Capítulo 21



Thommas se remexeu no banco, tentando descobrir até quando Roberta conseguiria mexer tanto com ele. Olho-a nos olhos e viu que no fundo daqueles lindos olhos tinham dor, algo não se encaixava. Ele precisava tentar mais uma vez.
Reaproximou-se dela e levou suas duas mãos até o rosto da mesma e depois colou suas testas para falar baixinho:
- Se você não sente, por que seus olhos estão assim? Por que eles insistem em te desmentir? - ele indagou franzindo a testa, demonstrando toda sua aflição.
Roberta fechou os olhos por uns segundos, não podia chorar ali. Assim como não podia dizer a verdade total a ele. Porque a verdade era que aquele amor, ela realmente não sentia, mas estava apaixonada. Além disso, tinha Lindsay. Se não existisse Lindsay poderia se entregar totalmente a ele, só que ela continuava lá, no coração e até mesmo nos olhos de Thommas. Por que se arriscar em algo que já está fadado ao fracasso?
- Você está tentando ver o que deseja ver, Thommas. - falou, tentando manter a voz o mais firme possível.
- Então você não sente nada, é isso? - tentou arrancar a verdade de outra forma.
- Você sente algo, mas ama sua ex. Também sinto algo parecido, e assim como você não precisa me amar pra sentir, eu também não te amo. – explicou.
"Talvez o que eu sinta por você nunca deixe de ser amor, Magrela" Thommas pensou, mas sabia que isto não faria o mínimo sentindo na cabeça fechada dela. Então, apenas a beijou novamente.
Deus, como estava sendo difícil para ela dar aquele beijo. Beijar alguém que você gosta, mas que esse alguém gosta de outro alguém, aquilo não estava certo. Buscou forças de onde nem sabia que tinha e espalmou as duas mãos no peito dele para que o mesmo se afastasse.
- Nunca, nunca mais, Thommas, faça isso. Não me venha falar de sentimentos por mim quando nós dois sabemos que você ama outra, não faz isso. – ela começou a falar com uma clara mágoa na voz e nos olhos. Ele não tinha o direito de fazer aquilo. Não quando ela sabia de tudo sobre ele. - Posso ver nos seus olhos que você queria uma resposta positiva minha, mas consegue ver o quanto isso doeria? Não em você, claro, mas em mim. Você ama outra pessoa, é incapaz de me fazer feliz. Posso ter sido uma vaca com você várias vezes, mas eu nunca pedi que me amasse quando eu sabia que não poderia te amar de volta. É egoísmo demais. – finalizou, pronta para se levantar e ir embora.
- Eu e a Lindsay não temos nada!
- Você consegue ficar solteiro, acredite em mim. Não é tão terrível quanto pensa. - ela respondeu, tentando forçar um sorriso.
Ele não podia cobrar isso dela. Já bastava todos os novos sentimentos que ela tinha descoberto, o fato de estar apaixonada por alguém que amava outra, ele não tinha o direito de querer que ela o amasse.
- Eu não estou falando que você é obrigada a me amar.
- Mas é isso que parece. - cortou-lhe, irritada e magoada.
- Eu só quero saber se existe a mínima chance de um dia isso acontecer.
- Por que isso importa tanto, Thommas? - indagou, tentando conter a onda de sentimentos que tomava conta dela.
Thommas respirou fundo, as palavras seguintes iriam doer tanto nele, quanto nela. Ele sabia disto. Mas era a hora de parar com aquilo.
- Porque se a resposta for sim, eu estarei pronto para esperar a hora de tentar novamente. Mas se a resposta for não, ao levantar deste banco, esse tal e se morre para sempre. - respondeu, bufando no final.
- Isso é um ultimato? – indagou irritada, como ele sabia que ela ficaria.
- Não. É só o ponto de vista de alguém que está cansado dessa coisa toda.
