Um dia de sossego

William Blake havia desaparecido. Ben Homerfild tinha providenciado que o sócio sumisse por uns dias até que ele arrumasse tudo que Blake tinha bagunçado.
Era como se o poder tivesse subido a cabeça do amigo, a sua vontade incontrolável de ser melhor que Phillip Edwin, que fosse temido e único.
Qualquer que fosse o problema, aquele não era o William que costumava conhecer. O amigo que formou com ele e que esteve sempre ao seu lado.
William estava completamente descontrolado e psicótico, sua obsessão por Eleanor Edwin era doentia.
Antes de por o amigo no avião, William quase o bateu. O xingou de tudo e disse até que ele poderia acabar com a sua vida  se soubesse de algo que não o agradasse.
Ophelia, que estava ao seu lado, não gostou de nada que ouviu e quando entraram no quarto para tomar banho ela lhe chamou a atenção.
- William é patético.- Ela disse. Ben se sentou na poltrona.
- Ele só está com a cabeça quente.
- Porque fica protegendo ele, em? Ben, William está se fudendo para você.
- Não é verdade. Nós somos parceiros, certo? Ele só não precisa ficar....você sabe.
- Ah, por favor, me poupe...
Ophelia se moveu de um lado para o outro, Ben sorriu a vendo.
- Sabe qual foi a primeira coisa que pensei quando te vi naquela noite?
Ela olhou para ele. Ben a amava, de um jeito complicado e solitário, mas a amava. Julgava até mesmo dizer que ela era a pessoa em que ele mais pensava.
Diferente dela, que pensava em outro rosto, cheiro, corpo e sobrenome.
- Qual noite? Em Pertus, na Grécia?.- Ele concordou.- O que?
- Que era a mulher mais sensível  que já havia visto.
- Foi engano seu.- Ela riu.- Sou uma ordinária.
Ben tentou não rir.
- Ser ordinária não afasta seu lado frágil, Ophelia.- Ela se sentou no colo dele.- Bem ai...- Ele tocou o peito dela.- No fundo. Eu posso sentir.
Ela sorriu tocando o rosto dele. Correndo os dedos finos pelas pequenas cicatrizes na pele da bochecha.
- Eu gosto de você, de verdade, Ben. Não preciso fingir ser outra pessoa com você.- Ela disse sinceramente e se estranhou pelo feito.
- Isso é bom.- Ele a beijou devagar.
- Eu sinto muito.- Ela disse baixo.
Ele não perguntou o que ela queria dizer com aquilo, não interessava, não mais.

*************

Eleanor havia chegado em Chicago no dia seguinte da conversa com seu pai.
Vince, para a sua surpresa, não brigou. Ele apenas a abraçou forte e disse que sentiu sua falta.
Calvin continuava como sempre, quieto e observador sossegado, podia se sentir a calmaria no seu rosto, mas ela sabia que no fundo daqueles olhos castanhos de noite nublada, se escondia uma completa tempestade.
Dorian não apareceu até a hora do almoço, quando finalmente chegou, estava cheirando a bebida e a perfume feminino, Eleano se perguntou quem poderia ter sido a sortuda.
Ele sorriu e foi para seu quarto, acordando somente a tarde e reclamando de dores de cabeça.
Marte havia a deixado, pegando suas coisas e voltando a fazer aquilo pelo que era pago para fazer.
Ele sentiu-se estranho ao se distânciar da mulher que era sua chefe.
Ele sabia a confusão que se passava por aquela cabeça, ele sentia tudo.
Mesmo sendo um homem de poucas palavras, Marte Doodle tinha seus pensamentos e observações, mas ninguém precisava notar, ninguém precisava saber.

