ᴠᴏᴄê ɢᴏsᴛᴀ ᴅᴏ ǫᴜᴀʀᴛᴏ ᴠᴇʀᴍᴇʟʜᴏ?

Christopher era um jovem australiano-coreano, com olhos castanhos e cabelo loiro e encaracolado, que havia se mudado para o Japão com seus pais há quatro anos. Não via seus antigos amigos da Austrália pessoalmente, pois agora tinha novos amigos, uma nova escola e uma nova vida em um novo país.

Às vezes ele ligava para seus amigos que moravam na Austrália, porém não era a mesma coisa, faltava algo.

Na sua nova escola, ele conseguiu passar quase que despercebido nos três primeiros anos, mesmo que no primeiro ano no país tenha chamado um pouco de atenção por ser estrangeiro, mas nesse ano ele virou o Representante de Turma, no início foi um pouco difícil se acostumar com isso, sentia que poderia fazer seu trabalho melhor, mas seus colegas o achavam bom como um representante.

Entre todos os seus colegas, tinha alguém que o Bang dava mais atenção do que todos os outros, Nishimura Riki ou como todos o conheciam, Niki. O garoto sofria bullying pelos estudantes mais velhos por causa de sua orientação sexual, ele morava com sua irmã mais velha desde a morte dos seus pais, mas sua irmã havia sofrido um acidente recente, o que fez com que ela tivesse que ficar no hospital, assim, Riki ficava sozinho em casa, recebendo visitas de alguns vizinhos ou amigos próximos de sua irmã às vezes, que se preocupava com o bem-estar do jovem.

Riki amava dançar, porém ele parou depois dos comentários horríveis que os estudantes faziam, evitando ter mais motivos para que os eles continuassem o perseguindo.

Christopher sempre tentava se aproximar mais do Nishimura, pois assim talvez conseguisse virar seu amigo, conseguisse o ajudar e não o deixar sozinho, como normalmente ficava. Porém, o garoto sempre o afastava, sem dar brecha alguma, talvez ele só tivesse medo daquilo ser mais uma das pegadinhas ridículas que os veteranos faziam, mas o Bang continuava sendo gentil com Riki.

Um dia, Nishimura simplesmente parou de ir à escola, no primeiro dia acharam normal, quem nunca faltou um dia?

Mas no dia seguinte não veio, nem depois, até que estava perto do fim da semana, sem ter nenhuma novidade dele. Todos começaram a se preocupar, ou especular sobre o porquê dele faltar tantos dias seguidos.

Até mesmo a professora ficou preocupada com o garoto, todos se perguntavam se alguma coisa poderia ter acontecido com ele.

— Alguém pode levar os deveres para o Nishimura? — a professora perguntou a sala.

Todos ficaram em silêncio, ninguém era próximo de Riki. Em alguns momentos sem ninguém se oferecer, Christopher levantou seu braço, mostrando que ele iria.

— Obrigada, Christopher.

Após a aula, o Bang saiu e foi direto para o condomínio dos Nishimura, ele recebeu o endereço na vez em que fez um trabalho em dupla com Riki. Não era muito longe da escola, então chegou em menos de sete minutos.

Quando chegou na frente da porta, ele bateu, mas não obteve resposta, bateu diversas vezes, mas continuou sem resultado nenhum.

Então a preocupação começou a invadir o interior de Christopher, sem pensar muito, ele desceu as escadas rapidamente, chegando até o porteiro do condomínio.

— Senhor, desculpa incomodar, mas meu amigo, que mora no apartamento 49, saiu mais cedo?

— O garoto Nishimura? Ele não saí de lá e nem recebe visitas faz quase uma semana.

— Ele não respondeu quando eu o chamei e não tenho o número dele, eu acho que pode ter acontecido alguma coisa.

O porteiro aceitou ir com Christopher ver se estava acontecendo alguma coisa com Riki, antes de usar a chave mestra, ele bateu várias vezes na porta, assim como antes, não ouviram nenhuma resposta, nenhum ruído sequer.

Quando abriram a porta, a parte interna do apartamento parecia mau-cuidada, tinha algumas teias de aranhas se formando em alguns cantos e todas as superfícies estavam com camadas de poeira, como se o apartamento não estivesse sendo limpo. Mas o que mais chamou a atenção dos dois, foi o quarto de Riki.

Parecia sair uma luz vermelha através das frestas do quarto, ao chegarem perto, sentiram um forte cheiro metálico vindo de dentro do cômodo.

— Niki, você está aí? — o Bang bateu na porta chamando pelo colega.

Sem ter nenhuma resposta novamente, ele tentou abriu a porta, que estava aberta. Quando entrou, Christopher viu a cena que mais o pertubaria durante toda a sua vida.

