🌼. flowers
Oii vidinhas, voltei com o nosso segundo conto de Natal. Quero deixar bem claro que ele trata sobre temas sensíveis - como suicídio e relacionamento abusivo. Se não se sentir confortável com esses temas, não leia. Sua saúde mental em primeiro lugar.
Espero que gostem.
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No dia 25 de dezembro daquele ano, Draco Malfoy acordou às oito horas da manhã. Deitado ao seu lado, enrolado nas cobertas e completamente adormecido, estava Harry Potter: O Eleito, O Menino que Sobreviveu, Aquele que derrotou Voldemort - e também seu namorado.
Quem visse os dois há alguns anos atrás jamais pensaria que aquele seria o destino de todas as provocações, o ódio e a animosidade entre ambos. Afinal, haviam sido inimigos declarados desde seu primeiro ano em Hogwarts. Mas essa realmente é uma história confusa e que envolveu muito esforço por parte deles - o final feliz não havia caído do céu no colo dos jovens, mas sim exigido uma evolução e amadurecimento ao qual eles nunca estariam dispostos se não se amassem tanto assim.
Tudo começou depois da guerra.
As mortes e perdas ardiam no peito de todos que haviam lutado. Harry, além de sentir a mesma dor do resto da Ordem, ainda se culpava por todas aquelas mortes horrendas. Mortes de crianças; de jovens que tinham uma vida inteira pela frente - lugares a serem visitados, objetivos a serem alcançados, sonhos a serem realizados. Mortes de pessoas que haviam passado a vida lutando e mereciam sentir uma sensação de conforto pela última vez; de pessoas que deixaram para trás tudo que tinham - a possibilidade de uma família e de recomeço.
As primeiras semanas e meses se passaram em um silêncio incômodo e melancólico que ninguém tentava quebrar - exceto o pequeno Teddy, que, apesar de estar morando com Andrômeda Tonks, era frequentemente levado até a Toca pela avó para ter contato com os Weasleys e com Harry, seu padrinho. O próprio Harry, por convite de Molly, passou alguns meses morando na Toca antes de se mudar.
As primeiras pessoas a sair da casa depois da guerra foram Hermione, que partiu em uma missão para reencontrar seus pais, e Rony, que se ofereceu para acompanhá-la. Uma noite, confessou para Harry que um dos seus motivos era se afastar um pouco da família, pois apesar de amar a todos, não conseguia parar de pensar na ausência de Fred por um minuto sequer.
Logo que eles partiram, veio a segunda grande mudança: Ginny terminou com Harry. O amava demais, mas não de um modo romântico. Além disso, a garota estava no meio de um processo de aceitar uma parte de si que estava descobrindo há algum tempo - sua sexualidade. Quando se assumiu lésbica para sua mãe, a senhora Weasley a tomou nos braços e falou que a amava e a apoiava tantas vezes que a menina quase ficou surda.
Harry se sentiu mais feliz pela amiga estar se descobrindo e se aceitando do que triste pelo término em si. Além disso - pensou - Ginny e Luna poderiam formar um casal muito bonito.
Para O Eleito não faltavam opções de pretendentes, de diferentes gêneros e personalidades, mas ninguém em quem tivesse interesse no momento - sua mente e estado emocional não estavam preparados para um novo relacionamento. Se lembrou de Cedrico, o menino por quem tivera uma queda quando mais novo, o menino que fora o responsável por fazê-lo perceber que definitivamente não era hétero - agora morto. Um menino incrível, cheio de sonhos e de ambições, talentoso e com a tendência de chamar atenção por onde fosse - tão novo quando se foi.
Sua maior preocupação no momento, no entanto, não era sua vida amorosa e sim seu futuro. Sua profissão.
A maior parte das pessoas parecia ter certeza de que Harry se tornaria um auror, no entanto esse não era o desejo do próprio. Ser um auror - caçar comensais foragidos, escapar por pouco de situações fatais, duelar o tempo inteiro - era tão parecido com tudo que ele já havia feito desde que era pequeno que, daquela vez, ele desejava que sua presença fosse diferente. Que não fosse o problema, mas sim a solução. A cura.
