Prólogo

SEM REVISÃO

OUTUBRO/2019

Aeroporto Internacional de Guarulhos - São Paulo

Sentada numa das várias cadeiras vagas que tinha ali, observava o vento com sua velocidade graciosa e sua força mágica balançar as árvores lentamente de um lado a outro, como também, as pequenas gotículas de água que a chuva deixara cair escorrer de forma - ora rápida ora lenta - pelos enormes vidros ao meu lado direito, esses que me serviam de proteção, enquanto aguardava seu avião pousar junto a tanto outros no meio da pista de pouso ao longe.

Um bebê sentado em um carrinho começa a chorar o que me faz tirar os olhos  do que se passa lá fora.

Fecho os olhos e inspiro e expiro profundamente, em seguida os abro. Sinto as palmas das mãos soadas, enfrego umas às outras e depois esfrego-as nas coxas em cima do jeans da minha calça.

Quase que automaticamente minhas pernas não param quietas. Ser uma pessoa extremamente nervosa e ansiosa não ajuda em nada.

A porta de desembarque do Portão G se abre e de lá saem algumas pessoas.

Suspiro.

Direto saindo alguém e quando eu penso que é ele, não é.

Novamente fecho os olhos, deito a cabeça para trás encostando na parede atrás da cadeira que estou sentada, cruzo os braços acima do peito com o celular espremido na minha mão, respirando fundo, tentando acalmar minha ansiedade desregulada.

Nunca julgue as escolhas de alguém sem saber o motivo pelas mesmas.

Aprendi isso da maneira mais prática e rápida, vivendo e sentindo na pele como suas escolhas são julgadas pelos outros sem eles saberem o sentimento e o significado que elas possuem.

Sempre ouvi e li em diversos livros sobre o tal famoso Amor à primeira vista.

" Duas pessoas que se veem pela primeira vez do nada, se atraem e a partir desse momento não deixam de pensar um no outro e assim se apaixonam."

Óbvio que eu não acreditava nisso, simplesmente por nunca ter acontecido comigo. O que me torna uma idiota completa, só porque não aconteceu comigo não significa que não aconteça com outras pessoas.

Definitivamente esse tipo de amor não combina comigo, teria que ser algo totalmente aleatório, sem noção, complicado e difícil. E bom, foi justamente isso.

Digamos que quase isso...

Durante meus vinte e dois anos de vida eu tive três relacionamentos legais, que não duraram tanto quanto deveriam. Eles nunca foram ou chegaram a algum tipo de Amor.

Tinha dezoito quando veio o primeiro pedido de namoro, semanas depois de eu ter dado meu primeiro beijo com Lucas, meu vizinho de condomínio. Nos conhecíamos a pouco tempo, logo depois do nosso primeiro beijo, eu me iludi rápido demais e quando ele veio com o "QUER NAMORAR COMIGO?", o sim veio rápido.

Afinal, no meu pensamento fora do normal, a gente ia namorar, casar e todo o blá blá blá...

Cedo demais eu descobri que nos empolgamos e que era nada mais que amizade e ele também, terminamos.

Fiquei com outros garotos e meses depois apareceu o Gustavo, era amigo do meu primo, a gente se envolveu por um tempo, dias mais tarde me pediu em namoro, aceitei. O que não durou muito, ele teve que se mudar pra fora do país por ter ganhado uma bolsa de estudos, enfim, terminamos.

Quase seguindo o mesmo ritmo, meses depois conheci o Daniel. Igualmente tão rápido como começou, terminou. No final ele ainda estava se conhecendo e descobriu que era gay, porém nossa amizade era bem maior do que um relacionamento, decidimos continuar com ela e ficar amigos. E então terminamos.

Depois de todos esses relacionamentos zero quilômetro, acabei percebendo que eu só servia pra ser uma simples e boa amiga. A maioria dos meninos que eu me relacionava em algum momento virava pra mim e lançava quase a mesma frase:

" Você é uma ótima amiga."

" Acho melhor a gente ficar na amizade."

" Uma amiga igual você não existe."

" Pelos menos podermos ser amigos né?!"


Nisso, resolvi arriscar uma coisa totalmente louca.

Dois anos depois aqui estou eu esperando conhecer pessoalmente a pessoa que eu namoro a um mês, e que conheço virtualmente a um ano e meio.

Meu celular vibra com uma nova mensagem e meu coração da um pulo.

Me sento direito segurando ele com as mãos suadas e desbloqueio tão rápido que erro a senha três vezes e na quarta consigo.

Uma mensagem dele.


Talvez amanhã a gente se encontre
[16h32]

Logo seguida de outra, e ele quase sai pela garganta.


Ou quem sabe hoje e agora
[16h32]

E com a última ele para por alguns segundos.

Acabei de pegar a mala.
Tô saindo.
[16h33]


~•~

Eu moro em São Paulo.

Ele em Belo Horizonte.

A distância era um grande problema. Agora não mais.

O famoso Amor à primeira vista não tinha utilidade nenhuma.

O que aconteceu eu prefiro chamar de "Amor à primeira mensagem".

Bem, quase isso...


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