)
Ela corre até o capitão não dando tempo dele raciocinar o que tinha acontecido, mas não a afastou, tocou levemente seu ombro.
Alessandro: Você está bem?
Ela se afasta , se recompõe.
Carolina: Sim...
Alessandro: Não precisa se preocupar, sabe que sou forte.
Carolina: Quer morrer? Quem disse que podia fazer isso? Você esqueceu que tem um filho? E eu? Quase virei viúva!- irritada com os olhos cheios d'água.
Lucas riu levemente da preocupação da mulher, sabendo que Alessandro estava um tanto encrencado.
O homem apenas a abraça para consolar seu pobre coração frágil.
Alessandro: Também te amo.- se afastando.
Carolina: Vocês estão bem? Se machucaram?- perguntou ao se afastar.
Lucas: Um pouco arranhado mas bem.
Alessandro: Digo o mesmo.
Respirou aliviada, olhou para trás não acreditando na falta de noção dos bandidos sobre o ambiente, onde poderiam ter morrido todos.
Lucas: Vamos continuar. Temos um caminho longo até o destino dos dois.
Concordando o seguiram. Enquanto andavam , a mulher se perdia em seus pensamentos.
Carolina:(Tudo começou no Canadá porque queriam um acordo de paz pelo desejo da princesa da Noruega...)- tristemente.-(Mas ao sermos enganadas, fomos presas por Darian e torturadas, e infelizmente devido a sua frágil da princesa... ela faleceu e jogaram seu corpo no mar... onde depois foi encontrado...)
Seus olhos vão para uma borboleta vermelha.
Carolina:(Meu disfarce foi descoberto porque salvei a vida do Capitão Alessandro, e agora estamos indo para Noruega através das terras do Reino Unido...)
Alessandro: O que foi?- perguntou, saiu dos pensamentos e o olhou, ele porém continuava a olhar para frente.
Carolina: Sabe... me perguntei o que teria acontecido se tivesse sido eu e não a princesa...
Alessandro: Isso ainda te incomoda?
Carolina: Não consigo me perdoar.
Nada respondeu.
Carolina: Eu não entendo quem mandou aquela carta , não acredito que teve alguém que nos vendeu.
Alessandro: A vida não é um conto de fadas. Existe maldade em todo canto.
Carolina: Eu sei... - se lembrando da marca 67 em suas costas e da cicatriz da bala também.- Eu tenho medo também do povo do reino... tantas mentiras foram contadas sobre mim... Alessandro... e se realmente for em vão...?
Alessandro: Você não confia no príncipe?
Após ver o homem quase morrer, a culpa veio ao seu coração, se misturando com a dor da perda da princesa.
Alessandro: Por que está fazendo essas perguntas agora?
Carolina: Você quase morreu... de novo...
Claro que o capitão já passou por situações mais difíceis e desafiadores na terra e em alto mar, mas isso nunca o impediu de se aventurar mais um pouco.
O homem para de andar e o mesmo ela faz.
Alessandro: É peculiar sua ação também.
Logo seus olhos se encontraram com os dela.
Alessandro: Uma guarda costas do rei se preocupando com a vida de um pirata.
Carolina: Eu o conheço, capitão, embora não o bastante. É que não entendo também... você nos odeia com todas as suas forças, não entendo o motivo-
Alessandro: Você não é uma realeza, é uma mulher forte e corajosa, que se daria bem com a gente.
Carolina: Uma pirata?
Alessandro: Por que não?
Carolina: Somos de mundos diferentes, capitão, mas espero que nós dois possamos ter uma vida longa e feliz.
E assim voltaram a andar.
•••
Lucas: Vamos ter que acampar na mata.
Carolina:(Não sei se vou conseguir sobreviver a mais uma noite...)- nem um pouco empolgada.
Alessandro: Talvez haja um vilarejo por aqui.
Lucas: O vilarejo mais próximo fica a quinhentos quilômetros de distância.
Carolina: Meus pés não aguentam mais andar.
Alessandro: Então vamos acampar.
Os homens preparam a lenha para o fogo, quanto as mulheres estavam preparando uma refeição.
Lucas: Que tal uma música?- pegando uma flauta, começou a tocar.
Alguns casais idosos começaram a dançar, risadas , conversas, era como se o ataque dos ladrões tivesse sido só um pesadelo.
Carolina: Isso deve te lembrar a sua tripulação.- se sentando ao lado dele.
Alessandro: Um pouco.
Carolina: Sente falta deles?
Alessandro: Sim, apesar de serem difíceis e teimosos , são a minha família.
Carolina : Tai uma confissão inesperada.- rindo um pouco.
Alessandro: Eles sabem que amo eles do meu jeito.
Carolina: E de forma romântica?
Alessandro: Meus olhos sempre estiveram voltados para o mar. Bom, quase sempre, só teve uma mulher que acabei sendo enfeitiçado.
Carolina: Uma sereia?
Alessandro: Eu não estaria vivo se tivesse sido pego por uma. Nem teria história para contar.- rindo de uma forma ingênua. - Talvez um dia eu te conte mais. Teremos tempo para partilharmos nossas histórias.
Carolina: Não se engane, não tenho muita coisa para partilhar, o senhor já sabe de tudo.
Alessandro: "Senhor"? Me chamando assim parece que sou idoso!- fingindo estar ofendido. O homem vê alguns homens apostando em bebidas e resolve ir.
Carolina: Alessandro, você pode beber mas eu não?
Ele a olha lembrando da última vez que ela bebeu.
Alessandro: Você mesma se proibiu.
Carolina: Quê?
Ele se aproxima dela e toca sua barriga.
Alessandro: Já que tem um filho meu não pode beber!
Ela fez uma careta se sentindo derrotada. Não podia fazer mais nada e só se sentou ao redor da fogueira.
Continua...
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