Harry queria ser um medibruxo - queria poder ajudar as pessoas. Queria tentar salvar tantas pessoas quanto havia colocado-as em perigo, e quando contou isso para os Weasley, Molly o chamou para uma longa conversa. "Meu querido" - ela disse - "É claro que se esse for o seu real desejo eu irei te apoiar e torcer por você. Só quero ter certeza de que não está fazendo isso apenas por se sentir culpado. Meu filho não morreu lutando porque você demorou para se sacrificar ou qualquer bobagem como essa que possa pensar. Meu filho morreu lutando porque nunca aceitaria se esconder. "
Aquela era a primeira vez que a senhora Weasley falava sobre a morte de Fred na frente de Harry - desconfiava que era a primeira vez que ela falava sobre. Ele sentiu seus olhos se encherem de lágrimas, e depois de jurar que aquele era seu verdadeiro desejo, a abraçou com força. Amava Molly como se fosse seu filho, e nunca poderia agradecê-la o suficiente por ter sido tão maternal e protetora com ele.
Hermione e Rony, que a essa altura já haviam voltado da sua missão - trazendo junto os pais da garota - também o apoiaram. Rony entrou para o treinamento de auror na mesma época que Harry começou o curso para ser medibruxo e Hermione decidiu que voltaria a Hogwarts para completar seu último ano antes de prestar um concurso para um cargo no Ministério.
No entanto, uma das decisões mais difíceis para Harry fora de se mudar para o Largo Grimmauld. Hermione já havia voltado para casa, e Harry preferiria o inferno do que voltar a morar com os tios, então a decisão mais óbvia foi ir para a casa que era sua por direito. Estar no lugar que seu padrinho mais odiava e onde havia sido vítima de diversos xingamentos e ofensas por parte dos próprios pais - principalmente a mãe, Walburga - era um tanto triste para Harry. Porém as vezes o garoto era surpreendido por alguma lembrança feliz de Sirius: O brilho em seu olhar ao reencontrar Remus depois de tantos anos, o sorriso que abriu ao ouvir que Harry adoraria ir morar com ele - sonho esse que não pode ser realizado.
Harry poderia ter contado para Sirius sobre as reais condições da sua relação com os tios e sobre o modo como era tratado, mas sabia muito bem como o padrinho iria sair completamente fora de si, principalmente por ter passado por uma situação semelhante na infância, e se colocaria em risco para resolver a situação. E para Harry, a segurança de Sirius era o mais importante - não que isso tivesse mudado muita coisa em seu destino.
Então ele continuou na casa, enquanto seguia o curso de medibuxo e se preparava para exercer a profissão. As visitas a Toca ainda eram comuns - Harry aparatava até a casa dos Weasleys pelo menos todos os domingos para o almoço.
O curso foi proveitoso - Harry pôde finalmente começar a deixar para trás os fantasmas do passado e ir na direção do seu promissor futuro. Fez alguns amigos e reencontrou conhecidos - entre eles Cho Chang. A menina havia se aproximado de Harry logo nas primeiras semanas e os dois fizeram praticamente todos os trabalhos juntos, entre xícaras enormes de café e pesados livros que se espalhavam pela sala do Largo Grimmauld, 12.
Hermione também estava seguindo em frente. A menina trocava longas cartas com Harry e Rony, as vezes falando sobre o quão difícil era encarar os corredores de Hogwarts sem pensar em mortes e desespero. "As coisas não são iguais" - escrevera ela - "Nunca serão. Sinto falta de vocês, mas preciso continuar. É o que mais quero. Preciso continuar escrevendo para fechar esse capítulo. "
Rony e Harry se viam frequentemente, e compartilhavam comentários e histórias sobre seus cursos. Rony estava se dando muito bem no treinamento de auror - todos pareciam conhecê-lo e respeitá-lo por sua atuação em diversas batalhas. Os treinos físicos frequentemente eram os mais difíceis, mas mesmo nesses a sua performance arrancava elogios e olhares de admiração.