Ela poderia ter sentido várias coisas naquele momento, mas só conseguiu sentir raiva. Ele estava mesmo cobrando algo dela quando ele nem estava disponível?
- Curta sua vida, eu não vou te prender a nada nem a ninguém.
Ele já esperava uma resposta desse tipo, por isso, mesmo um pouco triste, não se abalou nem voltou atrás em suas palavras. Estendeu a mão a ela e falou:
- Então, melhores amigos? Pronta para acabar de uma vez por todas com isso e ser a mesma coisa para sempre?
Roberta sentiu o coração acelerar com aquela pergunta e o olhar decidido de Thommas. Ele não estava brincando. O encarou novamente e não conseguiu deixar seu orgulho de lado e talvez cair no jogo dele e implorar que ele não fizesse isso.
Estendeu a mão também e respondeu:
- Melhores amigos para sempre, isso se você não me abandonar algum tempo deste. - respondeu, tentando fazer uma piada para buscar algo divertido naquilo.
- Agora eu não preciso mais me afastar de você, Magrela. - ele respondeu, com um sorriso tão largo que ela acabou acreditando que ele estava mesmo feliz com aquela decisão. Mesmo que por dentro ele sentisse um pedaço seu estar sendo arrancado para fora.

Madeline tinha reunido as duas amigas para uma espécie de noite do pijama. Achava que era a hora de contar porque estava tão mal durante aqueles dias e porque nenhum dos conselhos preocupados das meninas pareciam surtir algum efeito. Queria que elas soubessem que não eram amigas ruins e incapazes de compreendê-la, o problema nunca esteve nelas.
- Por que você está com essa cara? - Francine indagou, percebendo que Mandy não parecia tão alegre como deveria estar para colocar os papos em dias.
- É que eu queria explicar umas coisas a vocês. Fazer com que finalmente vocês vejam sentindo nessa fossa que ando.
- Seria ótimo. - Fran respondeu. - É sempre bom entendermos os motivos malucos que fazem uma princesinha como você, deixar um príncipe como o Henry. – finalizou rolando os olhos. Nunca entenderia aquela separação.
- A princesa - Mandy ironizou um pouco o termo da amiga - tem uma doença que pode a impedir de ter filhos, principalmente se ela demorar para isso.
- O que?! - Roberta perguntou e exclamou ao mesmo tempo, um pouco chocada com as palavras da amiga.
- Isso mesmo. Eu tenho endometriose.
Madeline se preparou para aquele momento de contar a verdade para as amigas. Por isso, não ficou tão mal em colocar tudo para fora nem ao encarar os olhares chocados das meninas.
Mediante ao silêncio de Roberta e Francine, ela resolveu falar sobre como era a doença.
- E bom, essa doença ela pode impedir...
- Sabemos o que é endometriose, Mandy. - Robin falou calmamente. - Sentimos muito, mas acreditamos que tudo vai ficar bem para você. Acredita em mim.
- Obrigada. - foi tudo que a menina respondeu de volta.
- Posso fazer uma pergunta? - Fran perguntou, levantando a mão.
- Sim.
- Onde isso entra no seu término com o Henry? - ela estava mesmo confusa. Como estar doente poderia impedi-la de seguir a vida?
- Eu posso não ter filhos, Fran. Mesmo se fizer o tratamento, possa ser que eu não tenha filhos. Não quero privar o Henry disto.
- Mas ele nem queria filhos. - Roberta argumentou.
- Não queria agora, mas quer um dia. Ele me disse isso.
- Adota. - Fran deu uma sugestão que parecia bastante óbvia.
- Ele disse que queria ver minha barriga crescer, pirar com os meus desejos... Se eu adotar, não teremos nada disso. – respondeu cabisbaixa.
Roberta respirou fundo antes de falar o que achava. Ela entendia a preocupação e dor da amiga, quase todas as mulheres sonham em serem mães, e ver que há possibilidades de que isso não aconteça devia doer demais, mas isso não era motivo para sua amiga largar o cara que ela amava e que lhe amava de volta. Não mesmo!
