• Capitulo 63 •

Tudo à minha volta parecia ter sumido, via apenas um fundo preto onde estava Josh. Meu corpo não se mexia, minha voz não saía e eu queria apenas chorar, mas meu corpo também não aguentava mais isso. Eu estava me sentindo uma marionete, um mero boneco que fazia a vontade de todos.

Ouvi toda a verdade saindo de sua boca e ouvi cada palavra que me deixava com o estômago cada vez mais embrulhado. Mas ele conseguiu me dizer algo que me deixou ainda mais desacreditada.

— Está mesmo me dizendo isso? — pergunto confusa. — Ou em algum momento da nossa conversa eu fiquei tão irritada que perdi a consciência? — encarei seus olhos.

— Eu não queria continuar com isso, Gabrielly, mas é impossível parar meu pai. — neguei empurrando ele. — Precisa acreditar em mim. — me segurou pelos pulsos. — Eu não iria te matar, não iria te passar a perna. — neguei. — Comecei a me arrepender e não foi pelo bebê, foi muito antes de ir ao México se quer saber.

— Acontece que eu não consigo mais ver verdade em você. — me debati para me soltar, mas foi em vão. — Olho pra você e só sinto raiva, nojo… se isso fosse mesmo verdade teria me dito sobre seu plano sujo há muito tempo.

— E você por um acaso iria me perdoar? — disse olhando em meus olhos. — Estava tudo indo bem Gabrielly, até meu coração resolver me pregar uma peça.

— Não quero te escutar.

— Mas precisa. — disse sério pegando minha mão. — Esse é o efeito que você vem causando em mim Gabrielly. — minha mão encostou em seu peito e notei apenas seu coração disparado. — Tentei me privar, tentei colocar na minha cabeça que seu destino era apenas um, mas não consegui. Eu realmente me apaixonei por você. — fechei os olhos e neguei.

— Acho que é um pouco tarde para fazer isso. — puxei minha mão. — Não quero mais saber de você Beauchamp, vou arrumar minhas coisas e hoje mesmo vou embora.

— Não vou te impedir. — encarei ele. — Só quero que você diga que não sente nada por mim. — meu coração voltou a disparar. — Diz que não me quer por perto Gabrielly. — abaixei o olhar. — Mas diz olhando nos meus olhos. — neguei sentindo minha vontade de chorar voltar.

Posso ser boa em mentir, mas nunca me envolvi com esse sentimento. Me odeio por isso, porque por mais que a raiva por ele esteja grande dentro de mim, o sentimento de gostar ainda se faz presente.

Desde os meus quinze aprendi a lidar com tudo sozinha, que eu realmente não precisava de ninguém para me sentir bem o tempo todo. Mas ele me causou isso, ele abaixou a minha guarda e entrou na minha vida…

— Odeio você. — digo ainda de olhos fechados. — Odeio por ter entrado na minha vida, odeio por ter me feito reviver tudo aquilo que queria esquecer, odeio por ter me feito ser mais confiante, odeio por ter me feito confiar em você. — solucei em meio ao choro. — Odeio por você ter feito o que fez.

— Eu já disse que sinto muito. — suspirou. — Mas você conhece esse mundo Gabrielly, você melhor do que ninguém sabe como é carregar o fardo de levar o nome de uma família nas costas. — fiquei em silêncio. — Dizer não a eles…

— É querer desonrar seu nome e sua história. — completo alisando minha testa. Minha cabeça já estava doendo pelo choro quase incessável. — Só que você não percebe o quão hipócrita foi? — olhei ele. — "Segredos não são bem vindos nessa casa" — o imito e ele abaixa a cabeça respirando fundo.

— Não quero prolongar isso. — voltou a me olhar. — Só quero que saiba que eu tentei parar meu pai sem que ele desconfiasse e eu realmente não sabia que ele estava em LA, se eu soubesse teria arrumado uma desculpa para tirar você daqui. — neguei e me sentei na cama respirando fundo.

— Por que não me disse que seu pai sabia da gravidez? — olhei ele que arregalou os olhos.

— Ele sabe que você está grávida? — disse assustado. — Que o filho é meu? — suspirei cansada. Eu nem ao menos sei se ele está fingindo ou realmente está surpreso com essa informação...

— Sim. — digo em um suspiro e ele se agacha na minha frente.

— Ele te fez alguma coisa? Encostou em você? — me olhou nos olhos.

— Imagina. — digo debochada passando a mão no rosto. — Só me enforcou, puxou meu cabelo, me insultou, me ameaçou. — encarei ele. — Ah! — chamei sua atenção ao lembrar de mais uma coisa. — E me deu um belo de um tapa na cara. — foi nesse exato momento que vi seus olhos azuis ficarem completamente escuros.

— Eu vou matar esse desgraçado! — Josh se levantou irritado e caminhou até a porta.

— Josh espera… — me levantei de uma vez e no mesmo instante me arrependi.