Às vezes eles se encontravam - todos eles: Harry, Rony, Hermione, Luna, Neville e Ginny. Iam até Hogsmeade e conversavam por horas a fio. Bebiam cervejas amanteigadas enquanto os que já haviam deixado a escola relembravam seus tempos em Hogwarts e os que ainda não haviam reclamavam da proximidade dos NIEMs. Foi também lá que Harry percebeu, arqueando as sobrancelhas e cutucando Rony, a amizade de Luna e Ginny tomar um rumo um tanto diferente.
Harry estava, aos poucos, seguindo em frente. Se formou como um medibruxo e passou a exercer a função no St. Mungus. Havia apenas uma parte do seu passado que não estava resolvida - alguém em quem evitava pensar. Empurrava para o buraco negro da sua mente e o impedia de sair de lá. Harry não tinha nada a ver com ele e com o estado péssimo que aparentava ao final da batalha. Aquilo tudo era o preço a se pagar por suas próprias decisões, e a última pessoa que deveria se preocupar com isso era Harry.
Dois anos após a Batalha de Hogwarts, Harry estava no hospital e foi chamado para atender uma vítima de tentativa de suicídio. A ocorrência havia sido registrada em uma das propriedades dos Malfoy e o transporte do paciente estava sendo realizado pelo modo mais rápido - aparatação acompanhada.
Harry se sentiu tenso quando viu Draco chegar, mais pálido do que sempre, deitado em uma maca e inconsciente - havia sido medicado para receber o atendimento sem maiores problemas. A tentativa de suicídio claramente havia dado errado, mas por pouco. As cicatrizes em seus pulsos eram fundas e a perda de sangue fora imensa. As próximas horas foram de transfusões e exames, mas Harry sabia que o trabalho mais importante não era o seu como médico - mas sim de um psicólogo ou terapeuta. Estava magro, tão magro que parecia incapaz de sustentar o próprio peso, e sua mãe, Narcisa, aparentava estar genuinamente preocupada.
Quando Draco acordou, ainda um tanto dopado e lento, parecia oco. Mal esboçou reação a estar no St. Mungus, não conversou com Harry. O medibruxo estava nervoso, tenso, não sabia o que dizer. Então não disse nada. Nenhum dos dois disse.
O loiro passou duas semanas no hospital - fazia consultas com um psicólogo, tomava soro para ganhar peso e usava poções para os machucados cicatrizarem mais rápido. Harry queria falar algo, nem que fosse para quebrar aquele silêncio desconfortável, mas tinha medo de não conseguir se ater a coisas superficiais. Tinha medo de pressionar o Malfoy e acabar piorando toda a situação, então apenas se mantinha calado.
Após as duas semanas, Draco recebeu alta. Foi para a Mansão Malfoy com sua mãe, pois embora morasse sozinho, Narcisa queria estar por perto do filho após aquele momento tenso. Ou talvez quisesse apenas evitar que a situação se repetisse. Mesmo que Draco aparentasse estar um pouco melhor devido as consultas com um psicólogo, cuidado nunca era demais.
Após alguns dias, Harry resolveu que não aguentava mais o silêncio. Ele se preocupava muito com todos seus pacientes - incluindo Malfoy, mesmo com tudo que ele havia feito no passado - e decidiu passar na casa do menino para fazer uma visita.
Apesar da Mansão ainda o amedrontar e trazer lembranças ruins à tona, Narcisa fora gentil e cordial. Chegava a ser uma situação engraçada, estar ali, após tantos anos, como se nada tivesse acontecido. Como se Harry não lembrasse da respiração ofegante de Narcisa no seu ouvido, perguntando sobre o filho. E então mentindo para o próprio Voldemort.
A mulher poderia ter feito e colaborado com acontecimentos horríveis, mas de uma coisa Harry tinha certeza - ela realmente amava muito Draco.
O problema é que nem todas as pessoas que nos amam sabem o que é melhor para nós. Quando as coisas clarearam após a guerra e Harry pode analisar os acontecimentos de outra perspectiva, pensou que, talvez, Draco Malfoy não fosse tão ruim assim. É claro que o menino havia errado, errado muito. Mas crescera cercado pelos valores da supremacia de sangue e de preconceito. Aos dezesseis anos, viu comensais se reunindo em sua própria casa. Ainda era um adolescente - praticamente uma criança - quando foi incumbido com a missão de assassinar o diretor da sua escola.