- Mandy, você sabe que isso ainda assim não é motivo, não é? - Roberta perguntou como se fosse óbvio.
- É sim!
- Não é não! - Fran falou um pouco mais alto.
O que aquela menina tinha na cabeça? Henry a amaria independente disto e todos sabiam.
- Mas...
- Mandy, você ao menos disse a ele? O Henry não é do tipo de cara que te deixaria por causa disso. O Henry te ama com ou sem criança e é um verdadeiro cavalheiro, capaz de amar uma criança vindo ela de dentro de você ou não. Fora que isso ainda são POSSIBILIDADES, você sabe, né? Sua doença tem tratamento, você é nova, tudo pode dar certo! As estatísticas estão ao seu favor. Não deixa essa doença mudar toda sua vida, caramba! - Robin finalizou deixamos as mãos caírem com força em sua coxa.
- Amo vocês, meninas. - Madeline falou, se jogando nos braços das amigas.
- Se nos ama, vai nos prometer uma coisa. - Francine disse, em meio ao abraço.
- O que? - as outras duas indagaram curiosas.
- Você vai falar com o Henry. Contar pra ele o que aconteceu e o que pode, talvez, acontecer. Não quero você sofrendo por causa de uma coisa que pode ser resolvida com uma conversa.
- Mas e se ele... - Madeline começou, mas Francine cortou-a.
- O Henry não vai fazer isso, e se fizer, que ele se dane. Mas você tem que contar e dar-lhe uma chance de escolha.
- Tudo bem. - concordou, sabia que ela tinha razão.
- Ótimo. Porque de vida amorosa complicada, já basta a da senhorita aqui. - falou, apontando para Roberta que rolou os olhos.
- Como assim? O que eu fiz? - ela respondeu, fingindo de desentendia.
- Como assim o que você fez? Você não decide o que quer com o Thommas e fica aí, com essa cara de cachorro que caiu da mudança. - disse rindo e apontando para o rosto da amiga com desdenho.
- É, Robin. Se eu vou me resolver com o Henry, você deve fazer o mesmo. - Madeline disse empolgada. Ela gostava muito de ver todo mundo feliz. Sentir-se preenchida com a felicidade de quem amava.
- Não contei para vocês? - Robin indagou, já pronta para vestir sua máscara de garota inabalável, mesmo que estivesse triste por dentro. - Já nos resolvemos. - deu de ombros.
- Sério? - as meninas indagaram já aos risos.
- Sim. Somos melhores amigos e seremos sempre assim. Simples. - e novamente deu de ombros, tentando demonstrar indiferença.
- O Thommas te sugeriu isso? - Madeline perguntou.
- Meio que sim, meio que não. Ele disse que eu precisava decidir o que queria. Se sentia algo por ele para que ele ainda permanecesse aqui. Se eu não o escolhesse, ele estava oficialmente colocando um fim nesse drama adolescente que andava sendo nossas vidas. - rolou os olhos, novamente tentando parecer indiferente àquele assunto.
Metade de si queria que as meninas comprassem sua história e seguissem com outro assunto, já a outra queira poder falar tudo que estava sentindo para as amigas, acompanhada de um grande pote de sorvete.
Jesus, ela estava mesmo dentro de um drama adolescente. Jamais perdoaria Thommas por isso.
- E você disse que não queria? - Mandy indagou horrorizada, tirando-a dos seus devaneios.
- Não me olha com essa cara, tá bom? Parece até que acabei de cometer um assassinato. - falou, rolando os olhos para aquele espanto todo. - Mas sim, eu meio que disse isso. Ele ama a Lindsay e eu não estou a fim de ser lencinho pra ninguém. Ele que vá chorar suas pitangas para lá. – disse, balançando as mãos e sinalizando que queria ele longe.
Francine rolou os olhos e bufou.