- Como estão as coisas?...- Ela perguntou se sentando ao lado do homem a quem chamava de irmão.
- Tranquilas, eu diria.- Ele falou.- Nem um sinal de William, e eu não sei se isso é bom.
Ela olhou para ele.
- Não acho que seja.- Ela parou e esperou antes de falar.- Vincent, eu encontrei Bradlin.- Ela disse ríspida.- Eu encontrei o meu pai.
Vincent encarou a irmã com os olhos verdes arregalados.
- Isso é verdade?...- Ele respirou fundo.- Mas...ele estava morto.
- Foi o que eu achava. Mas pelo contrário, ele esta mais vivo do que imaginava.
- E agora?.-Ele perguntou curioso.
- Falei com ele e ele está disposto a nos ajudar.
- Confia nele?
- Não confio em ninguém, muito menos nele....- Ela fez uma pausa.- Mas precisamos de ajuda e se ele está disposto a fazer isso por mim, não vou recusar.
Vincent riu abaixando a cabeça.
Ela o encarou séria.
- O que foi?.- Perguntou.
- Você.- Ele disse como se aquilo respondesse.- Por deus, você falou como uma lider.
Ela ergueu o queixo pensativa.
- Bem, é o que eu sou.
- Não, não.- Ele parou de rir.- Por isso a graça. Olhe para você.- Ele apontou o dedo para ela.- Já parou e olhou para trás hoje? Para quem você era a dois meses a trás?
Ela parou e pensou a respeito, e realmente, o que ela havia se transformado?
A garotinha assustada e irritante havia sumido e dado espaço para a mulher mais poderosa dos estados unidos.
Sua pele se arrepiou com o pensamento.
Ela pensou no começo, pensou em Phillip entrando naquela delegacia e a levando para casa.
Nunca se passará pela cabeça que sua vida chegaria a esse ponto. Que ela seria esse tipo de pessoa.
Quando voltou a si e olhou para Vincent, ela riu.
- Realmente.
Eles ficaram conversando até ao anoitecer.
**************
Entrei no quarto que era, agora de Calvin, por engano.
Mas antes de sair olhei para a fileira com três câmeras e varias lentes na mesinha perto da janela.
Encostei nela as pegando e olhando.
- Gostou? .- me assustei quase soltando a câmera no chão. Olhei para trás a onde Calvin estava em pé enconstado na parede.
- Me desculpe, eu so estava olhando...
- Calma El. - ele riu.-  Pode usar se quiser, nem lembrei delas nesse tempo, sabe como é... muitos problemas.
Ele pareceu triste por um minuto mas, sorriu para mim mesmo assim.
- Posso te fazer uma pergunta, Sr. White?
- Só se parar de me chamar de senhor. - ele se sentou na cama.
- Calvin. - revirei os olhos. - como conheceu Vince?
Ele mordeu os lábios e pareceu pensar um pouco
- Meu pai era muito amigo do seu pai... Então foi meio que obvia a nossa amizade. Mas na verdade a história foi outra- Me sentei no carpete segurando a câmera.- a gente estudava na mesma escola e todos so respeitavam os Edwin, meu pai não era ninguem na época. O Phil que deixou ele famoso, emfim... O vince parou uma briga que eu estava metido.
- Serio? Você me parece durão. - sorri.
- Com dez anos de idade eu era apenas um garoto gordo desprezado por todos, com um queixo que se juntava com o pescoço formando um só.- encarei ele.
- Ta de brincadeira?.- ele negou com a cabeça.- caramba, isso é muita informação para a minha cabeça. Porque estava em uma briga?
- Pelas caracteristicas que eu acabei de te contar, o fato importante é que me batia.- ele inclinou  o pescoço.- Acho que conheceu o Carlion.
Fiquei com a cabeça baixa um minuto, depois levantei um pouco minha camisa mostrande a cicatriz nas costelas
- Não são lembranças muito agradáveis.
- Sinto muito.
- Tudo bem, continue.
- Bem, depois disso pegamos confiança um no outro e não nos separamos, até que... bem, eu tive que deixar essa vida.
- Vince me disse que você sofreu muito...- disse baixo.
- Serviu para eu ser quem eu sou hoje. Quando Vince fala aquelas coisas de forma grosseira ou não, é porque nós sabemos como são as coisas Elle. - Abaixei a cabeça e ficamos em silêncio.- Bom.. a cãmera é sua por enquanto, divirta-se. Se precisar de ajuda sabe onde me encontrar.
Então ele saiu me daixando sozinha no quarto.
Não demorou muito para que eu ficasse sozinha na casa, a noote chegou e Vince saiu com sua dupla preferida.
E então mei peito doeu de saudade ao lembrar de Paul.
Ele era, ele costumava ser meu parceiro solitário.
Passei pelo vasto corredor da casa e fui para a sala, logo saindo para o gramado.
Peguei um maço de cigarro no bolso da calça e o acendi, percebendo quanto tempo fazia que não fumava.
Olhei para o céu estrelado da noite calorosa de Primavera.
A casa era um pouco distante do centro de Chicago, mas as luzee da cidade podiam ser vistas da casa.
- Posso?.- Marte apareceu atrás de mim segurando uma garrafa de cerveja. Acenei para ele.- Também está entediada?
- Bastante para ser sincera.
- Aproveite o silêncio.- Ele disse.
Estava se referindo a tudo, acho. Blake fora da cidade, os garotos fora de casa...
Mas ele não entedia que era toda aquela bagunça que me matia ali.
Marte tinha longos espacinhos no canto dos lábios quando sorria.
Reparei nisso sem saber exatamente o porquê.
Estendi o cigarro na direção dele, o oferecendo. Ele esticou o pescoço e o pegou com os lábios.
- Como está se sentindo?
Respirei fundo antes de responder.
- Bem.
Eu sabia que não estava tudo bem. Mentia para mim mesma na tentativa de deixar as coisas mais suportáveis.
- Tudo bem, sabe? Não está nada bem.- Ele sorriu me entregando o cigarro devolta.
- O fato é que, cheguei a um momento da minha vida que...- Sorri para mim mesma.- Se eu sobrevivi a esse dia e estou pronta para o outro é o que basta.
- Não devia pensar assim.- Ele bebeu a cerveja e cruzou os braços.- Devia dar um tempo para você. Descanso.
Olhei para ele de lado.
- Me chame para sair, Sr.Doodle.- Disse. Ele me olhou e sorriu.
- O que? Agora?.-Ele pareceu envergonhado, sorri.
- Sim.
- Certo...ham, quer sair comigo, Miss Edwin?
- Se for para dançar.- Disse.- Vamos.
E fomos.

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