Draco Malfoy poderia ser muitas coisas, mas definitivamente não era uma criança que havia passado por uma criação normal e saudável.
A visita foi estranhamente agradável - após o assassinato de Lucius, um mistério que ainda não havia sido completamente revelado, envolvendo brigas com outros seguidores de Voldemort - Narcisa parecia menos cruel. Mais relaxada e educada. Harry também conversou com Draco, se atendo aos assuntos mais superficiais possíveis.
Perguntou sobre o trabalho de Draco como preparador de poções, e contou sobre sua formação como medibruxo. Falaram sobre os antigos colegas em Hogwarts e como estavam atualmente. Quando Harry foi embora, o sol se estava se pondo.
E a última coisa que ele esperava era receber uma carta escrita por Draco, redigida a mão e entregue por uma coruja marrom. Na carta em questão, Malfoy pediu perdão por tudo que fizera nos tempos de Hogwarts. Era uma surpresa para Harry, mas uma surpresa boa. Finalmente conseguiu compreender - Draco, apesar de todos os erros cometidos, não tinha um coração ruim.
"Sei que meu tempo de pedir perdão já passou" - o loiro escrevera - "mas não consigo conviver com as lembranças do que fiz. E sei que pedir desculpas nunca aliviaria minha consciência, então creio que esse seja o primeiro ato altruísta que faço em minha vida. Nunca desejei fazer tudo aquilo, mas não tinha coragem suficiente para voltar-me contra Lucius. Era uma criança que não olhava o pai como um exemplo, longe disso, que o temia. Afinal, vezes demais vi o preço que minha mãe pagava por não ser 'fiel o bastante' à Voldemort ou aos valores de Lucius. "
Harry se sentiu pesado e triste ao compreender. Não tinha ideia da real índole de Narcisa, mas as palavras escritas por Malfoy eram claras o suficiente para expor um relacionamento abusivo entre seus pais.
Embora essa não fosse sua intenção ao visitar a Mansão Malfoy pela segunda vez - nem pela terceira, ou pela quarta - ele e o loiro acabaram se aproximando. Ele parecia estar um pouco melhor, menos magro, menos pálido. Falava pouco sobre seu passado, talvez já tivesse dito tudo que se sentiria confortável compartilhando na carta.
E o que começou com visitas ocasionais para xícaras de chá e conversas estranhamente sinceras evoluiu aos poucos. Harry convidando Draco para jogar boliche, Draco ligando para Harry apenas para mostrar uma poção que acabou explodindo. Nesse segundo dia em específico, o moreno sentia a barriga doer de tanto rir com as piadas feitas por Malfoy sobre seu desempenho na aula de poções.
Ele nunca imaginaria se tornar amigo de alguém com quem já tinha trocado tantas ofensas e provocações, no entanto era exatamente isso que estava acontecendo.
Rony se mostrou desconfiado e um tanto desgostoso quanto a essa aproximação, o que, na visão de Harry, era completamente compreensível. Rony não deveria se sentir compelido a perdoar o loiro se não quisesse - não depois de ouvir tantas ofensas sobre sua família, sua aparência e sua condição financeira. Mas depois que Harry o mostrou trechos da carta - a carta enviada meses atrás, a carta que fazia brotar lágrimas nos olhos de Harry sempre que ele lia - o ruivo o perdoou. Disse que não era mais um adolescente, e que a melhor solução era deixar aquela página para trás.
Draco tentou - sem muito sucesso - esconder o sorriso que tomou não apenas seus lábios, mas seu rosto inteiro.
Pouco a pouco, as coisas começaram a mudar novamente. No início, discretamente, de forma que nenhum dos dois percebeu. Depois, mais rapidamente. Luna havia sido a primeira a perceber, e a avisar Draco - os dois haviam se tornado muito próximos logo após a Batalha de Hogwarts - de que talvez ele não olhasse para Harry apenas como um amigo. De que talvez amigos não bagunçassem o cabelo do outro com um olhar tão amoroso. De que talvez amigos não insistissem em olhar mais um filme mesmo estando cansados, apenas para pegar no sono - pegar no sono abraçados um no outro.