- Como se fosse isso mesmo que você quisesse. - falou.
- E é!
- Sério? Por que se eu bem me lembro, poucos dias atrás você tava toda tristonha por causa dele, pensando até em um selinho que tinham dado. Jura que não quer esse garoto?
- Não se trata de não querer. - defendeu-se, um pouco impaciente. - Se trata de que é melhor assim. Valorizo muito mais sua amizade do que seus beijos.
- Por que será que eu acho que isso vai dar merda? - Mandy indagou alto.
- Porque vai dar, Mandy. Vai dar. - Francine respondeu antes de Roberta, fazendo-a praguejar baixinho.

- Então, você e a Mary estão se entendo, Derek? - Henry perguntou.
Estavam todos quatro reunidos na casa de Henry para mais uma vez comer da boa comida do amigo, e enquanto a mesma não ficava pronta, resolveram falar de um dos seus assuntos preferidos: mulheres.
- Se ela baixasse a guarda, sim. Mas ela não parece mais interessada. - disse, dando de ombros.
- Não é pra menos. - Thommas comentou como quem não quer nada.
- Nem vem, está bem? Eu estou arrependido. Até o Daniel já me desculpou, ela também deveria fazer isso.
- Eu não te desculpei. - Daniel disse calmamente. - Eu só resolvi que você é babaca demais pra que eu te odeie. E isso é sempre mais fácil entre homens, e também entre amigos. Mas ela era sua ficante, namorada, sei lá.
- Você por acaso ainda tem raiva da Fran?
- Não. Mas a gente tinha um rolo diferente do de vocês. E como eu disse: você é babaca demais, ela também foi algo aparecido. Só não tanto quanto você. Mas eu escolhi que não valia a pena guardar raiva de nenhum dos dois. Ela é uma menina legal, nem entendi por que sumiu.
- Você ainda ficaria com ela, não ficaria? - Henry perguntou rindo do sentimentalismo do amigo.
Daniel ponderou sobre aquela pergunta. Antes a resposta seria um grande sim, mas muita coisa tinha mudado, muito embora não fosse contar isso aos amigos.
- Antes, sim. Hoje, talvez. Mas dessa vez não esperaria nada mais que uma amizade com benefícios. Talvez isso também dê certo com você e a Mary, Derek. - Daniel sugeriu.
- Eu não queria ter isso com a Maredith, Daniel. - falou e rolou os olhos. - Eu estou mesmo arrependido.
- A que ponto chegamos. - Thommas falou em um tom dramático. - O Daniel é o menos sensível de nós quatro. Estamos mesmo perdidos.
- Vai se danar. - Daniel falou, jogando uma almofada no amigo. - Eu só escolhi que não vale a pena ir atrás de quem não me quer. Vocês três deveria pensar em fazer o mesmo. Assim poderiam enxergar outras possibilidades.
Henry iria falar algo quando seu celular vibrou e viu o nome amor na tela. Era uma mensagem de Madeline.
"Será que a gente poderia conversar?"
- Falando nelas. - ele falou baixinho.
- Quem é? - os meninos perguntaram curiosos.
- A Mandy.
- Hmmm. - foi a única coisa que eles falaram antes de mudarem sua atenção para algo que passava na tevê.
"Quando?" Henry respondeu.
Demorou menos de um minuto para a resposta chegar.
"Assim que você puder."
Ele logo pensou em mandar os meninos irem embora, mas Madeline tinha acabado com ele sem motivos, ela poderia esperar até o outro dia.
"Posso amanhã." Respondeu.
"Passo na sua casa, então?"
"Claro. Mas... Por favor, dessa vez faça sentido."
Madeline sabia que ele estava certo em fazer aquele pedido. Até podia imaginar seu amado passando a mão nos cabelos e depois expirando forte, era sempre assim que ele ficava quando estava aflito.
