dos oruguitas enamoradas
•pov jake•
Eu subi no carrinho e pedi para Amy me empurrar. Ela pediu para eu descer, eu a chamei de chata, ela revirou os olhos e me empurrou pela ilha de doces. Algumas pessoas encararam, mas eu não me importei. Me sentia feliz perto dela e queria que ela se soltasse mais, como fazia antes.
- Trouxe lista de compras?
Ela negou envergonhada.
- Eu esqueci.
- Ora, ora, ora. Amy Santiago fazendo compras sem uma lista? É o fim dos tempos.
- Cala a boca, Jake.
Ela ria de mim. Eu amo a sua risada. Tenho vontade de gravar só para ouvir todos os dias, o tempo todo.
Eu pareço um stalker.
- O que está se passando nessa cabecinha?
Ela tocou minha testa, seu toque fez meu corpo estremecer. Sua mão estava quente e suada devido a temperatura do supermercado. Mesmo depois de anos, o toque dela me fazia esquecer o mundo e só focar nela.
"Você", quis responder, "não tem um dia que eu não pensei em você".
Mas ao invés disso, eu sorri de canto e respondi:
- Pensando em como você esqueceu sua lista de compras.
Ela corou.
- Estava com pressa.
- Porque o mercado iria sair correndo. - zombei.
Ela bufou.
- Ok detetive sabe tudo, você me pegou. Eu não estava indo fazer compras. - o rubor aumentou em suas bochechas. - Estava indo te ver.
Agora foi minha vez de corar.
- Me ver? - repeti. - Por quê?
Ela colocou uma mecha do cabelo para trás.
- Senti saudades do meu amigo.
Amigo. A palavra saiu de sua boca como uma faca afiada, tentei desviar, mas fui atingido em cheio. Amigo, é tudo o que sou para ela, um ex namorado que se tornou um amigo. Um nó formou na minha garganta, mas mesmo assim eu sorri, como sempre faço.
- Também senti saudades suas, por isso fui te ver. - ela me olhou, o rubor em minhas bochechas voltou. - Amiga.
Ela sorriu e voltou a olhar para as prateleiras. Voltei à realidade, nós ainda estávamos no supermercado, eu ainda estava dentro do carrinho com ela me empurrando. Empurrando um amigo.
- Você quer ficar em casa? - perguntou, seu olhar pousava nas prateleiras a sua frente.
- Hm. Claro.
- Preciso comprar besteira.
- Eu não como besteira.
- Jake. - seu tom era de um sermão, mas seus olhos estavam brincalhões.
- Ok, ok. - levantei os braços indefeso. - Talvez eu coma besteiras de vez em quando.
- De vez em quando?
- É.
- Tem certeza?
Ela me encarava, seus olhos fixos nos meus, como se fosse capaz de ler meus pensamentos. Eu pisquei, não posso deixá-la entrar em minha mente. Eu assenti atordoado. Amy encheu o carrinho de bolachas, salgadinhos e sorvetes de sabores variados.
- Podemos pegar balizes? - me senti uma criança pedindo comida pra mãe. Na realidade, não estou tão distante disso.
-Eu tenho em casa.
- Qual é Amy, eu quero as batatas com rosto, as que sorriem, não as tristes sem rostos.
- Eu sei. - disse. - Tenho em casa.
Me lembrei da churrascaria quando apresentei as batatas à Amy e um sorriso estampou meu rosto.
- Não sabia que tinha gostado tanto.
- Do quê? - disse colocando frutas no meu colo.
- Das balizes.
Ela corou.
- Ah sim, elas são ótimas.
Ótimas. Sorri novamente. Amo ver relances da Amy antiga, a Amy capaz de se divertir. Antes de chegarmos ao caixa, eu sai do carrinho, a fim de ajudá-la a tirar as compras e não passar (mais) vergonha comigo. Ela pareceu neutra com a minha decisão, como não se importasse de me empurrar pelo mercado inteiro.
- Obrigada. - diz irrompendo o silêncio. - Por fazer compras comigo.
Eu sorri.
- Foi divertido.
- Você odeia fazer compras, está tudo bem? - disse checando minha temperatura corpórea. Seu toque me trouxe arrepio. Segunda vez que ela me toca hoje.
- Você conseguiu deixar compras divertidas pra mim. - nossos olhos se encontraram, tive um momento com Amy Santiago. Engoli a seco e inventei uma desculpa. - Quem não se divertiria com alguém comprando o mercado pra eles?
Ela riu e entrou no carro. Respirei fundo e fiz o mesmo. Eu a encarei o caminho todo. Gosto de observar seus detalhes e de tentar memorizá-los, mesmo que a minha memória de peixe dourado me impossibilite. Ela franziu a sobrancelha quando paramos no sinal, deu vermelho pouco antes de nós. Sua boca formou uma linha, estava tensa. Queria tirar uma foto dela para me lembrar de como fica brava no trânsito. O sinal abriu e voltamos a andar. As ruas próximas a sua casa estavam vazias, por isso chegamos rapidamente.
Eu a ajudei descer as mercadorias. Lavei as mãos e fui para a cozinha em sua procura. Amy colocava as balizes na air fryer.
- O que quer beber? Enquanto a orangina gela.
- Não estou com sede.
- Nem água? - me olhou provocativa. Eu torci o nariz.
- Não quero esse líquido asquerozo.
Ela riu.
- Quem vai ficar com pedras no rim é você, não eu.
Dei de ombros e sentei na bancada.
- Quer ver um filme?
Ela assentiu.
- Você sabe as regras. - falei na esperança que ela se lembrasse, afinal, ela tem uma biblioteca no lugar do cérebro. - Quem escolhe o filme é quem deu a ideia.
- Eu infelizmente me lembro.
Eu sorri.
- Vamos ver Encanto.
- Ouvi falar muito bem dele.
Sentamos no sofá. Sua perna encostou na minha por um milésimo de segundo, meu corpo arrepiou por completo. Eu não consigo prestar atenção na televisão, somente em Amy dançando e rindo ao meu lado. Vê-la sorrir, me faz bem. O filme assume um tom mais triste, ela começa a chorar com algumas músicas em especial "Que Mais Vou Fazer". Ver suas lágrimas me parte o coração, pois sei que ela já chorou por mim.
Toco em sua mão, ela não se afasta, apenas me olha. Seus olhos refletem a luz da televisão, repletos de lágrimas. Não consigo me afastar, mas também não consigo me aproximar. As palavras não saem de mim. A cena muda, uma borboleta dourada aparece e uma música em espanhol começa. Amy encara a televisão. Ela está envolvida com o filme. Meu deus Jake! É um filme sobre cultura latina, é claro que ela quer prestar atenção nele, não em você.
Nem tudo é sobre você, Peralta.
Eu a olhei novamente. Ela não piscava, estava ocupada vislumbrando a animação. Voltou a dançar, seus olhos estavam alegres, ela levantou. Eu ri com ela. Queria tirar uma foto para sempre me lembrar dela assim, feliz. Ela esticou o braço para mim.
- Não, eu não danço.
- Nem eu.
Eu peguei em sua mão. Eu não sabia quem era pior, ela ou eu. Me lembrei de Amy dançando em uma missão comigo, ela pisou centenas de vezes no meu pé. Mas não me importei, estava muito hipnotizado com sua beleza. Ela parecia uma sereia com aquele vestido.
Autora: acabei de reassistir Encanto e precisei de peraltiago vendo tbm.
Obrigada pelas 300 leituras <3
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