friends.
A ideia foi péssima. A Amy de 4 drinks é uma pervertida, não posso ficar perto do meu ex que claramente ainda tenho sentimentos. Me pergunto se ele percebeu o quanto eu gostei de dançar com ele. Me levantei.
- Preciso ir embora.
Jake ergueu as sobrancelhas surpreso.
- Por quê? Você está bem? - sua voz embriagada com preocupação.
Às vezes esqueço que ele é um cara legal, não como Teddy era, o tipo que é gentil e se aproxima da sua família, mas no final das contas é tudo fingimento. Jake realmente se importa.
- Estou - me arrependi assim que falei. Não consigo raciocinar com tequila no corpo. Já consigo sentir os pensamentos maléficos quererem me dominar. - Esqueci o presente de Gina em casa.
Levantei a mão para me bater, no meio do caminho optei por me xingar mentalmente.
- Tenho certeza que Gina entenderá afinal você já organizou essa festa incrível e... - ele parou no meio da frase. - Pensando bem, é melhor você ir. Estamos falando de Gina, não de uma pessoa compreensível.
Eu ri.
- Você quer uma carona? Não posso te dar uma, mas... - ele ergueu o celular enquanto falava consigo. - Posso chamar um uber.
Ele é um fofo.
Meu olhar desceu para as suas pernas, essa roupa está marcando seu corpo nos lugares certos. Pisquei tentando afastar a malícia de mim.
- Estou bem. Até mais.
Sai em disparada até a saída, não olhei para a decoração a procura de detalhes que me incomodem, apenas continuei andando até uma mão tocar no meu ombro.
- Você esqueceu sua bolsa.
A imagem de Jake com as mãos nos joelhos para recuperar o fôlego me pareceu extremamente atraente. Eu me aproximei, tirei minha bolsa de suas mãos e a joguei no chão. Ele endiretou a postura e me encarou. Eu imagino os meus olhos como uma tela a qual passa imagens variadas, nesse momento ela passa uma lembrança, nós dois nos beijando, ele entende, olha para minha boca. Nós conversamos sem trocar uma sílaba sequer.
Ele me puxa pela cintura, eu o seguro pela nuca. Era como se fogos de artifício saíssem de nós quando nossos lábios se tocam. Sua língua explora minha boca. Nosso beijo é lento, quente e cheio de coisas não ditas, como saudade e reconhecimento. Mesmo depois de tanto tempo, minha boca ainda conhece a sua e nos comunicamos sem dificuldade.
Ele aperta minha cintura, arfo. Ele sabe que aquele gesto me enlouquece, por isso o faz. Eu o puxo pelo pescoço, trazendo-o mais para perto, como se houvesse muito espaço entre nós, como se qualquer centímetro de distância me incomodasse. E me incomoda, passei tempo demais longe dele e não quero que isso se repita. Nosso término nos destruiu mas isso não quer dizer que vai acontecer de novo. Sinto o efeito do álcool passar, a Amy pervertida se foi faz tempo e agora só me resta a Amy quase sóbria.
Perco o fôlego e me afasto. Ao me distanciar percebo o que acabei de fazer, Jake me olha surpreso, mas não arrependido. Nós nos beijamos, nós realmente nos beijamos. Quero pedir desculpas, dizer que sua amizade importa muito mais do que um coração partido. Essas semanas me mostraram que preciso dele na minha vida, seja como amigo ou o que for, sua presença me faz bem. Também notei que não consigo ser sua amiga sem fantasiar sobre o desenvolvimento de uma relação amorosa no futuro.
Eu suspiro. Jake me olha. Não quero conversar, mas me sinto obrigada.
- Desculpa.
Ele pisca surpreso.
- Você é muito importante para mim, eu não quero estragar nossa amizade.
E está aí, a segunda palavra que mais evitei perdendo apenas para "amigo". Seus olhos entristecem e ele encara a minha bolsa no chão.
- Sou eu quem deve pedir desculpas. Eu te beijei.
- Eu queria. Eu continuei o beijo, não me afastei - me senti frustrada. - Eu não devia ter bebido 4 drinks.
Ele me olhou confuso, mas logo entendeu. Essa interação rápida me fez engolir a seco, por isso ele deve permanecer na minha vida, ele me entende sem eu dizer nada.
- Vou para casa. - falei após uma longa pausa.
- Não, você fica, eu vou.
- Jake...
- Não é justo, Amy - meu corpo estremeceu, ansiei um discurso sobre seus sentimentos. - Você organizou essa festa, não pode ir embora.
Eu assenti. Me decepcionei com as minhas expectativas, Jake não gosta de mim, terminamos a anos. Só foi um beijo, nada mais.
- Não, fica - ele me olhou, meu corpo arrepiou. - Só foi um escorregão, nós somos amigos, não?
Ele assentiu ressentido.
- Amigos. - repetiu.
Eu forcei um sorriso.
- Vamos?
Ele estendeu o braço. Assenti e peguei seu braço.
- Vamos.
Pelo menos ele vai continuar na minha vida. Não vou precisar me despedir da nossa comunicação silenciosa tão cedo.
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