— Any? — levei a mão na boca e apenas corri até o banheiro.

Sabia que uma hora ou outra isso ia sair…

Josh ficou ao meu lado alisando minhas costas, mas conseguia ouvir perfeitamente ele xingando seu pai e o ameaçando de morte.

Ainda estou puta da vida com ele, e mesmo que esteja falando sério não posso deixar ele ir, tem algo nessa história que não está batendo.

Me levantei seguindo até a pia e lavei minha boca ouvindo o barulho da descarga.

— Você não pode ir falar com seu pai. — me virei vendo ele vermelho de raiva.

— Ah Gabrielly, não é você que vai me impedir de fazer aquele cara me ouvir. — levei a mão na minha testa e respirei fundo.

— Algo não encaixa Josh. — olhei ele. — Ele ameaçou tirar a criança de mim assim que nascesse. — novamente seus olhos cresceram e vi seu maxilar travando. — Também me ameaçou de morte caso eu comentasse algo com você. — Josh riu desacreditado.

— Filho da… — fechou os olhos e levou sua mão fechada até a boca. — Ele deve ter descoberto que rolava algo entre nós, ele sabia que você não iria me perdoar se descobrisse tudo. — andou pelo banheiro. — Por algum motivo ele sabia que você iria fugir para se esconder de mim. — franzi o cenho confusa.

— Por que isso faria sentido? — Josh me olhou.

— Se ele soube da gravidez, viu que o buraco era mais embaixo. Se ele já sabia que eu sentia algo por você, certamente sabia que eu iria ficar irritado se você sumisse do mapa com nosso filho. — Josh começou a negar lentamente parecendo cada vez mais irritado. — Ele ia justamente conseguir fazer seu jogo para me colocar definitivamente contra você para acabar com sua vida. — minha boca abriu me deixando completamente em choque. — Desgraçado!

Me assustei quando ele gritou e esmurrou a porta fazendo um grande buraco ali.

— Joshua! — gritei assustada.

Ele puxou sua mão de uma vez e eu arregalei os olhos ao ver ela coberta de sangue.

— Meu Deus. — peguei seu braço com cuidado e levei até a pia. — Do que vai adiantar você quebrar a mão, idiota? — liguei a torneira e só agora notei que ele estava tremendo.

— Minha mãe estava certa. — Josh resmungou enquanto eu via o sangue escorrer junto com a água. — Ele é capaz de tudo para me ver ser como ele. — abri uma gaveta e peguei uma toalha.

— E você trouxa vai. — resmunguei. — Seja lá qual for o plano do seu pai, está caindo direitinho. — desliguei a torneira e peguei a toalha enrolando em sua mão.

— O que quer dizer? — olhei ele.

— Você foi criado com ele, como que não sabe? — apertei sua mão e ele fez uma careta gemendo baixo. — Parabéns bobão. — digo após notar que ele deve ter quebrado a mão.

Saí do banheiro e me aproximei da cama novamente.

— Das duas uma Josh. — me virei vendo ele sair do banheiro. — Ou seu pai está esperando uma ligação sua dizendo que eu sumi, ou ele está neste momento sentado em sua poltrona, fumando um charuto e esperando um Josh furioso ir tirar satisfação com ele. — cruzei os braços.

Josh ficou em silêncio por um bom tempo. Segurando a toalha em sua mão, algo me dizia que ele estava rapidamente encaixando tudo.

— Vou lidar com meu pai depois. — disse pensativo. — Antes eu quero meter uma bala na cabeça de quem está passando informações da casa pra ele. — me olhou.

— Acha que foi isso? — pergunto e ele assente.

— Tenho quase certeza que é um dos seguranças. — assenti lentamente e ele se aproximou. — Escuta, não espero seu perdão, mas peço que ao menos fique aqui, onde eu posso estar de olho e não deixar nada acontecer com vocês. — bufei revirando os olhos.

— Eu queria não ter mais que olhar na sua cara. — digo séria. — Mas nenhum segurança me viu chegando, então se quiser ir pegar seu alvo é melhor ir logo. — forcei um sorriso coberto de deboche. — Mas te deixo avisado Kyle, se eu descobrir que isso é mais um plano seu, não irá me importar se meu filho vai crescer sem pai, eu acabo com a sua vida! — digo olhando em seus olhos.

— Sei que não adianta falar, mas acredite em mim dessa vez, sou capaz de dar a minha vida para ver vocês dois seguros. — dito isso, apenas vi ele saindo do quarto.

A porta se fechou e eu senti um aperto no peito seguido de um arrepio pelo corpo.

Que merda!

Pressentimento ruim: Quando se tem um pressentimento de que algo ruim vai ocorrer, diz-se que é um mau agouro, o que quer dizer que está associado a notícias desagradáveis ou que alguma desgraça vai acontecer.

Fonte: confia!

Vejo vocês em breve. Votem e comentem 🤍

XOXO - Miih

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