• Capitulo 3 •

Já faz um tempo que acordei, não sei se é dia, se é noite, a única coisa que notei é que não me trouxeram comida. Pelo menos o lanche de ontem veio bem a calhar.

Estava contando carneirinho para tentar dormir de novo, até que a porta se abriu. Me sentei no mesmo instante e vi o loiro passando por ela novamente.

Dessa vez sua roupa era mais casual, apenas uma calça moletom, uma blusa rosa e um tênis branco.

— Conseguiu dobrar meu cara. — disse ele parando na minha frente e cruzando os braços. — Você realmente me deixou curioso garota.

— Acontece. — digo fazendo pouco caso. — Acredito eu que conseguiu descobrir meu nome. — sorri.

— Lauren? Foi uma boa jogada. — revirei os olhos. — Agora, o que ninguém poderia contar, é que a senhorita morreu! — prendi minha respiração.

Droga, descobriu mais do que devia...

— Any Gabrielly, sabe bem cobrir seus rastros.

— Como… — parei de falar e ele começou a andar.

— Henrique Velaz, dono da máfia italiana, a tentativa foi boa. — me levantei.

— Falou com ele? — o loiro me olhou.

— Conhece ele? — colocou as mãos no bolso da calça.

Se eu conheço o cara que desgraçou a minha vida?

— Não. — digo simples.

— Engraçado, porque eu lembro muito bem de você citando o nome dele quando meus caras invadiram sua casa. — engoli seco.

— Foi suposição. — o loiro deu risada.

Em um movimento rápido, sua mão agarrou meu pescoço e ele me prensou na parede. Levei minhas duas mãos até seu braço tentando me soltar.

— Você trabalha para ele? — sua voz saiu grossa e fria, seu olhar parecia furioso e por alguma razão eu acho que a gravidez deixou de existir na cabeça dele.

Sua mão apertou mais e eu senti meu ar começar a faltar.

— Não. — digo forçando mais seu braço.

— Não mente pra mim! — senti meus pés quase saírem do chão.

— Te juro que não. — digo com a voz falha e meu corpo vai de encontro ao chão.

Comecei a tossir buscando ar enquanto alisava meu pescoço. Minha respiração ficou pesada e eu vi seus passos pelo local.

Me sentei no chão e fechei os olhos segurando as lágrimas.

"Engole esse choro, Gabrielly! — encarava o chão na minha frente. Minhas pernas estavam bambas, meu corpo trêmulo e sentia que a qualquer momento iria desmaiar.

"Não consigo fazer isso.

"Não se trata de conseguir, o que te disse sobre desistir?.

"Não é uma opção. — digo ofegante.

"Eu tenho misericórdia de você porque é minha filha, mas tenha algo em mente Gabrielly, ninguém além de mim e do seu pai, se importa com seu bem estar. — jogou uma garrafinha de água na minha frente e deixou o local.

— Seu sistema de proteção tem uma falha. — digo por fim e ele para de andar me olhando. — Se eu quisesse, teria acessado não só sua conta, mas também todos os dados referente a tudo que tinha em seu computador.

— Como? — dei risada mesmo sentindo dor.

— Pessoas que trabalham com isso estão a um passo à frente de tudo, sua versão pode ser nova, mas nós, nós criamos algo sempre além para invadir e colher dados. — me ajeitei no chão mesmo. — Eu nem sabia quem era você, minha coleta de dados só apontou sua conta bancária.

— Você quase não deixou rastros, ainda sim, paramos na casa de uma pessoa que não tinha nada a ver. — voltei a rir.

— Eu escaneio tudo antes. Em menos de uma hora vi o seu viros que poderia me pegar e me fuder por completo. — respirei fundo. — Mas como eu disse, seu sistema de proteção tem uma falha.

— Você é muito esperta para trabalhar sozinha, quem está por trás de você? — me levantei sozinha.

— Não tem ninguém atrás de mim. — passei ao seu lado. — Ainda. — cheguei no banheiro e olhei meu pescoço.

A marca vermelha dos seus dedos ainda estavam aqui, apertei levemente e a área ficou sensível.

— Como assim ainda? — olhei ele que parou na porta.

— Se você foi até o Henri para saber de mim, é quase certeza de que ele vai investigar. — passei uma água no rosto.

— E o que ele tem a ver com você? — parei o que estava fazendo e desliguei a torneira.

— Nada. — digo passando ao seu lado mas ele que segura pelo braço.

— Você me disse que se eu passasse por aquela porta sabendo seu nome, me diria tudo o que eu quisesse saber. — encarei ele e seu rosto estava a centímetros do meu.

Umedeci meus lábios e desviei o olhar limpando a garganta.

— Não quero ficar aqui. — digo e ele solta meu braço.

