Capítulo Quatro

John abriu os olhos devagar, sua cabeça doía muito, especialmente a testa, ele passou a mão no local e sentiu algo que supôs ser um curativo. Sua visão estava embaçada e demorou alguns instantes para voltar ao normal. Ele tentou se lembrar do que havia acontecido na noite anterior, mas tudo o que havia em sua mente era um espaço em branco onde suas lembranças deveriam estar.

Foi só então que ele percebeu que estava deitado em uma cama, por um momento achou que estava na casa de Rachel, mas então se lembrou de que eles haviam terminado uma semana atrás. Ele se sentou ignorando a tontura que o movimento causou e olhou ao redor. Foi então que ele percebeu que ainda estava no apartamento que dividia com Sherlock. Mais que isso, ele estava no quarto do amigo. Na cama dele.

- Mas o que...

John saltou da cama assustado, cambaleou um pouco e precisou se apoiar na parede, ele não se lembrava de ter bebido mas isso explicaria o fato de se sentir um lixo.

Ele saiu do quarto, meio esfregando o rosto para ficar mais atento, a luz do sol que entrava pela janela da sala era mais forte, e isso só aumentou sua dor de cabeça.

- Sente-se melhor? - perguntou Sherlock e ele percebeu que o amigo estava sentado em sua cadeira como era de costume quando estava ocupado com um caso.

-O que aconteceu? - perguntou John estreitando os olhos para o amigo, uma ideia lhe passou pela cabeça - Isso foi mais algum de seus experimentos? Você me drogou?

- Você realmente acha que eu drogaria você?

- Não seria a primeira vez

- É, você tem um ponto - disse Sherlock sacudindo um pouco a cabeça - mas não, não fui eu, Moriarty esteve aqui

-Moriarty? - John tentou se lembrar mas a única coisa que conseguiu foi aumentar as proporções de sua dor de cabeça.

- A droga que ele aplicou em você apaga a memória recente, você provavelmente não conseguirá se lembrar de muita coisa que aconteceu ontem. - por algum motivo as feições do homem se tornaram melancólicas

-A última coisa de que me lembro é o restaurante, e agora eu acordei na sua cama... Por que eu estava na sua cama?

Antes que Sherlock pudesse responder alguém bateu na porta, John desviou os olhos do amigo e olhou para a porta quando ele disse:

-Entre - a porta se abriu e Lestrade entrou, ele parecia ainda pior que no dia anterior, cabelo mal penteado e olheiras escuras como se não tivesse dormido.

- Lestrade, você está horrível - disse John após comprimenta-lo

- Você não está muito melhor - respondeu o detetive olhando curiosamente para o curativo em sua testa.

- Então, qual é o problema?

-Um novo corpo foi encontrado, dessa vez perto de um prédio em construção, pelo estado do corpo deve ter sido atirado do alto de um dos andaimes

-Quem foi o infeliz dessa vez?

- Não sabemos, estamos fazendo tudo o possível para descobrir.

- Por que você está tão assustado sem nem ao menos sabe de quem é o corpo?

-Bem, não tem muito a ver com o corpo em si

Lestrade pegou algumas fotos e entregou a Sherlock, John se aproximou dele para conseguir ve-la também.

A primeira foto mostrava o corpo da vitima, parecia um rapaz de vinte e poucos anos, cabelos escuros lisos coberto de sangue assim como o rosto, vestia uma calça Jeans e uma camisa branca cuja frente estava manchada de sangue, seu braços e pernas assim como seu pescoço estavam em angulos anormais. Sherlock descartou ela depois de um tempo e olhou para a seguinte, essa mostrava o mesmo rapaz mas dessa vez a camiseta fora removida, havia alguns cortes em seu peito, a distância e ângulo que a foto tinha sido tirada não permitia uma boa visão dos ferimentos.

A próxima foto mostrava o peito do rapaz mais de perto, dessa vez era possível ver os cortes longos que parecia talhado com uma lâmina afiada. Não simplesmente cortes mas palavras.

- Tá mé an Diabhal - pronunciou Watson - Eu sou o diabo

-Sim, - confirmou Lestrade - em irlandês, como sabe?

-Nem todos os soldados do regimento da Inglaterra são ingleses - disse John dando de ombros -Mas então? O que isso significa?

-É exatamente o que eu quero saber, - disse Lestrade - ele olhou para Sherlock que continuava com o olhar fixo na foto - Alguma ideia do que isso possa significar?

-Bem, as palavras são bem claras  

-O que? - disse Lestrade descrente - O diabo? Acha que o diabo está jogando pessoas de prédios? Isso não é uma brincadeira, Holmes

-Claro que não, isso é uma metáfora, uma charada...

-E o que significa? - perguntou Lestrade ansioso

- Não sei, nunca gostei de charadas

-Você resolve charadas o tempo todo...

-Não, eu resolvo enigmas, quebra-cabeças. Fatos, ciência, lógica, é com isso que trabalho. Charadas exigem interpretação humana, as vezes dizem o que dizem, outras vezes dizem o oposto, elas são tão imprevisíveis quanto as emoções e sentimentos das pessoas. - ele olhou para John ao pronunciar essa última frase e o  médico por algum motivo se sentiu desconfortável 

-Então, o que nós fazemos? Esperamos mais alguém morrer? - disse Lestrade - O único motivo para eu estar aqui é precisar de sua ajuda, você insiste que esses crimes estão relacionados...

-Porque estão

-Ótimo, mas eu preciso mais que isso para pegar o culpado, para começar seria ótimo saber quem ele é. 

-Ele é o diabo, - disse Sherlock - E por enquanto isso é tudo o que sabemos...

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