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- Jisoo, eu to falando sério! Meu irmão tem andado muito esquisito ultimamente. - Jieun comenta com a amiga que ja está levemente alterada devido ao soju.
- Olha, pode ser. Mas o Minho sempre foi esquisito, você não sabe?! - a voz de Jisoo sai embargada - Mas de qualquer forma pergunta pra ele, ouuuu - outro gole de soju - Descubra sozinha, você é boa nessas coisas.
- Já perguntei e ele sempre desconversa. - Jieun resmuga enquanto leva lámen à boca.
- Eu já falei Jieun-ah, qualquer ligaçãozinha e você descobre o que aconteceu. - Jisoo agora fala com a boca cheia de lámen. Não existia, naquele momento, ninguém mais a vontade do que ela.
- Já tentei também. Só me dão desculpas esfarrapadas. - Jieun estava muito frustada, ja completava duas semanas em que ela praticamente implorava para que o irmão lhe contasse o que havia ocorrido na coletiva de imprensa e ele sempre desconversava ou inventava desculpas sem sentidos. O mesmo acontecia quando ela perguntava à alguém da equipe editorial presente no dia, eles diziam que nada tinha acontecido porém suas expressões revelava outra coisa: Minho os havia silenciado.
- Que diabos está acontecendo, Jisoo? - Jieun se joga em sua cama esfregando os olhos com os dedos na tentativa de trazer alguma idéia à cabeça. Athena decide que esse é o melhor momento para pedir colo.
- Hum! - murmura Jisoo ainda mastigando lámen enquanto xereta seu celular - Mas a coletiva foi publicada - ela mostra um artigo no Naver destacando a entrevista coletiva da IU de duas semanas atrás.
- Porque publicaram tão tarde?! - Jisoo sigue falando, mais sozinha do que com a amiga.
Jieun lê o artigo que exibe uma linda foto da cortina branca com sua silhueta ao fundo. Curiosamente há detalhes ali que ela se lembra perfeitamente de não ter dito, agora tudo fazia sentido:
- Já entendi o que aconteceu! - ela levanta em triunfo.
- O quê? - Jisoo tira o foco de seu lámen para olhar para a amiga.
- Manipularam minha entrevista, filhos de uma mãe - ela soca a palma da mão - Não acredito que tiveram essa coragem.
Jieun agora estava enfurecida por dentro. Foi sua primeira coletiva de imprensa, onde ela cedeu seu precioso tempo, para no fim se deparar com a droga de uma noticia que nem tem suas palavras. Aquilo não ia ficar assim, a mídia não iria fazer o que lhes desse gana, não com ela.
- Ok! Faz total sentido. - Jisoo interrompe os pensamentos ardilosos da escritora. A garota havia deixado o lámen de lado e agora se concentrava em acariciar Athena, embora isso acarretaria em sua alergia atacada mais tarde. - Mas porquê seu irmão te omitiria isso?
- Isso também está me encucando. Motivos não tem. - Jieun volta a se jogar na cama. O cansaço invadia cada celula de seu corpo, tudo que ela queria era dormir até criar raízes no colchão.
- Ué?! Liga pra ele. É seu irmão, garota. -Jisoo faz cosquinhas em Athena até a gata ronronar.
Era o que Jieun iria fazer, e não iria desligar a chamada até que o irmão lhe explicasse certinho o porque de esconder um detale tão bobo. Ela não era nenhuma criança, sabia lidar com o mundo e não precisava desse tipo de comportamento. Jieun descrevia assassinatos com imensa precisão de detalhes, ou seja, também não era das pessoas mais sensíveis que precisa de alguém para à defender e seu irmão sabia disso. Ela não conseguia imaginar qualquer justificativa para aquela atitude, porquê além de esconder tudo o rapaz também obrigou todos da editora a fazer o mesmo?
Ela busca o celular pelo quarto, que nesse momento estava cheio de latas de cerveja e soju além de potes de lámen espalhados pelo chão. Nem foi necessário procurar muito, assim que a garota levanta da cama ela o escuta tocar.
Na tela do aparelho, um número não identificado à chama. Um número não identificado que Jieun tinha a certeza que já tinha visto antes em algum lugar:
- Senhorita Jieun? - uma voz masculina pergunta do outro da linha.
- Sou eu mesma.
- Aqui é a Delegacia de Homicídios de Seul, você esta sendo convocada para um interrogatório - a boca de Jieun vai ao chão com a frase.
