Capítulo 1 - Já chega!


Era Janeiro, por volta das sete e meia da manhã de segunda-feira. A família Caller seguiu até a sala de jantar da mansão, como de costume. Rafael Caller sentou-se, clicou em um botão que ficava ao lado da mesa e logo uma espécie de jornal tecnológico surgiu à sua frente. Enquanto lia as notícias do dia, Evelyn, sua esposa, colocava, em cima da mesa de vidro, o café da manhã da família.

Paulo Caller e Melissa Caller eram irmãos gêmeos e médicos. Eles estavam sentados à mesa e comiam a especialidade de Evelyn — pão com recheio de queijo —, mas foram surpreendidos quando ouviram Rafael dar um grito e, consequentemente, deixou a perna enfaixada bater com tudo no piso de porcelana. Ele deu outro grito muito mais alto do que o anterior e começou a gemer de dor.

Evelyn correu para dar assistência ao marido, e com ela estava o filho mais velho, Paulo. Porém, Melissa continuou sentada e quieta, concentrada em comer o pão que estava em sua frente.

— O que aconteceu, meu amor? — Evelyn perguntou, enquanto levava a perna enfaixada do marido até a cadeira acolchoada.

Sem se dar ao trabalho de responder à esposa, Rafael virou-se para a filha mais nova e disse:

— Melissa, você quer me explicar iss... — Ele deu um gemido alto, pois a esposa fez um movimento rápido em sua perna, mas logo ignorou a dor e voltou a falar: — O que você pensa que está fazendo, hein?

— Isso mesmo que você viu, papai. Quero deixar claro que a partir de hoje estou deixando de ser seu fantoche! — a médica gritou, mas estava tentando a todo custo controlar a adrenalina que percorria pelo corpo.

Todos voltaram sua atenção para Melissa, que já tinha se levantado e estava com os braços cruzados. Mas Evelyn, que estava de frente para o jornal que era projetado, assim que terminou de ler a matéria, levou as mãos até a boca. Porém, sabia que se não fizesse alguma coisa naquele momento, a situação entre pai e filha ia piorar.

— Melzinha, você precisa se acalmar um pouquinho. Vamos terminar de tomar o café da manhã e depois podemos sentar para conversar melhor, está bem? — A veterinária agarrou o braço da filha e buscou guiar o corpo dela até a cadeira mais perto.

— Eu perdi o apetite, mamãe. — Melissa livrou o braço das mãos de Evelyn. — Não me incomodem hoje, eu não quero ver ninguém. — Assim que terminou de falar, deu uma última olhada em seu pai e seguiu até as escadas que davam em seu quarto.

A médica passou pela enorme porta que levava à cozinha e à sala de estar, depois caminhou tranquilamente até a escada que ficava bem no centro da sala de estar. Da cozinha, Rafael começou a gritar para que a filha voltasse, mas não teve sucesso.

— Volte aqui agora, não terminamos de conversar! — ele continuou gritando, só que mais alto do que antes.

— Não, papai — gritou de volta — Já te falei, não sou mais sua marionete.

Rafael então pegou as muletas que estavam posicionadas ao lado de sua cadeira e, depois de se equilibrar nelas, correu com dificuldade até a saída do cômodo. Ele fez o mesmo percurso que a filha e, quando ficou de frente para a escada, avistou Melissa no meio dela. Em seguida, tentou subir cada degrau com o máximo de velocidade que possuía. Porém, semanas antes, havia sofrido um acidente de carro, o que resultou naquela perna enfaixada. Mas Rafael apoiou-se no corrimão e fez da raiva o combustível para alcançar a filha no topo da escada.

Nesse meio tempo, Paulo e Evelyn correram até a escada para impedir uma tragédia familiar, mas Rafael não deu espaço para que eles pudessem argumentar. Continuou subindo degrau por degrau até que finalmente alcançou a filha no topo da escada. Em seguida, a puxou pelo braço e gritou:

— Você vai me ouvir, garota! Me explique que porcaria foi aquela, hein?

Acontece que, na primeira página do jornal, tinha a foto da família Caller. Todos usavam jaleco branco e olhavam para o patriarca da casa, Rafael. Na imagem, ele estava com uma tesoura grande cortando a fita vermelha ao lado do prefeito da cidade. Aquela cerimônia marcou a inauguração de mais um hospital Caller. No entanto, mais abaixo desta foto, vinha a de Melissa beijando um rapaz desconhecido. O título da matéria era: "FILHA MIMADA TRAI NAMORADO EM FRENTE AO HOSPITAL DO PAI".