Assim que abriu a porta, percebeu de onde vinha o cheiro metálico. As quatro paredes do quarto estavam encharcadas de sangue já seco, com marcas de mãos espalhadas pelas paredes. A única fonte de luz do lugar era a tela do computador do Nishimura, que iluminava um corpo jogado no chão com a luz avermelhada.

O corpo de Niki estava com todos os quatro membros quebrados e com os ossos visíveis, suas órbitas estavam vazias, somente dois buracos fundos onde antes tinham seus olhos.

Christopher sentiu suas pernas oscilarem, fazendo com que caísse de joelhos no chão sujo, observando o corpo do seu colega jogado no meio do quarto. A cabeça dele ardeu, junto com seus olhos, lágrimas de medo e tristeza desceram pelo seu rosto sem parar, seu estômago parecia estar sendo revirado e sentia que iria vomitar a qualquer momento.

A polícia foi chamada pelo porteiro, que estava tão assustado quanto o Bang, chegando a um ponto que não conseguia falar uma única frase. O apartamento foi interditado, para investigação.

Mesmo depois de muito tempo de investigação, não conseguiram chegar ao fim, no estado em que o corpo de Niki foi encontrado, era impossível ter sido um suicídio, mas não havia sinais de luta, as câmeras do prédio não registraram a entrada de outra pessoa no apartamento, um completo mistério. Mas no final, foi arquivado e espalhado que havia sido suicídio.

Na escola, o "suicídio" de Nishimura Riki foi o assunto mais falado entre os estudantes, se perguntavam se suas "brincadeiras" haviam ido longe demais, se foi por isso que ele chegou a esse extremo, ou se foi por causa do acidente de sua irmã. Mas haviam alunos que chegavam a um extremo, dizendo que aquilo foi causado por algo sobrenatural, já que havia sido uma morte tão misteriosa, até mesmo para a polícia.

Christopher não conseguia acreditar em tudo aquilo que diziam, ele sabia que no Japão haviam diversas lendas urbanas, cada uma mais assustadora, misteriosa e maluca que a outra, mas não acreditava em nenhuma delas, até ouvir uma conversa de dois colegas da sua sala.

— O porteiro do condomínio do Niki disse que o quarto estava coberto de sangue e a única luz do lugar era a tela do computador! Isso não lembra aquela lenda?

— Deixa de ser idiota, eu sabia que você acreditava nessas coisas, mas não a esse nível.

— Mas realmente parece!

— De qual lenda vocês estão falando? — Christopher perguntou.

— Você não sabe? É meio óbvio... Ah, esqueci que você não é daqui... Mas estamos falando do Quarto Vermelho!

— Quarto Vermelho? Qual é essa lenda?

— Não sabemos muito, só o básico, acho que ninguém sabe muito sobre essa lenda...

Christopher tentou conseguir mais detalhes dos dois, mas não conseguiu, se recusavam a falar e diziam que não sabiam muito sobre a lenda. Ele tentou com seus outros colegas, mas todos diziam a mesma coisa, que não sabiam muito sobre ou sequer conheciam.

Então, quando chegou em casa, a primeira coisa que fez foi entrar no seu quarto, passando direto pelos seus pais que estavam sentados no sofá.

Ele ligou seu computador e rapidamente pesquisou pelo "Quarto Vermelho", não encontrando muita coisa, mas ele não iria desistir tão fácil assim. Continuou pesquisando até que encontrou uma página de lendas urbanas japonesas. Seus olhos procuraram rapidamente por toda a página, até que encontrou, "A Lenda do Quarto Vermelho".

"A Maldição do Quarto Vermelho se inicia quando alguém pesquisa sobre o Quarto Vermelho na internet, e então aparece um pop-up com uma tela vermelha e uma fonte completamente preta escrita: "você gosta do Quarto Vermelho?". Depois que for aberta, esse pop-up não poderá mais ser fechado. Ninguém sabe o que acontece após isso, já que ninguém sobreviveu."

Quanto mais lia, mais ele começava a achar aquilo um completo absurdo. Na verdade, não sabia nem o porquê de estar pesquisando sobre aquilo, Riki não havia morrido por causa de uma lenda urbana.

Christopher fechou a janela do navegador, encostando sua costa na cadeira. Foi quando de repente abriu um pop-up retangular na tela do seu computador, havia uma tela vermelho vivo com kanjis pretos.

"Você...?"

Christopher sentiu seu coração acelerar, ele prendeu a respiração e manteve seus olhos presos naqueles kanjis, mas logo se acalmou, podia ser somente um vírus, não é?

