Tão doce
Eu estava brincando com meu urso de pelúcia na rua em frente à minha nova casa quando ele se aproximou. Era um homem alto, moreno e bonito com feições enfezadas. Algo no seu rosto suavizou quando falou comigo.
Ele me fez perguntas. Não respondi no início. Minha mãe disse que não deveria falar com estranhos, mas ele sorriu e seu sorriso era tão doce que me fez falar.
Mostrei a mão aberta quando perguntou minha idade, neguei com a cabeça quando perguntou se meus pais estavam em casa. Afirmei quando me perguntou se eu estava com fome e, no mesmo momento, minha barriga roncou alto para confirmar.
O homem me convidou para almoçar em sua casa. Fiquei em dúvida. Minha mãe também havia me dito para nunca comer fora de casa, mas ele se aproximou. Seu olhar era ainda mais doce que seu sorriso e eu estava realmente com muita, muita fome, então o segui.
O homem me levou por todo o caminho mantendo um aperto forte em minha mão, como se tivesse medo que eu fugisse. Às vezes me lançava um olhar estranho e sorria novamente.
Quando chegamos a sua casa eu estava querendo voltar embora. Minha mãe ia ficar tão brava se não me encontrasse quando voltasse... Mas ele disse que estava tudo bem, que falaria com ela depois e ainda segurando forte meu braço, me levou para dentro.
Quando passamos pela sala ele me mostrou uma foto em um dos muitos quadros em sua parede. Disse que a garotinha na imagem, era sua filha que havia morrido há alguns meses e que eu me parecia muito com ela.
Quando entramos na cozinha, ele pegou um grande pedaço de bolo da geladeira e colocou sobre a mesa. Em seguida me pôs sentada sobre seu colo e eu pude sentir seu cheiro, seu perfume era tão doce...
-Coma - Disse ele com um sorriso enquanto acariciava meu cabelo e meu rosto com cuidado. Hesitei por um momento e ele repetiu - Coma - E eu comi...
Ele era um homem tão doce...
Naquela noite quando minha mãe colocava minhas roupas de volta na mala e os carros de polícia passavam indo na direção da casa do homem com sirenes ligadas, eu estava chorando.
Os gritos de minha mãe sobre como ela estava decepcionada comigo por sair com um estranho depois do que havia acontecido da última vez, faziam minhas lágrimas aumentarem, mas não era a causa principal. A lembrança daquele homem ainda era nítida na minha cabeça, seu cheiro, sua pele macia...
Ele era tão doce...
Eu peguei o pequeno pedaço de coração que havia guardado no bolso de meu vestido. A lembrança do quão assustado aquele homem estava quando mergulhei a mão em seu peito me fez sorrir. Acho que ele não imaginava que eu era tão forte.
-Ele era tão doce...
Disse baixinho mastigando o restante do órgão com um gemido de satisfação. Assim que terminei de comer, lambi os lábios e engoli até a última gota de sangue.
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