Paulo e Evelyn encontravam-se parados ao lado de Rafael, mas não conseguiam dizer nada. Melissa realmente tinha feito uma grande besteira, isso eles não podiam negar. Sentiam-se decepcionados, só que mais decepcionado ainda estava Rafael. O médico nunca pensou que sua filha, sua pequenina filha, fosse capaz de fazer algo tão baixo, algo que ele mesmo praticava, mas não queria que eles — seus filhos — também praticassem.

— Traição, Melissa? Que tipo de pessoa você é agora, hein? Esqueceu do que fizemos por você? Nada te faltou, e você faz isso? Me explique agora! — gritou.

Assim que terminou de ouvir o que o pai lhe disse, Melissa sentiu as lágrimas quentes umedecerem o rosto. Estava com raiva, mas não ousou lhe responder, talvez o medo que sentia do pai ainda estivesse ali, querendo comandá-la.

A médica puxou o braço que até então estava nas mãos do pai, depois o encarou com fúria e, logo em seguida, tirou o jaleco branco que usava — usava apenas para fazê-lo de "casaco", pois o ar-condicionado da cozinha estava ligado no máximo!

— Eu quero te dizer, papai... que a partir de hoje, não vou pisar meus pés nos seus hospitais e não vou ser médica! — Ela jogou o jaleco no chão.

— Melissa! — Paulo gritou. — O que você está fazendo?

— Fazendo o que eu deveria ter feito há muito tempo, maninho. — Deu uma piscadela para ele e virou-se.

Melissa voltou a andar, deixando seu pai paralisado, boquiaberto. Ela passou pelo escritório da mãe, que ficava em uma área aberta no andar superior, virou à esquerda e seguiu até o corredor logo à frente, que tinha quatro portas ao todo, e duas delas davam nos quartos de cada gêmeo.

Ao saírem do transe e choque, todos também fizeram o mesmo percurso que ela.

— Melissa, volte aqui agora! — Rafael disse, aumentando o tom da voz. Ele andava apressadamente até a filha e conseguiu pará-la a quase dois metros de distância da porta que dava no quarto dela.

— Eu não tenho nada para falar com você! — retrucou, e parou de costas para o pai.

— Nossa conversa ainda não acabou, Melissa. Mereço receber explicações! Você ficou maluca por acaso?

— Não, eu não fiquei. Mas fala, papai, o que quer comigo? — disse, virando-se para olhar o pai manco.

— Uma explicação, Melissa. Quero que me explique que idiotice foi essa de trair seu namorado bem na frente do meu hospital? Você sabe o que isso significa?

— Não estou com vontade de te explicar nada. E quer saber, também não quero falar com ninguém. Me deixe em paz! — disse séria, depois deu as costas a todos e finalmente agarrou a maçaneta digital. Em seguida, levou o polegar até o leitor digital e pôde ouvir um barulho demonstrando que a porta estava aberta.

Mas, antes que ela pudesse entrar, ouviu alguém a chamando:

— Você também não quer me ver, Melissa? — Fernando perguntou, parando atrás dela.

A médica sentiu seu coração parar por alguns segundos. Ela sabia que aquele dia ia ter que chegar, mas não imaginou que seria daquele jeito, tão desordenado. Melissa pressionou os lábios com força, como se estivesse tentando receber coragem para finalmente olhar na cara do namorado. Mas o corpo não obedecia, continuava parada bem ali, de costas para Fernando Walk.

— Eu preciso de explicações... — Ele ergueu o jornal no ar e o amassou com força.

Melissa não disse nada, simplesmente deu mais dois passos e passou para dentro do quarto. Em seguida, fechou a porta com força. Assim que se viu dentro do quarto, respirou fundo e encostou a cabeça na madeira maciça que estava atrás de si. Ela levou as mãos até o rosto e chorou.

Sabia que tinha ido longe demais, só que não sabia o quanto.

AVISOS:

1.1 O livro vai ser postado UMA vez por semana, toda quinta-feira ás ______. 

1.2 - Se você estiver lendo e ver que tem algum erro no livro, NÃO comente aqui, manda um prit pra mim lá no chat, ok? Mas, por favor, se você achar algum erro, me falaaaa!

1.3 - Poooor favor, você pode ler e deixar sua estrelinha aqui? Eu sei que existem leitores que não gostam de comentar, mas se esse for seu caso, você pode deixar a estrelinha. Isso vai me ajudar muitooo e mais pessoas vão poder ir lendo o livro. Obrigadaaa!

Quem aí já está SURTADOOOO levanta a mão!  kkkkkkkk Eu sei, eu sei... Vocês já estão criando um monte de teorias... 

Você achou que a Melissa foi uma babaca? 

Sentiu muitaaaa dó do Fernando? 

Me conta tudoooo que você sentiu enquanto lia esse capítulo, vou amar saber. 

Beijinhos, até quinta-feira que vem!

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top