Sorriu um pouco, feliz por saber que amanhã colocaria tudo em pratos limpos, estava tão aliviada. Mas na mesma medida que o alívio por contar a verdade chegava, o medo de que ele temesse o futuro junto a ela também começava a tomar conta.
- Você precisa acreditar nesse amor de vocês, Mandy. - Fran falou quando a mesma largou o celular. - Eu, que nem sou ligada nisso, acredito. Acho que está na hora de você acreditar também.
- Você sabe ser um amor quando quer, sabia? - a garota perguntou com um sorriso grato nos lábios. - Obrigada por estarem aqui. - agradeceu as duas amigas.
- Sempre vamos estar. - Robin respondeu, puxando as duas para cama e rindo em seguida.

Henry caminhava de um lado para o outro dentro da sua própria sala, já estava até ficando tonto com seus próprios movimentos de vai e vem. Por que ele tinha que ser tão apaixonado por Madeline? O que aquela morena fez com ele para que o mesmo só conseguisse pensar em desculpar seja qual foi o motivo que a levou a acabar o namoro? Ele era o homem mais bobo da história e tinha pela consciência disto. Mas no fundo não sentia vergonha desse amor, quantos de nós temos a chance de passar por essa vida ao lado de quem ama? Podia até ser um bobo, mas também era um sortudo e também sabia disto.
Escutou finalmente alguém tocar em sua casa e suspirou aliviado, Madeline nunca tinha demorado tanto para chegar em sua casa como naquele dia. Ou ela nem tinha demorado tanto assim, era só a teoria da relatividade do tempo sendo provada naquele exato momento por ele. Abriu a porta e tentou conter o sorriso ao ver o rosto da sua garota, mas ela não conteve, riu e suspirou como sempre fazia quando o via.
- Posso entrar? - Mandy indagou, um pouco sem jeito.
- Claro. - Henry respondeu, tentando inibir sua vontade de tomá-la nos braços e beijá-la.
- Desculpa a demora, sabe como é o trânsito.
"Então ela realmente demorou." Henry pensou.
- Tudo bem. - deu de ombros. - Bom, - iniciou de maneira cautelosa - você disse que precisava conversar comigo.
- É. Acho que te devo algumas explicações, né?
- Não sei se é legal da minha parte concordar, mas sim. Com toda certeza. - falou, finalmente demonstrando alguma emoção. Aquela maneira distante já estava deixando Madeline nervosa.
- Eu só quero que você escute tudo. Tanto nosso término, como o motivo, são algo que dói demais e quanto mais rápido eu falar, melhor.
- Tudo bem. - limitou-se a dizer, mesmo nervoso com aquele início de conversa.
- Faz uns meses que eu estava sentindo dores fortes durante meu período menstrual, até te falei uma vez. Bom, eu fui ao médico e fiz alguns exames para descobrir de onde vinham aquelas dores tão fortes e descobri que tenho uma doença chamada endometriose. Que não entrando em méritos médicos, já que não vais entender, basicamente ela deixa a possibilidade de infertilidade batendo na minha porta. Há tratamentos, claro, mas também há essa possibilidade e isso a gente descobre tratando. Quando eu soube fiquei tão arrasada, você sabe do meu sonho de ser mãe, ver tudo podendo desmoronar me deixou em pânico, até porque várias mulheres tratam e começam logo a tentar, para ver se está dando certo. Agora você pode entender um pouco do meu medo de você só querer pensar nisso bem mais tarde do que eu. - Madeline parou um pouco, mas Henry continuava calado, então, continuou: - Naquele dia no shopping você estava dizendo tudo que tecnicamente eu queria escutar, falou que mudava seus planos, que me amava... Mas daí você falou de como queria me ver de barrigão, enlouquecer com meus desejos e aquilo me deixou em pânico, não é certeza que posso te dar isso, Henry. Eu não achei justo ficar com você e talvez tirar esses seus sonhos. - finalizou, respirando fundo e tentando não chorar.