— Não confio em você, pode muito bem estar mentindo. — dei risada.

— Temos uma coisa em comum. — passei ao seu lado indo até a cama. — Também não confio em você.

— Onde está o meu dinheiro? — me virei.

— Ele nem te faz falta cara. — ele negou.

— Ninguém toma o que é meu. — ri abaixando a cabeça. — Me diz onde está agora!

— Na minha casa, no meu quarto, embaixo da minha cama. — cruzei os braços.

— Guardou um milhão debaixo do seu colchão? — perguntou incrédulo.

— Incrível não é? Eu sei. — me virei para sentar na cama, mas ele me segurou pelo braço. — Ei, vai com calma esquentadinho.

— Você vai me explicar tudo isso agora. — ele abriu a porta e saiu me puxando escada acima.

— Explicar o quê? Já te disse tudo. — ele me ignorou e abriu uma outra porta.

Passei tanto tempo com uma baixa iluminação, que quando uma luz maior se fez presente senti minha vista incomodar e fui direto ao chão perdendo o equilíbrio.

— Cazzo! — resmungo sentindo meu joelho latejar.

— Levanta logo. — encarei o loiro que me olhava irritado.

— Não me machuquei não, obrigada por perguntar. — digo irritada e me levanto.

— Anda logo. — pegou minha mão dessa vez e saiu me arrastando pelo o que eu acredito ser uma casa.

Nem deu tempo de reparar em nada, mais uma leva de escadas apareceu e lá estava eu, quase morrendo sem ar, definitivamente a escada é minha maior inimiga!

Viramos para a direita e sem me deixar pensar ele abriu uma porta. Ao ser colocada para dentro, me vi de frente com uma espécie de escritório.

— O que é isso? — pergunto confusa e ele me empurra até uma mesa.

— Me mostre. — apontou para seu computador e eu ri.

— Não sei qual o seu papel concreto na máfia, mas não é assim que as coisas funcionam. — cruzei os braços e ele me encarou.

— E como funciona? — suspirei.

— Me responde algo primeiro, seja sincero e eu faço tudo sem enrolação. — ele cruzou os braços ajustando a postura. — Te dou minha palavra. — me aproximei e levantei meu dedo mindinho.

— O que é isso? — encarou meu dedo.

— Meu sinal de promessa? — ele deu risada. — O quê? Se eu quebrar minha palavra pode cortar meu dedo fora. — ele arregalou os olhos.

— Você já foi em algum psicólogo? — revirei os olhos. — Pergunta o que quer saber, te dou o benefício da dúvida.

— Qual é sua ligação com Henrique? — o loiro estreitou os olhos e pude ver seu maxilar travando.

— Além de ódio? — negou lentamente. — Só imagino a cabeça dele pendurada bem ali. — apontou para a parede e eu virei a cabeça.

"Cuidado em quem confia, mas antes lembre-se sempre de algo. O inimigo do meu inimigo, é meu amigo. — assenti. — Boa noite meu amor. — deu um beijo em minha testa.

"Boa noite pai. — sorri e ele pagou a luz.

Voltei a olhar o loiro e fechei os olhos balançando a cabeça.

— Eu não posso te mostrar nada porque isso exige tempo, tenho programas, dados, tudo limpo para fazer isso. — suspirei.

— Onde está tudo isso? — passei a mão na testa, onde eu fui me meter meu Deus.

— Tudo na minha casa. — assentiu lentamente. — Mas fica em um local escondido, não consigo te dizer, posso ir lá e pegar. — ele começou a rir.

— E você acha que sou idiota de fazer isso? — assenti. — Como é que é? — sacou uma pistola e apontou na minha direção.

— Não teria coragem. — voltei a cruzar os braços e ele disparou. Senti a bala passar de raspão no meu ouvido e engoli seco. — Ou talvez teria. — forcei um sorriso.

— Você vai agora à noite, meus homens vão com você.

— Uh. — levei a mão na boca e ele me olhou. — Não sabia que era gay. — sorri de canto e ele começou a tossir. — E ainda não é assumido? — dei risada.

— Cala a boca garota! — parei de rir. — Vai, daqui a pouco você sai. — veio na minha direção e me tirou para fora do local.

Seguimos até outra porta e ele abriu. Minha visão foi preenchida por um enorme quarto.

— Tome um banho, vista uma roupa melhor e me espere aqui, nada de tentar fugir, ou uma bala vai perfurar isso que você chama de cabeça. — empurrou minha cabeça com a pistola e eu ouvi a porta bater.

↝ Uma Any debochada, será sempre uma Any debochada... KKKK

Cazzo - Porra

Vejo vocês em breve. Votem e comentem 🤍

XOXO - Miih

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