- In-interrogatório de quê? - a garota esta em choque.
Jisoo se vira subitamente para a amiga com os olhos arregalados.
- Mais detalhes serão dados pessoalmente. Se apresente amanhã à Delegacia. Entendido? - a voz do outro lado se mantém firme.
- Entendido. - ela responde com a voz murcha. A ligação termina.
- Quem era?! Quem era?! - Jisoo pergunta um pouco agitada. A gata agora deixa seu colo para procurar o de sua dona que nesse momento se senta no chão e passa as mãos pelos cabelos exalando preocupação.
- Delegacia de Homicídios - Jieun faz carinho em Athena e a gata se aconchega em seu colo.
Os olhos de Jisoo voltam a arregalar-se:
- O quê?! Porquê?
- Não sei, me convocaram para um interrogatório - a expressão de Jieun nesse momento era ilegível.
- Mas porque?! - Jisoo procura em sua mente qualquer palavra para dizer à amiga mas a única coisa que encontra é um tremendo quadro em branco com a palavra "porquê".
- Eu também não sei Jisoo. - Jieun eleva um pouco a voz - Como você supõe que se deve agir em uma situação assim?
Jisoo à encara com uma expressão perdida:
- E eu que sei?! - ela solta um riso pra quebrar a tensão do ambiente - Quem entende de assassinatos aqui é você, garota. - ela continua:
- Só vai e responda tudo que eles te perguntarem.
- Você falando assim parece tão simples. - Jieun revira os olhos.
Seu corpo e sua face estavam completamente indiferentes mas sua cabeça era um turbilhão, Jieun sentia como se a qualquer momento ela pudesse explodir.
Era uma situação sem nexo nenhum, 11 horas da noite um policial chama a convocando para um interrogatório. Alguma coisa não quadra. Um interrogatório siginificava que ela era uma possível suspeita, mas de que?! Jieun repassa em sua cabeça varias vezes situações na qual ela poderia ser relacionada à um assassinato, não existe um momento sequer. Será que a confundiram com outra pessoa? Era o mais provável. Ela também não conhecia ninguém que havia morrido recentemente e nem presenciou algo suspeito para ser considerada uma testemunha. Interrogatório significa suspeita. Mas do que? O nó em sua cabeça só aumentava. Que merda de situação era aquela?!
Jisoo a interrompe de sua confusão:
- E então, o que vai fazer?
- Vou ver o que eles querem. Isso só pode ser um mal entendido. - Jieun acaba com o resto de soju da garrafa.
- A polícia cometendo um mal entendido? - a amiga abre mais uma lata de cerveja. Sua resistência para o alcool era algo invejável.
- Ah acredite em mim. A polícia pode cometer muitos males entendidos. Pode apostar nisso. - Jieun volta a deitar. Athena deixa seu colo e se direciona a sua caminha posta ao lado da cama da dona.
As duas amigas seguem discutindo o tema por mais alguns minutos até o ponto em que a bebida faz efeito e a conversa séria passa a ser varias risadas em meio a assuntos sem sentidos.
● ● ●
Três horas da tarde. Jieun deixa seu apartamento e se dirige à delegacia.
O trânsito de Seoul estava tranquilo, o que era um milagre. O dia também estava bonito com um sol de inverno brilhando em meio à algumas nuvens dispersas pelo céu, apesar do frio, para Jieun esse era o dia ideial para um passeio no parque acompanhado de passar em uma cafeteria e se delíciar com uma torta de nozes e café enquanto escreve.
Mas seus planos foram arruinados, ela nem imagina quanto tempo levaria esse interrogatório e tampouco sabia o que esperar de toda aquela situação.
Ela estaciona seu carro em frente a delegacia e entra. Se apresenta em um balcão e em seguida é levada a sala de interrogatório. Durante o pequeno trajeto ela medita mentalmente tentando controlar sua respiração e não deixar transparecer todo o nervosismo que a tomava, naquele momento manter a calma é imprescindível. Mesmo com a certeza de que tudo aquilo era um grande mal entendido, deixar que o estresse a dominasse poderia arruinar a imagem que ela queria passar e estragaria suas respostas, seja lá qual seriam. Ela inspira fundo mais uma vez, totalmente concentrada em seu interior, tratando de sentir o ar tomando todos seus caminhos pela suas vias respiratórias, Jieun estava pronta para o quer que viesse. Ela entra na pequena sala de interrogatório.