Henry ficou em silêncio mais alguns segundos, apenas para se certificar de que ela tinha mesmo acabado. Percebendo que Madeline não tornaria a falar, respirou fundo e falou:
- Por que você me escondeu isso esse tempo todo? Naquela sua fase para baixo era isso, não era? Por que você me manteve longe em um momento que te doeu tanto? – ele indagou, não escondendo a mágoa e a decepção.
- Eu não queria que você tivesse pena de mim, não queria que você talvez abrisse mão de seus sonhos porque estava me vendo sofrer.
Henry sorriu sem humor. Aquilo não fazia o menor sentido em sua cabeça. Ele a amava, e a amaria com ou sem gravidez. Não se tratava de pena, falta de opção, ou seja lá o que ela poderia pensar, se tratava de amor. Quando alguém ama outro alguém, ele vai estar ali para tudo, inclusive nos seus momentos mais dolorosos, e ele não estará lá por obrigação, mas porque ama. Simples.
- Eu não estou com pena de você, Mandy. Esse não seria e nem é o motivo que me faz não entender porque você me privou desse lado da sua vida.
- Eu só não queria forçar a barra, te fazer tomar uma decisão baseada na emoção e depois te ver infeliz. Eu pensei na nossa felicidade. – ela tentou argumentar, quase implorando que ele a entendesse.
- Você acha que conseguiu algo? - ele perguntou forçando um riso. - Acha que estamos felizes? Aquele dia que você me deixou foi um dos piores dias da minha vida, eu achei que estava fazendo tudo certo e você foi lá e acabou com tudo por eu escolher o que você sempre quis. Acha mesmo que fez a melhor escolha? - indagou um pouco irritado. - Você escolheu por mim e não poderia ter feito algo pior que isso.
- Eu posso não ter filhos, você quer ter. - tentou argumentar.
- Eu não ligo se você vai ficar grávida ou não, se um dia vamos ou não ter filhos. Eu ligo para o que a gente sente um pelo outro, para o amor que eu sempre achei que era recíproco. O resto, Mandy, pode ser muito importante, mas não mais do que o amor que eu sinto. - falou, exasperado.
- Então, você... - falou e deixou que ele continuasse.
- Te amo? Por que acha que aceitei conversar? - perguntou, mostrando o quanto aquela pergunta nem fazia sentido. - Te amo com ou sem bebê, Madeline. Te amo mesmo que você tenha diversos filhos com nosso sangue, ou se todos eles não tiverem vínculo sanguíneo conosco. Eu te amo e amarei qualquer família que formar com você.
- Meu, Deus, Henry! Como eu amo você. - Madeline falou entre risos e lágrimas e depois se jogou nos braços do amado, torcendo para não ser rejeitada.
Mas como ele poderia rejeitar ela? Ele a amava!
Henry ria abraçado a ela, que saudade sentia de tê-la em seus braços.
- Nunca mais faça isso conosco, Mandy. Seja qual for a questão, vamos decidir juntos.
- Eu nunca mais vou ficar longe de você.
- Para sempre. - falou com um sorriso bobo.
- Para sempre. - ela confirmou sorrindo de volta.

***



- Então deixa eu ver se entendi: Thommas e Roberta agora serão apenas melhores amigos para sempre. Sem aqueles olhares, sem o cuidado que um só tem com o outro, sem aquele clima. É isso? - Hope perguntou para Thommas.
Ela sabia que aquilo não daria certo, claro. Mas resolveu embarcar na do amigo, nem que fosse pra se divertir um pouco com as tentativas daqueles dois.
- Isso mesmo. Chega dessa coisa toda de Thommas e Roberta. Todos já cansaram disso.
- E é pra sempre, sempre mesmo?
Thommas encarou a amiga ao seu lado e percebeu que ela estava querendo apenas se divertir com a cara dele. Não tinha compreensão nenhuma, ela apenas queria anotar tudo mentalmente para rir depois.
