dear ex, f u

•pov jake•

Limpei o suor das minhas mãos na minha calça jeans. Meus nervos estão a flor da pele, sinto meu coração acelerado no peito. Vou voltar a trabalhar na 99, onde trabalhei por 6 anos. A única coisa que me impedia de parar o elevador era a cantoria de Boyle, ele estava animado por voltar a Nova Iorque. Charles é o melhor amigo que se pode ter, ele simplesmente convenceu a esposa e o filho a mudarem para outra cidade, por minha causa.

- Como está se sentindo?

Engoli a seco.

- Bem.

Por sorte a porta abriu. Dei uma olhada geral, o local parecia o mesmo, um detalhe ou outro de diferença. Parei em frente ao escritório, meus braços pesados demais para levantarem e baterem na porta.

- Capitão, seu horário das 8 chegou. - disse Gina, eu nem havia reparado que ela estava em sua mesa.

Holt abriu a porta, nós entramos. Ele indicou as cadeiras para sentarmos.

- Fico feliz que tenham voltado.

- Eu que agradeço pai... Capitão! - apressei em me corrigir. - Estou muito satisfeito com a minha promoção.

- Jake, por que você tá falando assim? - perguntou meu melhor amigo.

- Eu tô falando estranho?

Boyle assentiu.

- Que promoção? - perguntou Holt nos ignorando.

- Eu vou ganhar 20 dólares a mais por hora.

- Isso é um aumento.

- Aí é que você está enganado, eu fui promovido. - falei.

- Você só recebeu um aumento salarial.

- Não, eu fui promovido.

- Ele foi promovido. - concordou Boyle.

Holt deu de ombros.

- Como deseja. Eu assumo que o detetive Boyle o seguiu, estou correto?

Boyle assentiu. Holt nos entregou nossas armas e nossos distintivos.

- Bem-vindos a 99.

- Obrigado pai.

Eu fui atrás de sua mesa e o abracei.

- Eu senti tanta saudade.

Charles nos abraçou.

- Ah Boyle.

Nós nos soltamos. Charles e eu seguimos para nossas antigas mesas. Sentei em frente a Amy, ela me olhou confusa.

- Você não está em LA?

Eu neguei.

- Me mudei para cá.

- Eu fui ao banheiro por dois minutos e você se mudou para NY?

- Só dois minutos? Quem está querendo enganar, Santiago?

Ela socou meu braço.

- Eu não acredito!

Amy me abraçou, depois me socou de novo. Sentei na cadeira ao lado da sua mesa.

- Por que não me contou?

"Faz tempo que não nos falamos, depois do beijo tudo ficou estranho entre nós e eu não sabia como te contar essa novidade". Mas eu não disse isso.

- Eu não sabia como.

Decidi resumir tudo o que eu queria dizer, acho que ela entendeu, pois abaixou os olhos.

- Estou feliz que vá morar aqui.

Eu sorri e sentei na minha mesa, não havia nenhuma placa indicando o dono, então escrevi meu nome num pedaço de folha sulfite.

- Sentiu falta do seu vizinho da frente?

- Eu não senti falta das suas formigas.

- Relaxa Amy, elas vão voltar. Muito em breve.

Ela fez uma careta.

O dia passou voando. Eu e os meus antigos-novos colegas de trabalhos fomos celebrar no Shaw's.

- Ao Jake e Charles. - disse Amy levantando o copo.

- Ao Jake e Charles. - repetiram.

Erguemos nossas bebidas e brindamos.

- Como foi sua volta a 99? - perguntou Gina.

- Eu estou investigando um suposto serial killer.

- O mascarado? - perguntou Amy.

Eu assenti.

- Espera, eu dei esse caso pra Rosa.

- Ela me deu.

Rosa discordou.

- Ok, ela me vendeu por 200 dólares.

Eles gruniram em desaprovação.

- Eu paguei pouco, eu sei...

- Jake, você pagou muito.

- Não, ela não me esforcaria.

- É extorquiria - corrigiu Amy.

- Foi o que eu fiz. - disse Rosa dando um gole na sua bebida.

- NÃOO. - gritei dramaticamente olhando pro teto. Charles se juntou ao meu grito.

Gina sussurou algo no ouvido da namorada, Rosa levantou abruptamente.

- Foi divertido te extorquir, mas agora preciso ir pra casa.

- Vocês vão fazer amor?

- Não te interessa, Boyle.

- Isso é um sim. - disse Charles convencido.

O casal saiu. Holt e Terry também foram embora, algo envolvendo vida de casado e blá blá blá.

- Você foi roubado pela Rosa.

- Qualquer um seria Amy, ela é uma gênia do crime.

Ela riu.

- Com certeza. - disse ironicamente.

Charles colocou três cervejas na mesa e sentou-se ao meu lado.

- Do que estamos falando?

- Rosa...

- Sabe o que poderíamos discutir? - falou me interrompendo. - Ex namorados.

Eu me ajeitei na cadeira, sabia exatamente o que ele estava fazendo.

- Amy, você começa.

- Hm, ok...

- Olha a hora - disse olhando no celular. - Preciso voltar para casa, Genevive e Nikolaj não dormem sem a nossa conchinha de três. Vejo vocês depois.

Fiz uma careta. Ele se afastou. Eu vou matá-lo.

- Então...

- Então...

- Continuem o assunto. - Charles voltou e logo foi embora.

Eu realmente vou matá-lo.

- Boyle. - falei brincando.

- Com certeza.

Um silêncio estranho se instaurou entre nós.

- Você sabe sobre o ser mais chato do planeta, nada mais justo do que me contar sobre seus ex.

- Uau, Teddy era tudo isso?

Ela assentiu.

- Você não faz ideia.

- Eu acho que consigo te superar.

- Não é uma competição, Jake.

- Eu já namorei um bombeiro.

Ela fez cara de nojo.

- Viu? Superei.

- Um bombeiro? Você beijou um bombeiro?

- Mais do que isso.

Sua careta se intensificou, eu gargalhei.

- Juan era uma ótima pessoa.

- Tirando o fato dele ser bombeiro.

- Tirando o fato dele ser bombeiro. - repeti.

- Eu não sei como vou te olhar depois disso.

- Me conta do seu pior ex. Para ficarmos quites.

- Já contei.

- Teddy pode ser chato, mas deve ter pior.

Ela pensou.

- É, tem pior.

Eu apoiei meu rosto nas mãos e a encarei. Ela riu.

- Antônio era muito controlador, ele sempre pedia minha comida, organizava minhas pastas fora de ordem alfabética e...

- Você não tem um ex pior do que o Teddy.

Ela suspirou.

- Não mesmo.

- Pelo menos ele não era um advogado.

- Não me diga que...

- Namorei uma advogada, Sofia era divertida, só tinha um defeito...

- Ela era uma advogada.

- Ela era uma advogada!

Amy riu. Passamos o resto da noite contando histórias com nossos ex, até o bar fechar e sermos obrigados a ir embora.



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