Foram necessárias várias situações específicas - e vários empurrões dos seus novos amigos - para Draco finalmente perceber que estava apaixonado por Harry.
Quanto ao moreno, demorou mais ainda - e foi Ginny, como sempre, quem o fez abrir os olhos e enxergar o óbvio. Harry não abraçava amigo nenhum com a mesma ternura e possessividade que o fazia com Draco.
O primeiro beijo dos dois fora uma ocasião digna de filmes. Em uma das noites que Draco assistia filmes embolado no sofá junto com Harry, as pernas enroladas e a cabeça do moreno repousando suavemente no peito do outro, o Malfoy resolveu tomar uma iniciativa. Estava nervoso, mas também impaciente - já não aguentava mais esperar.
"Harry" - ele começou - "Acho que talvez as pessoas tenham um pouco de razão. "
Harry virou o rosto e o encarou, meio grogue. O sono já estava tomando sua mente aos poucos e interpretar a fala do outro parecia exigir um esforço imenso.
"O que quer dizer? Razão sobre o que?"
Draco suspirou, tomando coragem para uma jogada arriscada.
"Sobre eu querer te beijar." - engoliu em seco - "Me desculpa se você não sentir o mesmo, mas te ter como amigo já não é suficiente... Eu sempre te quero mais perto porque na verdade quero te beijar e insisto para olharmos mais filmes sabendo que vamos pegar no sono porque eu gosto de dormir com você. "
Harry encarou os olhos de Draco. Se sentia sortudo, o bruxo mais sortudo de todos. Porque depois de tantos anos e tantos empecilhos, havia encontrado o amor. E porque às vezes, o amor não vem como esperamos. Às vezes ele toma forma em uma figura do passado, em um ex-rival que se torna seu amigo e que quando você percebe já tomou conta do seu coração e dos seus pensamentos. Porque às vezes... o amor surpreende.
"Se você não sentir o mesmo tudo bem" - Draco disse, engolindo em seco, interpretando o silêncio do outro como rejeição - "A gente pode..."
Draco foi interrompido. Harry o beijou - o beijou com toda a vontade que vinha guardando dentro de si a meses.
Draco sorriu junto aos lábios de Harry. Se sentiu o bruxo mais sortudo de todos. Porque havia ganhado uma segunda chance, e mais que isso, havia escolhido usá-la da melhor maneira possível.
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No dia 25 de dezembro daquele ano, Draco Malfoy acordou às oito horas da manhã. Deitado ao seu lado, enrolado nas cobertas e completamente adormecido, estava Harry Potter: O Eleito, O Menino que Sobreviveu, Aquele que derrotou Voldemort - e também seu namorado.
Ele tinha um plano em mente para aquela manhã, sabia muito bem o que queria fazer. A ideia já estava em sua mente a meses, mas a procrastinação para colocá-la em prática havia se tornado rotineira. Decidiu que já era hora de tirar esse projeto do papel.
Draco acordou Harry. Os dois tomaram café da manhã juntos, e o loiro falou que havia chegado a hora. Harry se sentiu orgulhoso por ele.
Meia hora depois, estavam no estúdio de tatuagem. A imagem já havia sido enviada com antecedência, e a vantagem era que o tatuador não tinha a menor ideia do significado do que estava fazendo - muito menos do que representava a "tatuagem" negra em seu braço que ele estava contornando.
O processo em si não foi tão dolorido - Draco já tinha passado por coisas muito piores. E o resultado foi satisfatório.
As flores coloridas em torno da sua marca negra eram a mais nova marca em sua pele, tomando o lugar das cicatrizes em seus punhos.
E assim como ele fizera anos atrás, ao escolher dar-se uma segunda chance após ser salvo da morte pela ação rápida dos médicos - principalmente de Harry - as flores traziam certa graça e luz ao ponto mais escuro de si.
E ele nunca mais olharia as suas cicatrizes daquela noite ou a marca negra em seu braço sem enxergar junto com elas as flores. Nunca mais.
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