A sala era um cubículo com uma mesa e duas cadeiras disposta ao centro e com uma enorme janela de espelho que Jieun sabia que era fajuta, do outro lado com toda certeza havia gente a obsevando, o que era um pouco assustador.
Um policial entra e se senta a sua frente, Jieun supõe que este seja um dos detetives responsáveis pelo caso. Ele coloca um gravador no centro da mesa, tal qual como ela descreve em seus romances, e o interrogatório começa. Não era hora para avacalhar, ela teria que mostrar toda a segurança do mundo, mesmo não tendo relação nenhuma, qualquer fraquejada em sua resposta a poderia levar por outro caminho. Essas pessoas geralmente não estão interessadas em achar o verdadeiro culpado, elas só querem um culpado seja ele quem for e ela não iria dar isso à eles.
- Se apresente, por favor. - inicia o investigador que havia se apresentado como Kim Seokjin.
- Choi Jieun, 25 anos.
- Sua profissão? - o investigador Kim a encara constantemente.
- Sou escritora. - não havia problema em revelar sua profissão, existiam milhares de escritores em toda a Coréia.
Jieun joga o mesmo jogo que o policial e também o encara constantemente, ela quer mostrar que ele não a intimida
- Atual residência?
- Gangnam, Bampo.
- Onde estava na madrugada de 15 de dezembro entre 2 e 4 horas da manhã?
Jieun puxa a data na mente mas não se recorda de nada, provavelmente foi mais uma das madrugadas que ela passou em claro finalizando Palette ou que estava tão cansada que simplesmente apagou e passou o dia seguinte na cama.
- Em meu apartamento, finalizando meu livro.
- Há alguém que possa confirmar isso? - o investigador segue sem desviar o olhar.
- Hum, minha gata?! - Jieun sabia que isso era mal, ela não tinha um álibi. - Mas espera aí, porque eu estou aqui? Até agora eu só respondi perguntas e não obtive nenhuma informação - ela indaga.
O investigador Kim tira de uma pasta verde uma foto e a passa para Jieun.
- Esse é Oh Dongyul, 52 anos, foi encontrado morto no dia 16 de dezembro em uma zona de Dobong-dong. Causa da morte?! Estragulamento e envenenamento. Você já viu esse homem senhorita Jieun?
Jieun estava a ponto de vomitar. Tudo que conseguia pensar era que esse era o momento crucial que ela não poderia perder a calma e nem mudar sua expressão.
- Não, nunca vi. - mentira descarada e ela sabia disso e provavelmente o investigador também.
- Você tem certeza? - ele questiona mais uma vez.
- Sim, eu tenho certeza. - "mentirosa" pensa ela. - Olha, eu ainda não entendi porque estou aqui e sinceramente isso está sendo bem desconfortável.
- Porque está sendo desconfortável, senhorita? - o investigador leva as mãos ao queixo.
- Com todo o respeito, eu não sou burra e sei bem o que está acontecendo aqui. - Jieun tenta não variar muito a entonação de sua voz.
- E o que está acontecendo? - Kim Seokjin mantém a mesma posição de antes.
- Vocês estão suspeitando de mim. - Jieun o encara, ela não iria abaixar as rédeas por mais que em seu interior tudo que a garota queria era correr para debaixo de seus cobertores e se proteger do mundo como em seus 7 anos.
- Porque você acha isso? - o investigador Kim também não abaixaria as rédeas, ele era treinado para isso.
- Estou tão curiosa quanto você, investigador Kim. Quais são seus motivo? - ela pergunta copiando a pose do detetive e levando as mão ao queixo.
- O interrogatório acabou, por enquanto. - ele se levanta subitamente - Voltaremos a entrar em contato.
Jieun mantém a pose e a calma até entrar em seu carro. Assim que se senta nos bancos cremes de couro seu corpo reage ao que tinha acabado de acontecer. A foto foi um gatilho e suas mãos tremiam tanto que a garota mal conseguia dar a partida, ela sabia que mentir para a policia é crime mas se tivesse lhes contado algo com toda certeza
ela surtaria.
Já na avenida enquanto espera o sinal abrir ela disca o numero de uma das poucas pessoas que entenderia sua situação:
- Alô? - Minho atende.
- Oppa...eu acabei de mentir pra polícia. - Jieun solta com a voz embolada.
- Você o que?!
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