Thomas
Alguns dias se passam, parece que a cada momento a pulseira de Lynn brilha ainda mais. Não me canso de olhá-la. Ela está em cima do meu criado-mudo, bem ao lado da minha cama, assim, quando eu acordo, a primeira coisa que vejo é aquela preciosidade, aquele pedaço da Lynn.
Agora é oficial; a Lynn vai me salvar dessa maldição, ela é uma garota incrível, nunca senti por nenhuma outra garota. O sorriso, o olhar, os lábios e o corpo dela são perfeitos, esculpidos por Deus. Mas o problema é que ela ainda não gosta de mim, o que Lynn sente por mim é apenas amizade, porém eu quero mais de isso, quero que ela me ame.
Quando penso na Lynn, também me lembro quando ela se afastou de mim repentinamente, isso é estranho porque aconteceu quando ela e Naomi viraram amigas... Aquela vadia desgraçada tem alguma haver com isso! Eu tenho certeza disso!
Estou na sala de estar, olhando para a pulseira de Lynn. Minhas veias estão pulsando, então fecho os olhos, respiro profundamente e espero a dor passar. Sinto as veias pulsarem ainda mais, guardo a pulseira no bolso da minha calça e subo lentamente a escada. Vou para o corredor me contorcendo de dor e entro no meu quarto.
Tiro a camisa e deito na cama. A dor está insuportável, minha cabeça dói, meu corpo inteiro dói, preciso descansar um pouco. Quando me viro, vejo Naomi deitada do meu lado.
-Olá Thomas.
De repente, caio da cama. Naomi sorri ao me ver todo estirado no chão.
-Como entrou... Aqui? -pergunto.
-Tenho meus truques, parece que você está um pouco dolorido... -Naomi sorri com um jeito de segundas intenções.
-Eu não sou um boneco de vodu, sua louca!-grito e me levanto.
-Mas é minha marionete.
-Saia da minha cama! Não quero que sua sujeira fique nos meus lençóis!
-Lençóis egípcios... -ela sente o tecido e se contorce, como se estivesse no cio.-Tão delicioso... E pensar que eu queria me deitar com você.
-Sorte que isso não aconteceu, eu não gostaria de ter um orgasmo com você.
-Tem certeza?
Naomi tira a blusa vermelha de mangas longas que estava usando. Por baixo, ela está usando uma regata preta justa. Minhas veias ficam vermelhas, isso me desespera, pois significa que estou excitado.
-Você está gostando disso, não é? -ela diz com um tom provocativo e olha para as minhas veias.
-Malditas veias... -sussurro.
-Não as culpe, Thomas. -ela se encosta na cabeceira da cama e faz um sinal para que eu me deite. -Venha.
Me afasto e mexo a cabeça como se recusasse o convite. Naomi me olha fixamente e aquela dor volta, só que bem mais forte. Me jogo na cama e agarro os lençóis.
-Faz... Isso... Parar! -berro.
Lentamente a dor começa a passar, mas continuo me contorcendo.
-Por que está fazendo isso? -pergunto, sem olhar para Naomi.
-Isso o quê?
-Me torturando, você não tem sentimentos, Naomi.
-Você é que não tem sentimentos, Thomas, se você não tivesse me rejeitado, você não estaria assim.
-Se eu não tivesse te rejeitado, eu seria infeliz.
-Você falando de felicidade? Isso é um milagre... Eu queria ficar com você, Thomas, nem que fosse por uma hora, eu queria que você me olhasse de um jeito diferente. -uma lágrima escorre no rosto dela e ela a enxuga rapidamente. -Mas você estragou tudo, Thomas! TUDO! O culpado dessa maldição não sou eu, é você!
-Você é completamente louca! Eu vou me salvar dessa maldição!
-Você não vai ser salvo, Thomas!
-Como é que você tem tanta certeza disso?
-Eu disse que você teria que se apaixonar verdadeiramente por alguém porque é uma utopia, é impossível de acontecer, sendo assim você vai ficar para sempre... Não existe amor verdadeiro quando se trata de você.
Quando ela disse aquelas palavras, a raiva me consumiu. Eu não sou esse monstro que Naomi diz, ela é o monstro, ela é a verdadeira culpada dessa maldição porque foi ela que a lançou. Com fúria, me aproximo dela, lhe dou um forte tapa no rosto e ela cai da cama.
-Você é uma vadia!
-E você é um idiota! -ela se levanta e põe a mão na bochecha que lhe dei o tapa. -Um idiota que não ama ninguém! Ninguém vai te amar, Thomas, porque as pessoas não se apaixonam por um monstro!
-O feitiço pode virar contra o feiticeiro.
-Adorei a ironia, mas isso não vai acontecer, eu sou muito mais esperta que você!
-E mais convencida também.
-Idiota! Isso ainda não acabou, Thomas, eu vou te devolver esse tapa!
-Saia daqui! Saia daqui agora!
A dor volta novamente. Fecho os olhos e me contorco de dor. Naomi está se divertindo ao ver minha dor. Quando abro os olhos, ela não está mais lá. Como aquela vadia entrou no meu quarto e como saiu?! É algo sobrenatural. Sobrenatural também foi as palavras cortantes dela:
O culpado dessa maldição não sou eu, é você!
Eu disse que você teria que se apaixonar verdadeiramente por alguém porque é uma utopia, é impossível de acontecer, sendo assim você vai ficar para sempre.
Ninguém vai te amar, Thomas, porque as pessoas não se apaixonam por um monstro!
O que Naomi seria capaz de fazer ao descobrir que estou apaixonado por alguém? E se descobrisse que esse alguém é a Lynn? O desespero percorre no meu corpo. Se a Naomi foi capaz de me jogar uma maldição, ela poderia... Matar a Lynn. Naomi sempre teve inveja dela e sua morte seria um triunfo.
Tento apagar essa suposição, mas não consigo. Então pego a pulseira de Lynn e fico a observando por longos minutos. Em seguida, pego meu celular e disco o número da Lynn. No terceiro toque, ela atende.
-Alô?
-Lynn, sou eu, o Thomas.
-Ah Thomas... -sua voz mostra extrema alegria. -Está tudo bem?
-Está, eu só... Queria ouvir a sua voz.
Lynn dá um leve risinho. O que eu disse é verdade, eu quero ouvir a voz doce dela, porque já que a Lynn é o meu remédio, sua voz é minha bula.
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