Capítulo Dez

Um momento embaraçoso se seguiu à entrada de Sherlock. Molly não pareceu se importar muito, se possível ela se aproximou ainda mais do namorado ao ver o detetive. John por outro lado corou horrivelmente e tentou se desvencilhar da mulher.

Holmes enquanto isso parou chocado na porta por alguns segundos, recuperando-se rapidamente, continuou seu caminho pelo apartamento ignorando a inexplicável pontada de ciúmes que a cena havia causado e sentou-se em sua poltrona.

- Acho melhor eu ir - Disse Molly, finalmente percebendo o desconforto de seu companheiro

Ela pareceu magoada por sua partida não ser contestada pelo homem, mas disfarçou dando um beijo em seus lábios e prometendo que iam se encontrar na noite seguinte para jantar.

Quando a mulher saiu, John ficou em silêncio por alguns momentos enquanto observava seu amigo, que tinha os olhos presos em seu celular. Ele não sabia porque estava tão embaraçado ao ser flagrado com Molly. Desde que mudou-se para Baker Street, John havia saído com várias mulheres e não se sentiu constrangido ao ser pego com elas. A lembrança de suas antigas "namoradas", o levou a perceber que realmente fazia um grande tempo desde seu último encontro, mais especificamente, desde a noite em que a identidade de Moriarty foi revelada, vários meses atrás.

Percebendo que Sherlock não iniciaria qualquer conversa, fosse por estar distraído com seu telefone ou por estar em um de seus humores ácidos, e se sentindo incomodado com isso, Watson finalmente resolveu falar.

- Então, você ficou a maior parte do dia fora, alguma novidade sobre o caso?

- Não - Sherlock nem ao menos desviou o olhar da tela para responder

- Isso é um "Não, eu não tenho nenhuma novidade" ou um "Não, eu tenho novidades, mas não vou compartilhar até que alguém tente nos assassinar"?

John conhecia Holmes, talvez não tão profundamente quanto gostaria, mas certamente mais que qualquer outra pessoa, incluindo Mycroft. Ele não esperava um pedido de desculpas por todas as vezes que sua vida foi posta em risco pelas ações do amigo, então não ficou surpreso quando não recebeu nenhum. As coisas com Holmes sempre foram assim, era preciso estar preparado para desviar de balas até indo a padaria, para perseguir um suspeito até os esgotos e nunca esperar desculpas ou remorso por qualquer ferimento físico ou emocional.

Quando não obteve resposta, John sentiu a raiva se formar. Ele havia passado por cima de muita coisa para manter sua amizade com Sherlock, mas estava se tornando demais, especialmente depois de ser acusado de seguí-lo como um cachorro dias atrás. Moriarty havia se referindo a ele de uma forma similar naquela noite na piscina e isso só piorava as coisas.

- Ótimo - Ele disse exasperado - Só espero que esse seu silêncio não acabe durante a madrugada, porque se eu acordar às duas da manhã te ouvindo tocar violino, vou jogar aquela coisa pela janela.

Quando Holmes permaneceu em silêncio, ele saiu irritado em direção a seu quarto, passando por Sherlock olhou de relance para o celular em que ele ainda mexia. Sentiu a raiva aumentar quando viu que não eram pistas que o homem estava analisando e sim um daqueles jogos em que se atira facas num Alvo que gira. Sherlock o estava ignorando por isso?

- Acho que agora a Senhora Hudson pode finalmente relaxar quanto a integridade de suas paredes - O comentário que em outra ocasião seria bem humorado saiu demasiado áspero.

John havia acabado de subir o terceiro degrau da escada para seu quarto quando Sherlock finalmente falou. Para a surpresa do médico não foi nada relacionado ao caso ou a seu último comentário.

- Ela não gosta de você

- Perdão?

- Molly, ela não gosta de você - Repetiu o detetive simplesmente

- Oh, e quais foram as pistas para essa brilhante dedução? - John disse irritado - Micro expressões? Porque nós dois sabemos o quanto você é bom em ler pessoas.

- John, ela se aproximou de você por minha causa, pensei que mesmo você fosse capaz de ver isso. - Sherlock finalmente desviou os olhos do celular para na sua direção

- Até mesmo eu? - O médico desceu os degraus que havia subido para encarar seu amigo. - Está brincando comigo? Aquela mulher usou todas as oportunidades para atrair sua atenção e você agiu como se nem soubesse o que ela estava fazendo.

- Qualquer um podia ver o que ela estava fazendo, John, apenas achei que deixar as coisas assim, seria mais gentil que dizer...

- Você está falando sério? Deixar Molly acreditando que pode ter uma chance com você todo esse tempo? Dar esperança para ela? Você realmente que isso foi gentil?

- Eu nunca disse que ela teria uma chance comigo... - Sherlock se levantou parecendo ofendido

- E também nunca deixou claro que não. As pessoas tem sentimentos, Sherlock - John estava quase gritando agora - Não que você saiba o que é isso.

- John, isso é sério? Se você sabe do interesse de Molly em mim, por que está saindo com ela?

- Ela está tentando esquecer você

- Me esquecer? E de todos os homens com quem ela poderia sair, escolheu meu colega de apartamento? - Sherlock levantou as sobrancelhas

- Ela não me escolheu, Sherlock - John não podia deixar de estranhar a atitude de seu amigo e a forma como estava atacando seu relacionamento, especialmente de uma maneira tão emocional, Sherlock era lógico, não emocional - Eu me aproximei de Molly e nós saímos. Sim ela ainda gosta de você, mas eu também estou tentando esquecer... Não importa. Somos adultos, estamos juntos e é isso, não sou uma adolescente que precisa da aprovação dos pais.

John voltou a subir as escadas mas parou no meio do caminho e se virou para encarar o parceiro.

- Eu não sei o que está acontecendo com você ultimamente. Saindo sem falar comigo, não compartilhando o que sabe sobre os casos, me comparou a um maldito cachorro - A raiva na voz de John era palpável

- John

- Foi você quem me arrastou para aquela cena de crime há um ano, e a todas as subsequentes. Não posso dizer que contra a vontade, porque em algum momento eu realmente passei a gostar. Mas se quer me afastar disso agora, seja por qualquer motivo, apenas diga isso. Seja objetivo como você sempre foi...

- John - O chamado de Sherlock foi novamente ignorado quando o homem continuou a falar

- E quanto a Molly, eu não vou desistir dela, mas se nos ver juntos traz algum desconforto, sugiro que ligue para ela. Talvez essa sua atitude seja porque você se sente atraído por ela também - Watson continuou dessa vez com amargura - Ao contrário de você, eu posso identificar emoções e tenho quase certeza de que está com ciúmes.

O detetive observou John subir o restante dos degraus, sua boca ainda meio aberta com a última observação do amigo. Por mais difícil que fosse admitir, sabia que ele estava certo. Sherlock Holmes estava com ciúmes.

- O problema - murmurou para si mesmo, quando Wattson estava fora de vista - É que não acho que seja de Molly

Gente, foram dois longos anos mas finalmente consegui escrever um capítulo. Definitivamente não foi bom como esperava, talvez pela falta de prática, ou só porque não escrevo bem mesmo. Sherlock e Watson ficaram meio fora do personagem. Mas eu realmente estou me esforçando para terminar isso porque sei o quanto é horrível começar a ler algo e descobrir que não tem um final. Desculpem por todos os erros. Prometo que vou tentar atualizar antes de 2022.

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