Então ele fechou o pop-up, soltando um suspiro aliviado por ter sido fechado, mas, assim que fechou, apareceu outro pop-up naquele mesmo lugar da tela.

"Você...?"

Ele continuou tentando fechar a janela, desesperadamente, quando fechou ela pela sétima vez, apareceu uma nova palavra.

"Você gosta...?"

O Bang começou a fechar a janela rapidamente, testando se apareceria mais palavras no pop-up vermelho, sentia medo, mas também foi atiçado por sua curiosidade. E assim como desconfiou, apareceu.

"Você gosta do...?"

"Você gosta do Quarto...?"

"Você gosta do Quarto Vermelho?"

Quando a frase finalmente ficou completa, sem uma única parte faltando, o quarto ficou completamente escuro, todas as luzes se apagaram, como se tivesse tido uma falta de energia repentina, a tela do computador também apagou. Christopher se levantou assustado e foi até a porta, tentando a abrir, mas não conseguiu.

Poucos segundos depois, o computador voltou a ligar, se acalmou ao perceber que era um vírus, se sentiu um idiota por ter se assustado com aquilo.

Mas essa calmaria durou pouco, na tela do seu computador começou a aparecer vários nomes escritos em letras vermelhas por cima do fundo preto, era uma enorme lista que descia como créditos de um filme, mostrando nomes que Christopher nunca havia ouvido falar, até que chegou no final, o penúltimo nome era de alguém que ele conhecia.

Nishimura Riki.

Apesar desse ser o nome do seu colega, o que mais o assustou foi o último nome daquela lista estranha.

Christopher Bang.

Era o fim da lista, a tela do computador piscou por um tempo e ficou completamente branca, e então, aos poucos, começou a ficar avermelhada.

(...)

Os pais de Christopher, que estavam sentados na sala assistindo um programa qualquer na tv, de repente ouviram um barulho alto vindo do quarto de seu filho. Parecia que algo pesado estava sendo jogado de um lado para o outro. Eles correram escada acima, chegando até a porta do quarto, mas não conseguiram a abrir, continuavam ouvindo os barulhos, a porta parecia trancada por dentro. Gritavam para que Christopher dissesse o que estava acontecendo, mas não obtiveram respostas.

Depois de vários minutos ouvindo esses barulhos e tentando arrombar a porta, tudo parou, o som parou e a porta destrancou sozinha.

Lá dentro, as quatro paredes do quarto estavam ensopadas de sangue vivo, marcas de mãos nas paredes como se alguém tentasse se segurar. Tudo estava escuro, sendo iluminado somente pela tela do computador, com uma luz vermelha.

No chão o corpo de seu filho estava jogado no chão, com todos seus ossos quebrados e visíveis, com buracos negros onde antes eram seus olhos.

(...)

— Vocês ouviram o que aconteceu com o representante? — uma aluna perguntou assustada — Ele se suicidou ontem... Como o Niki!

Os dois garotos que falaram para Christopher sobre o Quarto Vermelho estavam quietos, nervosos, pois sabiam que a morte dele foi a culpa de ambos, por ter contado sobre aquela lenda e atiçado a sua curiosidade.

— Não fique nervoso, não foi nossa culpa, o Quarto Vermelho é só uma lenda urbana besta! — o outro disse tentando acalmar seu amigo que estava completamente insano.

— A lenda é verdadeira! Niki e o representante morreram por causa dela!

— É mentira, e vou te provar isso hoje! Eu vou pesquisar sobre o Quarto Vermelho, enquanto fico em ligação com você! Nada vai acontecer comigo!

Naquela noite, dois garotos foram encontrados mortos, da mesma forma que Riki e Christopher. Isso foi visto como um suicídio em massa entre os jovens, acionando um alerta na cabeça dos pais de adolescentes, protegendo seus filhos, não os deixando ficar sozinhos por muito tempo e monitorando mais suas vidas nas redes sociais.

Mas os que sabiam a verdade estavam mortos, sem poder avisar que era uma força maior que tirava a vida de suas vítimas, que morriam sendo jogadas de um lado para o outro em seus quartos, até seus ossos quebrarem, e então seus sangues eram usados para pintar o quarto todo, o transformando em um verdadeiro Quarto Vermelho.

E tudo era desencadeado por um único e, aparentemente, inofensivo pop-up vermelho com letras pretas:

"Você gosta do Quarto Vermelho?"

————

O fim da oneshot é aqui! Gostaram? É a minha primeira vez escrevendo algo de terror inspirado em uma lenda urbana.

Se quiserem saber e encontrar mais histórias sobre o Quarto Vermelho, pesquisem por " The Red Room Creepypasta", eu acho bem interessante, mas se vocês não gostarem de coisas do tipo, então deixem quieto kkk

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