- Você é a pior amiga que eu conheço, sabia? - perguntou, rolando os olhos.
- Mas eu fiz o que, Thommas? - ela indagou, já sem conseguir conter a risada. - Só estou tentando entender direito esse negócio aí.
- Vai te catar, Hope. - Thommas respondeu, dirigindo sem nem olhar para a amiga.
- Tudo bem, eu realmente não boto fé nisso. – confessou enquanto ainda tentava não rir da cara do amigo. - Mas em minha defesa, eu iria te apoiar, está bem? Mesmo sabendo que isso não daria certo.
Ela estava mesmo querendo limpar a sua barra, ou piorar? Porque se queria se limpar, não estava fazendo direito.
Thommas rolou os olhos e encarou Hope. Por que ela desacreditava tanto nele?
- Por que você tem tanta certeza de que não vai dar certo? Não escutou que foi de comum acordo?
- Escutei. - ela respondeu séria. - Mas é que não vai dar certo, Thommas. - concluiu com sinceridade e ternura.
- Por que não? - ela indagou um pouco irritado, o jeito fofo de Hope não iria amenizar nada.
- Porque vocês se amam! - respondeu alto dentro do carro, fazendo Thommas tirar os olhos da estrada e encará-la.
- Eu não a amo e ela nunca me amou.
- Ela acha que não te ama, ou melhor, ela não quer te amar, isso é bem diferente de nunca ter te amado. E você a ama sim, nunca deixou de amar.
Hope não tinha nenhum deboche típico dela na voz, estava mesmo sendo sincera. Thommas percebeu isso e bufou, frustrado.
- Eu amo a Lindsay!
- Você quer amar a Lindsay, amá-la, mesmo longe, é bem mais fácil que amar alguém que sempre esteve aqui e nunca foi sua de verdade. - foi a vez dela bufar de frustração. - E seria bem mais fácil se vocês percebessem logo isso em vez de ficar com essa coisa de bota casaco, tira casaco.
Thommas abriu a boca para tentar argumentar, mas Hope levantou a mão e cortou-lhe.
- Vocês se amam, Thommas. E deveriam ficar juntos o quanto antes, mas não enxergam isso. Não é a Lindsay, ignorância da Robin, Derek, Fanny ou qualquer outra coisa que vai mudar isso. A única coisa que pode acabar com tudo é essa falta de fé que vocês têm no que sentem. Tá mesmo afim de seguir com isso e talvez perder a única garota que você já amou na vida?
Ela queria ajudar, Thommas sabia disto, mas estava na hora de todos perceberem que se queriam mesmo servir de ajuda, deveriam tirar aquela ideia de que ele e Roberta eram um bom casal. Quantas vezes eles chegaram perto e depois não deu em nada? Alguém sabe como era ruim ficar longe dela e sem sua amizade? Eles não davam certo como casal, nunca dariam e já sabiam disto, agora restava todos os outros saberem.
- Você não sabe nada disso, Hope. Quando foi que amou alguém além de nós que somos seus amigos? Eu nunca te vi com ninguém! Sei que quer ajudar, mas faça isso quando entender do que fala. Porque ao contrário de você, eu entendo.
Hope encarou Thommas e precisou baixar o olhar para que não chorasse na frente dele. Ele não podia achar-se melhor que ela só porque já tinha namorado várias, ela, diferente dele, apenas esperava a pessoa certa e sim, já tinha passado alguns dias para baixo se perguntando por que ela era a única que não estava com ninguém. Thommas, que se dizia alguém tão perceptivo e amigo, nunca percebia o quanto sua autoestima estava baixa às vezes, não via que nem sempre ela estava tão sorridente como era, claro que não, ele preferia apenas falar de seus muitos relacionamentos e falsos amores. Mas ela finalmente parecia ter encontrado esse alguém que tanto esperava, e estava mesmo querendo dizer a ele a novidade, mas talvez ele não merecesse saber disto.
- Realmente. - confirmou com um maneio de cabeça. - Quem sabe mais de amor do que o cara que diz amar umas dez dentro de um ano, não é mesmo? Eu, uma mera mortal, nunca vou saber mais de amor do que você.
Depois de passado o calor da irritação e de escutar aquelas palavras, Thommas finalmente percebeu o quanto tinha sido grosseiro com ela. Encarou a menina e sabia, pelo vermelho que estava em seu nariz, destoando da sua pele muito branca, que ela queria chorar.
"Você é um babaca", pensou de si mesmo.
- Desculpa, por...
- Só cala a boca e me leva para casa. Se você entende ou não de amor, eu realmente não ligo. - concluiu respirando forte e olhando para frente para conter as lágrimas.
- Eu só...
- Cala a boca. - repetiu, pondo fim naquela conversa.

Thommas e Roberta estavam conversando por mensagem, como sempre costumavam fazer, quando ele decidiu contar a briga que teve com Hope.
"Hope e eu estamos brigados, ela já te contou?"
"Hã? Como você conseguiu a proeza de fazer a Hope se irritar contigo? Ela releva qualquer coisa que você possa fazer hahaha... Relaxa, amanhã vocês já estão de boa."
"Acho que dessa vez pisei na bola." Thommas escreveu, lembrando de como foi estúpido apenas por escutar a verdadeira opinião da amiga.
"Detalhes. Quero detalhes..."
Antes da resposta chegar, Roberta ficou se perguntando o que droga ele poderia ter feito para irritar Hope. Thommas era chato e poderia irritar muita gente, mas não Hope. A menina o amava como não parecia amar ninguém, ele era como se fosse o irmão mais velho dela. Seja lá o que tinha sido, deveria ser sério.
Como Thommas estava demorando para responder, ela mandou uma mensagem para Hope.
"Como assim você brigou com o seu amor? O que aconteceu?"
A resposta de Hope e Thommas acabaram chegando na mesma hora.
"Ela queria me convencer de algo que eu sei que não é verdade... Perdi a paciência, mas vou me desculpar." Thommas respondeu.
"Ele já te contou? Eu apenas disse o que todo mundo pensa." Hope enviou.
"O que era?" Roberta mandou para os dois, curiosa e disposta a ajudar naquela questão.
"Que vocês se amam, mesmo que não queiram enxergar isso. E essa coisa de só amigos não vai durar. Nunca dura." Hope mandou, já se preparando para talvez também escutar coisas parecidas com as que escutou de Thommas.
Roberta leu a mensagem e ficou sem saber o que responder. Todos achavam que eles se amavam? Será que Mandy estava certa e aquilo que ela sentia era mesmo amor? Não, claro que não. Quem ama não deixa a pessoa ir viver com outra, não é mesmo? E ela deixou, ela sempre iria deixar ele seguir a vida dele se soubesse que esse era o melhor.
Durante seus devaneios sobre amor e o que ela sentia, sentiu o celular vibrar com a resposta de Thommas. Tomou o celular na mão já sentindo um frio na barriga. E se lá estivesse escrito que iria se desculpar com Hope porque ela estava certa? O medo de deixar alguém que talvez amasse ir embora estava dentro dela, por isso, começou a ler a mensagem pensando que talvez, apenas talvez, valesse a pena quebrar aquele trato. Mas todos os seus planos acabaram quando ela leu a mensagem de Thommas.
"Já disse: bobagem. Nada que realmente tenha importância para mim, foi por isso que a gente brigou: ela queria que eu me importasse."
Talvez Roberta estivesse mesmo perto de amá-lo, ou até mesmo já estivesse o amando, ela não sabia qual das duas opções melhor se encaixava, mas depois daquela mensagem ela encontrou algo que encaixava perfeitamente: não importa o que ela sentia, os dois jamais estariam no mesmo timing.

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